7.01.2005

Imperdível

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E pronto, a primeira vinda a NY após me mudar para Boston já está confirmada.
Só falta mesmo comprar o bilhete para o autocarro porque para o espectáculo, já está!

Como poderia deixar de assitir a um solo do Keith Jarrett? Um sonho que nunca julguei que pudesse ver tornado realidade.

Quanto menos se espera... pimba!
Este tipo não pára de me surpreender... vá lá que desta vez foi pela positiva.

Wireless

Estou neste momento de papo-para-o-ar, deitada na cama, a usufruir de internet sem fios.
Pelo avançado da hora não me vou alongar mas, não queria deixar de dizer que... é um ESPECTACULO!!!!!
Especialmente por ser 'a borlix, hehehe :D

6.29.2005

Concerto I

A sala estava a abarrotar. Embora enorme, o Carnegie Hall parecia pequeno para tanta gente. Sentia-se no público a excitação da antecipação de um excelente concerto. Não nos desiludimos: keith, Gary e Jack foram exímios. A música era redonda e o diálogo entre os músicos fluído. Via-se que tocavam com gosto, que apreciavam o que estavam a fazer. Embora todos músicos espectaculares, claro está que Keith Jarrett sobressaíu. No Trio ele é inevitavelmente a estrela e, cada vez que a “palavra” lhe era dada, poemas autênticos saiam das suas mãos, que mais pareciam extensões do próprio piano. Ele contorce-se, levanta-se do banco, dança, quase que se ajoelha… geme, canta. Fecha os olhos, aproxima o ouvido do teclado, vira a cara para o lado… ver para quê? Não precisa de olhar para o teclado, ele sente-o, é dele, é ele.
Uma interpretação com uma intensidade única.
Foi um deleite para os ouvidos e para os olhos. Senti-me bem, feliz, eufórica por vezes… quase que não acreditava que estava de facto a assitir ao vivo a uma actuação do Keith Jarrett. Ri, chorei, suspirei… é impossível não me deixar envolver por aquela música. Dejohnette e Peacock também foram impecáveis. As partes de solo que lhes competiram foram executadas na perfeição e igualmente sentidas. Por vezes, nem se conseguia perceber de onde saiam os sons que Dejohnette tirava da bateria. Literalmente, usou-a como instrumento de percursão que é, pois muitas vezes percrutia ritmos no metal ou nos aros. Peacock dançava com o contrabaixo. Mesmo ‘a distância adivinhavam-se os dedos longos e ‘ageis.
O público acompanhava as interpretações com exclamações e palmas aqui e ali. Sentia-se uma energia muito positiva.
Foi extraordinário… até ao momento em que Keith se aproximou do microfone.
Aí, foi o dissabor da noite.
Eu estava completamente embevecida com tudo o que estávamos a ouvir e assistir e, de todo, ‘a espera daquele balde de água fria.

Quando terminada a actuação, a sala inrompeu numa ovação ensurdecedora. Toda a gente se levantou. As pessoas batiam palmas entusiasticamente, com um sorriso estampado no rosto e, aqueles que queriam de alguma forma guardar um pouco daquele momento, tiravam fotos enquanto os músicos agradeciam. Saídos do palco, ninguém afrouxou. Os aplausos não arredaram pé até que o Trio entrou novamente na sala para nos presentear com o primeiro “encore” da noite. Assim que o público se apercebeu que iam tocar de novo, fez-se silêncio imediato e toda a gente ficou ‘a espera ansiosamente dos próximos sons. Versão de “Somewhere”, de Leonard Bernstein, West Side Story. Uma exclamação e palmas de reconhecimento do público. Uma vez terminado, nova explosão de palmas que continuou até que o Trio entrou pela segunda vez na sala. Aí, Keith vai até ao microfone e fala:
- After all these generations, people continue being Dumb (chamou-nos isto com todas as letras). Can’t you understand flashes bother people on stage (e o mais ridículo é que o pessoal só tirou fotos quando eles estavam a agradecer)? I wish you’d come up here and be flashed in your face to see if you’d like it. I have the sun glasses, but still doesn’t help. C’mon, this is New York, you can at least read can’t you?
Fiquei completamente estupfacta.
Quê?? Que arrogância!!! O pessoal ali, completamente rendido ‘a música deles e a aplaudi-los como nunca e o caramelo vem-me com aquele discurso, a chamar-nos estúpidos?? Foregodeseique (que é como quem diz, For God Sake :P)!!!!
O mais ridículo foi o que se seguiu. Disse:
- And do you want another “encore”? If so, behave yourselves!
No geral, o pessoal ao ouvir a palavra mágica (encore) borrifou-se para o que ele tinha acabado de dizer e desatou a bater palmas. Quer lá o pessoal saber se o Mr. Keith Jarrett “Star” está incomodado! A música é tão extraordinária que o insulto ficou em segundo plano… mas caiu mal.
Seguiram-se ainda mais 2 “encores”, estes sentidos (por mim) já de uma maneira diferente.

Reflexão

Tenho sempre dificuldade em lidar com a ambiguidade: pessoas que são musicalmente lindas e que produzem “o Belo” e depois… revelam ser assim… feias.
E’ para mim estranho como é que depois de dizer algo tão amargo, Keith se conseguiu sentar ao piano e imediatamente começar a tocar e a expressar sons tão diferentes, tão cheios de alma e de sentimento. Lindos mesmo!
Recordo que quando tocava piano havia sempre uns segundos antes da primeira tecla ser premida durante os quais me recolhia, ouvia o que ia tocar dentro da minha cabeça, para depois o começar a sentir no coração e saber que expressão queria que passasse das minhas mãos para o público. Inicialmente tive que saber educar esta dicotomia sentir-exprimir mas depois, o equilibrio era já inato e, o que transmitia era o que sentia e vice-versa. Passei a ser tão transparente nesse sentido que, nos dias em que as coisas não me tinham corrido lá muito bem ou estava desconcentrada, ao começar a tocar a Madalena (professora, mentora, amiga) de imediato percebia e dizia, sorrindo: “Já vi que hoje não estás muito bem disposta! Talvez devamos debruçar-nos mais em exercício de técnica e deixar o Arabesque nº2 de Debussy em paz… hoje não o estás a tratar muito bem!”
Sempre vi a Música como a forma mais fácil, natural e simples de uma pessoa expressar o que de mais sensível tem, o seu interior… aquilo que as palavras não conseguem abranger. E’ tão mais completa! Tem côr, tem cheiro, textura, intensidade, sentimentos…
Inconscientemente, parecia-me natural que alguém que sentisse e vivesse a Música assim seria inevitavelmente uma pessoa transparente, Bonita. Sempre me regi por esses padrões na maneira como aprecio as pessoas. Deslumbro-me facilmente se alguém fica com um brilho nos olhos e com dificuldade de se expressar ao falar de música… pois a música não se fala, sente-se!

Conheci na minha vida 2 pessoas para quem a música era escutada e vivida com as mesmas lentes magnificadoras e através dos mesmo filtros de cores e sensações com que o é para mim. Infelizmente, revelaram-se completos idiotas (e não estou a incluir o Keith nesta categoria, se bem que me parece que para lá caminha… mas não o conheço pessoalmente).
Curiosamente, conheço outro alguém que, em termos musicais, mais parece ter vivido isolado do mundo e que nunca viu na música uma forma de se expressar (basta dizer que Simon & Garfunkel ou Pink Floyd lhe eram totalmente desconhecidos até há uns meses atrás… e falo de alguém na casa dos 30) mas que se revela de uma sensibilidade e sensatez extremas quando ouve os meus desabafos e me aconselha… é uma pessoa Bonita.

Fico confusa….
Afinal, não é linear ver a pessoa que se encontra por trás da música… no geral.
Mas há excepções, certo? Tem que haver…

Gostava de não ter estas dúvidas. Era bem mais romântico e "cor-de-rosa" quando, ingenuamente, sentia que através da música conseguiria ver as pessoas por dentro e não me desiludir.

Bem, mas por outro lado, isto permite que por vezes consiga ter surpresas agradáveis também :)

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6.28.2005

Temporariamente Encerrado...

Para mudanças!
Hoje saio do apartamento onde vivi até agora.
Acho que os vizinhos vão dar pela minha presença...

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Essência

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Só quando se conheceram se aperceberam que até então nunca tinham experimentado a verdadeira Química entre duas pessoas.

Deslumbravam-se mutuamente.

Amavam-se fundindo-se. Era único.
Fundiam-se não só os Corpos mas também as Peles, os Cheiros, os Fluídos, as Palavras, os Gemidos. Perdiam-se nos Olhares Líquidos e Profundos, no Envolver de Mãos, Apertar de Coxas e Saborear de Lábios.
Tornavam-se Um como nunca antes tinha sucedido com ninguém. Complementavam-se, preenchiam-se.

Deslumbravam-se mutuamente.

Mesmo não estando juntos...
Ela sente-O...
Ele sente-A...
Cúmplices!

Certa vez Ele dizia-lhe:

“ – Qual é mesmo o teu perfume? Aquele Azul... hhmmm... não me lembro. Até a minha irmã dizia que "cheirava a ti" sempre que eu tinha estado contigo.
Hoje algo me recordou desse cheiro, do teu cheiro.
Lembrei-me de ti, lembrei-me de nós e então sorri!”

6.27.2005

Ressaca

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Ainda sob o efeito inebriante dos concertos da semana passada, preciso que me passe a "bebedeira" para ser capaz de escrever sobre eles:

- Keith Jarrett/Jack Dejohnette/Gary Peacok
- Paul Motian/Bill Frisell/Joe Lovano
- Stanley Clarke/Bela Fleck/Jean-Luc Ponty
- Cassandra Wilson.

Momento do Dia

Senti o cheiro a terra molhada em Manhattan.
Inspirei fundo e tentei reter aquele odor dentro de mim.

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Só pedindo aos Santinhos!

Fui ao oftalmologista.
Julguei que andava a ver mal mas, afinal, o meu problema é ver bem demais.

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"... And please let Mom, Dad, Rex, Ginger, Tucker, me and all of the rest of the family see colour."

6.23.2005

Lei de Murphy (Versão "Noiorquina")

Se estás 'a espera do autocarro M15 'as tantas da matina na 2a Avenida, todo e qualquer veículo de grandes dimensões, cheio de luzes e que, 'a distância, pareça o transporte prometido, será um camião do lixo.

(já para não falar que, certamente, chegaste exactamente 29 segundos após um autocarro ter passado e terás que esperar uma eternidade pelo próximo, pois estarão sempre atrasados :P)

6.22.2005

E' Hoje! E' Hoje!!!!

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Keith Jarrett

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Um Homem. Um Piano. Uma unidade.

Neste momento escuto o concerto em Paris, o meu preferido.
Tanto neste concerto como em todos os outros que gravou, totalmente improvisados tendo até o mais famoso de todos eles (gravado em Köln) a particularidade de se restringir aos registos médios do piano por falta de afinação do mesmo nos registos mais agudos/graves (o que em nada diminuiu a genialidade de Keith Jarrett... pelo contrário), este extraordinário músico faz com que a música adquira contornos humanos e vice-versa.

Ele respira música e a música respira-o a ele.

Ele transpira música e a música transpira-o a ele.

Há cores, aguarelas, penumbras, sombras. Um gemido, um cantar, um bater de pedal, de martelos, um ranger de banco, um abraçar do teclado, uma exclamação.
Prazer, dor, alegria, ansiedade, expectativa, tristeza, abandono.
Tormenta, acalmia.
Há cumplicidadde, identidade.
Confundem-se... a música, Ele, o piano, o sentimento...

E' lindo! Inexplicável.

Infelizmente, hoje em dia Keith já não nos presenteia mais com este tipo de interpretações. Fruto da intensidade com que os vivia e expressava, os concertos acabaram por o exaurir, tendo sofrido nos últimos anos de Síndroma de Fadiga Crónico... que muito romanticamente alguns preferem enunciar como um "estado de tristeza". Contudo, recuperou e actua ainda com o seu trio de há já muitos anos, que terei o privilégio de escutar amanhã no Carnegie Hall.

Embora actue com músicos excelentes, e falo de Gary Peacock e Jack Deohnette, não consigo conter a minha excitação ao saber que vou ver e escutar, ao vivo e a cores, O Keith Jarrett.

Alguém que sente e vive a música com tanta alma e que cria melodias tão imensamente intensas só pode ser extraordinário.
Adoro-o!

Já Chegou! Já chegou! :D

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Já tenho uma máquina de fotografar!!!!
Não é linda??
E' super "picolina", compacta e toda XPTO com 4.0 megapixels, 3.0x zoom óptico... (sim, as gajas também conseguem falar esta linguagem... não é só dizer: Oh, tão querida! - o que até é verdade, heheh).

Ohhhh, "My Precious"!!!! (dito com sotaque Irlandês e a bater com os dedinhos das mãos, em pleno êxtase).

Acho que o blog ainda vai ficar com mais fotos que o costume... ou então distraio-me tanto com a maquineta que me esqueço de escrever :P

6.21.2005

Afinal, podia ser pior

Lá que ando abananada ando mas, ao menos, não ao ponto de fazer figuras como a dos 3 matulões que hoje vi na East Village. Reuniam-se 'a volta de uma casca de banana sobre a qual saltavam, qual surfistas, para deslizar sobre o passeio... tipo "banana surf".

Menos mal... pensei que eu já fosse um caso agudo :P

Quero um Canito!!!!

Ao ver o pessoal a passear os cães na rua (e quando digo cães refiro-me 'aqueles grandes e não aos pequenotes, que mais parecem a pilhas) é frequente recordar-me dos vários que tive e dos risos que me provocaram em situações divertidas como esta.

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Tenho saudades!

6.20.2005

Inté

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Isto de Blogar é viciante e, sem dar conta, acaba sempre por ir noite adentro.
Vou dormir... amanhã há mais!

Minúcia Oriental

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Hoje fui cortar o cabelo a um salão oriental.
Cortam com arte e paz... sai de lá completamente Zen.

Mariza Transparente

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Já saiu o novo albúm de Mariza. Ainda não o tenho mas já escuto uma das faixas: Medo (Reinaldo Ferreira/Alain Oulman). A voz e a interpretação, como já vem sendo hábito, continuam cheias de alma e expressão... literalmente, transparentes.
Longe de Portugal, o Fado adquiriu para mim um novo significado.
Agora gosto e muito. Identifico-me com tantas coisas e tantos estados de espírito!

Estou ansiosa pelo dia 7 de Outubro, altura em que poderei escutar ao vivo o novo trabalho, no Carnegie Hall.

Uma excelente razão para vir até NY :)

6.19.2005

Essência

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Esquecia-se sempre de algo.
Deambulava nua pela casa depois do banho, ‘a procura de alguma peça de roupa que não encontrava no quarto. Passou pela irmã, que logo lhe perguntou:

- Que puseste na pele? O óleo “verde”?
- Sim – respondeu distraidamente, ainda ‘a procura da dita peça de roupa.
- Pah, em ti cheira sempre melhor! Cheira diferente! Já com o perfume é a mesma coisa. Se eu usar o teu, nunca cheira da mesma maneira. Sei lá… tens um cheirinho especial!

Help!! Estou a ser Atacada por Armas Biológicas!

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Voltou a acontecer!

Aaaahhhh!!!!!!
E' o ataque das Bananas!!!!

Passei por uma banca e... comecei a sentir aquele efeito... ai, ai, ai,...
Resiste Inês, resiste!!
Sê forte!!!
Run away from the light!
Say NO to the dark side of the Force!!

Eu bem tentei, mas não consegui. Lá comprei eu outro monte de bananas!! :P

Argentina?!

A semana passada fui até Boston para dar uma vista de olhos num apartamento (isto porque em Setembro me mudo para lá e tenho que encontrar tecto... mas isso já é material para outro post). Chegada ‘a morada, fiquei ‘a espera nas escadas, onde já se encontrava um senhor. Olhou-me com curiosidade e perguntou-me se era a Cathy. Respondi que não, que estava ‘a espera dela. Ele era o supervisor do prédio e iria abrir-nos a porta do apartamento para o podermos ver. Durante os minutos de espera trocámos umas palavras e, a meio da conversa, acabei por lhe perguntar o nome... afinal já estávamos a falar há algum tempo e as apresentações ainda não tinham sido feitas.
- Fernando! – respondeu.
- Fernando?! Are you Portuguese?
Certinho, direitinho. Nem de propóstio, a primeira pessoa que conheci naquele dia em Boston tinha que ser logo Tuga, nomeadamente Açoreano.
- Engraçado – disse ele ainda com o sotaque de S.Miguel – eu não diria que és Portuguesa! Bem, agora sim, acho que és muito Portuguesa mas, no início, por causa da maneira de vestir e falar, julguei que fosses… p’rái Argentina!

- Quê??? Argentina?!
Até arregalei os olhos de espanto!!

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Já me tinham dito antes que parecia Francesa, Brasileira, Inglesa ou Americana (vá-se lá saber como!)... mas nunca Argentina ou alguém de expressão Espanhola. Era irónico sem dúvida!! Farto-me de me meter com o sotaque do pessoal cuja língua materna é o Espanhol com quem tenho mais ‘a vontade ou sou amiga... quando falam Inglês e dizem “I rave” em vez de “I have” ou "Boodoo Doll" ou "In Bibo" em vez de "Voodoo Doll" ou "In vivo", respectivamente, rebolo a rir.
Desta vez... quem levou com o gozo fui eu. Toma lá para não te armares em Chica Esperta :P

PS – Mesmo assim, ainda acho que o Fernando era meio surdinho!