8.01.2007

Múmia Paralítica

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Era uma vez um Francês, um Alemão e um Japonês.

Poderia ser o início de uma anedota mas não é, de todo. O que vou contar não teve piada nenhuma. Num só dia devo ter batido o record de contracção muscular, pois durante o tempo que estive no lab estive sempre tensa, firme e hirta, como diria o Herrera.

Estava eu de manhã muito sossegadita a fazer as coisas na minha bancada quando olho para o lado e, no chão, junto 'a parede, vejo uma barata enoooooooooorme. Arrrgghh!

Como 'a frente deste gente toda não posso dar o escândalo que normalmente dou quando me deparo com estes bichos, saí pé ante pé, como quem não quer a coisa e, do outro lado da porta do laboratório, interpelei o Francês que se sentava no microscópio:

- J.?! Are you afraid of cockroaches? - perguntei já a sentir as usuais erupções e comichões que me assolam nestas situações.
- Nô (é o No em Francês).
- Would you mind killing that one over there?

Prestável, o J. lá se levantou e, após algumas tropelias (deduzo que tenha sido um desafio pela algazarra que ouvi vir do lab, entre guinchinhos de algumas pessoas e barulho de coisas a cair), lá conseguiu apanhar a desgraçada e desfazer-se dela.

Ainda meio a medo, entrei no lab, a olhar para tudo quanto era lado, completamente tensa e retesada. Ainda o dia estava a começar e já me doía o corpo. Bonito!

Refeita deste susto, dirijo-me ao andar de baixo, onde temos os nossos peixinhos e onde recolho os embriões para que depois, numa outra sala, os injecte.
Lá lá lá, lá vai a Inês para a sala de injecções, sento-me, preparo o estaminé todo e eis se não quando vou a estender a mão para agarrar no esguicho, está uma barata morta, com aquelas patas horríveis viradas para o ar, mesmo ali, na bancada.

Aí não contive o medo:

- AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!! - enquanto saltava da cadeira e mandava pelo ar agulhas, moldes, embriões e sem lá eu mais o quê!

Quase matei o Alemão que estava ao meu lado de susto.

- What happenz? (happened em Alemão)
- P. could you please get rid of that coakroach?
- Sure! - enquanto se dirigia a ela - oh, diz iz not the same dat vuas here yesterday!!
- Quê, havia outra? (pensei eu)
- Diz has a broken antenna!
- Quero lá saber se tem a antena partida ou não. Deita lá a bicha fora antes que me dê um ataquinho... outro, quero eu dizer (continuava eu a pensar).
- Arrã - articulei ainda meio paralisada
- Why are you afraid? Dey are zo beautiful?
- Este gajo só pode estar a gozar comigo (já fervia eu nos meus pensamentos)

Acho que ele percebeu que eu não estava a fingir o meu estado de histeria e lá me salvou sem mais demoras.

Escusado será de dizer que por esta altura eu já estava com os nervos feitos em fanicos. Qualquer coisinha que mexesse já me assustava e quase fiquei entrevadinha de estar tão tensa.

Julguei que o dia a partir de agora decorreria sem mais precalços mas, como não há 2 sem 3... não perdi pela espera. Desta vez, um verdadeiro filme de terror!

Ora, aqui a Je teve a brilhante ideia de ficar a trabalhar até tarde no lab. Desta feita, era quase 1 da matina quando, enquanto sentada ao computador a analisar os meus dados, dou por mim com a estranha sensação de estar a ser observada.
Aí, quando me viro...

Medo!!! Muuuuuuuuito medo!!!!!

Estava, nada mais nada menos que, a maior barata que já vi 'a minha frente (acreditem, batia as gigantes que me atormentaram em Salvador de Bahia) a dirigir-se para mim, no chão.

Não sei como fiz o que fiz, mas o que é certo é que saltei da cadeira, quase fazendo um mortal encarpado, com uma semi-pirueta e, qual ninja, já estava na parte de fora do lab, a correr pelo corredor fora.

- Ai o caraças!! - pensava eu - então agora como é que me desenrasco desta? - falava eu para com os meus botões - nem me atrevo a entrar no lab de novo... e estão lá as minhas coisas, a chave de casa, a carteira... Ai o caraças!!! E agora, não há ninguém para me salvar!!!!!

Estava eu nestas andanças quando me apercebo que há vida no laboratório do lado. Felizmente não era mais uma barata mas sim... o Japonês. Rejubilei!

- Hi! You have to save me! - disse-lhe logo assim, tipo donzela em perigo, para ele não ter como fugir - are you afraid of coakroaches?
Respondeu-me com uma vénia, pois as aptidões de comunicação dos Japoneses por estas bandas deixam a desejar, e só dizia OK!! OK!!

Mesmo não tendo a certeza se ele tinha percebido o que lhe perguntei, fiz-lhe sinal:

- Come with me!

Mais uma vénia e mais um OK!! OK!!

Durante o caminho lá percebi que ele sabia ao que ia pois, num Inglês macarrónico, lá me disse que no Japão há baratas enormes nos arranha céus (enquanto delimitava o tamanho delas com as mãos).

"Oh querido, pára lá com as demonstrações que eu já estou assustada o suficiente", pensava eu ao passo que nos aproximávamos do sítio onde se encontrava o monstro (digam lá que eu não sou uma exagerada, hehhe). O local do crime!!!

- It's there - apontei com o dedo para onde ela estaria, pois nem sequer me atrevi a entrar.

Vénia, OK!! OK!! e lá entrou ele.

Quando a viu até deu um salto (deco admitir que o "malga d'aloz" a saltar me fez rir)! O mais giro é que mesmo assim continuou a sorrir e a dizer OK!! OK!!... devia estar a capacitar-se da bela embrulhada em que se tinha metido.

Zás trás pás e, em menos de nada, a besta já estava capturada. O Japonoca ainda se vinha a dirigir até a mim com o troféu na mão mas eu de um salto disse logo:

- Amigo, acalma-te lá aí e baza mas é na outra direcção!

Nem sei bem o que disse em Inglês, mas ele ao ver o terror na minha cara, desopilou logo e despachou-se da mercadoriaal
No fim, abracei-o para lhe demonstrar a minha gratidão. Slavou-me mesmo pois arrisquei-me a não poder ir para casa. O que quer que fosse que eu estava a fazer no computador, por ali ficou, nem salvei, pois não quis ficar mais tempo dentro do lab... e até hoje, ando sempre com muuuuuita atenção por aquelas bandas.

Após tamanhos encontros do 3º grau com estes bichos hediondos num só dia, só me faltou mesmo estar embrulhada em gaze (quem bem podia ter acontecido, uma vez que com os tantos saltos que dei, me podia ter magoado).
Como já estava paralítica de tanta tensão, eu virei nada mais nada menos do que uma múmia paralítica.

Ah, e não julguem que isto foi exagero. Foi mesmo verdade. No dia seguinte, ao acordar, nem me mexia!

7.31.2007

Ainda estou viva

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Só mesmo para dizer que ainda mexo, não vão vocês julgar que o Casaco passou fora de moda. Muita coisa há para contar, desde umas belíssimas férias em Portugal, com uma passagem por Amesterdão, histórias e mais histórias... ams por isso ainda vão ter que esperar, pois ainda não me organizei como deve ser.

6.28.2007

Urgente Refrescar

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Não há 8 sem 80. Se no Inverno nos queixamos do frio extremo, não perdemos pela espera. Nos últimos dias têm estado temperaturas acima dos 30 graus, com níveis de húmidade elevados, deixando qualquer um que se aventure na rua por mais de meia hora verdadeiramente derretido.

Ontem, muito embora já fosse quase meia noite, não havia uma única janela fechada na casa (nada mais nada menos que oito janelas). O calor era tanto, que até a porta da entrada estava aberta. De sala escancarada para a rua, o David via TV sentado num banco do lado de fora da casa.

Dormir?!?! Nem pensar. Ufff, que brasa!

A única coisa boa deste calor todo, é que chego a casa e tenho o maridjinho a cirandar pela casa pelado, hehehe ;)

6.22.2007

Caracóis

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Ainda bem que não gosto de caracóis, caso contrário, andava pela rua sempre a babar-me e com desejos.

Acontece que por esta altura do ano, quando fica calor, há algumas árvores que libertam um cheiro exactamente igual 'aquele que se liberta quando, na panela de água a ferver, as lesmazinhas são mexidas com ervas.

Em contraspartida, fico meio enjoada... não gosto nada do cheiro, nem de caracóis. Blargh!!
Agora que penso, não sei se não seria melhor gostar deles!

6.18.2007

Vanessa da Mata e Ben Harper



Já há alguns dias que não me canso de ouvir esta música. Vanessa da Mata, cantora EX-TRA-OR-DI-NA-RIA do Mato Grosso, de voz abençoada e beleza exótica, lançou agora o seu 3º album "SIM" e este é o single de promoção, numa parceria com o não menos espectacular Ben Harper.

Liiiinda!!!!!

Lila Downs

A semana passada fui até ao MFA, juntamente com alguns amigos, assistir ao espectáculo da Lila Downs. Para quem não sabe, é esta Senhora:

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Para além de extremamente exótica e linda de morrer, a Mulher deixou-nos a todos completamente contagiados pela sua presença, força e garra no palco. Têm aqui 3 amostras do que foi o concerto:







As luzes e projecções estiveram sempre de feição e os músicos, irrepreensíveis e exímios, fizeram o favor de, juntamente com a Lila Downs, nos deixarem ao rubro. O harpista agarrou no instrumento (salvo seja) e fez para lá uns solos que nunca julguei serem possíveis numa harpa. O que deveria ter sido um concerto com a malta toda sentadinha, num auditório, acabou com o pessoal todo em pé e aos saltos, a bailar de um lado para o outro. Até os velhotes se punham a dar-a-dar, como se não houvesse amanhã. Foi a loucura!

No fim, até eu já gritava, qual Mexicana, Ai! Ai! Aaaaiii!, como aparece neste filme :)

6.12.2007

E' de mim ou...

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E' de mim ou, embora muito boa gente faça troça e goze com o cliché do emigrante Português, que só ouve música pimba e é pouco culto, esta é uma imagem que é alimentada, sustentada e está para se manter?

Passo a explicar. Há dias dei por mim em frente 'a RTPi a ver no que dava uma pimbalhada qualquer, em que participavam Clementes, Tony Careiras, Quim Barreiros e outros que tais. Não só dei por mim a ver isto como dei por mim a pensar: mas por que raio paraste sequer um segundo a ver este programa?

A resposta é fácil: não só não há alternativas (os canais Americanos por vezes conseguem ser bem piores) como também, e mais importante ainda, no único canal dirigido 'as comunidades Portuguesas espalhadas por este mundo, promove-se, na sua amioria, este tipo de "cultura".

Os programas que passam ou são de há 30 anos atrás, parados num Portugal que já não existe, ou então são de música pimba e piroseiras afins. Se alguns existem que possam promover alguma novidade e conhecimento (não estou a incluir o Telejornal), passam a horas geralmente impraticáveis e tardias.

Basicamente, quando a maioria dos Tugas vai estar alapada em frente 'a televisão, a única coisa que dá é exactamente aquela que confere o tão típico cliché de emigrante.

Poder-se-á dizer: ah, mas é disso que os Portugueses que estão lá fora gostam. Pode ser de facto, mas também é certo que as pessoas gostam do que lhes dão. Se não há mais nada, que remédio se não papar o que aparece... como eu estava a fazer naqueles 5 minutos que parei para ver.

Como é que se pode querer que o Portugues que emigrou há 30 anos atrás, na sua maioria pessoas humildes e de baixa formação escolar, não seja o "pimba" a que estamos habituados? Se só lhe mostram as coisas da época em que ele saiu do país, como se este não tivesse desenvolvido desde então, e se só lhe dão a ouvir música de um certo género como se não houvesse mais nada a ser produzido no país, como querem que ele adquira os "hábitos" modernos?

6.06.2007

Inês: a Arma Secreta

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Acabei de descobrir que vou ser rica na vida. E muito rica mesmo!! Então não é que tenho a capacidade de abolir do mercado todo e qualquer produto que seja relacionado com chocolate? Mas abolir mesmo, assim, desaparece e pronto, mais ninguém compra aquilo! Puufff, não há mais na prateleira!
Imaginem a Inês nas mãos da Cadbury a eliminar os produtos da concorrência, por exemplo. Rica! Riquíiiiissssima!!!

MUAHAHAHAH! (riso maqueavélico)

Bem, não devem estar a perceber nada do que estou para aqui a dizer, pelo que passo a explicar.

A coisa começou em Nova Iorque, com o Gelado Godiva, saga que podem ler aqui para ficarem mesmo a perceber. Basicamente eu adorava o desgraçado do gelado e, sem mais nem menos, desapareceu do mercado.

Depois, quando vim para Boston/Cambridge/Somerville, tentei colmatar esta falha, procurando e escarafunchando em tudo o que eram gelados até encontrar, finalmente, o substituto: nada mais nada menos do que o gelado Triple Chocolate, de Dove.
Bom! Muuuuuuito bom!
Já estão a adivinhar o que aconteceu, não é? Nem mais, desapareceu do mercado e nunca mais ninguém lhe pôs os olhos em cima. Puufff de novo.

Até aqui eu julgava que tinham sido apenas duas coincidências infelizes mas, depois do que se passou esta semana, não mais acredito nessas coisas. São os meus poderes mágicos e pronto!

Comecei há 2 semanas a trazer para casa barras de chocolate negro da Dove. O David delirou. Quais trufas da Lindt, qual carapuça! Foram imediatamente remetidas ao esquecimento após o aparecimento destas barras de chocolate preto. Das 3 vezes que voltei ao supermercado recebeu-me sempre a mesma pergunta ao chegar a casa:
- trouxe o meu chocolate querida?

E qual foi a minha resposta, qual foi?
- Oh "crido", desculpa... mas não há! Procurei tudo e desapareceram!

A porra dos chocolates foram abolidos das prateleiras onde costumavam estar. Digam lá que isto não é coisa digna de poderes especiais?

E' o que vos digo. Eu, nas mãos de uma qualquer empresa de chocolates, sou uma verdadeira Arma Secreta. E' só pedirem que eu começo a comer este ou aquele chocolate e pronto, em menos de nada vai desaparecer do mercado... acabou-se a concorrência.

Pelo sim pelo não, não me vou arriscar a comprar Morenazos quando fôr a Portugal. Vou continuar a pedir ao pessoal que mos mande ou coisa que o valha, não vá o diabo tecê-las e eles desaparecerem também!!

5.29.2007

A Marreca da Minha Irmã

- Então mana, recebeste a minha encomenda?
- Sim. Obrgada!! Que bom, tantos chocolates!!!
- E viste os Morenazos?
- Sim, claro. Já começaram a marchar hoje ao pequeno-almoço.
- Hhhmm... e.... então vais escrever um post sobre eles, não é?
- Acho que não. O pessoal já está farto de ouvir falar de Morenazos.
- Pah, não está certo!! Quando descobri que se dissesse que cheiravas bem tu escrevias no blog, não escreveste (ver "Essencia", na coluna da esquerda). Agora que descobri o segredo dos Morenazos, também não escreves!! Tá mali!!! Tá mali! Mali! Mali!
- Oh marreca, isto não é só pedir. Se lesses e comentásses no Blog, eu lá metia uma cunha por ti, agora assim....
- Ai é? Vou já pôr um comentário a dizer para as formigas atacarem os teus Morenazos, hehe.

5.23.2007

Quem disse que as formigas não têm dentes?

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Ainda ontem as apanhamos a atacar o nosso Listerine.

E' no que dá viver no campo!

5.20.2007

Compionhes!!!!!

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Puorto, Puorto, Puorto, és a nossa Glória!!!
Dá-nos neste dia!!!
Mais uma Alegria!!!
Mais uma Vitóoooooooria!!

Carago!!! Lá nos fizemos nós ao Bi!!

Post especialmente dedicado aos meus Papás, que directamente do Algarve me ligaram para celebrar, e ao Fernando, que logo comentou aqui no estaminé!

5.19.2007

Soluços: o Ataque

Nem vos digo nem vos conto!
Se querem ter uns abdominais firmes e hirtos, completamente definidos e bem trabalhados, nada como uma sessão de soluços misturada com outra de riso:







Juro que, após uma hora nestas condições, já me doía a barriga!

5.18.2007

E a coisa não acaba

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Sim, é verdade! Vou falar, mais uma vez, dos Morenazos.

E' que estes não são mais umas simples e meras bolachas, nem jamais poderão alguma vez cair no anonimato após os desenvolvimentos que se têm vindo a registar desde A SAGA.

São sim, o motor de acontecimentos de dimensões trans-Atlânticas. Eu diria até, quiçá, de escala mundial.

E' um fenómeno!!
E' extraordinário!!

As pessoas, ao ler este post, devem ter pensado:
- coitada da rapariguita!! Satisfaz-se com pouco. E' mesmo doida!

e então a coisa começou e crescer e não se ficou por aqui.

Começaram a haver cada vez mais e mais manifestações de curiosidade, cumplicidade e compreensão em relação aos meus queridos Morenazos e o carinho que nutro por eles, como puderam ler aqui.

A Kitiana, que nunca me viu mais gorda ou alguma vez me conheceu, excepto na Blogosfera, até se ofereceu para me mandar umas quantas embalagenzitas pelo correio, uma vez que todas as manhãs passa pelo LIDL e se lembra da minha saga (ver comentários).

Se eu aí dizia que o Bruno andava a subir 'as paredes de curiosidade, não andava muito longe da verdade. Vejam só o email que eu recebi dele há algumas horas atrás:

"Devo aparecer la' mais tarde. estas interessada em dar um salto a central 'a noitinha? ela perguntou-me se tu querias vir uma vez q iniciaste a ideia das bolachas eheh

b"

De início não percebi patavina, mas então li o email que estava redireccionado, imediatamente abaixo da mensagem do Bruno, e fez-se luz (não foi bem luz! Foi mais um sonoro: 'tás'a gozar!!?!?! Só pode!!!).

AP, uma amiga do Brunovsky, escreveu-lhe o seguinte:

"ja voltei do nosso Portugal

(...)

Mas vamos ao que interessa. Desta viagem trouxe na bagagem... 'morenazos'. Eu nao sabia o que isto era, ate o Bruno me ter pedido para trazer! Quem nao sabe, pode dar asas 'a sua imaginacao ate... amanha! Aparecam na minha casa dp do jantar, la pelas 9.15pm/ 9.30pm, para uma sessao de 'morenazos'. Nao tragam nada. Ou melhor, tragam so a vossa boa disposicao!

Ate la!
Bjs"

Notem só o pormenor do "vamos ao que interessa".

Lindo!!!

A ida a Portugal, oásis dos Tugas por aqui plantados, fica imediatamente remetida para segundo plano face 'a importância dos fantásticos Morenazos.
Quem é que quer saber das praias, da gastronomia farta e deliciosa e dos carinhos da Terrinha? Niguém!
Passa 'a frente! Vamos mesmo ao que interessa!

Os Morenazos até dão azo a uma operação mistério pela qual, muitos dos incautos e ingénuos que andam por essa vida sem saber ainda o que é um Morenazo (perdoai-lhes Senhor), devem estar ansiosamente 'a espera.

E é já amanhã 'a noite!
Zwweeeeee!!!!!!! Nem acredito!

Pah, Morenazos meus!!
Morenaaaaaazzzzzos aqui, pah! Aqui!!!!

E' a "lócuuuuuuura"!!!

Obrigada Bruno, por seres, tu e os teus amigos, tão loucos quanto eu ;)

5.13.2007

A coisa promete

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Hoje o céu esteve azul, limpo, sem nuvens e com um sol radiante. Uma brisa fresca manteve a temperatura naquele limiar ideal nem-muito-quente-nem-muito-frio.
E que dia melhor para ir até 'a praia?!

Fomos, eu e o David, visitar o mar pela primeira vez deste lado do Atlântico. Metemo-nos no comboio, para uma viagem de 40 minutos, durante a qual pudémos observar as belezas da Primavera: verde viçoso e flores por tudo quanto era lado.

Manchester by the Sea, onde fica a praia, encontrava-se tranquila e quase vazia. A época balnear ainda não começou. Perfeito!

Partilhando a mesma toalha, deitámo-nos ao sol, observando as poucas pessoas que por lá passeavam, crianças que chapinavam na água e adolescentes jogando baseball (ou pelo menso a tentar) e disco-voador.

Promete... de certeza que daqui a uns fins de semana já poderemos passar o dia ao sol e mergulhar no mar.

Até a Matilde, nosso amuleto, que me foi oferecida por uma Amiga querida no Rio de Janeiro, se quis estirar ao sol. Olhem que catita que ela está no espacinho que encontrou na nossa toalha! :)

5.11.2007

Essência

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Agarrou-a por trás, enquanto ela fazia algo na cozinha.

Beijou-lhe o pescoço, envolvendo-lhe a cintura enquanto a outra mão lhe acariciava o seio. Apertou o corpo dele contra o dela, continuando a beijá-la: pescoço, orelha, uma língua que desliza quente, provocando-lhe um arrepio.

Abraçou-a, virando-a então para si e beijando a boca de um rosto agora envolto por duas mãos que lhe seguram as maxilas.
Por entre beijos e respirações que se misturam, ouviu-o:

- Esse seu cheiro... me deixa louco!

E o jantar ficou para mais tarde....

Raivinha

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Desde que vim para os EUA que há duas coisas que me deixam particularmente irritada.

No início não ligava muito mas agora, 'a medida que o tempo passa e uma pessoa vê como é que o esquema funciona, passo-me da cabeça quando as pessoas só se lembram de mim porque precisam de ajuda para mudanças ou porque querem algo que não existe ou que é mais caro nos seus países.

Ggrrrr!!!

5.10.2007

Comissão

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Está visto que o post dos Morenazos causou sensação.

Não só ainda hoje recebo comentários a propósito dos ditos (vide comentários a "Chorinho em Boston", da Kitiana), como mobilizei a massa populacional (oh p'ra ela armada em grande) a provar a iguaria.

Ele é a Violante que, mesmo na Alemanha, berço do LIDL, não os conhecia e foi a correr para o supermercado mais próximo.

Ele é a minha prima "Ivonete" que agora, sempre que me apanha mo MSN, faz pirraça e goza comigo dizendo: sabes o que estou a comer? sabes? sabes? (eu digo-te, marreca! :P)

Ele é o Bruno que, tal como eu, se encontra por terras do Tio Sam e que, tal como eu, ficou cheio de vontade de comer as bolachongas e que, tal como eu, agora anda a subir 'as paredes e a contar os dias até ir a Portugal e se poder saciar (estou p'ra'qui a inventar mas pronto, o blog é meu).

Até o desgraçado do André, coitado, que fez o carregamento, me vem perguntar de vez em quando: e então, tens por aí Morenitos? (morenaaaaazos!!)

Por tudo isto, acho que o LIDL me devia pagar uma comissão.
Há lá marketing melhor que o que eu fiz!?!?
Assim, sempre que forem ao LIDL comprar Morenazos, digam 'a Sra da caixa que vão da parte da Inês e que a moçoila devia receber uns trocos, 'tá bem?

Já agora, se não fôr pedir muito, podem também enviar uns quantos para estas bandas :)

5.06.2007

Chorinho em Boston

Como na semana que passou tive que dar o seminário para o departamento e andei meio stressada, não tive tempo para escrever sobre este evento mas, porque foi de facto especial, falo dele agora.

Várias coisas boas se passaram durante o fim de semana passado: um jantar e um agradável serão passados na companhia de amigos, uma noite de forró e funk bem animada com mais amigos, uma viagem no espaço e a sensação de estar numa tasca em Portugal a assistir ao Sporting-Benfica (blargh!!) terminando com uma partida de matraquilhos mas, o bom mesmo, foi o brunch de Domingo. Não pela comida, não pelo local mas sim por, juntamente com vários e bons amigos, ter assistido a uma das primeiras actuações por estas bandas da minha mui querida amiga Lu.

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Para além do sorriso Carioca lindo, só comparável 'a beleza da Cidade Maravilhosa, a Lu é de um bem querer e doçura indizíveis, daqueles que nos aquecem tanto o coração que só dá vontade de a abraçar e dizer o quanto gostamos dela.

E' já de si, como podem constatar, uma pessoa excepcional, mas consegue tornar-se ainda mais especial por partilhar connosco e da maneira mais bela todo o açucar que carrega dentro de si: embora amadora, pega num dos seus bandolins (penso que são ainda, SO' quatro, só....) e vai de nos desarmar com Choros que não têm época.

E foi assim que saboreámos o nosso brunch, desfrutando de uma mesa repleta de amigos, todos reunidos para apoiar e assistir 'a actuação da nossa querida amiga Lu:







Parabéns "miúda crida"!!
Bis! Bis!

5.03.2007

Primavera a sério

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Como agora a maioria dos casais começa a morar junto sem de facto se casar, não passei muito por aquela fase de que muitas pessoas se queixam que é: todos os meus amigos se começaram a casar ao mesmo tempo e é casamentos a torto e a direito.

Em compensação, não posso dizer o mesmo sobre a fase seguinte, que é a fase dos bebés (sim, porque deixar de "coisar" ninguém deixa, heheh). De repente, começou toda a gente a ficar grávida. Tirando a minha mana, que é a minha grávida predilecta e está com uma barrigona linda, so´ esta semana fiquei a saber de 5 casais grávidos, todos eles por estas bandas. Quase um por dia.

Quais passarinhos, quais flores, quais mangas curtas, chinelos e quais biciletas na rua!?! Agora sim, a Primavera chegou. Estes é que são os sinais!

Deu-lhes o Amor :)

5.01.2007

Contra a Pornografia Infantil

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Tão fácil quanto acender um vela, tão útil quanto iluminar a escuridão.

Vão até aqui e contribuam.

Não se esqueçam: ENTER!

4.26.2007

Coisas Boas

O "maridjinho" abraça-me:
- ai... 'cê já 'tá quase indo embora.
- mas eu só vou em Julho!!
- então, está quase. Passa tão rápido... já ' tou com Saudade!

4.25.2007

Coisas Boas

O médico entra no consultório e diz-me:
- Está mais magra não está?

Falem-lhes ao estômago

E' costume aparecerem nos laboratórios representantes desta ou daquela empresa, que nos querem vender as mais recentes inovações tecnológicas nos diferentes campos da investigação.

O mais curioso é que não é com as incríveis vantagens que este ou aquele produto têm que nos tentam chamar a atenção. Chegam ao pé do pessoal e dizem:

- Vamos fazer uma demonstração dos nossos productos no dia tal.

- Arrã - responde o cientista, quase não desviando os olhos da pipetagem que está fazer.

- Vai haver comida, gelados, cachorros quentes e hamburgers!

E é ver o pessoal largar tudo e mobilizar-se para encher a barriga!

4.24.2007

Tecnomacumba

Confesso que quando ouvi este nome não pude deixar de fazer um ar de espanto e sorrir:

- Tecnomacumba?!?!

Lembrei-me logo desta cena:

E o que me veio 'a cabeça foi um monte de pessoal possuído a dançar tecno com galinhas pretas na cabeça... o que, se pensarmos bem, nem está muito da realidade das Raves e afins. Basta olhar para os pastilhados! (tirando as pobres das galinhas, claro).

Afinal não é bem isso:

"TECNOMACUMBA
por Caetano Veloso


Faz algum tempo que venho ouvindo com curiosidade e agrado uma voz de mulher que impressiona pela firmeza, pela limpeza do som, pela naturalidade da afinação. É uma voz que ouvi primeiro casualmente no rádio do carro e que sempre me fez parar para atentar e me perguntar: quem é essa cantora que tem a emissão lisa (sem vibratos) mais impressionante que ouvi em muito tempo? De quem é essa voz encorpada e delicada, de quem são esses glissandos seguros e de grande efeito experimental sem sombra de vulgaridade?

Aprendi o nome de Rita Ribeiro ao encontrar as respostas a essas perguntas. Agora, em parte num movimento de buscar usos significativos para suas invenções vocais, Rita desenvolveu esse projeto a que deu o nome de Tecnomacumba. Os cantos e toques das religiões afro-brasileiras e sua sintonia com os ritmos desenvolvidos no uso de instrumentos eletrônicos. O resultado é rico, honesto e sugestivo.

O disco é um produto de nível profissional impecável, uma prova de que o Brasil anda com as próprias pernas. As combinações rítmicas e timbrísticas das programações eletrônicas com os instrumentos tocados por gente são equilibradas.

O repertório é uma antologia de composições sobre o tema das religiões africanas no Brasil - sempre emolduradas por cantos saídos diretamente dessas práticas religiosas. Às vezes somos levados a nos perguntar coisas como, por exemplo, se o canto sobre Tempo ecoa as lavadeiras de Monsueto ou se o samba de Monsueto é que foi tirado daquele canto. Assim, há um rendado de motivos, uma rede de lembranças e referências que dão uma textura interna especial ao trabalho. O resultado fica mais para um pop elegante, em que uma boa banda de acompanhamento é temperada por sons tecno, do que para um mergulho radical no mundo dos batuques e da eletrônica. Mais uma vez, o que ressalta é a voz de Rita, sua segurança simpática (isso não é fácil nem freqüente), seu timbre cheio, seus ornamentos chiques porque personalíssimos, sua nobreza maranhense. Esse disco tem um futuro intrigante e pode vir a dizer mais do que parece agora. Vamos ouvir e esperar.

Caetano Veloso "

Tirado daqui

4.23.2007

Inês e o Baseball

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Equivale a: um boi a olhar para um palácio!

Estava eu ontem na lavandaria enquanto o jogo dos Red Sox era transmitido nas televisões. Volta e meia o pessoal esquecia-se que estava a lavar a roupa e delirava: riam-se, aplaudiam, gritavam! Até falavam com o vizinho do lado com quem, caso contrário, nunca falariam naquelas circunstâncias.

No ecrãn, os jogadores rejubilavam num estádio, também ele ao rubro. O locutor referia-se a algo como 4 home-runs, coisa nunca dantes vista na história dos Red Sox.

E eu ali, a olhar para aquilo tudo sem fazer put'ideia do que raio se teria passado.
O baseball é daquelas coisas da cultura Americana que, nem com ligação intravenosa, alguma vez se me vai entranhar... só estranhar!

4.19.2007

Amigo

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Porque os verdadeiros Amigos são intemporais e estão sempre lá, sinto vontade de repetir o que já aqui tinha feito.
Mais uma vez, obrigada Zezito!

4.18.2007

Virginia Tech

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Nas palavras do meu amigo P., que tirou esta foto:

"Pois, esta cena da Virginia Tech... e um massacre a moda antiga. E incrivel como estes gajos aqui insistem em dizer q sao um pais civilizado... podes comprar armas como quem compra cerveja ou vinho (pouco mais e preciso q um uma driver’s license). So para ficarem com uma ideia, envio-vos a foto do Winston-Salem Gun Show no ano passado... podia ter comprado uma metralhadora na boa... por uns miseros 400 USD."

Notem só no pormenor do carrinho de bebé e do adolescente junto 'a banca!
As criancinhas já crescem a julgar que ter armas 'a volta delas e' normal... depois queixem-se!

4.17.2007

Música em Boston

A semana passada fui a dois concertos, bastante díspares mas ambos excelentes.

O primeiro foi no MFA, concerto da cantora Brasileira Céu que, com os seus 24 anos, surpreende com uma maturidade vocal extraordinária. Numa mistura de Soul com Jazz, alguma Bossa Nova, Samba Reage e Afro Beat, música Electrónica e bastantes efeitos sonoros (até tem um trecho com guitarra Portuguesa) a sua voz, aveludada e sensual, afinadíssima e super versátil, fez as delícias dos curiosos que enchiam a sala. Foi o seu “debut” em Boston e tanto ela como os músicos se portaram excelentemente. Esta é a música de promoção do albúm, "Malemolencia":



Mas esta é a minha preferida, uma versão de “Concrete Jungle” de Bob Marley:



Já há dois dias que ouço o CD dela sem parar. E’ mesmo bom!

O segundo concerto, bem esse... esse exige mais umas quantas linhas de texto. Fui assistir a nada mais nada menos que o concerto do Brad Mehldau com o Pat Metheny.

Ainda bem que comprámos os bilhetes com mais de 2 meses de antecedência pois a Opera House estava, literalmente, a abarrotar.



Confesso que, para este tipo de espectáculo, prefiro uma sala mais pequena mas o público esteve ‘a altura. Via-se que era pessoal que sabia apreciar e estar neste tipo de concerto pelo que, muito embora a sala enorme, a coisa até se tornou bastante familiar e intimista.

Bem, por onde começar? Pelo início.
Aqui podem ouvir a ovação que Brad e Pat receberam só por aparecerem no palco. Já dava para adivinhar uma noite bem passada.



Aparece tudo escuro porque, depois do trauma do concerto da Mariza, não me atrevi logo a sacar da camera. Assim, como quem não quer a coisa, ficou ligada no meu colo durante um tempo (já estão mesmo a ver que a coisa não durou muito, hehehe).

Deixo-vos com alguns trechos do concerto:



O Pat trocou imensas vezes de instrumentos durante o concerto, demonstrando uma versatilidade incrível. Embora sempre com o piano, o Brad não ficou nada atrás. Pelo contrário. E’, pura e simplesmente, genial. Nesta música o Pat toca viola e foi das melodias que mais me impressionaram ao longo do concerto, de tão linda que era. Eis aqui um pouquinho:



E mais outro tanto:



E o quarteto que mais tarde encheu o palco.



Embora as estrelas fossem, obviamente, o Brad e o Pat, o contrabaixista e o baterista foram dos melhores que alguma vez vi, presenteando-nos com sessões de solos absurdamente extraordinárias. Fiquei tão banzada que nem sequer tive acção para pegar na maquineta mas, acreditem, foi muito, mas muuuuuuito bom.

Claro que o cenário não estaria completo se, a determinado trecho, o Pat Metheney não fizesse uma actuação com a Pikasso Guitar, instrumento que faz jus ao nome uma vez que tem 3 braços e 4 sets de cordas que atravessam o corpo da guitarra. Uma verdadeira ode ao Cubismo e aos ouvidos.

Num só instrumento ouve-se o baixo, algo semelhante a uma harpa, sons orientais e, obviamente, o som da viola. Não me recordo do nome da música que ele interpretou, excepto que era algo com “water” e, de facto, parecia música aquática de tão fluída e transparente.



Que dizer. Nem sei!
Foi brutalmente bom! Uma violência de genialidade e musicalidade. Até os efeitos luminosos estiveram a preceito. E quando tocaram uma música do Milton Nascimento... foi o delírio!

Lindo!

4.15.2007

Não há fome que não dê fartura

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Já assim dizia a minha avó, e muito bem.

Se antes passámos por trabalhos para encontrar um carro, a semana passada, assim, sem mais nem menos, o David ganhou um carro.
Sim, ganhou, do tipo: olha, toma lá, fica com ele!

E o melhor é que não é um carrito qualquer! E' uma bela bomba este nosso novo Rampilan. A prová-lo estão as fotos que ilustram este post.
Digam lá que não parece uma nave espacial?!

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Lavámos o carrito, tirámos-lhe os bancos de trás para que o David pudesse ter espaço para todas as entregas que faz e ei-lo aí para as curvas, pois o resto já ele tinha: embora um carro de 1990, este Nissan vem com vidros eléctricos, fecho de portas centralizado, ar condicionado, rádio com CD, tecto de abrir, mudanças automáticas, cruise control... e, mais fantástico, tudo a funcionar.

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Os amortecedores foram substituídos o ano passado, o motor foi refeito há 3.

Um "xpetáculo"!

Já há uns dias que o David anda a dar-a-dar com ele, para trás e para a frente, a calcorrear quilómetros e o chaveco lá se aguenta 'a bronca. Económico, levezinho... zwwwweeee, lá vai ele.

Claro que não há bela sem senão. Na 5a feira, enquanto o céu desabava lá fora, o David telefona-me, de kispo vestido e capuz enfiado, a dizer que lhe está a chover na cabeça, pois pinga água do tecto de abrir.

Nada que não se resolva. Pegámos num quanto de "duct-tape" (aquele fita cola cinzenta e larga que os mauzões usam nos filmes para tapar as boca das vítimas, sabem?) selámos o tecto de abrir e "já 'tá". As bandas cinzentas até combinam com o ar alternativo do Rampilan, uma vez que tem uma mala bordeaux que foi retirada de um outro carro e um espelho retrovisor também colado com fita-cola.

Um "xpetáculo"!!!

Já com o selo da inspecção em dia (sim, passou :P) lá andamos nós a acelerar pelo estado da Maria Cachucha.

Ah, e esta hein?!

4.13.2007

A Portuguesa e o Brasileiro

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Ontem estavamos, eu e o David, na cozinha, a preparar o jantar e a deitar conversa fora quando, já não sei porquê, começamos a falar dos hinos dos nossos países.

- Queres que eu cante o hino de Portugal? - perguntei - Chama-se "A Portuguesa".
- Pode ser.

Pigarreei, afinei a garganta e lá comecei eu:

"Heróis do Maaaaaaaaaar.
Nooooooooobre povo ...."

Empenhada como estava, até pus a maozita direita do lado esquerdo do peito e lá continuei eu orgulhosamente.

"Sobre a terra e sobre o Mar" (em pianinho, com as dinâmicas todas)

Até ao fim:

Marchar! Marchaaaaaaaaaaar!
Tum-tum-tum-tum (isto fui eu a imitar o som dos tambores)

Terminada a actuação, estava 'a espera de uma ovação. Qual quê!

- Ué? Já acabou?! - perguntou o David surpreendido.
- Já, porquê? - respondi ofendidíssima. Afinal, tinha-me empenhado a valer, ali, no meio da cozinha, entre tachos e panelas, de pantufas e mão no peito.
- Ah não! Não pode ser! - abanava o David a cabeça, divertido - Como é que pode? O hino de Portugal sem falar de Bacalhau, Fado, Pastéis de Belém e Tortas de Azeitão?!?! Ah, que coisa mais sem graça!

Trengo! :P

4.05.2007

Barata-Trap

Aqui no instituto encontra-se, aqui e ali, armadilhas para baratas. Embora tenha um nojo e uma fobia descomunal a estas coisas, nunca resisto a olhar para ver se alguma ficou lá agarrada, toda coladinha, sem se mexer, e a agoniar: morre barata! morre!!

Para meu infortúnio, nunca lá está nenhuma. Se calhar, por serem de Harvard, as caramelas das baratas já aprenderam a evitar as armadilhas.

Eu cá prefiro pensar que já morreram todas.

Blaaaarrrgh!!!

PS - Por motivos óbvios, abstive-me de ilustrar este post. Que nooooooojo!

Esnif! Esnif!!

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Acabaram-se os Morenazos... kaput!

Buááááááá! :(

4.03.2007

Dupla Personalidade

Há dias descobri este blog e agora não quero outra coisa.
Já sei que vou ter com que me rir cada vez que lá vou. Certinho, direitinho!

Vejam lá se não tenho razão!?
Estas tiras com o gato fazem-me sempre rebolar de riso:


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3.30.2007

11 de Setembro e Afins

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Descobri toda a verdade aqui.

De me mandar ao chão de tanto riso.
Boinc! (som da Inês a cair no chão)

"O alegado cérebro do 11 de Setembro, que tem assumido a autoria de tudo o que é tragédia (da destruição de Pompeia às duas guerras mundiais e da peste negra à primeira eleição de Alberto João Jardim), admitiu agora ter planeado também o terramoto de Lisboa de 1755 como represália pela tomada da cidade aos mouros por D. Afonso Henriques. A deslocação violenta das placas tectónicas foi desencadeada por toupeiras amestradas doutrinadas no Islão que abriram túneis até grande profundidade na crosta terrestre, fazendo-se explodir em nome de Alá. Quanto ao absurdo aparente do seu envolvimento em algo que ocorreu há vários séculos, Mohammed prometeu pensar numa resposta e apresentá-la em breve. Apesar das queixas de ter sido torturado pela CIA, o ex-estratega da Al-Qaeda garante que nenhuma destas confissões foi obtida à força mas pede encarecidamente para lhe tirarem os eléctrodos dos testículos porque incomodam bastante, agradecendo a extracção recente da cópia enrolada do Corão que trazia alojada no recto. Convidado a comentar o visual na fotografia tirada aquando da sua captura, disse apenas que "foi uma fase."

in www.inpecia.com

Palhaços

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Têm a mania que são maus mas são é uns belos palhaços, é o que é!

Refiro-me, obviamente, ‘a policia de trânsito por estas bandas. A malta queixa-se de Portugal mas olhem que aqui a coisa não é melhor. Quando há cotas por preencher, toca a multar a torto e a direito, mesmo sem o fazerem como deve ser.

Como se devem lembrar daqui, andei a receber multas de mau estacionamento, muito embora tivesse a permissão de residente e naquela rua tal nem se aplique. A cena repetiu-se não uma, não duas mas sim sete vezes.

Já era tal a frequência com que acontecia que, por várias vezes, o David chegava ao pé de mim e dizia-me:

- Adivinha quem nos visitou!
- Quem?
- O nosso amigo Eagle (palerma do polícia que nos passou as multas).

E lá se repetia o ritual de manhã: entro no site, reclamo e passados uns dias recebia uma carta a dizer que “sim senhora, tem razão. não é preciso pagar”.

Mas a coisa há tempos mudou de tom e em vez de eu reeber esta carta, recebi uma a dizer que estavam a analisar a minha situação e que posteriormente me contactariam.

Ora, o contacto chegou ontem, e vejam só a lindeza da coisa. Os totós dizem que “após minuciosa análise do seu processo” (notem a ironia no Minuciosa) decidiram negar o meu apelo porque, e preparem-se que agora é que a coisa fica ainda mais bonita, “ o parquímetro está a funcionar em perfeitas condições”.

PARQUIMETRO?!?!?! Mas qual parquímetro?
Essa coisa nem sequer existe na minha rua quanto mais um a trabalhar?

Já estão a ver o quão cuidada e minuciosa é a análise deles. Achei aquilo tão estapafúrdio que até dei a carta para um Americano ler, não fosse eu não saber que qualquer outra coisa se podia chamar “meter” (parquímetro).

Mas é mesmo isso que diz. E querem que pague $90.
Noventa dólares!!! Pfff, o caraças é que pago!
Está visto que vai haver forrobodó com esta história.

Já mandei a respectiva reclamação... vamos lá a ver o quão minuciosa vai ser agora a análise do processo. Com sorte recebo uma carta a dizer que “após análise pormenorizada do caso, chegámos ‘a conclusão que é proibido ter camelos dentro do carro”.

Aí até percebia... devia ser o Sr. Eagle a ver-se reflectido na janela do carro!

3.28.2007

Ah, Fadista(s)!!!

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Foi no Sábado passado que ela actuou na Berklee School of Music.

Nem a chuva, que mais tarde se transformou em neve (após um dia de sol radiante... o tempo aqui é completamente doido), arredou os muitos admiradores que quiseram escutar a Mariza, esgotando o auditório.

Não há palavras para a descrever.

A Mulher é um portento!
A Mulher é uma força da Natureza!
A Mulher é o máximo!
A Mulher é extraordinária!
A Mulher, pura e simplesmente, não existe.

A minha amiga Holandesa, excitadíssima, sentada ao meu lado, só exclamava como era inacreditável que tamanha voz e poder saísse de dentro daquele figura esguia, delgada e frágil.

Mariza encheu a sala, não só com a sua voz como com a sua presença, calma e tranquila, ao mesmo tempo que simpática e comunicativa. Falou em Inglês e em Português. Gracejou aqui e ali e, amiúde, esclareceu-nos porque esta ou aquela música lhe eram relevantes, porque Carlos do Carmo é um dos seus mestres (homenageou-o cantando um dos seus Fados), qual a origem do Fado, qual a origem dela, as suas raízes Moçambicanas e Portuguesas, como foi a sua infância e como, aos 5 anos, interpretou em público o seu primeiro Fado no Café dos pais, na Mouraria.

Fez-nos sentir Portugueses e remexeu nAquela nossa Saudade, que nos é tão típica. Por vezes tive lágrimas nos olhos. Noutras, sorri e ri animada enquanto a Mariza, bamboleando-se e dançando até, puxava pela plateia que, batendo palmas, acompanhava os Fados animados e divertidos.

O público estava ao rubro! Irrompia em valentes “Ah, Fadista!!” quando, imponente, Mariza terminava as suas interpretações, interpretações essas perfeitas, cheias de alma e sentimento, mesmo quando se estabelecia aquele silêncio de expectativa, esperando por um sussurro quase inaudível ou por aquela palavra suspensa.

Tudo afinadíssimo!! Irrepreensível!
Profissional como é, Mariza deu todo o espaço aos seus músicos para se expressarem e mostrarem o quão exímios são. Tivemos até uma sessão de guitarrada, em que a Mariza se retirou momentaneamente do palco e só as guitarras primaram.

Excitadíssima, recorri várias vezes ‘a minha camera, muito embora fosse proibido, para registar este ou aquele momento. Tendo sido admoestada uma vez, decidi, após uns 6 filmes (hehehe) parar. Já estava a abusar.

Disse mesmo para mim mesma que não o faria mais mas, quando no fim, inesperada e surpreendentemente, a Mariza presenteia os Americanos com uma versão em Fado de “Summertime” (Gershwin) EXTRAORDINARIA, não resisti e saquei da maquineta mais uma vez.

Mais valia ter estado quietinha porque, muito embora várias pessoas estivessem a tirar fotos, por eu estar mesmo junto ao corredor, fui logo apanhada. A cena foi linda, segundo a minha amiga Holandesa. Ela diz que ficou assustada. Eu... nem sei o que me passou pela cabeça, mas estava na maior. Acho que fiquei possuída pelo espírito aventureiro e destemido dos meus antepassados, enaltecidos no Fado.

Foi assim, chega a menina dos bilhetes e diz-me:

- Faz favor de parar. Já foi avisada 3 vezes. Vai ter que me dar a sua máquina.
- Mentira!! (que raio Inês, não te sabes calar? Que diferença fazem 2 ou 3 vezes!?! Não tens razão e não!)
- Por favor dê-me a sua câmera.
- Não dou!! (lá está ela...)
- Então peço-lhe que me acompanhe até ao gerente.
- Faz favor de esperar que quero ouvir esta música. (juro que lhe respondi assim)
- Já lhe disse para, por favor, me acompanhar.
- Não acompanho. Já lhe disse que quero ouvir esta música – respondi do alto de toda a minha razão - E não insista que está a estragar o espectáculo aos outros (JURO que lhe respondi isto)

Acho que, perplexa com tamanha cara de pau da Tuga, a miúda ficou meio muda, gaguejou, não soube o que falar e bazou.

Tranquila, fiquei a ouvir o Summertime. Não sei mesmo o que me deu porque, mesmo tendo sido em Inglês (que me deixa sempre insegura no que toca a discussões) fiquei calmíssima, impávida e serena.

Termina a música, apoteose e aplausos e sinto uma sombra ao pé de mim.
Era a miúda e o gerente.
- Olha estes – pensei.
- Sou o fulano tal, gerente do estaminé, bla, bla, bla... venha comigo
- ‘Bora lá!
-
Calmamente, disse ‘a minha colega, “eu já venho”. Peguei no meu casaco, no meu saco, ajeitei o cabelo e segui ‘a frente do mafarrico: trá-lá-lá!

Levou-me para o gabinete dele e disse que a miúda disse não sei o quê e eu dizia que não e que ela mentiu (notem como eu sou doidinha e discuto mesmo sabendo que não tenho razão) e que ela não me podia chamar mentirosa e depois ele dizia que ela não me estava a chamar mentirosa e depois eu dizia que se eu digo algo e ela diz “não foi nada” isso era chama-me mentirosa e depois ele disse que era uma questão de semântica e eu disse-lhe que era exactamente o mesmo argumento que ele estava a usar para dizer que ela não disse a palavra mentirosa, especificamente... uma bela treta de discussão.

E notem como eu me enterrava e continuava a barafustar:

- Disseram-me para parar e eu parei.
- Ah, mas estava a fazer um filme sabendo que era proibido.
- Estava, MAS parei quando me disseram e há muitas outras pessoas a fazer filmes mas vocês não chegam lá. Não está certo! Deviam usar os mesmos parâmetros de justiça com toda a gente (lindo este argumento, não acham?)
- Quantos filmes fez?
- Fiz um porque, como disse, parei quando me disseram (e continuava cheia de razão, hein!)

Patati – patatá depois diz-me:

- Faz favor de apagar o filme.
- Não apago! (miúda, tu estavas possuída, só pode)
- Apague por favor.
- Não apago. Apague você se quiser (máximo de estupidez a bater ‘a porta)
- Eu não mexo na sua máquina. Apague o filme se faz favor.
- Não apago!
- Então vou ter que lhe ficar com a máquina.
- Ah, bom... ‘tá bem, eu apago.

E notem, agora é que é liiiiiiindo.

Cheia de razão e completamente ultrajada viro-me para o homenzinho, quase espetando a máquina no focinho dele, digo:
- Então venha cá ver para não me chatear mais (JURO que lhe disse isto)

E começo a apagar o último filme. Puta da máquina (desculpem lá os mais sensíveis), vai de mostrar sempre o que está a seguir. Então era ver 1, 2, 3, 4....6, 7 filmes a aparecer. "Ganda" festa!

O homenzinho podia ter feito de mim gato-sapato mas, se calhar, já habituado aos doidos mais que varridos, nem se deu ao trabalho de dizer:

- Com que então só um, ah!

E agora a cereja no topo do bolo:

- Está feliz? Já está tudo apagado, viu? Ou também quer ver as outras fotos (e nesta altura a máquina exibia orgulhosamente uma foto de mim com cara de tresloucada a idolatrar os Morenazos). Quer mais alguma coisa?
- Não – acho que o homem nem respondeu muito mais porque devia estar completamente abananado com a minha atitude de Micas-Coxa-da-Madragoa-desvairada. Tenho a certeza que pensou que eu tinha acabado de sair do manicómio sem terminar o tratamento.
- Então com licença que quero ir ver o espectáculo!

E saí, sem sequer olhar para trás, altivamente caminhando para o auditório, onde cheguei e, calmamente, como se não fosse nada comigo, me sentei e ignorei os olhares do pessoal nas cadeiras vizinhas que assistiram ao circo todo.

Ah, Fadista!

O Gerente teve que ter mesmo muuuuuuita paciência. Nem sei como se manteve sempre tão bem. Eu cá, nem que me paguem, aceito ser gerente seja do que for se tiver que aturar doidas como a que eu fui, hehehe.
Ele há com cada uma!

A minha amiga Holandesa só me dizia:

- Uau, fizeste-lhe mesmo frente. Es mesmo Forte!

E eu pensava:

- Sou é muito maluca é o que sou!

Coisas!

PS – Só para a Ivone, e para a fazer rir, o que eu pensei quando o gerente me disse que tinha que ir com ele foi:
- C’oa Breca! :D

3.27.2007

Hoje é dia de festa...

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Lá lá lá lá-lá-lá!

(...)

Uma salva de palmas!

Clap! Clap! Clap!

3.26.2007

A Saga

Tudo começou com a minha ida a Portugal, em Dezembro.

Como toda a mãe que se preze, sempre que a filhota parte para terras além-mar, esta tenta mandar-lhe na bagagem daqueles miminhos que, sabendo o quanto custa chegar para o vazio de uma casa sem família, beijos e abraços, irão de certa forma colmatar um pouco essa carência.

Assim, sempre que vou ‘a Terrinha, durante os dias que lá passo, volta e meia ouço a minha Madalê dizer-me “filha, vou pôr isto para levares!” ou “vou comprar isto para a minha Nês se consolar quando estiver na América!” (e vem-me ‘a lembrança, com carinho, a forma engraçada como abre os olhos quando diz “Ameeeerica”, para logo a seguir sorrir e me abraçar).

Sabendo que de manhã nada mais me satisfaz para pequeno-almoço que um valente copo de leite branco e puro acompanhado de bolachas de chocolate escuro, prontamente comprou 10 pacotes de Morenazos, bolachitas do LIDL semelhantes aos Filipinos, mas mil, milhões, trilhões de vezes melhores.

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“Já tenho as bolachinhas para o teu “piqueno-almoço”!” disse-me ela enquanto, orgulhosamente, me exibia o saco plástico cheio das embalagens vermelhas. Mas cheio mesmo: eram 10 pacotes!

Com tamanha devoção os guardou para que não fossem consumidos e na hora da partida não fossem esquecidos que, acabaram mesmo por ficar muito embrulhadinhos num qualquer saco na dispensa.... esquecidos!

Como ela diz, levei na mala o suficiente para abrir um restaurante: bacalhau com grão, língua estufada com ervilhas, massa de coelho, cozido ‘a Portuguesa (note-se, estes quatro já cozinhados e prontos a comer), chocolates, mel, latas de atum, pães-de-leite, chouriços, empadas, azeite, rissóis, croquetes (sim, isto tudo e, como costume, tudo passou incólume e chegou, são e salvo ‘a minha cozinha) mas, mesmo satisfeita com mais um sucesso do famoso contrabando Tuga, nada me conseguiu consolar assim que percebi que os meus mui e mais que queridos Morenazos ficaram em terras Lusas.

Virei e revirei as malas, pensando que a Maezinha os tivesse enfiado algures sem eu ter reparado. Mas, não… a dura verdade é que os coitadinhos ficaram por lá sozinhos e abandonados, e eu abandonada e sozinha deste lado fiquei!

Bem, chega de lamúrias! – pensei – e logo comecei a engendrar possíveis soluções. Sendo o Natal uma altura em que bastante gente vai a casa, pensei em quem ainda poderia estar em Portugal que eu conhecesse e que, no seu regresso para Boston, me pudesse trazer os “my precious”.

Assim, toca de falar com a Madalê. Logo que atendeu e percebeu que era eu (e, obviamente, após me perguntar como foi a viagem, se correr tudo bem e tal) logo do outro lado da linha ouvi um prolongado e lamuriento:

- “ooohhhhh filha!!! os teus morenazos!!”
- “Pois é, Madalê, mas não te apoquentes. Fulana tal ainda aí está, o número de telefone é o tal, tenta ligar por favor e explica bem a situação (se bem que, por muito bem explicadinha que fosse, acho que qualquer pessoa acharia que eu não podia estar boa da carola a dar-me a tanto trabalho por causa de umas bolachas. Mas, mais uma vez ressalvo: não umas quaisquer. Os MORENAZOS!!)… pode ser que ela os possa trazer”
- “Roger. Mensagem recebida!!” e de imediato a minha Madalê começou logo a bulir.

Fiquei esperançosa de que no dia seguinte me dissesse: já está tudo tratado mas, devido a excesso de bagagem (mal que se apodera de todo e qualquer um que regresse de casa) o transporte dos Morenazos não seria possível.

“C’oa breca” – pensei – mas não desanimei.

Revolvi as ideias mais um pouquinho e, Plim!, lembrei-me de outra pessoa que viria daí a uma semana.

Novo telefonema para a Madalê, nova troca de instruções, “Roger” e lá foi a Madrecita tratar de outra missão. Mais uma vez, porque o possível destinatário não se encontrou disponível quando julgou que estaria, a transação não foi possível e lá ficaram os Morenazos em águas-de-bacalhau, ou seja, em Portugal (que não são bem águas de bacalhau uma vez que não os há na nossa costa... mas vocês entendem-me, não é?).

Desde então, passei Janeiro e Fevereiro tristíssima, a suspirar pelo Morenazos além-mar e sempre a tentar descobrir novas maneiras de os trazer até cá, uma vez que tão cedo não iria eu até lá. Nem as Milano , que eu adoro, pela manhã a acompanhar o meu copo de leite conseguiram suprimir a dor. E eu pensava e pensava "como raio vou trazer os Morenazos para cá!?", até que o André me diz que o pai dele está para vir a Boston.

“Epá, é oportunidade a não perder!!”. Meto a minha mãe ao barulho, a minha irmã também entra na festa (escusado será de dizer que o André nem teve tempo para dizer quer não), entra a secretária do pai do André, telefonemas para aqui e para ali, tudo a mexer e a dar-a-dar para despachar os Morenazos (missão bem mais importante que aquela do soldado Ryan, por exemplo. Vejam só a dimensão da coisa! Oscar garantido.) mas o destino era mesmo para que ainda não fosse desta. Desencontros e faltas de tempo fizeram com que, mais uma vez, a esperança morresse na praia.

- “Oh, André!!!” – lamentava-me eu no ombro dele - “Estivemos quase!! Quase!!!”
- “Não te preocupes! “ – e fazia-me festinhas na cabeça – “para a semana vou eu a Portugal!!!”

Rejubilei.

Abro um parêntesis para dizer que, embora seja um poço de boa vontade e tenha um coração do tamanho do mundo, o André é a pessoa que eu menos esparava que me pudesse salvar nesta situação, uma vez que anda sempre numa lufa-lufa, numa roda viva, extremamente ocupado com tudo e mais alguma coisa e é sempre dificílimo manter uma conversa com ele por mais de 2 minutos… que fará marcar alguma coisa.

Adiante.

Eu estava tão desesperada e, percebendo que ele entendia a minha dor (só um maluco para entender outro maluco… cada um tem a sua pancazita), pensei: vamos a isso! alguma vez há-de dar.

Telefonemas, encontro no aeroporto entre os meus pais e o André (é Milagre!!! Funcionou!!!), troca da mercadoria, regresso do André e email recebido:

remetente - André
receptor - Inês
mensagem - “já cá estão sãos e salvos!!”

E eu saltava e ria, pulava para o pescoço do David aos guinchinhos:

- Chegaram!! Chegaram!!! – e o David pensando que eu me tinha passado de vez.
- Calma ‘mor! Calma! (coitadinho, maridinho sofre!)

E segui toda feliz para o lab no dia seguinte, onde passei a esperar a cada hora, cada minuto, cada segundo que o André me entrasse pela porta adentro com o pacote dos Morenazos.

Um dia, dois dias, três dias… e nada de André. Já pensava em telefonar-lhe quando me aparece a meio de uma experiência. Larguei a pipeta, tirei as luvas, rasguei a bata, entornei as soluções, passei por cima das bancadas como se de um filme de Hollywood se tratasse, para estacar em frente ao André:

- E então!?!?! – enquanto perscrutava minuciosamente tudo ‘a volta dele não vislumbrando qualquer embalagem.
- Opah, comi os Morenitos!!
- Morenazos!!! – corrigi imediatamente – deixa-te lá de tretas e passa para cá a “droga” – repliquei divertida.
- Inezita, hoje não as pude trazer (isto já depois de 3 dias de espera) – disse ele com tacto e carinho, já adivinhado o colapso da Je - Estão em minha casa, mas nem fui lá, não dormi, trabalhei a noite toda, o meu carro foi roubado (é que para além de ocupado tudo, mas tudo mesmo, lhe acontece. Até me surpreende como é que não ficaram com os Morenazos na alfândega!), fiquei adoentado, blá, blá, blá…

E então apercebi-me que tinha passado para um segundo estágio do desafio: se a primeira fase correspondeu a trazer os Morenazos de Portugal para Boston, a segunda fase, e ainda mais difícil, seria trazer os Morenazos da casa do André para o lab.

Mas, se eu já tinha esperado tanto tempo, não seriam agora uns dias ou uma semana (mais que isso não, ok?) que me fariam desesperar… e eu sei que o André tem as melhores intenções, portanto, bastaria falar-lhe ao coração uma ou duas vezes por dia:

- “, mori! Trouxeste? Não!?!? Ohhh… fico tão tristinha!!!” – e do outro lado do telefone ele poderia adivinhar o meu beicinho e os olhinhos de Pussycat (gato do Shrek).

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E por aí foi até que, finalmente, na 4a feira passada lhe amoleci o coração o suficiente ao ponto de ele se organizar um tiquinho e recebi o tão atribulado pacote.

Qual tesouro, assim que o vi, com os olhos a brilhar, nem o desembrulhei logo (vinha dentro de uma caixa de sapatos, embrulhada em papel de oferta). Quis saborear aquele momento tão esperado.
Apreciei-lhe o peso, adivinhando as delícas que estariam lá dentro. Surpreendida com o peso algo excessivo, abanei e escutei, pressagiando que a minha Madalê teria feito das suas:

- pesado para serem só bolachas não – dizia-me o André curioso, agora também já super envolvido na história.
- é!…. – e continuava a manuseá-lo – vou abrir quando chegar a casa.
- não abres agora?!?! – respondeu surpreendido, a rebentar de curiosidade
- ‘mori, prometo que assim que abrir te telefono a dizer o que tem cá dentro!

Passei a tarde a pensar naquele momento glorioso que seria, ‘a noite, juntamente com o David, abrir O pacote. E assim o fizemos (salvo seja).

Qual ritual, tirei o papel, cortei o baraço, tirei a fita-cola que envolvia a caixa dos sapatos e…

(neste momento já podem adivinhar que se ouviu música algelical e que saiu uma luz super forte lá de dentro, ‘a medida que o tesouro se revelava)

Mais que os pacotes de Morenazos, ‘a nossa frente estavam, nada mais nada menos do que: tabletes e tabletes de chocolate (Nestlé, Milka, Ritter Sport, Toblerone, Serenata de Amor e sei lá que mais…), latas de atum Bom Petisco, uma embalagem de bolachas de água e sal, outra de óleo Johnson verde – hhmmm, que tem Aquele cheirinho!! o daqui cheira mal!! – vejam por vocês:

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Miminhos da mamã!! Os melhores do Mundo!
Que espectáculo. Celebrei tanto que o David só dizia:
- tenho que te forografar! Os teus pais têm que ver isto (por motivos de preservação da minha imagem, não as coloco aqui... até tenho vergonha :P)

E digam lá, se não valeu a pena a espera! Em vez de uns mísero Morenazos (oh p’ra ela! Agora que tem resmas e resmas de coisas boas, os Morenazos já não lhe chegam!! Mal agradecida) !! Porca!) recebi tudo, TUDO isto… e ainda mais a surpresa, do inesperado, do que será?

Claro está que telefonei ao André para lhe revelar o segredo de Fátima:

- Quê?!?!? Eu trouxe isso tudo?!?!?! Miúda, ainda ia preso!!! Depois terias que me ir levar Morenitos ‘a prisão.
- Morenazos – corrigi – não levo ‘a prisão mas levo amanhã para o lab!


E viva a Madalê!!
E viv'ó André!
E viv'ó David também coitado. 'As vezes tem que ter uma paciência de santo, hehehe!

E um final… Feliz!!! :)

3.20.2007

Teoria: Menstruação Masculina

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Embora Homens e Mulheres sejam claramente diferentes, noto que têm algo em comum.

Da mesma forma que gajas a trabalhar/viver juntas acabam por ter o período sincronizado, também os gajos que convivem diariamente no mesmo espaço passam a cortar o cabelo ao mesmo tempo.

Basta o Chinezito do meu lab aparecer de guedelha cortada que até ao fim dessa semana já sei que todos os outros irão fazer uma visita ao barbeiro.

Ainda só não percebi se também sobrem de TPM, mas como volta e meia ficam com a neura, deduzo que sim :)

3.16.2007

E' 6ª feira...

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Bom fim-de-semana!
Por mim, passá-lo-ia aqui, junto ao meu Mar... que com tanto carinho os meus pais tentam tornar menos longe.

3.15.2007

Quase me esquecia...

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Este post vai especialmente para a Violante e a Giorgia, únicas leitoras do Casaco que se dignaram a responder ao repto lançado aqui, pois o resto esteve a borrifar-se... como de costume!

Como os leitores são poucos e há que os preservar, aqui vai a resposta prometida. Então, da lista de trampolinices e malabarices que o pessoal do meu lab já fez, eu sou a responsável por:

- Quase me ter afogado = aconteceu há cerca de 3 anos, mesmo eu tendo o curso de nadadora-salvadora e até já ter trabalhado na praia durante um Verão. Esta foi mesmo para enganar o pessoal, pois ninguém iria desconfiar que alguém que nada tanto como eu alguma vez passasse por apuros.

O que é certo é que me aventurei um pouco mais no mar de Santo André, o MEU Mar, e ele quase ficou comigo. O mais estranho foi que eu sabia que estava a ficar sem ar e, como se estivesse a ver a coisa a acontecer-me, 'a distancia, só dizia para mim mesma, "Inês, tem calma! Tem calma!".

E assim permaneci, calmíssima, enquanto não conseguia encher os pulmões de ar das duas ou três vezes que vim 'a superfície e uma onda me esmagava para baixo dela. Quando emergia, ainda acenava para o meu pai como quem diz "já vou", enquanto ele me chamava para mais perto. "Estás muito longe! Vem para cá!", dizia-me ele.

Não o quis preocupar nem correr o risco que me fosse ajudar e por lá ficasse também.
Só passados uns dias lhe contei que estive quase a ir desta para melhor.

- Fingi que não conhecia o amigo dos meus pais que me ia buscar ao infantário todos os dias e fiquei lá uma eternidade até alguém me ir buscar de novo = pois é, do alto dos meus 5 ou 6 anos e, provavelmente, sob o efeito de uma qualquer novela que vi, deu-me para inventar esta. Escusado será dizer que o Sr.Marques ficou envergonhadíssimo e se recusou e ir-me buscar de novo, fosse porque razão fosse. Fiz finca pé e neguei e neguei que o conhecia... até o ver partir e, desesperada, dizer "não, não, eu conheço aquele senhor. eu conheço!!"

Mas aí já era tarde demais. Lá fiquei eu 'a espera que alguém fosse até lá buscar a maluquita de arroios, já a temer pelo raspanete que iria levar. Os meus pais lá devem ter achado que eu não tinha bem noção do que fiz e só tive que ir pedir desculpas ao Sr. Marques. Acho que ele também me desculpou, pois continuou a brincar comigo... só que nunca mais me foi buscar ao infantário.

A catraia tem com cada uma...

E "prontos" Vi e Giorgia, eis a resposta única e exclusivamente para vocês :)

3.14.2007

Macho: 'as vezes não faz mal

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Entrei no carro e notei que os vidros estavam bastante sujos:

- Porque não ligas o limpa-vidros e limpas os vidros um pouquinho?
- Então Amor, o líquido acabou e eu enchi de novo, com o líquido que estava na mala. Mas não sei porquê não está a funcionar! Eu até enchi até acima... não era aquele!?

Cheguei 'a conclusão que 'as vezes nem faz muito mal deixá-los ser "machos" e fazer as coisas que são "coisas de homem". Se eu tivesse feito isso, o David não teria colocado o líquido do radiador de novo em vez de líquido para limpar os vidros.

O meu Tiquinho Carioca

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Acabei de enviar um email que me deixou cheia de Saudade da Cidade Marvilhosa e com a sensação que saí de lá há já muito tempo. Nele inclui todas as dicas de que me lembrei de como aproveitar ao máximo a capital Carioca.

O Indiano de um dos labs no segundo andar veio ter comigo e disse-me:

- Inês, I am going to Rio, so you have to tell me all about it. I know you're THE person to ask.

Achei piada. Mesmo com 3 Brasileiros, Cariocas, no mesmo andar que ele, o Pavan decidiu vir perguntar-me a mim sobre o Rio de Janeiro. Acho que é por causa daquela parte de mim, vinda não sei de onde, que me atrai, qual iman, para aquele cantinho do Brasil.

3.13.2007

Ah, Carago!!

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" 'indá mulheres do nuorte cumo debe sere"!
Puuuuuuooorto!!!

Foto gentilmente cedida por esse grande Portista! :)

3.09.2007

Uma pessoa vai para uma coisa... e sai-lhe outra

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Pior do que ter dinheiro, os meus cartões de crédito e carta de condução roubados foi mesmo a renovação desta última.

A confusão começou logo quando a agente que tomou conta da ocorrência me disse que, mediante a apresentação do relatório policial, poderia requisitar uma nova licença gratuitamente.

Depois de bastantes telefonemas para a esquadra e mais um e-mail ao caramelo do Sargento, ou lá o que é que ele é, que nunca se encontrava no gabinete, lá consegui o dito documento.

Verifiquei online que outros requisitos eram necessários para a renovação da carta e, de passaporte e cartão de segurança social em riste, lá telefonei eu ao David para que, no fim do dia, me viesse buscar ao laboratório para irmos ‘a DMV.

- Quando eu chegar do emprego? – lamuriou-se o David – mas eu estou cheio de fome!
- É rapidinho, prometo. Só tenho que entregar estes papéis e já está!
- Será!? E’ rapidinho mesmo?
- Rapidinho! Prometo.

Mais valia estar calada. Juro que me lembrei desta cena **, em Nova Iorque. (ver no fim)

Chegados ‘a repartição, estacionámos o carro, saímos, entrámos, subimos as escadas rolantes e ficámos na fila.

- A minha carta de condução foi roubada e venho requerer uma segunda via.
- OK. Preencha este formulário. São $20.
- Tenho aqui o relatório da polícia que confirma o roubo. Fui informada de que não teria que pagar nada nestas circunstâncias.
- Sério? Foi mal informada. Tem que pagar $20.

Desprevenida para esta situação, não tinha qualquer dinheiro.

- David, tens dinheiro?
- Comigo não, deixei tudo no carro... não era um coisa rápida?
- Eeerr... afinal tenho que pagar. Temos que ir até ao carro.

Descemos as escadas rolantes, saímos, fomos até ao carro, tirámos o cartão de crédito do David, voltámos, entrámos, subimos as escadas rolantes e lá estávamos nós de novo na fila.

- Ai, estou com tanta fome – queixava-se o David.
- Já já vamos embora. E’ só pagar e já está – tentava eu tranquilizá-lo enquanto lhe afagava o cabelo.
- Aqui está – disse eu, estendendo o cartão de crédito para a funcionária.
- Ah, lamento mas não aceitamos ESSE cartão de crédito (de todos tenho logo o da marca que nãoa ceitam... humpf).
- Quê?!?! – e nesta altura o David olhou para os céus como quem diz “mas não ia ser rápido?”
- Tem que ser em dinheiro! - virei-me eu para o David - tens algum? Eu não tenho mesmo nada.
- Tenho... mas está no carro.

E vai de novo: descemos as escadas rolantes, desta vez a arrastar um David mais lento e desanimado e uma Inês algo frustrada, saímos, fomos até ao carro, o David deu-me a nota de $20, voltámos... espera, voltei, porque aqui o David já tinha decidido que não ia gastar as poucas energias que lhe faltavam a andar para cima e para baixo. Ficou no carro.

Então, voltei, entrei, subi as escadas rolantes e, pela terceira vez, fiquei na fila... e entretanto já se tinha passado mais de meia hora e não apenas 5 minutinhos, como eu esperava.

- 20$, aqui está – disse eu já sem paciência nenhuma, estendendo-lhe a nota.
- Ah, lamento mas não aceitamos dinheiro.
- Lamenta o caraças (pensei eu). Mas então não aceitam nada?!?!
- Está aqui escrito – apontou com desdém e sem sequer olhar a funcionária para um letreiro amarelado.
- Está a gozar comigo não está?

Ao ver-me tão desesperada disse-me:

- Se quiser, pode ir até ‘ CVS no rés-do-chão e pedir que lhe passem um vale de $20 dólares. Isso aceitamos.

Soltei um fortíssimo suspiro de enfado e lá fui eu: desci uma escada rolante, outra escada rolante, atravessei o corredor e entrei na CVS.

- Gostaria de obter um vale no valor de 20$, por favor.
- OK, são 20 dólares e 89 cêntimos.
- Nãããããããooooo!!!!!! – disse eu praguejando para os céus e já a arrancar os cabelos – não pode seeeeeeerrrr!!! (acho que até ecoou)

O funcionário olhava-me sem perceber nada enquanto eu quase espumava pela boca.

- Oitenta e nove cêntimos!?!?! – exclamei eu como se de uma fortuna se tratasse – mas eu só tenho $20!
- Então não lhe posso passar o vale...

Se o olhar matasse, teria fulminado o homenzito logo ali, com requintes de malvadez de lhe pôr os macacos do nariz a arder e piri-piri no "sim-senhor".

Saiu a Inês a deitar fumo por tudo quanto era lado (estranho os alarmes de incêndio não terem disparado!). Atravessei o corredor, subi o primeiro lanço de escadas rolantes, subi o segundo, saí, voltei até o carro onde, quando me viu abrir a porta, me recebeu um David esperançoso:

- Vamos?! – disse ele já com a chave na ignição.
- Eerrr... ainda não ‘morzito! Desculpa lá. Raio da mulher não aceita dinheiro e faltavam 89 cêntimos para eu poder fazer um vale na CVS. Vamos ver se aceita cheques... era só o que faltava.

Escusado será dizer que o David só não se atirou da ponte porque não havia nenhuma ali perto.

E lá regressei eu, de livro de cheques em punho: atravessei a rua, entrei, subi as escadas rolantes, pus-me na fila e esperei qual animal enjaulado.

- Aceita cheques, certo? – rugi eu não dando qualquer espaço para que a funcionária me contrariasse quando chegou a minha vez.
- Sim! - respondeu em sentido.

Quase não acreditava no que os meus ouvidos escutavam. Após quase 1:30h, consegui finalmente requesitar a porra da carta de condução e pudemos, finalmente também, ir para casa e o David pode comer... coitadinho!

Maridinho sofre!

** Fragmento do "Casaco Amarelo em NY

"(...) Hoje queria ir igualmente nadar mais um pouco mas, os planos foram todos por água abaixo... ou antes, ficaram sem água! Queria comprar bilhetes para um espectáculo da Broadway e, para tal, caminhei até Washington Square, onde se encontra o polo principal da NYU e também a central de bilhetes, onde há descontos para estudantes (só mesmo nessas circunstâncias é que posso adquirir ingressos para tal evento). Chegada lá, bati com o nariz na porta. A bilheteira só abria às 12:30 e eu não podia esperar porque tinha embriões a crescer. Assim, voltei para o lab e decidi comprar os bilhetes da parte da tarde. Planeei ir lá às 17:30 para regressar por voltas das 18:30, o que ainda me dava tempo para ir nadar dessa hora até às 20h. Qual quê... o plano até era bom e exequível mas, a totoinha da Inês pura e simplesmente "perdeu-se" no metro. O que se passou foi que na linha que eu queria passam 4 metros, uns que param em todas as estações e outros que vão directos a paragens mais longínquas. De início apanhei um destes e vi a paragem que eu queria passar-me à frente. Assim que pude, saí e tentei parar na estação que queria no regresso. Parecia um filme cómico... mais uma vez, meti-me num metro que me permitiu uma vista previlegiada da dita plataforma, mas sem parar lá. Voltei, então, ao ponto de partida. Dou nova olhada ao mapa, excluo o metro W (que era no qual eu tinha feito esta primeira tour) e vai de decidir que o que eu queria era o N, Downtown. Espero na linha correspondente, vem o metro e entro, toda contente. Pois, pois... vai de ver outra vez a "8th street" (paragem que eu queria) a passar à minha frente e népias de conseguir lá chegar. Acontece que na mesma linha que o N corre o Q e eu não reparei que estava a entrar neste último. No regresso, nova tentativa para ficar na 8th street, novo falhanço... e vão duas viagens no carrocel. Finalmente, à 3ª, consigo sair na 8th street. É o que faz não estar habituada a metros com 4 linhas! Bem, lá vou eu toda lampeira à central de bilhetes e, qual não é a desilusão, após este esforço Herculeo, quando me dizem que os bilhetes já esgotaram. É preciso ter azar... começaram a ser vendidos hoje! Claro está que a ida à piscina ficou sem efeito uma vez que perdi uma hora a "passear" de metro. Mas, durante as 5 viagens que fiz, até deu para observar pessoa bastante curiosas. Uma, em particular, chamou-me a atenção pelo ar mórbido. Era uma moça, de aproximadamente 25 anos, muito branca. Os olhos eram azuis muito claros e, pos ser tão branca, as veias transpareciam um tom igualmente azulado. O cabelo era preto azeviche, com reflexos roxos, sendo também roxos o camiseiro e a mala, que se destacavam na idumentária totalmente negra. Está-se mesmo a ver o que ela me lembrou... um belo de um vampiro. "Será?". Bem, em NY tudo é possível... porque não? (já sei, já sei... filmes a mais!). Esqueci-me de ver como eram os dentes mas ela não estava com cara de bons amigos e, portanto, não os mostrou!
Bem, não consegui exercitar a nadar mas bem que o fiz a andar, a subir e descer escadas. Pode ser que amanhã lá consiga ir, está-me mesmo a apetecer. Não sei é se depois desta noitada terei energias... são agora 5:30 da manhã. Os embriões esperam-me..."

3.06.2007

Toca a Forrozar

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No Sábado passado foi noite de Forró.

Uma Portuguesa, uma Brasileira, dois Brasileiros, uma Francesa e um Americano fizeram de groupies da banda do David e lá fomos todos despencar.

E foi ver o pessoal, cada um a seu jeito, a dar-a-dar a noite toda. Segundo o David, que do cimo do palco, enquanto tocava teclado, congas ou zabumba via tudo, um espectáculo imperdível :)

Proibido Sorrir

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Temperatura = -14˚C
Windshield = -26˚C

Está tanto mas tanto frio que não consigo abrir a boca, falar ou sorrir na rua. A dor nos dentes é igual aquela que sentiria se cravasse os incisivos num pedaço de gelo.

3.02.2007

Para Ele

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Noto que o meu peito esquerdo é ligeiramente maior que o direito.
Acho que é do Amor!



"O meu lado esquerdo
é mais forte do que o outro
é o lado da intuição
É o lado onde mora o coração

O meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto

Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo

O meu lado esquerdo não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tantas vezes diz não

Meu é o meu foi o meu lado esquerdo
Que me levou até ti
Quando eu já pensava
Que não existias para mim no mundo"

Mundo Pequenino Pequenino

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Há 3 ou 4 semanas atrás:

Passados 10 minutos de me ter deixado no laboratório, o David telefona-me:

- Nês, acabei de assistir a um acidente enooorme!!! Mesmo ‘a minha frente! Até saltaram pedacinhos de vidro para o nosso carro. Um cara passou o vermelho e bateu com tudo noutro carro.

Há 1 semana atrás:

Enquanto esperávamos que o journal club começasse, alguém fez um comentário sobre a nevão que caía lá fora, ao que um PostDoc me perguntou:

- Vieste de bicicleta?
- Não, o meu marido trouxe-me de carro. Tu também vieste de carro, não?
- Não, estou sem carro.
- Então, porquê?
- Tive um acidente há umas semanas atrás e o meu carro ficou completamente destruído.
- Espera... foi de manhã, na Prospect? Por causa de um carro que passou o vermelho?
- Sim!! – respondeu surpreendido.
- Que coincidência! O David viu esse acidente.
- O teu marido viu?? – perguntou ansioso – sério?
- Arrã. Até me telefonou para contar.
- E’ que eu preciso de uma testemunha! Houve um sem abrigo que confirmou que eu tinha sinal verde e o outro sinal vermelho mas, porque a companhia de seguros não o consegue contactar, não aceitam o testemunho para o processo.

E pronto, porque o mundo é pequeno e Cambridge uma ervilha, assim se conseguiu que os estragos fossem cobertos pelo seguro.

E um final, feliz!

3.01.2007

Linha Manhosa

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Ontem ao fim do dia, quando ia a pagar a conta do supermercado, reparei que alguém havia roubado alguns cartões de crédito/débito, dinheiro e a minha carta de condução da minha carteira, enquanto esta ficou dentro da minha no laboratório.

Telefonei ‘a policia de Harvard e dentro de minutos uma policia baixinha e simpática tomou conta da ocorrência.

Chegada a casa, liguei para a linha 24h do banco para cancelar os cartões. Hoje de manhã, para ter a certeza que estes tinham sido de facto cancelados (uma vez que o homenzinho que me atendeu na noite anterior estava mais interessado em mandar charme para cima de mim do que em resolver o problema), liguei novamente para o banco.

Atendeu-me outro homem, bastante lento. Durante os longos minutos que decorreram enquanto ele processava a informação que eu lhe dava, ouvi a respiração dele, ofegante e pesada: eternos segundos de hhaaa.... hhaaaaa.... hhaaaaaaa!!!

Confesso que as linhas deste banco mais parecem linhas eróticas.