6.05.2010

Memorial Day Weekend 2010

O fim de semana passado, como se esperava, foi pura e simplesmente SENSACIONAL!!!

Na 6a feira de manhã, terminei de preparar a mochila para o que seriam 4 dias memoráveis, de caminhadas, rafting e campismo. Fiquei muito orgulhosa do resultado, pois tive finalmente 'as costas daquelas mochilas que muitas vezes vi outros terem e que sempre desejei ter: com saco cama e colchão ao penduro, recheada de bens essenciais.

Comida liofilizada, gotas para purificar agua do rio (pois como levamos tudo 'as costas, a água seria muito pesada. Assim, fomos recolhendo água ao longo do caminho), garrafas vazias, roupa termica para a noite, chapeu, protector solar, repelente de insectos, spork, kit de primeiros socorros ultra-leve, barras de energia, trail mix, algumas maças, chocolate, lanterna de cabeça, álcool (para ferer água para cozinhar, nos fogões hiper mega leves, que consistem numa lata de comida de gato furada dos lados com um furador, que se enche de álcool para depois ser incendiado), sacos ziplock, fato de banho, botas, toalha, toalhetes de bebé, sabonete, escova dos dentes, pasta, etc...
Ah, e não me esqueci de levar os bastões para caminhar, não fosse o meu joelho dar de si sem ajuda.

Saímos para uma viagem de 6 horas, até ao estado do Maine, estado conhecido pela abundância de vida selvagem e lagosta. Desta feita, claro que ao almoço nos deliciámos com um delicioso (e barato) lobster-roll. Chegádos ao nosso destino, Big Moose Cabins, encontrámo-nos com mais amigos e montámos o nosso acampamento para aquela noite. Este foi o local mais luxuoso onde ficámos, pois tinha casa de banho com água, chuveiro, lavatorios, etc. A partir daqui, o único luxo foram umas cabanitas de madeira com um buraco, vulgo sanita.

Por forma a aproveitar ainda a luz do dia, alugámos kayaks e canoas e fomos remar para o lago do acampamento. De lá pudemos observar um pôr do sol lindíssimo, bem como os contornos do que seria o nosso objectivo para aquele fim de semana: subir o Mount Katahdin. A cereja no topo do bolo era subir 'a Knife Edge, uma parte da montanha, pouco antes de se chegar ao topo, digamos que... bastante afiada. Basicamente, a trilha é feita no "fio da navalha".



"The most famous hike to the summit goes along Knife Edge, commonly misnamed "Knife's Edge", which traverses the ridge between Pamola Peak and South Baxter Peak. The mountain has claimed 19 lives since 1963, mostly from exposure in bad weather and falls from the Knife Edge. The Knife Edge is closed during periods of high wind." in Wikipedia.

'A noite fizemos uma fogueira e, claro, não puderam faltar os marshmallows da praxe. Fartei-me de rir com o nível de sofisticação do D. (que acamapava pela primeira vez e comprou tudo e mais alguma coisa para esta viagem), que tinha um espeto telescópico para pôr o marshmallow, com o pormenor de que, com um simples gesto do polegar, mantinha a coisa a rodar, para não queimar a goma branca. Experimentei pelo primeira vez um Smore, que consiste num marshmallow derretido, colocado entre duas bolachas juntamente com um pedaço de chocolate, que derrete também. Smore advém de "some more" (um pouco mais). Foi a lição da noite a juntar 'a "técnica do prato" que aqui a Je, após 27 anos de campismo (é verdade, comecei com 5, graças aos meus papis), ensinou ao pessoal. Ou seja, usar o pratito de plástico para atiçar o fogo. Eles bem sopravam mas, quando viram o resultado da minha técnica, deram a mão 'a palmatória e concordaram que era o mais eficaz. Gostei do Smore, mas aquilo é tamanha bomba calórica que nem um consegui comer inteiro.
Antes da sobremesa, todos aqueles que experimentaram comida liofilizada pela primeira vez, deliciaram-se ao provar o conteúdo do pacote, após apenas o juntar de água a ferver. Surpreendentemente saborosa e nutritiva.

A noite foi bem dormida e pela manhã toca de tomar o pequeno almoço e desarmar as tendas, pois no Sábado era dia de rafting. Fomos 16 para esta actividade, que ficaram divididos por um barco de 8, outro de 4 e outro de 4 que se juntou a um outro grupo de 4 desconhecido (portanto, 8 pessoas também). Eu fiquei neste último grupo, na esperança de que, porque o outro grupo tinha 3 rapazes (e o nosso 2), formassemos uma equipa de remada forte mas, bem que me enganei, pois um deles até só pegava no remo com as pontinhas do dedo e assim que havia o mínimo abanico do barco, agarrava-se logo 'a corda e parava de remar, cheio de medo.... homens!

Foi giro ter toda a gente a vestir os fatos térmicos e sentir a excitação no ar. Muito embora seja já a 3a vez que faço rafting (e a 2a vez que faço este rio), nunca se deixa de sentir aquele friozinho na barriga. E' o máximo!
A situação mais surreal no nosso barco aconteceu no 3º ou 4º rápido. Antes de entrarmos no rápido, ficámos junto 'a margem do rio, onde o nosso guia nos preparou para o que aí vinha. Descreveu quantas quedas iria haver, como teríamos que proceder e não deixou de frisar que, o mais importante, era tentarmos mantermo-nos dentro do barco. Se tudo corresse bem, ninguém cairia borda fora mas, caso alguém caísse, que não entrasse em pânico, que flutuasse com os pés em cima e que se deixasse ir, pois no fim do rápido seria resgatado, por nós ou por um dos outros grupos. Ouvimos tudo com atenção e, quando comecámos a enfrentar os rápidos, obedecíamos afincadamente 'as vozes de comando gritadas pelo guia (todos menos o caramelo sentado 'a minha frente, que só se segurava e não remava. Eu bem gritava: paddle! paddle! dig it in!! forward right!! pois com ele sem remar os meus movimentos também ficavam diminuídos, mas o tipo era mesmo um mariquinhas e não fazia nada).

Lá íamos nós a descer o rápido, com toda aquela emoção e a adrenalina a bombar quando, de repente, no meio de umas rochas, deixo de ouvir as vozes de comando. Quando olho para trás, qual não é o meu espanto quando vejo aquele lugar vazio: o guia tinha sido ejectado do barco... ou pelo menos, assim parecia. "We lost the guide!", gritei eu meio incrédula ao mesmo tempo que o barco continuava a descer furiosamente o rápido. Neste exacto momento, vejo que há uma mão agarrada 'a corda que delimita o barco. "There's the guide!!!!" gritei, mas fiquei meio parva, pois não sabia se havia de continuar a remar ou de o ajudar (óbvio que o devia ter ajudado, mas foi tudo tão rápido e o barco abanava tanto que fiquei sem acção). Aí, a C., sentada do meu lado, começou a puxá-lo, pelo salva-vidas (que deve estar sempre super bem apertado, caso contrário, na altura de nos salvarem, ficam só com o colete na mão e lá vamos nós rio abaixo) e aí reagi também e ajudei-o. O guia, tinha claramente estampada no rosto aquela expressão de aflição que põe qualquer um em estado de alerta. Mas fiquei surpreendida como, assim que se viu dentro do barco, pese embora as mãos a sangrar e os pés todos arranhados, imediatamente assumiu o comando e gritou logo "passem-me um remo!! passem-me um remo!!" (pois o dele foi 'a vidinha). Ainda meio atarantados, desatámos a remar e conseguimos chegar ao fim do rápido sem perder (mais) ninguém.

Pelos vistos, numa das rochas o barco passou super perto, rés-vés campo de ourique, e a parte de trás, onde vai sentado o guia, acabou por passar por cima dela sem que ele reparasse e sofrer um belo de um abanão.

Se o nosso grupo já não inspirava muita confiança ao guia no início, depois deste incidente ficou super conservador e a viagem foi super calma, sem incidentes... uma seca, é o que é. Cá por mim estava prontinha a sair borda fora mas... paciência, fica para a próxima. Em compensação, virámos o barco salva-vidas, pois resgatámos para aí umas 6 pessoas, que foram caindo ao longo do percurso. O D. até foi resgatado 2 vezes de seguida pois, assim que o pusemos no barco e nos virámos para o lado para salvar o T., o D. caiu de novo na água... só mesmo ele! :)

O barco que levava 4 dos nossos, rapazes fortes e robustos, era o mais excitante de todos, pois uma vez que era leve, facilmente virava e... diga-se, todos naquele barco (incluindo o guia), estavam ali para a loucura. Então, volta e meia era vê-los ser ejectados do barco a alta velocidade, quando o barco virava.

Foi um dia muito bem passado. Até o almoço que é servido a meio do caminho estava melhor do que das outras vezes. No fim do dia, guiámos até ao Abol Campsite, já no Baxter State Park, para montarmos as tendas de novo e nos preparamos para o dia seguinte, que seria PESADEEEERRRRRRIIIIIIMO! O plano era acordar 'as 3 da manhã para, com as mochilas 'as costas (de 15 kg), fazer uma trilha de 10 horas, a subir a montanha, passando pelo Knife Edge, para depois (como se isto não fosse suficiente para esfandegar qualquer um) ainda fazer uma trilha de 12km (4 horas), para chegar ao próximo acamoamento, no Russel Pond.

Eu acho que houve uma alminha caridosa que intercedeu por nós, acompanhantes do Maurício, que é um excelente organizador de passeios como este, mas sempre muito optimista e ambicioso. Eu e a P. (gajas do grupo consideradas "fortes"), secretamente, desejávamos que o plano fosse mudado (como viemos a confidenciar mais tarde) e... isso aconteceu. Ao chegarmos ao Parque Estatal e obtermos informação sobre as trilhas que tencionávamos fazer no Domingo, o Ranger disse-nos que as trilhas que iam para o topo da montanha estavam todas fechadas, porque havia uma pessoa desaparecida na montanha desde 6a feira (bem que o nosso guia, no barco, quando ouviu o helicóptero a sobrevoar a montanha, disse que isso não era bom sinal e que, provavelmente, alguma coisa grave tinha acontecido). A alminha caridosa intercedeu por nós e quem se lixou foi o gajo que estava perdido... azareco. O que vale é que no fim tudo acabou bem e ele foi encontrado, vivo (isto sim, foi a grande surpresa), na 2a feira, com um joelho 'a banda mas, fora isso, em bom estado.

Assim, os planos mudaram e no dia seguinte a festa incluiria uma subida pela manhã ao South Turner Peak (uma trilha de 6.4km que sobe (e desce) 950 metros), sem mochila, e depois, 'a tarde, uma trilha considerada "fácil", com mochilas 'as costas, de 12.2km, até ao Russel Pond, onde faríamos o nosso acampamento.

Porque nem todos estavam na disposição de fazer 2 trilhas num só dia, o casal A decidiu ir para Russel Pond logo pela manhã. O casal B decidiu encontrar-se connosco 'as 14h, altura em que deveríamos estar de regresso da primeira trilha, para irmos todos juntos. Assim, o grupo que subiu o South Turner Peak, logo pela manhã, era de 7 pessoas: eu e a P., raparigas, e mais 5 rapazes. A subida não foi das mais difíceis que já fiz mas, uma vez que por causa do joelho já há muito que não faço outro exercício que não seja andar de bicicleta, a resistência deu de sim. O joelho portou-se muito bem e a vista lá no topo mereceu o esforço. Lindíssimo. Tivemos a sorte de, logo no início da trilha, termos desviado para ver um lago e, surpresa das surpresas, estava um alce enorme dentro do lago, a alimentar-se pachorrentamente. Há 2 fotos dele no albúm que está no fim. No dia do rafting também vimos um junto 'a margem, que até virou o rabiosque para nós quando passámos e fez xixi. Ainda nos fez rir ao subir de forma trapalhona uma pequena ravina e tropeçar, mas era um filhote, ainda sem armações.

Lá no topo estava uma ventania desgraçada, que quase derrubava alguém mais incauto mas, mesmo assim, conseguimos tirar umas fotos da equipa feliz, antes de iniciarmos a descida. Como a descer todos os santos ajudam, fizemos esta parte muito mais rápido do que a subida mas, mesmo assim, quando chegámos 'a base já eram quase 3 horas e, por isso mesmo, o casal B foi andando para Russel Pond.

Ao chegarmos, o Ranger informou-nos que as buscas pelo desgraçado que estava perdido continuavam, com cães e helicópteros, e que a montanha continuava fechada. Infelizmente, uma das pessoas da equipa de salvamento lesionou-se no joelho e precisavam agora de voluntários que ajudassem a passar a mulher em ombros, montanha abaixo, em terreno muito acidentado. Claro que o pequeno Rocky dentro de cada um dos rapazes do nosso grupo começou a gritar "Aaaaadrriiiaaannn!!" e eles, de imediato, disseram que aceitavam fazer parte da squipa de voluntarios.

Com esta reviravolta, e porque eu e a P., por muito que quisessemos, sabíamos que não seríamos de muita ajuda neste caso, decidíamos, as 2, iniciar a trilha de 12km. Desta feita, os 5 rapazes ficaram e nós partimos, com as nossas mochilongas 'as costas, não sem antes comermos cachorros quentes e bebermos getorade, oferta do salvation army aos nossos bravos e de que nós nos aproveitámos :)

Eu e a P. saímos 'as 16h. Como o casal B tinha saído 1 hora e meia antes de nós e são muito trapalhões e desajeitados, fomos o caminho todo com esperança de os encontrarmos. Especialmente porque sabíamos que, a determianda altura, teríamos que atravessar o rio, com as mochilas 'a cabeça, porque a profundidade da água variava entre a altura do joelho e a cintura, com corrente algo forte.

A caminhada foi óptima, longa mas boa. A determinada altura houve uma bifurcação e seguimos pela direita que, embora fosse a trilha mais longa, era a mais plana. Isto porque nesta altura os meus joelhos e pernas já estavam naquela fase de cansaço em que, se eu parasse, já não saía dali. Andar com uma mochila daquelas 'as costas por tantos km faz com que, no fim, a mochila pareça pesar o dobro. Está visto que aqui tomámos a decisão mais acertada de todo o percurso, pois a trilha revelou-se muito bonita e acessível, passando por diferentes riachos, zonas de bosque, zonas 'a beira rio, algumas rochas, subidas e descidas, e a travessia do rio, embora a água me tivesse chegado quase até ao rabo, não foi nada do outro mundo. Vimos imensa vida selvagem, desde muitos sapos, a uma galinha selvagem e um veado enorme, já quase no fim. Felizmente não nos cruzámos com nenhum urso :)

Chegámos a Russel Pond 'as 20h. Surpresa das surpresas, não encontrámos o casal B pelo caminho. Ao irmos até 'a casa do Ranger, para dar entrada no parque, eis que nos surpreendemos com o casal A lá dentro (há horas, ainda sem terem montado o acampamento) e... nada do casal B. Aí, ficámos preocupadas, afinal, a gente não encontrou ninguém na trilha.

A razão pela qual o casal A ainda estava na casa do Ranger sem montar o acampamento é porque, de entre todos os Rangers daquela montanha e, quiçá, do Texas, batendo o Chuck Norris aos pontos, encontrámos nada mais nada menos do que o Ranger mais parvo e idiota, ao que se junta ser, de certeza, parente do Dr. Jekyll e Mr. Hide, totalmente bipolar.

O Ranger não deixou o casal A montar acampamento porque a reserva estava feita pelo Maurício, para 11 pessoas e, o casal A, não sabia o número do alvéolo (pormenor indicativo de que este Ranger estava cheio de má vontade mas de que só soubemos no fim da viagem: só havia 2 alvéolos que albergavam 11 pessoas, um dos quais já estava ocupado. Logo, qual seria o nosso?? Duh! Para além disso, o número do alvéolo é determinado pelo Ranger 'a chegada do pessoal. Duplo Duh!!). Ao ver-nos chegar, sendo nós só 2 pessoas e sendo ele informado de que estávamos sem saber o paradeiro do casal B, o Ranger passou-se da cabeça e quase lhe saltou aquele chapelinho caramelo da tola: "quê? o grupo separou-se? já não basta uma pessoa perdida na montanha agora não sabem onde estão os vossos amigos (casal B)? nenhum Ranger no sei perfeito juízo vos deixaria fazer isso!!"... quando o Ranger onde os nossos rapazes ficaram sabia perfeitamente da situação e nos deixou ir. A gente bem tentou explicar, mas quando o gajo começou a responder "não adianta dizer nada que não vão ganhar este argumento" percebemos que era o mesmo que estar a pregar para os peixinhos.

Ora estamos nós neste impasse, em que o Sr. Ranger está a ser um perfeito idiota para nós quando, do nada, põe a mão no ombro da P. e, simpaticamente exclama: olha um castor lá fora!!

Como disse, totalmente bipolar. Só visto. Avaliando por esta situação e por outras que passámos neste fim de semana com Rangers, foi muito claro que cada um diz o que lhe dá na real gana, desde que se sintam em posição de poder. Não há consistência nenhuma entre o que cada Ranger diz e, quando dois ou mais estão presentes, há uma dinâmica inexplicável de hierarquia em que alguém tem que amochar. Uma patetice!

Como pelos vistos era gravíssimo não sabermos o número do nosso alvéolo, o Ranger teve que contactar a base onde estavam os rapazes para se informar com o Maurício, não sem antes nos fazer sentir que, talvez por nosso causa, o homem perdido na montanha pudesse morrer, pois ia interromper as comunicações com o helicóptero... eu já disse que isto era tudo uma patetice, não já?

Enquanto fazia a comunicação, mandou-nos para um alvéolo (o que denota que o número não interessava para nada) e, finalmente, aparece o casal B. Todo molhado e com um ar pavoroso, pois optaram pela trilha errada, cairam no rio várias vezes, com as mochilas, perderam as sandálias no início da travessia e depois tiveram que fazer o resto descalços... uma odisséia. A gente bem sabia que eles iam ser lentos e desajeitados. Demoraram 6 horas para fazer uma trilha de 4h... ainda nos fartámos de rir com as descrições deles!

Já estava escuro quando finalmente acendemos uma fogueira (bem catita, diga-se), montámos as tendas, para depois fazer o jantareco, comer, falar e, por fim, reunir tudo o que tivesse cheiro (comida, pasta dentífrica, meias mal cheirosas...) e pendurar numa árvore, por causa do ursos.

Estávamos radiantes com a nossa capacidade de sobreviver no "wild" porque esta situação acabou por nos dar a oportunidade de testar os nossos limites e perceber que, mesmo sem os rapagões, nos safámos super bem. We can do it foi a frase mais repetida naquela noite, entre sorrisos, cansadas, mas felizes!

Como os rapazes não se juntaram a nós ainda nesse noite, ficámos convencidas de que no outro dia eles sairiam bem cedo do acampamento deles para vir ter connosco. Assim, acordámos, tomámos pequeno almoço, curtimos o local e ainda tivémos uma visita do Ranger totó, que veio todo simpático para nos dizer que os rapazes tinham ficado no acampamento deles 'a nossa espera. Achámos estranho mas pensámos que tivessem optado por fazer trilhas lá por aqueles lados. Viemos a saber, quando os encontrámos ao fim do dia, que o caramelo do Ranger comunicou para lá a proibi-los de virem ter connosco, pois nós íamos sair muito cedo e ele não queria desencontros... uma metira total, pois não só nós não sabíamos disto como o trengo ainda nos alugou a canoa para passearmos no lago, isto quando já eram 11h e, obviamente, não íamos sair cedo. Para além disso, deu ordens ao Ranger que estava com o rapazes (lá está a tal da hierarquia) para não os deixar sair para lado nenhum. Os desgraçados, que ficaram lá para ajudar, acabaram por não ajudar porque não foi preciso, acabaram por não vir ter connosco ao que é, supostamente, o acampamento mais bonito do parque e acabaram por ficar até 'as 16h de Domingo 'a nossa espera, sem fazer nada, porque sua excelência, o Ranger Bipolar, decidiu que era assim e pronto.

Escusado será de dizer que, mais do que ursos, na próxima viagem, a espécie com quem menos contacto queremos ter são essa raridade dos Ranger rangers ou Ranger bipolaris.

No regresso decidimos fazer a trilha que o casal B tinha feito no dia anterior, depois de termos andado 1 hora de canoa. O Ranger Bipolar fez também essa trilha para regressar 'a base, mas saiu antes de nós. Ao fazer a trilha concordámos com o casal B que era, de facto, mais difícil e a travessia do rio mais arriscada mas, mesmo assim, ainda rimos muito com o insucesso deles... até eles se riram!

Quando chegámos ao rio, vimos na outra banda o parolo do Ranger. Ainda trocou umas palavras connosco mas depois seguiu 'a frente e não o vimos por umas horas. O c´¨mulo da estupidez deste gajo revelou-se quando, já nem lembrados da existência dele estávamos, ouvimos um "mugir", algures no caminho a seguir 'a curva que atravessávamos. Não conseguimos perceber o que era nem ver nada e desde logo ficámos em alerta e sobressalto. Eu pensei logo que era um alce (dizem que são meio parvos e que por razão nenhuma atacam) e recuei, avisando o casal B que havia alguma coisa no caminho. Nesta altura, eis que ouço um riso: já estão a ver, era o cromanhon do Ranger. Lembrou-se de se esconder no mato e imitar um urso (uma imitação péssima) para nos assustar. Pronto, foi o maluco que nos calhou na rifa!

Chegámos 'a base todos contentes com o sucesso da nossa caminhada pois, de todas as probabilidades e combinações possíveis, os 6 gatos pingados que acabaram por acampar em Russel Pond foram o grupo mais surreal e improvável de sempre: ali estávamos nós, o casal A sem grande experiência de campismo, o casal B idem aspas para além de serem super desajeitados e eu e a P., com alguma experiência, mas que nunca tínhamos tido uma "all girl's experience", sem os nosso gajos.

Ao que parece, quando o Ranger Bipolar contactou a base, fez de nós os maiores parolos de sempre, e descreveu um quadro sobre a nossa habilidade de acampar que fez os nosso rapazes desconfiar que tinhamos pegado fogo ao acampamento ou dormido enrolados em salsichas, para atrair os ursos... quando tudo o que aconteceu foi que não sabíamos o número do álveolo (que ninguém sabia... excepto o Ranger... pppfff!).

Bem que se lixou, pois eu e a L., de manhã, quando fomos 'a "casa de banho" (o tal buraco dentro de uma cabaninha) demos com uma cabaninha toda gira e limpinha, que dizia "Private" mas para o qual não ligámos nenhum. E bem que cagámos (desculpem a linguagem), literalmente, para o Ranger. Depois do serviço feito, ele veio todo irritado informar que não era suposto usarmos o WC dele.

Azar, hehehehhe!

6.03.2010

Dentista (cont.)



Afinal, já não estou assim tão maravilhada com o dentista como estava há dias. Parece-me que, afinal, é a especialidade médica com mais burocracia 'a face da terra. Vejam só: eu disse-vos que tinha ido ao dentista "geral", que me viu os dentes todos, avaliou que um dente precisava de ser visto pelo dentista que desvitaliza dentes e, então, mandou-me para uma clínica, em Boston.

Na 2a feira lá atravessei eu o rio, fui até 'a clínica e, chegada lá, muito embora levasse o raio-x do dente em questão, o dentista fez questão de tirar mais um (cheira-me que este pessoal também não confia muito uns nos outros), só para ter a certeza. Depois, olhou, avaliou a coisa e disse-me: há 3 opções mas acho que cirurgia será o mais indicado. Assim, vou ter que falar com o meu colega e depois entramos em contacto consigo. Conclusão, saí de lá como entrei, e o dentista agora vai falar com outro para ver o que se faz. Com esta história toda, já vi 3 dentistas e quase nada foi feito... humpf!!

PS - No post anterior sobre o dentista esqueci-me de referir que, antes de me darem a injecção com a anestesia, adormeceram a gengiva com um outro anestésico, num algodão. Disso gostei :)

5.27.2010

Faltava o velcro

Quando o iPad saiu, não achei que aquilo trouxesse grande inovação. Tirando o facto de que ser maior, é, basicamente, um iPhone em tamanho grande.
Mas, eis que surge a revolução: juntem-lhe um velcro e vejam como, de repente, o iPad se transforma eu tudo e mais alguma coisa, bastante útil!

iPad + Velcro from Jesse Rosten on Vimeo.

Baxter State Park



Porque vai ser um fim de semana prolongado (Memorial Day), amanhã sigo com amigos para o Baxter State Park, onde vamos acampar, fazer rafting no rio Penobscott, fazer trilhas, andar de kayak, acender fogueiras e comer marshmallows até 2a feira.

Vai ser super giro, pois vamos ter que fazer caminhada com mochila, tenda, saco-cama e tudo mais 'as costas e, portanto, exige-se o mínimo de peso e ter o que é essencial. O fim de semana passado já comprei um spork (spoon+fork = colher+garfo) de titânio, kit de emergência ultra-leve, uma lâmpada para pôr na cabeça, bastões, comida liofilizada... até comprimidos para purificar água comprei, pois vai ser mesmo selvagem. Há que usar a água do rio. Também acho gira a ideia de termos que levar cordas para pendurarmos os nossos haveres 'a noite, a 20 metros do acampamento, para os ursos não nos importunarem... só não gosto da coisa se um destes teddy bears decidir fazer algum contacto mais próximo :P

Dentista


Nunca antes tinha ido ao dentista cá nos USA... até agora, que o meu seguro de saúde cobre tais serviços. Até então, sempre que ia a Portugal, lá tinha eu as consultazinhas da praxe com o Dr. Manuel (que adoro) e, com 2 idas por ano, lá mantinha eu a saúde dentária.

Já que agora posso ir aqui, decidi experimentar. Fiquei abismada com a qualidade do serviço! Muito, mas muito bom!

A primeira coisa que fazem a um paciente novo e para o qual não possuem os registos odontológicos é tirar um raio-x de todos os dentes. Todos!! Quando a enfermeira me começou a tirar raio-x até mais não eu comecei a rezar a todos os santinhos para que tudo estivesse incluído no seguro, caso contrário a brincadeira sair-me-ia bem cara.

Depois da sessão de raio-x, segui para o consultório propriamente dito onde, aí sim, me sentei na tão famosa cadeira e conheci a minha dentista. Ela, uma Americana típica, grande, alta, bonacheirona sem ser gorda, com um sorriso franco e simpático. Um aperto de mão bem firme monstrou-me que era segura e confiante, algo hiper necessário num dentista. Gostei dela imediatamente!

Julguei que, tal como em Portugal, me fosse olhar para a boca, ver se há algo de errado e tratar, mas não. Nesta primeira consulta, já em posse dos raio-x com os dentes todos numerados, ela não fez mais nada que seja não uma descrição detalhada de tudo e mais alguma coisa, que vai ditando para a enfermeira. Desde medir os espaços entre todos os dentes, a retracção da gengiva, que dentes têm coroas, quais foram desvitalizados, quais precisam de atenção primeiro... tudo, tudo, tudo! Nunca antes tinha tido uma revisão como aquelas! como disse, fiquei espantada.

E, a primeira consulta consiste nisto. O melhor de tudo? Quando cheguei ao balcão para pagar, estava tudo incluído e não gastei um centavo. A partir daqui, sou encaminhada para os especialistas relativos a cada problema. Pelos vistos aqui, cada dentista faz a sua coisa. Esta que me viu, faz análise geral da situação. Na próxima consulta serei vista por um médico de endodontica, uma vez que vou ter que tratar a raíz de um dente que já foi desvitalizado. Numa outra altura, visitarei uma higienista, por causa da gengiva.

Por agora, estou muito satisfeita com o serviço e com a dor de cabeça que isto me tirou de cima, pois sempre que estava longe de Portugal ficava sempre com receio que me acontecesse alguma coisa, tipo uma dor de dentes ou qualquer coisa do género.

Esperemos que continue a gostar!

Estereótipos



Porque eu não bebo álcool, café, bebidas gaseíficadas, não fumo nem uso drogas, toda a gente julga que sou vegetariana!

Vamos lá a ver: lá porque eu sou uma seca no que respeita a beber (é só água, chá, sumo ou leite), não quer dizer que não aprecie um bom naco de carne, 'tá bem?

Para recordar... e rir muito!

Várias gerações foram marcadas pelo espírito genial do Herman José, na altura em que ele fazia humor de grande nível (sim, porque de há uns anos para cá, a coisa anda pelas ruas da amargura... desde que se mudou para a SIC que nunca mais foi o mesmo).

Uma dessas gerações foi a minha! E como nos marcou!!

Até hoje, passados tantos e tantos anos sobre a exibicão destes e muitos mais espectaculares sketches (seguramente mais de 15), não é preciso dar qualquer explicação quando incluimos na nossa conversa expressões como:

- let's look at the "traila"
- vou ali dar uma deliberada
- ou 'tá estendido ou 'tá deitado
- pois, eu é mais bolos
- ping
- oh maezinha não te apagues!
- foi aqui!!!
- onde é que estavas no 25 de Abril de 1974?
- não pirilamparás a mulher do próximo
- farfalota pimpinela
- tem uma paralesia facial... a coitadinha, quando ri, só levanta este lado da boquinha!
- eu gosto é de panquecas... quecas... quecas!
- oh meuje amigozz..zzz.zzz.... não "habia nexexidade"... o artista até é um bom artista!
- sinupi (snoopy)

- and soy on and soy on!

Até hoje, passados tantos anos, num jantar recente com amigas Portuguesas, o que nos rimos a recordar os sketches do Herman!!

















Até gestos ficaram para a história:



E tantos mais haveria para pôr aqui!

Duarte & Companhia

E já que estamos (ou eu estou) numa de nostalgia Portuguesa, já estão a imaginar o que me ri quando, ontem, ao pequeno-almoço, ouvi a crónica do Nuno Markl na Rádio Comercial sobre essa portentosa série que era o "Duarte e Companhia".

Ouçam só:

http://uploads.mp3songurls.com/1%C2%BA%20Cromo_%20Duarte%20e%20Companhia.mp3

Quase que me sairam cereais pelo nariz quando me engasguei de tanto rir.

"O Padrinho teve uma quebra de tensão!"

AHAHAHHAHHAHHAHAHHAHHAHHAHAHHA!!!!

PS - Fica aqui o genérico, para aqueles que querem levar o saudosismo até 'a última :)

5.18.2010

Envelhecer



Nos últimos 2 meses visitei um ortopedista, um cirurgião, um medicina interna, um dermatologista, um gastroenterologista, um ginecologista, um fisioterapeuta, um dentista, um psicólogo e parece-me que se segue um neurologista.

Se eu não me conhecesse tão bem, diria que sou hipocondríaca... o que vale é que é só uma acumuluação de azares e coincidências ou, pura e simplesmente, os 32 anos a darem um ar da sua graça.

5.17.2010

O Juíz Decide



A provar mais uma vez que não me calo quando acho que tenho razão (o que 'as vezes é bom e outras nem por isso) e que estou "un petit peu"Americanizada, hoje pus não uma mas duas pessoas em tribunal.... e "mai" nada!

A primeira foi a minha ex-senhoria, que nunca mais se decide a devolver-me o depósito que fiz há quase 5 anos atrás. Primeiro dizia que eu devia dinheiro das rendas, algo totalmente infundado e impossível. Tive que lhe provar por A+B, através de extractos bancários desde 2005 (que me deram um trabalhão a obter) que sempre paguei tudo a tempo e horas (e logo eu, que sou tão preocupada com essas coisas). Depois de todo o meu esforço e de a convencer que paguei tudo, deu de inventar que estragámos a fechadura da porta, que nunca funcionou, mesmo antes de eu me mudar para lá. Disposta a esclarecer o imbróglio, fartei-me de lhe telefonar e deixar mensagens de voz a pedir que me ligasse. Mandei emails, voltei a ligar, a deixar mensagens e a tipa, não só nunca me respondeu como ainda teve o desplante de, por vezes, desligar o telefone na minha cara (tipo, toca o telefone, ela rejeita a chamada imediatamente, nem o deixando tocar). Ainda mandei email e telefonei ao marido dela a avisar que, se me continuasse a ignorar, teria que tomar outras medidas, nomeadamente pô-la em tribunal.... e já lá vão mais de 2 semanas sem ouvir nada de volta. Então, fartei-me e pimba... tribunal com ela.

O segundo é um homenzinho de um stand que, quando chegou a hora de devolver um depósito que tínhamos feito num carro que acabámos por não comprar, decidiu que só ia dar metade, para cobrir os gastos de uma revisão no mecânico que nunca foi feita. O mais engraçado é que, já a prever isso, quando fizemos o depósito eu insisti para que, tanto eu como ele, assinássemos um documento a dizer que o depóstio seria totalmente reembolsável.... e o gajo assinou. Também andei meses a ligar e a tentar falar com o mafarrico que, claro, nunca se dignou a falar ou a ligar de volta e pronto, fartei-me também e pimba... tribunal com ele.

Vamos lá a ver no que isto dá!

5.14.2010

Batatas Fritas - Poder Sobrenatural



Vocês não concordam que as batatas fritas têm um certo poder transcendental? Algo de hipnótico?

E' que não há vez que elas aterrem numa mesa com várias pessoas que os comensais não estiquem logo o braço para "tirar só uma".

E uma pessoa tem mesmo que tirar uma porque se não parece que não se consegue concentrar em mais nada que não sejam aqueles palitos dourados.

5.11.2010



Da mesma forma que no Inverno as ruas pululam de luvas e cachecóis perdidos, quando chega o sol e o bom tempo, as bicicletas crescem em todos os canteiros e postos! E é tão bom!!
toda a gente anda de bicicleta e como que há uma certa cumplicidade quando nos cruzamos. Sentimos vontade de sorrir, como quem diz "que bom que podemos andar assim!"

5.10.2010

MOMIX... again

Ontem, eu e o David fomos ver os MOMIX.
Para o David foi a primeira vez e, tal como me aconteceu há mais de 10 anos atrás, ficou deslumbrado. Eu, tive mais uma vez a confirmação de que esta companhia é FAN-TAS-TI-CA... mesmo sendo já a 4a vez que os vejo!

5.03.2010

Estamos na India ou quê?



No Sábado fui ao super mercado, só assim mesmo de passagem, porque ao fim de semana é sempre a loucura. Mas, este Sábado, a loucura era maior do que a do costume.

Chegada lá, o pessoal estava todo a comprar água como se não houvesse amanhã. "Que será que se passa?", pensei eu. Olhei para o preço para ver se era uma super promoção, mas não, estava igual ao normal, se não um pouco mais caro do que o costume. Como nesta terra tudo é possível, também não perdi muito mais tempo a tentar perceber o fenómeno e fui 'a minha vidinha.

Quando voltei para casa, o David, nem de propósito, deu logo resposta 'aquela situação que lhe ia contar: não se pode beber água da torneira! Está contaminada por causa de uma fuga num depósito.

Assim, desde Sábado que não se pode consumir água. Obvio que qualquer esforço para comprar água nas lojas foi infrutífero, pois está tudo a ser consumido rapidamente. Desta feita, andamos a água fervida. 'A noite pomos umas quantas panelas com água ao lume a ferver, e no dia seguinte servimo-nos de lá.

Juro que nunca pensei aqui nos EUA estar tão perto da India!

4.30.2010

Espaço aéreo

A propósito da erupção do vulcão Islandês, de nome impronunciável, deparei-me com estes 2 vídeos: o primeiro relativo ao fecho do espaço aéreo (visto sobre a Holanda) e o segundo relativo 'a reabetura do mesmo (desta vez sobre a Europa).





Não é o máximo??

4.29.2010

Serviço Público - Colite Ulcerosa


Toda a gente me pergunta: então e as fotos, e o relato do Brasil, e as férias?

Têm todos muita razão (e não perdem pela demora para ficarem roidinhos de inveja) mas desde que chegámos que tudo tem sido uma correria. Para além do trabalho e correspondência (e respectivas contas, etc...) acumulados por quase um mês, acabei por ter uns problemas de saúde que em nada ajudaram a voltar 'a rotina.

Para aqueles que já me seguem desde o início deste blog (1 leitor talvez... 2 vá!), lá bem longe, em 2004, deve-se lembrar que uma vez contei sobre uma aventura, quando então ainda morava em Nova Iorque, onde falava sobre um episódio no hospital.

Na altura ninguém me soube explicar os sintomas que vinha a sentir há uns dias, de muito sangue nas fezes, cólicas e sensação constante de ter que ir 'a casa de banho. Impôs-se portanto que eu fizesse uma colonoscopia, situação essa descrita no post acima referido. A médica suspeitou que fosse uma proctite, receitou-me um tratamento tópico com mesalamina, que a bem ou mal acabou por controlar a coisa e, da mesma forma que apareceram os sintomas também se foram embora.

Desde então que nunca mais tive qualquer evento do género, até agora, passados 6 anos, pouco antes de ir de férias. A indisposição e algum sangramento recomeçaram, mas mantiveram-se estáveis durante todo o tempo que estive fora. Regressada aos EUA, fui de imediato a um Gastroenterologista que, mediante os sintomas e o meu historial, deduziu que eu estivesse a ter novamente um episódio de proctite.

Assim, há cerca de 2 semanas que reiniciei o tratamento com mesalamina e, no início, o medicamento pareceu surtir efeito. Contudo, passada uma semana desde o início da medicação, comecei a ter cólicas muito fortes. Tão fortes que, a cada uma, me tinha que dobrar e contorcer toda para tentar diminuir a dor. Para além de fortes eram também muito frequentes.

Imaginem que estão com uma intoxicação alimentar e que, a cada 10 minutos, sentem daqueles pontadas dolorosas e agudas na barriga, que vos fazem correr para a casa de banho. Quando as cólicas começaram ainda tinha algo para deitar fora, se bem que fosse já só água castanha, mas passadas umas horas, só sentia a dor, a urgência, os arrepios, o frio, as contracções, mas já nada para evacuar... e muita muita dor!

O fim de semana foi passado assim, com a esperança que o uso tópico da mesalamina surtisse efeito, mas já nem isso funcionava. Aliás, porque o tratamento é sobre a forma de clister, vi que a coisa estava a dar mesmo para o torto quando já nem conseguia segurar a solução injectada mais do que 2 horas (quando é suposto actuar durante toda a noite).

Positiva e não querendo ceder aos sintomas, na 2a feira ainda fui para o laboratório mas, a cada contracção, quase que deitava a pipeta pelo ar e escorregava pela cadeira abaixo contorcida em dor.

Tive que ir 'as urgências e lá, após contacto telefónico com o meu médico, fui logo tratada com mesalamina oral, para que o medicamento actuasse agora em todo o intestino e não só no recto (porção inicialmente tida como a origem do problema). No dia seguinte fui para o hospital, para realizar uma sigmoidoscopia de urgência, por forma a o médico perceber porque estava com tantas dores e tamanho desarranjo intestinal.

O exame revelou notícias indesejáveis, pois a inflamação que inicialmente se julgava confinada ao recto e, portanto, tratável com clisteres de mesalamina, alastrou agora por todo o colon/intestino. A zona do recto estava saudável, sinal de que a medicação surtiu o efeito desejado. Inesperadamente, a inflamação manifestou-se e alastrou para zonas que não recebiam o tratamento. Tenho, portanto, o que é conhecido por colite ulcerosa.

Num intestino saudável um exame como a sigmoidoscopia não necessita de qualquer anestesia. No entanto, num intestino com colite, como o meu e cuja condição o médico desconhecia, as paredes estão muito irritadas e sensíveis e o mínimo estímulo provoca a mais profunda das dores. Já estão a imaginar o que eu passei durante o exame, quando o ar era insuflado por forma a afastar as paredes do intestino para a sonda passar.

Posso dizer que sou uma pessoa muito resistente 'a dor e que é raro chorar por este motivo. Não chorei quando parti o braço ou fiz ruptura dos ligamentos do joelho (há 2 meses atrás). Quando bebé, eu era o espanto das enfermeiras, pois nunca chorei com nenhuma vacina... nem mesmo com injecções de penincelina. Não me lembro de alguma vez ter chorado num consultório médico. Pois digo-vos, chorei mesmo muito durante este exame! Soltei gritos de dor, tal eu estava.

Bem, chega de desctições desagradáveis. Imagino que por agora aqueles que me estejam a ler estejam com esgares de desconforto no rosto.

A razão pela qual aqui escrevi sobre isto, sob o título de "serviço público" é porque, se bem se lembram, aqui há uns tempos falei sobre um outro sintoma que me levou a descobrir a vulvodinia. Até hoje nunca recebi tantos comentários num post nem nunca antes um post me pareceu ter sido de tanta utilidade para os leitores.

Penso que é também de utilidade estar ciente desta situação de colite ulcerosa. Se tiverem alguns dos sintomas descritos, não hesitem ou demorem a visitar um médico. Convencida de que "isto passa", fiquei quase 4 dias com dores, que pioraram gradualmente. Se tivesse ido logo ao médico de novo, possivelmente não tinha sofrido tanto quanto sofri.

A boa notícia é que a mesalamina faz milagres e desde que comecei a tomar os comprimidos que os sintomas estão a diminuir e já consegui retomar a minha vida normal... bem, quase toda. Só ainda não retomei o ginásio.

Por isso, assim que estiver de volta 'a forma antiga e com mais cabeça e disposição, dedico-me 'as férias, ok?

4.28.2010

Ines(perado)... ou antes, Ines(desesperada)



Quando chegámos de férias, há já 2 semanas, Cambridge recebeu-nos cheio de flores e sol. As árvores são um festival de rosas e brancos, pétalas por todo o lado, tudo muito verdinho e viçoso... uma Primavera digna do nome.

Obvio que, imediatamente, alguns apetrechos foram logo postos de lado, nomeadamente luvas, gorro e cachecol para andar de bicicleta. Tem sido uma maravilha, sentir a brisa amena no rosto e no pescoço.

Mas, qual não é o meu espanto, quando hoje de manhã dou por mim a tiritar de frio e com as mãos congeladas, a desejar por um par de luvas. Mínima de 4 graus!!! Quê, mas está tudo louco??

Devo ter entrado na rua errada.... humpf!!

4.16.2010

Pronta para a maratona!



Eis-me de volta! Há muitas coisas para contar mas, uma vez que só chegámos na 3a feira, ainda não me consegui organizar por forma a mostrar seja o que fôr.

Contudo, o que posso dizer é que, sem demora, fui logo visitar o cirurgião na 4a feira, que me deu a excelente notícia de que, afinal, não preciso de ser operada ao joelho.

Testou a perna, puxou, dobrou, torceu, fez 30 por uma linha para chegar 'a conclusão que há pessoas com o joelho muito mais solto do que o meu e que recuperei rapida e excelentemente (nada como os ares do Brasil, digo eu). Disse-me que podia voltar 'a minha vida normal, frequentar o ginásio, andar de bicicleta e tal. Fiquei felicíssima!

Quis ir de bina logo no dia seguinte para o laboratório, mas a marreca da Mila (a minha bina), de tanto tempo parada (ou de tanto chorar com saudades minhas), ficou com a corrente enferrujada e vai de não andar um milímetro.

Hoje já a pus a arranjar e acabei de a ir buscar. Pormenor importante, já voltei a casa a pedalar, sem dores ou dificuldades, sempre a andar... zinga zinga (e olhem que é a subir!).

Ainda não fui ao ginásio mas, desde que o médico me deu a boa nova, que arrisco descer as escadas aos saltinhos ou uma corridinha pelos corredores do instituto... e sabe tão bem!

Lembrou-me daquela cena do filme Forrest Gump, em que o miúdo supostamente é todo coxo, anda com um aparelho nas pernas que mal o deixam mexer e, de repente, desata a correr e esfrangalha aquela traquitana toda, descobrindo que tem umas pernas prontas para tudo.

Se eu estivesse também com um daqueles aparelho na perna, aposto que também o tinha mandado para o galheiro assim que recebi a notícia, hehehe.

3.14.2010

Férias





Mesmo com a perna meio 'a banda, amanhã sigo para o Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fernando de Noronha e muito mais... férias, here I go!!!! :)

3.09.2010

No Bom caminho



Ontem na fisioterapia já andei de bicicleta estacionária, por 10 minutos, e hoje no ginásio lá dei eu ao pedal de novo, por mais 15 minutos. Já subo e desço escadas, ando sem o suporte ou as muletas. A cada dia, consigo dobrar o joelho mais e mais. Não há mais dor ou inchaço. Já voltei ao laboratório e já fiz experiências.

Yuuuupppi!!!! Estou feliz!!!! :)

Que atrofio

Há tempos, enquanto via o que tinha sido publicado aqui e ali, deparei-me com estas imagens num artigo que saiu na Plos One e achei-as fantásticas:



Basicamente o que os cientistas fizeram foi inibir o gene da miostatina, responsável por controlar o crescimento dos músculos esqueléticos, e o que obtiveram foi ratinhos com músculos que cresceram como se não houvesse amanhã. Um verdadeiro super-ratinho, todo bombado e musculado. Na imagem, vêm o ratinho normaleco em cima e o super-ratinho na foto de baixo.

E porque me lembrei eu de vos mostrar ratos depelados e bombados? Exactamente porque isto me lembrou da minha situação actual. Não que me esteja a cair o pêlo ou tenha músculos por aí além mas porque, desde o acidente de ski, a coisa que mais me impressionou foi a velocidade com que perdi massa muscular na perna e nádega direita. Bastou estar 2 dias de "patinha" esticada e ao ar para, imediatamente, a minha perna (e respectivo rabiosque) virarem um pedaço de esparguete hiper cozido. Por outro lado, porque a perna esquerda levou com o trabalho todo em cima, está maior e mais forte.

Só agora me apercebi que, de facto, afinal, até tinha algum músculo na perna. Agora, quando comparo as duas pernas, nem parecem irmãs... parecem-se mais com os ratinhos da fotografia acima: tipo bucha e estica.

Eu acho que bem me podiam inibir a produção de miostatina na perna direita por uns tempos a ver se volto a uma forma mais simétrica.

A Muleta Assassina



Já muitas vezes o disse por aqui e continuo a dizer: ele há coisas que só comigo!!

Como se já não bastasse ter-me arriscado a ficar no meio de um assalto ao banco sem possibilidade de fugir, esta minha condição de perneta continua a pregar-me partidas.

Na 6a feira 'a noite, pela primeira vez desde o acidente, saí para passar o serão numa festa em casa de uma amiga. Uma vez que já tinha testado conduzir no dia anterior e o fiz sem dificuldade, porque não?

Embora também já consiga andar só com o suporte na perna e sem canadianas, quando saio, mesmo assim, levo uma muleta de apoio, não vá alguém dar-me um encontrão ou eu tropeçar em alguma coisa e pôr demasiada força na perna lesionada. Assim, lá entrei eu no carro com jeitinho, fechei a porta e coloquei a dita muleta entre o assento e a porta.

Note-se que quando conduzo o faço ainda com o suporte 'a volta do joelho e, porque este tem uns ferros de lado para evitar que o meu joelho oscile para a esquerda ou para a direita, não consigo dobrar a perna quando o tenho posto. Consigo apenas girar o pé para os lados, podendo facilmente alternar entre o travão e o acelerador, mais do que suficiente para conduzir.

Acontece que, já a meio do caminho, sem mais nem menos, sinto que, de repente, o carro desata a acelerar... e, quase que imediatamente, sinto também que é o meu pé que está a carregar no acelerador, cada vez com mais força.

"Ai, caraças!!", pensei eu naquele fracção de segundo em que tentava perceber o que se estava a passar. Felizmente não tinha nada nem ninguém 'a minha frente e a coisa resolveu-se, mas podia ter sido feio.... e eu nem sequer tenho um Toyota!

O que se passou foi que a caramela da muleta, vá-se lá saber porquê, a meio do caminho aterrou em cima do botão que faz com que o banco do condutor vá para a frente ou para trás, electronicamente. Como eu sou uma pessoa cheia de sorte, a traquitana deu-lhe para carregar no botão por forma a que o banco fosse para a frente. Já estão a ver o que se seguiu! Parecia uma cena de filme! Como eu não conseguia dobrar a perna, 'a medida que o banco me empurrava para a frente, a minha perna, toda esticadinha, empurrava também o acelerador.

"Ai caraças!! Ai caraças!!", dizia eu enquanto buscava freneticamente a porra da muleta para a tirar do sítio. Encontrei-a logo e tudo isto aconteceu muito rápido, apenas uns segundos... mas foi o suficiente para me deixar atarantada!!

Claro está que, tal como as crianças, a trenga da muleta agora também vai sempre no banco de trás... só comigo!!!!

3.04.2010

Banco


Hoje o David foi para o Brasil. Porque já me consigo movimentar bastante bem sem muletas, eis que experimentei conduzir pela primeira vez após o acidente, e ir com ele até ao aeroporto, para depois trazer o carro. Tudo correu bem e conduzi sem dificuldade.

Porque estava tão feliz por já poder fazer várias coisas autonomamente e por, finalmente, estar fora de casa (muito embora o tempo estivesse horrível, cinzento, com neve e chuva) decidi aproveitar e, já que estava de carro, ir ao banco.

Como sempre, estacionar perto do banco foi uma dificuldade, pois aquela rua nunca tem lugar. Mas, porque mesmo sem muletas continuo a andar com o suporte 'a volta do joelho, pensei em estacionar logo ali, 'a porta. Muito embora a traseira do carro ficasse um pouco já sobre uma rampa de acesso, arrisquei e confiei que o serviço ao balcão seria rápido.

Entrei, cheguei ao balcão, fiz o meu pedido e, enquanto a funcionária o estava a processar, eis que entra um polícia no banco, a olhar para todo o lado, como se 'a procura de alguém.

"Já está! Já me lixei! De certeza que vai perguntar de quem é aquele carro mal estacionado", pensei eu, enquanto esperava que ele proferisse aquelas palavras. Estou eu naqueles segundos de ansiedade quando entra um segundo polícia, igualmente espavorido e a olhar para todo o lado, desta vez com a mão no coldre. "Dois!? Não há mesmo como dar a volta ' coisa. Nem os santinhos me podem ajudar!".

Mas eis que, contrariamente aos meus temores, os polícias nada disseram e só desataram a andar pelo banco fora. Nisto, noto que os funcinários se foram levantando e, meio atarantados, começam a olhar uns para os outros, como se tivessem um pergunta no olhar. Essa pergunta logo se materializou: a funcionária ao lado da minha sussurra-lhe "Quem é que activou o alarme?"

"O banco está a ser assaltado!!!", percebi logo eu, pela conversa, suportada pela linguagem corporal das pessoas. E sabem o que é curioso? E' que em vez de ficar sobressaltada só me vinha 'a cabeça: "Só podem estar a gozar comigo!! De todas as vezes que vim ao banco, hoje, logo hoje, é que se lembram de assaltar o banco?? Só comigo!! Hoje, que estou perneta, coxinha?!?! Se quiser fugir não consigo!! Se os gajos se lembram de mandar toda a gente deitar-se no chão nem isso consigo fazer. Fica toda a gente no chão e aqui a coxa em pé, a mexer-se que nem uma tartaruga com reumatismo".

Estou eu nestas conjecturas e vem o polícia falar com a gerente, ali ao meu lado. Afinal, falso alarme!!! Está visto que o sistema volta e meia se lembra de disparar sem razão aparente. Mesmo assim, os polícias seguiram com o protocolo e por lá ficaram até ter a certeza que tudo estava bem.

"Está tudo bem?", perguntei 'a funcionária que me atendia, antes de sair, para garantir que não fazia nada fora das regras. "Sim, tudo bem!", respondeu-me aliviada.

Cá para mim, eu acho que o alarme disparou justamente porque eu lá estava, naquelas condições de micas-côxa-da-madragoa. Como disse, só comigo!!! Havia de ser giro, havia!

Aceitam-se apostas (II)



Vai ter mesmo que ser. Por forma a que o meu joelhito volte a ser o que era e que eu possa fazer todos os desportos que me der na veneta, há que reconstruir o ACL, logo, tenho que ser operada.

Eu passo a explicar.

Quando caí a fazer ski, há quase 2 semanas atrás, torci o joelho porque o ski não saltou da bota (caramelo!). Ao torcer o joelho, fiz ruptura parcial de dois tipos de ligamentos: o lateral (MCL, que fica do lado de dentro do joelho) e o anterior (ACL, que, simplificadamente, fica na parte de trás do joelho).

Ora, estes ligamentos têm o seu quê de agri-doce. Se, por um lado, o MCL é aquele que dói, é também aquele que tem capacidade regenerativa e bastam o tempo e a paciência para que volte 'a sua forma antiga. Por sua vez, o ACL não dói nada, mas não se consegue recuperar sozinho.

Isto quer dizer que, muito embora já não sinta dor e até já tenha começado a andar sem muletas e sem o suporte 'a volta do joelho, quando tudo já estiver a funcionar como deve ser e eu já nem sequer me lembrar do acidente, a qualquer altura o meu joelho pode "falhar" (especialmente em casos de impacto e stress, como correr, saltar, esquiar, etc...). Isto porque o ACL, por não se recuperar, continua instável e pode não se aguentar 'a bronca em certas ocasiões.

O perigo é que quando o joelho "falha" posso também fazer uma lesão ainda pior do que aquela que já tenho e aí a coisa pia mais fino. Por isso, embora não seja obrigatório ser operada, porque sou uma pessoa activa e não quero andar sempre com receio que algo de mal aconteça de novo ao meu joelho, é preferível "ir 'a faca".

Nem sequer é "ir 'a faca" no sentido de que me vão cortar, abrir e vai haver montes de sangue e uma cicatriz enorme, pois a coisa é feita por apenas 3 furinhos no joelho (artroscopia), por onde entram sonda e instrumentos... e o tendão dador (que ou muito me engano ou vem de um cadáver... tenho que perguntar, hehehe).

Por ora, o objectivo é recuperar toda a mobilidade no joelho, como se nunca se tivesse passado nada. Assim, após a operação, embora haja tecido cicatrizado e a inevitável perda (se bem que muito pequena) de mobilidade, esta não se faça sentir muito. Na fisioterapia estou a avançar bastante rápido e bem, na opinião do técnico, e eu própria já me sinto outra.
Desde que me consigo movimentar sem muletas que sou uma pessoa muito mais feliz :)

E pronto, é isto... lá para Maio/Junho (penso eu), segue-se uma nova saga, a da operação.

Por acaso, até estou a pensar pedir ao médico se, em vez de anestesia geral, posso levar uma epidural. Assim, podia ver a coisa ao vivo e até relatar-vos como é que o meu joelhito está por dentro (esta é a minha veia de wanna-be-médica a funcionar).

3.03.2010

Aceitam-se apostas


Amanhã tenho consulta com um cirurgião, para ver em que pé é que estamos (passo a ironia) relativamente ao meu joelho.
Opera ou não opera?

2.23.2010

Adeus Ski!!!


Este fim de semana fui esquiar de novo só que, pela primeira vez, e infelizmente, não acabou da maneira desejada. Voltei para casa com uma perna imobilizada, um par de muletas, medicamentos para a dor e um prognóstico nada agradável de ruptura dos ligamentos do joelho.

Tudo aconteceu na parte da tarde. Durante a manhã esquiámos várias montanhas, imensas pistas, incluindo pistas pretas, que o meu amigo Maurício me convenceu a descer. Desci-as sem nunca cair, 3 vezes. A coisa correu bem e fomos todos contentes almoçar.

Depois do almoço, o pessoal do meu grupo decidiu voltar 'as pistas. Porque ainda estava cansada e me queria aquecer mais um pouco, disse-lhe que fossem descer umas quantas vezes que, depois, me juntaria a eles. Passada uma meia hora (e uma barra de chocolate), lá fui eu para a neve de novo.

Subimos até ao topo da montanha e descemos a pista azul que já várias vezes tinhamos descido de manhã. Chegados cá abaixo, decidimos subir novamente só que, desta vez, iriamos virar para umas outras pistas, para apanhar um outro elevador. Combinado!

Porque eu sou mais lenta que o resto do pessoal, exactamente por receio de ir rápido demais e de me espalhar, disse-lhes: eu vou indo e vocês apanham-me pelo caminho. Combinado!

Comecei a descer enquanto eles apertavam as botas 'a prancha. Zig, zag, zig, zag, lá ia eu toda contente... tudo a correr bem até que, ao fazer uma curva para a esquerda, vejo um monte de neve que não vislumbrei antes. Para o ultrapassar sem dificuldade, teria que ir mais devagar... que não ia. Assustei-me e tentei fazer exactamente aquilo que não se deve, que foi travar em cima do obstáculo. Pronto, embrulhei-me e ao cair a porcaria do ski não saltou dos meus pés. Assim, o meu pé ficou preso enquanto eu ainda rodava e foi então que ouvi um espectacular estalo no meu joelho, seguido de dor lancinante.

"Não! Não! Não!!!" gemia eu, de cara na neve, sem conseguir mexer-me e consciente de que acabava de mudar a minha vida, se não para sempre, por uma bela temporada, provavelmente com cirurgia pelo meio.

A única coisa que consegui fazer foi levantar o braço e acenar para que alguém me ajudasse. De imediato um casal parou perto de mim e auxiliou-me. Com a maior calma, tranquilizaram-me, tentaram tirar-me os skis sem me magoar e viraram-me por forma a ficar de barriga para cima. Chamaram logo o "ski patrol" e não sairam de ao pé de mim até que a ajuda chegasse. Foram impecáveis!!

Entretanto, eu estava com atenção para ver se os meus amigos passavam... e passaram! Só que, porque iam depressa e eu estava numa depressão, não me viram. Eu ainda chamei por eles mas não adiantou muito. Pensei: " bem quando virem que eu não apareço, procuram por mim" (isto porque nesta montanha não há cobertura de telemóvel e eu não lhes podia ligar).

A patrulha de salvamento chegou em menos de nada e, também eles, foram impecáveis. Explicando-me sempre tudo o que estavam a fazer, testaram a perna um pouco, puseram uma tala em cada lado do joelho, passaram-me para cima da maca, cobriram-me com uns cobertores e impermeáveis e depois... toca a deslizar-me até ao fundo da montanha. Esta parte até foi gira, porque foi novidade. De certeza que não é toda a gente que pode dizer que andou num toboggan de salvamento, hehehe.

Porque a lesão era na perna, e para evitar que a pressão sanguínea fosse para lá, eu fui de cabeça virada para baixo... disso não gostei muito. Porque sou uma enjoadinha, a meio do caminho estava a ver que ia vomitar ali mesmo e isso não ia ajudar muito. Vá lá, aguentei-me e cheguei ao posto de socorro sem verificar em que ponto estava a minha digestão.

No posto de socorro toda a gente foi super atenciosa. Transferiram-me para uma maca, tiraram-me as botas de ski, cobriram-me com um cobertor quentinho e daí segui para o raio-x. A gaja do raio-x devia estar num mau dia pois foi a única excepção no que toca a amabilidade. Até então, eu não tinha soltado uma única lágrima, não obstante a dor e toda a situação, em que me sentia meio fragilizada e preocupada. Mas esta gaja, sem dó nem piedade, mandou-me pôr a perna em posições em que, mesmo sem eu querer, as lágrimas me escorriam pela cara abaixo. Eu bem lhe dizia que me estava a doer muito mas a gaja só respondia "aguenta e não mexe". Estúpida!

Os raio-x mostraram que nada estava partido e depois o médico, por palpação e pelos guinchos de dor que eu mandei com certos movimentos que ele fez, deduziu que, provavelmente, fiz uma ruptura dos ligamentos cruzados anteriores. Mandou-me para casa com a perna imobilizada, com um par de muletas, com uma receita para medicamentos para a dor a recomendação de ver um médico quando chegasse a casa.

E depois, só tive que ficar ali 'a espera que os meus amigos dessem pela minha falta. Pensei que tal fose acontecer instantâneamente mas, quando não me viram aparecer no elevador combinado após esperarem mais de 15 minutos, pensaram que eu não tinha virado na pista combinada e que nos tinhamos desencontrado. Na cabeça deles, o mais óbvio era depois encontrarmo-nos ou no lodge ou no sítio onde aluguei os skis e, portanto, continuaram a esquiar alegremente.

Nem mesmo o facto de os nomes deles estarem em cartazes em todos os elevadores e de terem sido chamados em todos os lodges os conseguiu trazer até ao posto de socorro antes que passassem 2 horas. Só ao fim do dia é que um deles ouviu o chamamento e eles foram lá ter.

Durante as 2 horas que esperei ainda ponderei a hipótese de agarrar nas minhas canadianas e ir esperá-los no sítio do aluguer mas... sem sapatos, não havia condições. Afinal, os meus sapatos eram as botas de ski e essas ja tinham ido 'a vida.

Enquanto esperei tive direito a chocolate-quente... menos mal.

Ao fim do dia, lá apareceram eles. No fim das contas, até foi bom assim: aproveitaram o dia enquanto eu esperei bem quentinha, a beber chocolate quente, de perna esticada. Se tivessem vindo mais cedo, não me podiam ajudar com nada e a única diferença é que iríamos mais cedo para casa sem que eles se divertissem tanto.

E pronto, foi este o resumo do meu último dia de ski deste ano e, certamente, dos próximos tempos :(

No momento em que vos escrevo, já fui ao médico, já fiz uma ressonância magnética e aqui continuo de perna esticada, com um saco de gelo em cima. Amanhã saberei ao certo o que aconteceu com o meu joelho. Pelo exame físico que o médico fez hoje, o prognóstico parece ser melhor... talvez eu só tenha ferido o tendão lateral, sem o romper totalmente. Descobri (pelo médico) que consigo andar, desde que com um suporte apropriado, com uns ferros de lado. Mesmo assim, continuo a andar com pelo menos uma muleta, pelo sim, pelo não.

Sei também que não tenho quase dores nenhumas, agora que já passaram mais de 24h desde que tomei comprimidos para a dor. Era suposto tomá-los de 4 em 4h e foi isso que fiz no primeiro diz só que (como sou uma enjoadinha) sofri de alguns efeitos secundários e passei a noite toda a vomitar, de tanta naúsea (e vomitar sentada numa cama, de perna esticada, não é nada confortável... fiquei com uma dor de costas incrível). Assim, deixei de os tomar e... não sinto dor. Portanto, pode ser que tenha sido só um susto e que as coisas se componham. Pelo menos, assim espero!

Torçam por mim! :)

2.20.2010

A nova casinha

Há coisa de um mês mudámos para uma nova casa.

Porque mudámos? Muitas razões a favor.

A nova casa, embora mais pequena em termos de número de quartos, tem áreas muito maiores do que a casa antiga e, por isso, é muito mais espaçosa. A renda é mais barata e, ainda por cima, inclui aquecimento... que numa cidade onde os termómetros andam sempre abaixo de zero no Inverno, por vezes chegando aos -30ºC, é importantíssimo. Na casa antiga o aquecimento não estava incluído, logo, ou gastávamos mais de 200 dólares por mês e mantinhamo-nos quentinhos ou tentávamos poupar um pouco e passávamos desconforto.

No prédio onde estamos agora há também lugar para estacionar o carro de cada apartamento, o que nos tira muitas dores de cabeça. Por aqui tem que se obter um autocolante todos os anos que indica que moramos onde moramos e podemos estacionar na cidade. Obter este autocolante revela-se muitas vezes um desafio, não fosse o serviço providenciado por pessoas do tipo segurança social ou outro qualquer funcionário do estado. Para além disso, semana sim semana não há a limpeza de rua. Por causa disso, semana sim semana não, temos que estacionar o carro noutro sítio qualquer, caso contrário levamos uma multa de $50... uma chatice. Agora que temos estacionamento reservado, já nada disso nos afecta... uufff!!

Uma outra super vantagem é que temos lavandaria no próprio prédio e assim não temos que sair de casa para lavar a roupa. Nem imaginam as dores de cabeça que isso nos tira. Lavar a roupa fora de casa ocupa, no mínimo, umas 3 horas do dia de uma pessoa e exige muita organização e coordenação.

O único senão é a localização que, embora seja boa, não é tão boa como na casa antiga, mas... com um carro e uma bicicleta, conseguimos ultrapassar isso da melhor forma.

Porque na casa antiga quase todas a mobília pertencia 'a senhoria, agora temos muito pouca e a casa está ainda bastante vazia mas, mesmo assim, adoramos o nosso novo cantinho.

Eis a reportagem, desde a casa antiga até 'a nova :)

2.15.2010

Uma Montanha Pariu um Rato


A semana passada houve aviso de que uma tempestade de neve se aproximava.

Nas estradas, as luzes psicadélicas em cada semáforo avisavam os mais incautos do que por aí vinha. As escolas não abriram nesse dia. Aqueles que foram trabalhar, sairam logo depois de almoço para assegurar uma chegada a casa a salvo.
Em todo o lado só se ouvia: a tempestade! a tempestade!

No final das contas, neve... nem vê-la! Nem sequer um mísero centímetro para, pelo menos, não tirar todo o crédito aos metereologistas. Lá pelo fim da tarde houve um pózinho de neve a voar e a cobrir algumas superfícies de branco mas, nada mais do que isso.

Hoje há nova previsão de neve e tempestade... vamos lá a ver no que dá desta vez!

2.04.2010

Kilimanjaro here I go!!


Qual dieta, qual ginásio, qual sofrimento e abstenção de chocolaaaaaaaaatttteee?!?!?!
Nada disso. O que está dar é mesmo ir para a alturas e enfardar que nem um texugo e... perder peso. Vejam aqui!
Lindo!!
'bora todos para a Serra da Estrela :P

1.30.2010

Incompetência: do pilim não se esqueceram eles


Toda a gente que por aqui passou, ficou a saber que a minha tese de doutoramento foi uma dor de cabeça, como qualquer tese que se preze. Mas, felizmente a prova foi superada e, virei Doutora.

Ora, estava eu muito descansadinha da vida quando, 4a feira passada, recebo um email da Faculdade de Ciências: "por favor, contacte-nos com a maior urgência acerca do seu Doutoramento". O que é que será que estes gajos querem?

Pedi aos meus pais que me fizessem o favor de ligar para lá e averiguar o que se passava. Ligaram ,falaram e só puderam rir da burocracia típica nas faculdades, que só serve mesmo para atrapalhar, pois eficiência não tem nenhuma.

Os desgraçados estavam aflitíssimos porque, ao que parece... eu tinha que marcar quanto antes a defesa da minha tese. O quê? exclamou o meu pai. Só pode haver um engano! A nossa filha defendeu o ano passado, em Maio e, nem de propósito, ontem mesmo fomos levantar o Diploma 'a Reitoria. Lá balbuciartam alguma coisa, verificaram que são uns incompetentes e o assunto ficou por aqui.

Incompetência, neste e noutros casos, não me surpreende nada. O que me surpreende sempre e muito, é que esta incompetência é maioritariamente parcial, pois para cobrarem serviços e receberem os pagamentos, o sistema funciona sempre.

E é isto que temos!

1.29.2010

Caim


Terminei hoje a leitura de "Caim", de José Saramago. Recomendo!
Não pude deixar de rir com as tiradas desconcertantes, inesperadas e contudo inteligentíssimas. Fez-me pensar... e concordar.

1.28.2010

Avatar



Então, finalmente fui ver o Avatar.

Nunca me teria passado pela cabeça ver um filme deste tipo, não fosse a histeria que se desenvolveu 'a volta do mesmo. Assim, tinha que ver para poder saber o porquê de tanto alarido.

Concordo que Pandora é lindíssimo. Aqueles cenários são espectaculares, as cores, as luzes, as 'arvores, os Na'vi. Tudo muito bonito. Achei também inteligente a forma como o realizador foi buscar ideias já conhecidas actualmente, tal como a analogia da rede neuronal 'a rede formada pelas raízes e tudo mais, e como incorporou isto na cultura dos alienígenas. Mas... pára por aqui. Só foi isso que consegui achar interessante.

Não achei que fosse uma história arrebatadora, com um guião riquíssimo. Foi uma tristeza ter-se caído mais uma vez nas piadolas fáceis e "americanizadas" do tipo "despacha lá isso que eu quero ir jantar a casa", enquanto se preparam para destruir uma civilização, por exemplo. O que ainda podia ter safado a coisa eram os efeitos 3D mas, mesmo esses, passaram-me ao lado. Por várias vezes que me questionei se o meu cérebro estaria a processar bem o efeito 3D pois, para mim, tê-lo ou não ia dar no mesmo. Não achei que enriquecesse o filme.

Portanto, não me entusiasmou muito, para além de concordar que, visualmente, Pandora é fantástica.

Estava até com receio que o 3D me deixasse enjoada uma vez que, tal como referi aqui, sou uma enjoadinha e todo aquele movimento me podia ter deixado 'a banda. Afinal não, não foi o movimento que me deixou 'a banda mas, em vez disso, uma infecção viral que me começou a atacar durante o filme.

Um amigo bem me dizia que eu não devia ir ver o filme, porque ir ficar mal disposta. Ele tinha razão, só não pensei que fosse mal disposta desta maneira :P

1.25.2010

Botas de Ski para fazer xi-xi*



As botas de ski, tirando a serventia para que foram desenhadas, são extremamente desconfortáveis. Apertam imenso nas canelas e na barriga das pernas e quando caminhamos com elas mais parece que somos astronautas na lua. Ainda me lembro da primeira vez que calcei umas e de como me ri que nem uma parola com aquela sensação. Descer escadas com as botas nos pés é uma outra modalidade que nos põe a fazer figuras de debilóides... toc, toc, toc, lá se vai quase aos trambulhões, afastando as pernas como se fossemos os homem-de-lata do feiticeiro do Oz. Eu opto por descer as escadas de costas mas nem assim a coisa fica muito melhor.

No entanto, no meio deste desconforto todo, descobri algo para o qual estas botas são ideais (para além de esquiar, obviamente). Estas botas são óptimas, nem mais nem menos do que, para fazer xi-xi em casas-de-banho públicas. Isso mesmo, leram bem. Fazer xi-xi sem sentar o rabiosque na sanita. Geralmente tem que se aguentar ali, de pernas dobradas, fazendo um belo exercício de quadrícipes mas, com as botas de ski, a gente apoia-se nas botas e já está. Como elas naturalmente inclinam uma pessoa para a frente, basta a gente pôr o peso para trás e a coisa funciona.

Quem é amiga, quem é? Agora já sabem, se souberem que vão ter que usar casas-de-banho desconhecidas, nada como andar com um "parzinho" de botas de ski na malinha (sim, porque as botas são muito pequeninas, cof, cof) e têm o problema resolvido. Qual spray de lixívia e desinfectante qual carapuça! Botas de ski é que é :)

* Não, não é um poema! :)

MIGAGAAAAAA!!!!!!!!



Se ficaram curiosos para saber o que é "migagá" então leiam até ao fim! :)

Este fim de semana estreei o passe de ski desta temporada e fui esquiar. Fui com pessoas que desconhecia mas com quem fiquei em contacto por via de um amigo comum. O desconhecimento foi só evidente quando nos encontramos, pois não sabiamos quem esperar, mas logo isso passou e foi como se tivesse passado o dia com amigos que já conhecia há muito tempo.

Eramos 4, eu, uma Alemã e 2 Alemães e 'as 6 da manhã lá fomos nós para New Hampshire.
O dia estava excelente, nem frio nem quente, o ideal para não se congelar nos elevadores e também para não se transpirar imenso aquando das descidas. O sol brilhou, o céu esteve azul a maioria do tempo e a neve estava boa.
Estava felicíssima: já tinha saudades do branco, do esfregar dos skis na neve, daquela paz e daquele silêncio que se sente quando paramos numa das pistas e não se avista ninguém por uns momentos.
Foi óptimo e, até o que poderia ter dado para o torto, acabou por ser um dos pontos altos do dia.

A primeira coisa foi que, eu, moi meme, a je...esquiou numa pista preta pela primeira vez!!! Para quem não está familiarizado, aqui nos EUA as pistas sobem de dificuldade consoante a côr: a mais fácil é a verde, seguindo-se a azul, a preta e a preta com 2 diamantes (double black, como eles dizem). Até agora eu ficava-me pelas azuis, algumas azuis escuras, mas não me arriscava nas pretas. Ontem lá me convenceram e a coisa nem foi tão difícil quanto eu esperava.

Ao descrever a pista 'a L., em Alemão, J. exclamava qualquer coisa como "migagá! migagá!". O que é que é Migagá, perguntei eu. Riram-se. Não é migagá mas sim "mega gail", que quer dizer super cool e, de facto, a pista era excelente e com neve fantástica. Assim, a partir daí, enquanto descíamos a pista e passávamos uns pelos outros, gritávamos "migagá!!!!!". Ficou a palavra do dia :)

Penso que a pista não era uma super preta mas era sem dúvida mais inclinada do que as azuis e consegui descê-la sem grande dificuldade. Liguei toda entusiasmada ao David para lhe dar a boa nova, ao que ele respondeu também com entusiasmo mas ao mesmo tempo com preocupação: "ai, lá vou eu passar o dia ainda mais preocupado!!"

Mas tudo correu bem. Caí uma só vez, mas até foi em terreno fácil, numa pista azul... tudo por causa de uma cambada de putos que decidiu "estacionar" no cruzamento de 2 pistas. Ao tentar desviar-me. acabei por me espalhar e mandar um ski pelo ar, mas nada de grave.

A segunda coisa aconteceu no elevador. Eu e F. iamos na cadeira da frente e J. e L. iam na cadeira atrás da nossa. F. tirou uma foto a J. e L., depois tirou uma a mim e por fim pediu que eu lhe tirasse uma. Tirei a minha luva, pousei-a na cadeira, agarrei na máquina, tirei a fotografia (plim), devolvi a máquina e, quando ia a calçar novamente a luva quem disse que ela ainda estava onde a deixei? Sem reparar devo tê-la mandado borda fora e lá foi ela para toda aquela neve por baixo do elevador. Como se não fosse mau o suficiente esquiar sem luva (lá ia eu tentar esquiar de mão no bolso... havia de ser giro. Estiloso, no mínimo), aquela era uma luva importantérrima, pois foi o David que mas ofereceu no Natal passado. Porque eu me queixava de ter sempre muito frio nas mãos quando ia esquiar, ele foi 'a loja e pediu a luva mais cara, mais pró, mais XPTO, mais quente, mais cocó possível... e eis que me deu estas super luvas, que adoro.

Chegados ao topo da montanha, lamentei-me aos meus amigos, mas eles não me deixaram desanimar. F. deu-me logo uma das luvas suplentes dele para que eu não congelasse da mão e os 3, juntos, começaram logo a engendrar um plano para conseguirem resgatar a luva. O maior problema é que o terreno por aquelas bandas era perigoso, com montes de pistas pretas e double-black e só umas quantas azuis (escuras), que eram as quais eu fazia... estava feliz por ter feito a pista preta mas não me queria armar em campeã e acabar toda partidinha numa double-black :P

Eles disseram-me: Inês, não te preocupes. Desce a montanha e curte. Vai lá para a pista azul que nós tratamos disto. Vamos por esta pista preta e lá pelo meio vamos tentar entrar pelas 'arvores e encontrar a luva. Acedi, mas não sem antes pedir encarecidamente que não se estatelassem contra nada só por causa da luva.

O combinado foi que nos encontrassemos ao fundo da pista, junto ao elevador. Quando lá cheguei, encontrei-me com J. e L. mas... cadê o F.? Nenhum deles sabia, afinal, ele vinha logo atrás. Esperámos um pouco, perguntámos 'as pessoas que desciam se tinham visto alguém parado na pista e um Sr disse que sim, que tinha visto alguém pelo meio das 'arvores... só podia ser o F.
Esperámos mais um pouco e, precrustando pelo caminho em baixo do elevador que subia, eis que o conseguimos avistar. A caminhar, com botas de ski (que não dão jeito nenhum), lá vinha o F. pelo meio da neve, com uma luva na mão. Ficámos felizes, essencialmente por o ver são e salvo mas também pelo vislumbrar da luva mas... 'a medida que ele se aproximava, algo estava errado. A luva que ele trazia era preta e branca... mas a minha era branca e preta. Um pequeno detalhe mas que, quando ele chegou ao pé de nós e nos mostrou a luva, confirmou que os esforços tinham sido em vão. F. tinha trazido a luva que outro alguém tinha deixado cair.

Vamos de novo, disse J. imediatamente. Desta vez, vamos com atenção no elevador, para vermos mesmo onde é que a luva está. Lá subimos nós de novo, mas desta vez, em vez de apreciarmos a paisagam, fomos com os olhos colados no chão por baixo de nós. Está ali!! disse um de nós. Apreciando o terreno em volta J. disse: temos que ir pela double-black!! Pah, vocês não se partam todos, vejam lá. Se não der não dá!! disse eu, mas eles disseram: relax... migagá!!!!!
E lá foram eles!

Eu desci novamente sozinha, eles foram para a double-black e, quando cheguei ao fundo, fiquei 'a espera... e nada de ninguém aparecer. Passados uns minutos, vejo um pontinho a mexer por baixo do elevador. Era o J. que via a "snowboardar" por entre as 'arvores cortadas e os postes do elevador. "Ai que o gajo se me parte todo!!" pensava eu. Mas não!! Não só ele não se partiu, como encontrou a minha luva e apareceu com um sorriso rasgado de orelha a orelha, claramente com um rush de adrenalina enorme a percorrer-lhe o corpo de tão excitado que estava:
- Inês, teres perdido a luva foi a melhor coisa que podia ter acontecido!! A neve por baixo do elevador é puro pó!! Foi o melhor snowboard que fiz nos últimos anos!!!

E estava felicíssimo e eu também!! :)

Migagá!!!!!!!!!!

Oops, lá se foi o Picasso!



A isto eu chamo uma queda em grande.
Cair em cima de um Picasso não é para todos :)

1.19.2010

Mudança de sorte

Vá lá, nem tudo foi mal e ontem o dia nem acabou da pior maneira.
Ao regressar do cinema, encontrei $10 no chão. Acho que o Sr. do Azar se quis redimir.

1.18.2010

Mau dia



Isto hoje não está a correr muito bem:

- De manhã o carro foi para a oficina, meio pifado.

- Pedalei para o lab debaixo de neve/chuva, cheguei com os pés ensopados, pois descobri que as botas deixam entrar água... as duas!

- Chegada a casa, saí para deitar o lixo e fiquei trancada no lado de fora.

Pelo andar da carruagem, ainda acabo a noite no hospital (salvo seja, ouviste, Sr. do Azar?)

1.12.2010

Brigada canina



Por causa do caramelo do terrorista que decidiu experimentar efeitos pirotécnicos no vôo que ia para Detroit, a segurança no aeroporto esteve bem mais apertada do que o costume, quando regressei a Boston.

Estes cãezitos, tão giritos e engraçados, andavam com os seus belos coletes de "brigada" a cheirar tudo o que era malas e pessoas. Comecei logo a ver a minha vidinha a andar para trás pois, como de costume, trazia os meus goodies todos nas malas que despachei no check-in, aka bifes recheados, bôla, salpicão, chouriço, língua estufada com ervilhas (e mesmo assim, vinha a meio gás, com medo que as coisas desta vez não passassem).

Ainda com um restinho de esperança, respondi um solene "não" quando o guarda da alfândega me perguntou: do you have any "tchôrissa"... era verdade, eu não trazia chouriça mas sim chouriço, hehehe.

Logo, logo pude deixar de rir. Quando as malas chegaram a Boston, cada uma apresentava sintomas de que os cães me tivessem denunciado: uma vinha aberta, a outra bem mais leve. Claro está, que tudo o que era comidonga deliciosa já lá não estava.

Bem que os cães fizeram um belo farel 'a minha conta... se eu fosse cão também não resistia ao cheirinho daqueles salpicões... aaaiii!!

1.08.2010

Clara Pinto Correia- Ensandeceu de vez

Que a Clara Pinto Correia não bate bem da bola, já eu tinha percebido há muito tempo, mas que podia ser ainda mais ridícula do aquilo que já é, é que não me passava pela cabeça que fosse possível.

Se não veja-se: como se não fosse já mau o suficiente ter plagiado vários artigos há uns tempos atrás, mais recentemente deu-se a figuras bastante tristes num programa de televisão, onde dançou qual musa paralítica, entrevadinha das canetas (acho que nem alguém em pós-operatório 'a coluna dançaria tão mal).
Vejam só que lindo espectáculo:





Agora, para que o cenário de loucura ficasse totalmente completo e não sobrasse espaço para dúvidas de que está prontinha para se mudar de malas e bagagens para o Júlio de Matos, a senhora lembrou-se de fazer uma exposição, a "Sexpressions", onde vão estar em exibição 10 fotografias dela, tiradas pelo marido da dita (que também não deve ter os berlindes todos), enquanto pinam.

A avaliar pela amostra, ela é tão boa na cama como a dançar... ou então ainda "melhor".

"Sexpressions"??? Cá para mim parece-me mais que a mulher ou anda metida nas drogas ou está a fazer cocó com uma crise de hemorróidas (aquela última foto até mete medo).



1.06.2010

Enjoadinha



Sou uma enjoadinha e não há volta a dar-lhe. Não que seja snob, esquisitinha, nojentinha mas, literalmente, uma enjoada. Sou, até 'a data, a pessoa que mais enjoa que conheço.

Para além de enjoar em situações comuns, como sejam com certos cheiros, a andar de barco ou dentro de um carro numa estrada cheia de curvas (tipo estradas como as que vão para a Régua ou para Chaves... ai que tortura!!), eis que também enjôo em situações menos comuns... e parece-me que, com a idade, a coisa só tende a piorar.

Há tempos dei por mim quase a vomitar ao microscópio. Eram as amostras a passar-me 'a frente dos olhos e o meu estômago a revirar-se com o movimento.

Também me meti uma vez num simulador, jurei para nunca mais. Saí de lá mais verde que uma tartaruga!

Numa outra ocasião, fui visitar o meu melhor amigo ao Luxemburgo e aproveitámos para ir a uma feira tradicional da cidade. Ao ver um dos carrocéis, decidimos andar. Quando já em pleno andamento, roda para aqui roda para ali, eis que o meu estômago se decide virar ao contrário mesmo ali e, sem dó nem piedade, borrifou toda a gente. O que vale é que com o "barulho" das luzes ninguém conseguiu perceber de onde vinha aquilo... aposto que se soubessem, nunca mais me deixavam pôr os pés o Luxemburgo.

Este ano, enquanto andava a fazer snorkeling na Isla Tortuga, com os peixinhos, tão coloridos e bonitinhos 'a minha volta, tudo tão girinho e engraçadinho, também me começou a dar o amoc por causa do balançar da flutuação quee lá mandei eu o respirador para o galheiro. No regresso da ilha, ao chegarmos 'a praia, o barco também andou para ali aos safanões e, mais uma vez, lá fui eu dar comida aos peixinhos. O curioso da situação é que aquilo saiu verde fluorescente. "Verde fluorescente?! Mas o que é que eu comi com esta côr??" pensava eu enquanto continuava na faina mas, depois é que percebi: amarelo com o azul dá verde. Se chegarem alguma vez 'a parte em que já só sai bílis e por acaso estão em águas paradisíacas, podem sempre entreter-se a fazer esta experiência para ver se o tempo passa mais rápido.

A última sessão foi agora no vôo para Portugal. Imaginem, um vôo suave, suave, sem turbulência, calmo, clamo, tudo tranquilo. E aqui a Je, agarradinha ao saco de papel, não uma, não duas, não três mas... cinco, leram bem, cinco vezes. Aposto que a pessoa sentada ao meu lado julgou que eu andava metida nas drogas ou qualquer coisa do género. As hospedeiras já estavam a ver que não tinham sacos suficientes. Pelo sim, pelo não, quando saí do avião, ainda me deram mais uns quantos sacos plásticos, não fosse o festival continuar.

Lindo, não é?

1.04.2010

Inês: a prenda



Este ia ser mais um natal nos Estados Unidos, a juntar ao do ano passado (excelente por sinal).

Porque a conjunctura económico-laboral não era a mais conveniente, a decisão já tinha sido tomada há muito tempo. Aliás, estava tão tomada que até já andava a organizar há uns tempos a leva dos presentes daqui para Portugal.

AP, a alma caridosa deste ano tinha até já enviado aos meus pais os horários do seu vôo para que, na 5a feira, dia 17, estivessem 'a espera dela no aeroporto. Assim, ela dar-lhes-ia os meus presentes e eles, em retorno, entregar-lhe-iam pequenos miminhos para este lado do oceano.

Este era o plano até 2a feira de manhã, dia 14, altura em que uma catadupa de eventos felizes, incluíndo uma conjunctura económico-laboral bem mais favorável e promissora e um maridão que desde sempre insistiu para que eu fosse passar o Natal a casa, fizeram uma reviravolta nas teias do futuro e eis-me com uma passagem na mão, 2a feira 'a noite... para 4a feira, dai 16. Ou seja, também eu iria chegar a PT na 5a feira... tal como a minha amiga dos presentes.

Num passe de mágica e cumplicidade eis que em menos de nada AP já estava a mandar aos meus pais um email para os avisar de que tinha havido umas mudanças no vôo dela e que, afinal, ia chegar num outro horário na 5a feira (qual horário... o do meu vôo, claro).

Assim, quem ia chegar ao aeroporto não eram as prendas mas sim eu... os meus pais sempre me disseram que eu lhes saí uma bela prenda. Está visto que estavam certo, heheh!

O plano era tentar chegar ao pé deles, na 5a feira, bater nas costas do meu pai e perguntar "olhe desculpe, são os pais da Inês?" e depois aparecer eu: tchanam!!!!! Mas eis que a coisa acabou por não ser assim. Passo a explicar.

Quando saí das portas do aeroporto, quis passar despercebida e por isso ia de cabeça baixa e com o cabelo a cobrir-me o rosto. Contudo, eu tinha que dar uma espreitadela para ver onde é que os meus pais estavam. Quando o faço e encontro a minha mãe, naquele preciso momento ela estava a olhar para mim:

"Oh, já me descobriu!!! Lá se foi a surpresa!"

- pensei - mas estava tão excitada e feliz com a situação que desatei a acenar e a rir para ela.
E a minha mãe.... nada de nada de reacção!! Impávida e serena a prescrutar todas as pessoas, a ver se encontrava a AP.

"Yupi!!! Ainda bem que a minha mami é pitosguita. Não me viu! Assim, vou continuar a surpresa e aproximar-me deles!!"

Continuei, desci a rampa, vou-me a dirigir para eles e, ainda distante de conseguir fazer a surpresa, eis que desta vez é o meu pai que olha para mim:

"Oh, já me descobriu!!! Lá se foi a surpresa! Agora é que foi, afinal já estou perto deles e o meu pai não é nada pitosga, antes pelo contrário"

E o meu pai... nada de reacção !! Impávido e sereno a prescrutar todas as pessoas, a ver se encontrava a AP.

"Atão, mas está tudo cego?!?!" E aqui já nem pensava na surpresa porque já só me ria da situação e aproximei-me cada vez mais, a passos largos, com um sorriso rasgado no rosto. E, quando já só a uns passos dele, eis que o meu pai finalmente me "vê", com olhos de ver.

Agarrou de imediato no braço da minha mãe, sem desviar o olhar de mim, que agora só era interrompido pelo constante pestanejar, como se não acreditasse no que via. Abanou a minha mãe, continuando a olhar para mim:

" Olha a Inês!?! Não, não pode ser?!!!" - afirmava e questionava ele em simultâneo.

A minha mãe... nem lhe ligou! Julgando que estava no gozo continuava com o nariz no ar a olhar para as pessoas, não fosse ela perder a AP. Até tinha ido procurar nas fotos do nosso casamento no dia anterior quem era a minha amiga, para ter a certeza que não lhe passaria despercebida.

E o meu pai, continuava naqueles milisegundos que parecem minutos, de agitação, dúvida, espanto, surpresa, e mais dúvida e mais dúvida! Até que finalmente percebeu que sim, era eu.
Ficou lívido, de braços caídos ao longo do corpo, sem reacção, balbuciando "Então?! Mas.... mas estás aqui?! E a AP?! Mas....". Acho que na cabeça dele já duvidava dos mails que trocou, da informação que recebeu... de certeza que até lhe deve ter passado que se calhar eu lhe tinha dito que ia e ele não leu bem o email e lhe passou ao lado. Estava pior do que o Tomé, pois mesmo vendo continuava sem acreditar... coitadinho!

A minha mãe, entretanto, perante a insistência do braço que a agarrava e a abanava seguido de súbita acalmia, finalmente virou-se na minha direcção. Quando me viu, nem 1 segundinho de dúvida lhe percorreu aquela cabecinha de andorinha. De imediato um "oohh" de espanto, um sorriso escancarado, um ataque de riso, um rosto congestinado, vermelho e abraçou-me logo.

E foram tantos sorrisos!! Meus e da minha mãe, que o meu pai ainda ficou sem reacção por uns momentos... coitadinho!

Não haja dúvidas que a área das chegadas de um aeroporto é dos lugares mais felizes do mundo, mas quando o reencontro das pessoas se reveste de surpresa, a alegria consegue ainda ser maior. Foi lindo!!!

"Olha a nossa prenda!!! Que bela prenda!!", exclamavam eles aqui e ali.

E já dentro do carro, a caminho de casa e com a conversa a decorrer, o meu pai volta e meia ainda abanava a cabeça e quase se beliscava para ver se estava acordado e balbuciava, acariciando-me o cabelo:

"Olha a nossa Nês, está aqui connosco!!!"

Coitadinho! :)

Lhasa



Nem queria acreditar quando há momentos li a notícia.
A cantora Lhasa morreu. Calou-se uma grande voz... e tão nova :(

A primeira vez que ouvi falar dela, nem sequer dei muita atenção. Na altura em Nova Iorque, a Sarita veio ter ao meu lado laboratório para saber se eu queria ir ver Lhasa, naquela noite. Porque não a conhecia, não me mostrei muito interessada. Eu não fui e a Sarita também acabou por não ir. Só passados uns tempos é que parei para ouvir esta cantora e me arrependi desde então de não ter aceitado a proposta da Sara. Adorei o som dela e fiquei fã.
Até hoje, altura em que ouvi sobre a sua morte, que esperava pela oportunidade de a ver ao vivo.