9.10.2011

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Ainda a propósito do côro, no email que recebi a confirmar que eu tinha sido aceite no grupo, lê-se no fim:

"Please arrive at least 15 minutes early in order to pay dues, pick up music, find your section leader and your seat. Please bring a pencil to every rehearsal so you can mark up your music. Out of respect for your fellow members please do not wear perfume, aftershave or cologne."

"Por favor, chegue pelo menos 15 minutos antes, por forma a pagar taxas, receber as pautas, conhecer o seu chefe de secção e saber qual o seu lugar" - até aqui, tudo normal.

"Por favor, traga um lápis para todos os ensaios, para que possa fazer notas nas suas pautas" - normaleco também.

"Respeite os seus colegas. Por favor não use perfume ou água de colónia" - O QUÊ??

Chegar lá a cheirar a suor ou a cavalo é que é respeitar o próximo?!
Nem pensar!!
"Jamé" (jamais, em Francês :)) abdicar do meu "Pleasures"!!!

Se alguém se queixar, juro que no ensaio seguinte vou a feder a lixívia e a cebola, com os pés a cheirar a chulé e ainda levo um queijo dentro da mala... a ver se depois não me imploram que use perfume afinal.


Ou vai ou racha. Foi!

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Lá diz o povo e com razão que, 'a 3a é de vez. E foi mesmo!

Como já escrevi há tempos aqui e aqui, tentei em diferentes ocasiões integrar um coro. Na primeira tentativa chegei até 'a final, para depois ser elimiada. Na 2a tentativa, a coisa foi tão escabrosa que me mandaram logo de requitó para casa, sem passar pela casa de partida e receber o bónus.

Desta vez, tentei juntar-me 'a New York Choral Society e, pelo sim pelo não, nem fiz muito alarido da coisa, não fosse isto dar para o torto e vocês começarem a julgar que eu tenho estado este tempo todo em negação e que já está na altura de aceitar que tenho voz de cana rachada.

Felizmente, desta vez a coisa foi diferente e foi com muita satisfação que recebi as boas vindas por parte do coro. Confesso que vi a coisa tremelicar quando lá cheguei e comecei a ouvir sobre a reputação do côro.

Basicamente, dei com eles numa busca rápida pelo Google de côro em Nova Iorque. Foram o primeiro hint, vi que tinham audições para breve... então 'bora lá. Não aprofundei muito mais. Mas ontem, enquanto esperava pela minha vez, comecei a ouvir sobre as actuações no Carnegie Hall, no Avery Fisher Hall, com o Pavarotti nos Grammy's (que depois não apareceu e foi substituido pela Aretha Franklin), do quão bons eles eram e comecei a pensar que me ia meter numa bela embrulhada, que aquilo não era coisa para o meu calibre. Mas, já que lá estava... seja.

Confesso que me senti a vontade e que a coisa correu bem. Embora tenha cantado 'a capela, deixei a Telepatia de lado e desta vez cantei Killing me Softly. Está visto que a coisa agradou.
ASsim sendo, voilá! Começo os ensaios na 3a feira e estou ansiosa.

A cereja em cima do bolo: cantar com o côro já em Dezembro, no Carnegie Hall.
Quem diria que um dia pisaria aquele palco? :)

9.09.2011

E o Chato o Vento Levou



Como já referi antes, aqui e aqui, temos um porteiro mesmo "muita" chato!

Ele é tão chato que, quando é preciso passar pelo lobby e sabemos que ele lá está, eu e o David fazemos pactos, acordos, tratos, tudo e mais alguma coisa: Ok, hoje vou eu, mas da próxima vez és tu. Ou, hoje é a tua vez porque eu aturei-o a semana passada.

Ele é tão chato que sabemos de cor os dias em que ele está de folga. Paz!
Agora que passa várias semanas fora de casa, o David programa o seu regresso para esses dias e exclama ao chegar a casa: é bom vir a casa!! Vejo-te e não ponho a vista em cima do porteiro chato.

Ele é tão chato que, nos faz desistir de ir ao ginásio se sabemos que é a ele que temos que pedir que nos abra a porta.

Ele é tão chato que, quando o furacão Irene ameaçou a Big Apple há duas semanas, o David desejou que o vento levasse o raio do porteiro.

E não é que deve ter levado mesmo?!?!

Há mais de uma semana que não há sinal do Chato. Que chegamos ao lobby, meio que ansiosos para ver se ele está lá, e é com alívio que constatamos que não, que só temos que dizer "Olá" e basta para seguirmos.

Se realmente foi com a Irene, a esta hora o Chato deve estar a azucrinar o juízo de alguém no Canadá. Só espero que não enfureça a Irene de tal maneira que ela se vingue e nos mande outra tempestade :)

9.03.2011

A morte do Artista - El Salpicão



Na 5a feira passada regressei aos EUA, após 3 deliciosas semanas em Portugal.

Como já vem sendo costume nestes mais de 7 anos, durante os quais já repeti esta viagem um cem número de vezes, na bagagem, para além das saudades (que nunca se dissipam), trago também os mimos com que a minha Madrecita me repleta a mala. Bifes e carne recheada, língua estufada, esparregado, bacalhau com grão, massa de coelho, etc... só a título de exemplo.

Podia eu própria cozinhar estas coisas por aqui? Podia... mas não teria o mesmo gostinho!

E' da praxe que no dia anterior 'a viagem a minha Mãe o passe com as compras dos ingredientes fresquinhos, que fique horas na cozinha 'a volta do fogão e das panelas, a preparar todas estas iguarias, com Amor incondicional (o tal tempero especial).
Ao fim do dia, tudo é embalado de forma exímia, para depois ser colocado na malita estrategicamente, bem acomodado, para chegar a são e salvo 'a cozinha deste lado do Atlântico.

Esta vez não foi excepção e, no dia da viagem, a mala a despachar no check-in rebentava de tanta fartura. Porque há sempre o querer de mais alguma coisinha, lembrei-me de que também gostava de levar uns salpicões (iguaria que trouxemos da Régua, fruto da doçura constante dos meus Tios Nanda e João... mais um tempero especial). Como já antes tinha levado do mesmo na mochila que segue comigo, dentro dos sapatos (experiência, experiência: são muitos anos a virar frangos, heheh), decidi pôr 2 destes espécimens dentro dos meus ténis, que por sua vez iam dentro da tal mochila.
E eis que este foi o primeiro erro fatal da história que vos vou contar.

Passado o raio-X em Lisboa, tudo foi tranquilo. Não me disseram nada e eu nada disse, seguindo contente para o embarque.

Chegada 'a alfândega dos EUA, a típica pergunta: traz comida ou bebida consigo?
A típica resposta: sim, trago azeite, vinho do Porto, chocolates, bolachas.
Não estou a mentir... só não faço uma lista extensiva de tudo. Coitado, o homem tem mais que fazer :)

E eis que me planto diante do carrossel, para recolher a mala da fartura, prestes a ser depositada em terras do tio Sam. E é neste momento que faço o segundo erro fatal.. já vão perceber porquê.

Porque a mochila estava bastante pesada e se adivinhava uma espera algo demorada para a chegada das malas, decidi pousá-la no chão (O erro), para poupar as minhas costas, já massacradas das 1001 voltas dadas na cadeira minúscula do avião. Vai daí, passados uns minutos, noto uma guarda com um Beagle pela trela a passear por entre as pessoas que, tal como eu, aguardavam.

Gosto tanto de cães que, sempre que vejo um, fico a olhar para ele com um sorriso parvo. A estes do aeroporto acho-os tão giros que me esqueci completamente que, dentro da mala, tinha os salpicões... e que a mala estava no chão... e claro está que o cão de parvo não tem nada e qualquer um desata aos saltos de alegria 'a mínima inspiração da essência de tal iguaria.

Com o tal sorriso parvo no rosto, vi o cão aproximar-se da minha mochila, e estacar, abanando a cauda todo catita. Óbvio que fiquei logo sem o sorriso parvo, quando me lembrei porque é que o bicho estava a exibir tal comportamento. Não era felicidade por me ver, concerteza.

- Tem alguma carne dentro da sua mochila? - perguntou-me a guarda simpaticamente.
Ainda tentei inventar qualquer desculpa 'a pressão mas, como não tenho jeitinho nenhum para mentir ou improvisar, antes que o pudesse controlar já estava a dizer - Sim, tenho um salpicão. Mostrei-o 'a guarda, que me disse que,'a saída do terminal, teria que passar por uma outra secção e mostrar isto aos guardas que lá estavam. No formulário de alfândega rabiscou-me para lá umas coisas em letras gigantes e, agora com um sorriso amarelo, disse que sim 'as instruções recebidas e continuei 'a espera da mala.

Chegou a mala, peguei nela e lá fui eu, com a mala, a mochila, o salpicão e o formulário rabiscado em direcção aos tais guardas, na esperança de que só tivesse que mostrar o papel, entregar o enchido e bazar. Mas não, claro está.

Para além dos guardas, uma máquina de raio-X gigante. Oh-oh, exclamei. Numa manobra de diversão totalmente falhada e frouxa, ainda deixei a mala da fartura 'a entrada, e segui para eles só com a mochila e o salpicão na mão, mas está na cara que nenhuma mala abandonada passa despercebida (muito menos nesta terra de fanáticos) e um guarda, tão querido, veio atrás de mim com a mala da fartura. Ah, é verdade, respondi com um sorriso já não sei de que côr. E lá peguei eu na mala da fartura, agora o meu bem menos desejado naquela situação.

E pronto, já se adivinha o que se seguiu. Passaram as malas todas pelo raio-X, mandaram-me abrir a mala da fartura, e... voilá! Que é isto? Bifes recheados. Lixo. E isto? Carne recheada. Lixo. E isto? Pizza (não se riam! E' a melhor do mundo e tenho que a trazer comigo também :)). Pizza de quê? Galinha (parva, porque é que não disse vegetais? Porque é que não sei mentir?). Lixo. Ao lado, o cãozinho abanava a cauda de contente, tais os aromas apetitosos que se faziam sentir. Mas eu, a única coisa que sentia era uma pena tremenda de ver tanta comida boa a ser desperdiçada, quando há tanta fome no mundo... e ver também o esforço e carinho da minha Mami irem para o lixo, literalmente. Ainda ensaiei algo como - Essa comida é toda boa! Não a podem dar aos cãezinhos? Uma gaja que lá estava, mal encarada, respodeu - se não serve para si também não serve para os cães. Noutra situação teria ripostado mas, como ali já estava com a corda ao pescoço bem apertada, engoli em seco e fiquei caladinha.

O guarda que, estupfacto, me questionava sobre o que tinha dentro dos tupperwares e deitava fora todo o seu conteúdo, não querendo acreditar que havia sempre mais alguma coisa a supervisoonar, até era simpático e quase que parecia sentir a minha dor. No fim, pediu-me o passaporte. Aí sim, passei da fase do sorriso de côr indeterminada para a fase dos calores, que é quando percebo que a coisa pode ser mesmo séria.

Senti a nuca transpirar imediatamente, bem como o suor a escorrer-me pela barriga. Ouvi os meus instestinos contrair-se. Perder a comida, ainda é como aquela, pronto, enfim, azareco. Mas, se aquilo interferisse com a manutenção do Greencard, aí a coisa já piava mais fino.

Estava eu nestas conjecturas quando o tal guarda simpático regressou com o meu passaporte na mão, bem como com o formulário da alfândega (onde, devo dizer, tinha escarrapachado cruzes em tudo o que era NÃO 'as perguntas traz carnes, frutas, vegetais, etc...).

Delicadamente, pegou no formulário e começou a explicar-me que não há qualquer problema em assinalar um SIM 'as perguntas sobre comida, pois há coisas que se podem trazer. No entanto, compete-lhes a eles, decidirem o que é permitido e o que não é. E que me tinha arriscado a uma multa de $300 dólares e blá, blá, blá. Só consegui balbuciar que sim, que ele tinha razão e que eu sabia que estava a fazer uma coisa errada. Talvez pela falta de resistência (e por ser um gajo e eu uma gaja... se fosse uma guarda de certeza que não tinha sido assim tão civilizado), devolveu-me o passaporte, acompanhou-me até 'a saída e disse aos guardas para me deixarem passar.

Ai salpicão, salpicão... que me traíste!

E pronto, esta foi a primeira aventura no meu regresso aos EUA, com os melhores cumprimentos de um Beagle todo lampeiro e certeiro. Ah, digo primeira porque depois seguiu-se outra, que já conto!

8.04.2011

Clara e a Bolacha


Falar com a minha sobrinhita no Skype é um delícia.

Das primeiras vezes, foi giro vê-la descobrir todo o novo mundo que se desenrolava 'a sua frente: olhava para trás do ecran 'a minha procura, abraçava-o ou dava-lhe beijinhos, tentando chegar mais perto. Rapidamente percebeu que a distância continua a existir, pese embora a imagem e som tão vívidos, e até já aprendeu a brincar com isso.

Ontem, enquanto falávamos, dizia-me ela: Tia Nês, vou 'a cozinha buscar amendoins para te dar, sabendo, esperta como é, que eu iria responder que não dava para ela me mandar isso pela camera. Contudo, em vez de dizer isso, o que lhe disse foi que, como não gostav de amendoins, o que ela me podia trazer era uma bolachinha Maria.

Hesitou por um segundo, mas acedeu, com um riso de malandra. Saiu a correr e, enquanto não voltava, abri a gaveta ao meu lado e tirei de lá uma bolacha, Maria claro está, do pacote que guardo para quando me dá alguma larica. Sem que ela visse, coloquei-a perto do computador.

Voltou aos saltos, orgulhosa da bolacha que exibia na mão, sentou-se ao colo do meu pai e disse toda macaca, com covinhas na cara: toma, está aqui a tua bolacha! E, fingindo que ma ia dar, aproximou-a da camera, ao que eu respondi, aproximando a minha mão da minha camera... mas com a bolacha na mão, sem que ela a visse. Ela ria, já 'a espera que eu dissesse: oh, não posso comê-la, não chega cá. Mas, enganei-a. Quando retirei a minha mão, eis que lhe apresento uma bolacha Maria, do lado de cá.

E' indescritível a cara dela, como quem diz: com um raio? Olhava para a minha bolacha e para a bolacha na mão dela, certificando-se que, como que por um passo de magia, não tinha desaparecido.

Eu e o meu pai rimos que nem uns perdidos e ela, percebendo o que se passou, começou a rir também. Tranquilamente, só respondeu: OK, agora come a tua que eu como a minha :)

Rapidinha


Afinal ele vem aí!! Afinal ele vem aí!!
O Sr. Presidente, embora só por umas horas na 2a feira antes de eu me ir embora, vai conseguir vir até Nova Iorque para me dar um beijo!
Melhor uma rapidinha do que nada... falo da visita, claro ;)

Gajas exigentes



Achei um piadão a este artigo:

"Again and again across the animal kingdom, males die younger than females — a consistent, puzzling pattern of premature expiration that new research suggests may be the unavoidable biological cost of impressing the ladies."

Em todo o Reino animal, repetidamente, os machos morrem mais cedo do que as fêmeas - um padrão consistente e bizarro de morte prematura que investigações recentes sugerem ser o custo biológico inevitável de impressionar as miúdas.

E nós, gajas, que achamos que eles nunca nos dão a atenção que queremos... ingratas!!



Rocky Ant



Suuuuuuper formiga!!
Vi esta foto, e lembrou-me do Rocky :)

8.03.2011

Saudades do Presidente



O David é agora um Sr. Presidente (também é motorista, mecânico, secretário, economista... mas Pres tem muito mais estilo :))!

Abriu a sua própria companhia de transportes e lá anda ele todo contente a calcorrear quilómetros no seu camião por esses Estados Unidos a fora. Porque a burocracia aqui é de deixar qualquer um 'a beira do colapso e a bradar aos céus, tal é a incompetência (acreditem, a nossa segurança social e serviços públicos são coisa para meninos, comparados com as pérolas que vivemos aqui), o início do negócio levou bem mais tempo do que o esperado, o que fez com que o David ficasse sem trabalhar, 'a espera que tudo estivesse em ordem, por mais de 6 meses.

Agora, para recuperar o tempo perdido, faz cerca de 3 semanas fora, para depois voltar por 4 ou 5 dias a casa, dias esses pelos quais ambos esperamos ansiosamente.

Segundo os nosso planos, esta 6a feira seria dia de nos revermos, passadas estas (mais) 3 semanas separados. Tudo calculado milimetricamente, para que tal acontecesse ainda antes de eu ir para Portugal, na 3a feira.

Mas, como não se pode controlar tudo, por mais planos que façamos, o pneu que rebenta, a carga que se atrasa ou o calor infernal que se faz sentir no Texas e que impede o transporte de algumas cargas refrigeradas não são previsíveis... como tal, acabei de saber que este fim de semana não nos vamos ver. E vou estar em Portugal por 3 semanas... o que significa não nos vermos, ao todo, por pelo menos 6 semanas.

Um mês e meio sem nos vermos.

E tenho tantas saudades do meu Presidente :(

Prioridades Invertidas



Alguma pessoas queixam-se que estão sozinhas.

Que os anos passam e que não encontram Aquela pessoa.
Que gostavam de ter um parceiro/a para a vida, com quem acordar e adormecer, com quem partilhar um gelado ou um sorriso, com quem construir uma família ... mas que estão sozinhas.

Muitas não percebem que tudo isso é impossível se só olharem para o seu umbigo e assumirem que o mundo gira 'a volta delas.

Essencialmente, não podem limitar-se a estabelecer relações unilaterais, nas quais tudo recebem e nada dão.

8.02.2011

Erotismo



Ultimamente, tenho tido tropeços bastante agradáveis.

Para além do já abaixo referido, há tempos vi por acaso o filme "Ils se marièrent et eurent beaucoup d'enfants", onde encontrei uma das cenas mais eróticas e de maior tensão sexual de que me lembro.

Tudo sem uma palavra, um toque ou o despir de qualquer peça de roupa.

Fantástica esta cena, só mesmo superada pela cena de sexo entre Naomi Watts e Laura Harring na obra prima de David Lynch "Mulholland Drive".

8.01.2011

Eric Zener

Tropecei neste artista e fiquei, pura e simplesmente, apaixonada por esta série de pinturas - "underwater series".

Para acompanhar, uma música 'a altura.
Das interpretações do Keith Jarrett que mais me tocam, especialmente a partir dos 6 minutos. Orgasmicamente intenso... como se o Keith fizesse Amor com o piano, tal como o faz este pintor com a água.

Eric Zener.



































7.29.2011

A (verdadeira) Francesinha



A Francesinha ficou-se pelas expectativas, já de si baixas, diga-se.

De Francesinha pouco ou nada tinha. Era OKzinha, mas mais devia chamar-se Americaninha (como ficou baptizada pelos presentes).

Para começar, vinha num prato cheio de design, todo chique e moderno, o que já não combina nada, pois TODA a gente sabe que Francesinha que é boa é aquela de ambiente tascoso e servida em pratos ranhosos e nicados. O prato, esse, era totalmente plano.

TODA a gente sabe que, Francesinha que se preze, vem a boiar em molho, quase que afogada. Logo, tem que ser servida num prato que se aguente 'a bronca.

O molho, esse, era de barbecue (blargh!) e pouco, pouquinho!
Era tão escasso que, no fim, era quase impossível dizer que ali tinha estado um projecto de Francesinha.

TODA a gente sabe que, após tão lauto manjar, mesmo quando a Francesinha já foi deliciada entre gemidos de prazer e torrentes de salivação e está agora alojada nas nossas entranhas, garantindo que não nos vamos conseguir mexer durante as próximas 12 horas, o prato continua repleto de molho. Tanto molho que, mesmo que 'a beira do colapso, ainda arriscamos lamber mais um bocadinho do mesmo com o dedo.

Batatas fritas, nem vê-las. Aliás, pasmem-se, a bicha veio acompanhada de... salada (que não é nada de Americano mas de Francesinha também não é). O mesmo se aplica 'a linguiça.
Alguém a viu? Eu não!

E o queijo? perguntam vocês. Era espesso, rico, derretido em perfeita cascata calórica e gordurosa? Fazia fios dignos de pizza italiana a cada garfada? Ppfff!! Juro que tive que olhar 3 vezes para me convencer que de facto havia queijo. Nada de escorrências. Uma coisa fininha, fininha, cortada geometricamente sobre o pão (que coisa mais amaricada), quase inexistente. Nem dá para engordar!

Como vêm, não saí de lá propriamente satisfeita.
Aliás, saí de lá com fome. Heresia!!! Uma ofensa, um pecado, uma basfémia contra os Deuses culinários, por parte de quem acabou de comer um Francesinha.

Pior!!! Uma vez assanhadas as minhas papilas gustativas, agora as desgraçadas não param de me lembrar que, assim que puser o pézinho no "Puorto" carago, a primeira coisa a fazer é comer uma Francesinha 'a séria, que as deixe 'a beira do coma digestivo.

O que vale é que já faltou mais!

Segundo os peritos mais recentes no assunto (I. e A.), a gana terá que ser matada quase ao fim da Rua de Santa Catarina, no Bufette de Fase, tascoso como convém e com Francesinhas todas gordurongas, nada recomendáveis para cardíacos e afins... mas deliciooooooosas!!

Saudade


















Daqui a uma semana vou para Portugal.

Regressei de lá em Dezembro do ano passado e, até agora, a coisa passou-se bem... e digo até agora porque, justamente agora, que "só" faltam 9 dias, que são nada por entre os mais de 200 dias que já lá não ponho os pés, sou assolada por umas saudades avassaladoras, que me deixam com o olhar brilhante a 'a beira da lágrima.

Quando falo ou recebo um email dos meus meus pais, quando vejo a minha sobrinhita na camera. Até mesmo quando penso na casa, no cheiro, na vista de Lisboa lá de cima, quando prestes a aterrarmos (e eu, que nunca morri de amores por Lisboa, vejo-me agora uma tonta embevecida e emocionada quando a vislumbro).

Acho que estou a ficar velha...

7.22.2011

Francesinha

O repto partiu de uma amiga que, Portuguesa de gema e saudosa da pátria, ficou a babar (aliás, como qualquer Português que se preze) e a ansiar por uma Francesinha, após ler este artigo.

Acontece que o Alfama (mais devia chamar-se PORTO, carago!), restaurante cá em NY que faz destas coisas, é já ali e, porque o estômago e a dita saudade falam mais alto que os 45º que nos esperam lá fora, tão impróprios para o consumo de tal iguaria, vamos até lá almoçar.

Cheira-me que vamos morrer, primeiro de calor e depois de congestão. Mas, que morte deliciosa, com a barriga cheia desta comidonga tããããããão (espero) boa!

Se o Astérix estivesse aqui, de certeza que nos diria: estes Portugueses são loucos :)

Calooooooooor!!



Para este fim de semana espera-se uma vaga de calor.
Eu cá acho que já chegou há muito tempo... e note-se que, neste preciso momento, a sensação térmica na rua é de 45ºC.



Até já recebi emails da universidade (eu e toda a gente que aqui trabalha, claro. Que a culpada deste calor todo não sou seu!), a pedir redução de consumo de electricidade, uma vez que o processo de manter a temperatura controlada nos edifícios do campus (leia-se, mantê-la fresca) por si só já sobreaquece muito o exterior.

Mas que sorte que vou passar o fim de semana junto a uma piscininha, na casa de uma amiga e, quiçá, também com passagem pela praia :)

Steamy NY II



Eu já tinha tido que estava quente mas não resisti a tocar na mesma tecla.
Note-se que a sensação térmica é de 36ºC... 'a 1:10 da manhã.

7.21.2011

Steamy NY



Eu diria que está quentinho!
Abençoado ar condicionado de 12000 BTUs... uufff!

7.20.2011

Alexander McQueen: Savage Beauty

A semana passada fomos até ao Metropolitan Museum, para ver a exposição das criações de Alexander McQueen: Savage Beauty.

O que por lá vimos é, sem dúvida alguma, de génio. E' tão incrivelmente belo e surreal que emociona quem está perante tamanha obra de arte.

O curador da exposição não deixou nenhum detalhe ao acaso. Desde a iluminação, 'a luz, ao vento, passando pelos vídeos e pela música, tudo está perfeito e intensifica ainda mais o peso e poder das peças expostas.

E' uma experiência incrível e que, quem poder ver, não deve perder.
Afinal, não é todos os dias que se vê vestuário feito de conchas, canivetes, penas, flores, cabelos, crinas, chifres, crânios, vidro, metal, pintados por robots e mais e mais.























Comunicação



Nesta coisa de morar no estrangeiro, encontra-se muita gente na mesma situação. Emigrante.
E, inevitavelmente, a determinada altura os caminhos separam-se e cada um segue o seu caminho, para e noutro sítio. Aliás, acontece nesta situação ou noutra qualquer em que as pessoas fiquem fisicamente afastadas.

Nas despedidas, promessas de emails, de continuação de contacto, de comunicação.
"Já sabes, quando quiseres, é só apareceres", "diz qualquer coisa quando fores até X ou Y". E eu, de facto, tento isso mesmo. E mando emails aqui e ali, mesmo que espaçados, para dizer olá, contar as novidades, saber como correm as coisas. Por vezes, um telefonema.
Mas tento. Mesmo que demore, tento manter o contacto.

Contudo, muitas vezes, o outro lado pura e simplesmente vai-se afastando, demora mais a responder, não retorna a chamada, desaparece por tempo indeterminado e puuff... vai-se.

Concordo que a vida passa a correr e que nem sempre encontramos um tempinho para responder ou então queremos responder "como deve ser" e, porque as condições nunca são as ideiais, o tempo passa passa e nunca mais se responde.

Mas, por muitas desculpas e justificativas que haja, eu sou da opinião que, se houver vontade, tudo se consegue, nem que sejam 2 linhas ou uma chamadinha de 3 segundos só para dizer que não se esqueceram de nós. A distância só existe se quisermos, especialmente nos dias de hoje.

Porque se não é assim, então o que eu não compreendo é porque é que, se nos meios de comunicação passiva, como o Facebook ou um Blog (e note-se que as pessoas têm sim tempo de ir a estes locais procurar a informação que não procuram a um nível mais pessoal), uma pessoa coloca que algo importante aconteceu ou, melhor ainda, que algo especialmente mau aconteceu (estranhamente, as pessoas parecem ser movidas a curiosidade. morbidez ou a desgraça alheia, em vez de natural cuidado e amizade), de repente toda a gente se lembra de ti.

Responder a emails, não têm tempo, retornar as chamadas, não houve oportunidade, mas escrever ou perguntar ou comentar assim que aparece um "is now single" no Facebook (ui, como as pessoas adoram separações e afins), ou um "está grávida", "está triste" e tal, aí há logo tempo, pois a curiosidade (ou o que quer que seja) não pode esperar.

Não se julgue que estou a atirar pedras. Não posso, porque tenho telhados de vidro e também eu faço isso. Mas faço isso com quem não me é próximo. Com quem é mais um conhecido do que um amigo. Agora, com quem considero amigo, procuro sim um contacto mais pessoal, mais próximo, dentro do possível.

Após vários emails e missivas deste cariz e da ausência de resposta ou reciprocidade, decidi agora que não vale a pena esforçar-me por algo que deve ser bidireccional e não o é.

Por isso, nova regra: mando email, tento comunicação. Quem responder, recebe resposta, quem não responder... olha, passar bem!

Mas depois não me venham perguntar coisas no FB ou Blog :P