1.24.2012

Quem sai aos seus...



Feito/a em Las Vegas, vai nascer em Nova Iorque.

Filho/a de mãe Portuguesa e pai Brasileiro, assim que se descobriu sobre a sua existência, eis que foi para Timor e para a Gâmbia que desde logo se espalhou a notícia, já com um pé em vários continentes e sobre diferentes oceanos. Das pessoas fisicamente próximas, eis que a revelação foi feita a uma Grega.

Se no dia 13 de Dezembro se descobriu a grande notícia, no dia 14 eis que o/a petiz se estreava num dos palcos mais famosos mundialmente, o Carnegie Hall.

Já habituado/a 'a vida de estrela, seguiu depois para Portugal, com passagem por Londres, para depois ir descansar até 'as praias da Jamaica.

Possivelmente, em breve irá até ao Brasil.

Cheira-me que a Favita vai ser um/a cidadão/ã do mundo.

1.22.2012

A Descoberta


Embora já com um atraso de 7 dias, o facto de ter obtido um teste de gravidez negativo no hospital na semana anterior (por causa da zona), seguido de uma visita à ginecologista uns dias depois (para o que foi só uma visita de rotina), a falta da menstruação não me fez suspeitar que pudesse estar grávida. Para além do mais, já há dias que andava com aquela sensação de que o período me ia aparecer: pequenas cólicas, algum mau estar, dores nos peitos. O normal.

Contudo, não sei porquê, naquela 3a feira de manhã, 13 de Dezembro de 2011, verificada mais uma vez a ausência de qualquer sinal de sangue, deu-me para fazer um teste de gravidez.

Até então, ocasiões em que só um dia de atraso já nos deixava ansiosos e nos levava a fazer um teste, foi sempre ponto assente que o faríamos juntos. Houve até uma vez que o fizemos pelo Skype, de tão importante que era descobrirmos a possível boa nova juntos. Convencidíssima que estava de que ia dar negativo, nessa manhã nem sequer esperei que o David acordasse e o presenciasse comigo. Foi mesmo só por um descargo de consciência.
Qual não é o meu espanto quando, pela primeira vez em toda a minha vida, aquele tracinho a mais apareceu, quase que de imediato, ‘a medida que o líquido percorria os visores do teste.

Penso que fiquei uns segundos a olhar para aquilo.
Como boa cientista que sou, tentei conciliar toda a informação que possuía: estou grávida? mas, espera, não pode ser! mas… pois, a legenda está certa… um mais aqui quer dizer que sim, que estou grávida. Então e o teste negativo? E a ginecologista, é cegueta? C’um caneco… estou grávida!!

E foi num misto de incredulidade e felicidade que ali fiquei, sentada na sanita mais não sei quanto tempo, com o coração a bater e os pensamentos a mil.

Lembro-me de imediatamente querer proteger aquela vida tão frágil.
E dirigi os meus pensamentos para os meu queridos Avós, para que, lá de cima, como até agora têm feito comigo, protejam agora esta nova geração e a amparem de forma segura, como seguro foi sempre o abraço com que me envolveram.


Com a minha Avó-madrinha, 1978


Com o meu Avô, 1979

E dirigi o meu pensamento ‘a Dani, “mãe” de tantos afilhados, cuja vida lhe negou um filho. E entreguei-lhe, ‘a Dani, o meu, para que seja a sua Dinda trans-terrena, iluminando e amparando esta ervilhita com o seu Sorriso e carinho.



Depois… já nem sei. Caiu-me em cima um peso pesado. Soube, com uma violência incontornável, que este peso nunca mais sairá das minhas costas. Não tanto relacionado com o conseguir sempre dar-lhe roupa, comida, um tecto, uma cama quentinha e segura (se bem que, confesso, uma das primeiras dúvidas parvas que tive ainda naquele momento também foi: como vou saber que carrinho de bebé comprar?). Embora tudo isto esteja presente, este peso refere-se a algo bem mais profundo.

Criar, educar, incutir valores a uma matéria prima tão valiosa. Moldar a sua personalidade e o seu carácter para que se torne um ser humano com H grande, correcto, respeitador, honrado. O medo, o receio, a ansiedade, a dúvida, a esperança. Basicamente, aquilo que é ser Mãe. Como percebo agora!

Quando dei por mim estava a acordar o David. Tentei fazê-lo de forma gentil, mas o David acordou sobressaltado, talvez detectando a agitação na minha voz.
- Que se passa querida? Está tudo bem? – estremunhado.
- Amor…
- Que foi querida? Que se passa? – agora já com os olhos bem abertos e apreensivos perante a minha expressão.
- Amor... estou grávida!!

E quando, pela primeira vez, verbalizei e ouvi em voz alta aquela afirmação, a emoção tomou conta de mim. De nós.
E chorei, enquanto o David me abraçava com um risinho nervoso.
- Um bebé, amor? Vamos ter um bebé?!? – sabendo perfeitamente o que naquele momento passava pela cabeça e pelo coração do David, não fosse eu estar ainda sob o efeito desse mesmo sentimento.

E ficámos ali, abraçados, a celebrar... numa turbulência de emoções.

1.21.2012

Madmen



Disseram-me que a série MADMEN é viciante.
Agora que estou orfã de séries, vamos lá a ver se é verdade.

1.16.2012

O Segredo Mais Curto do Mundo



Ele há coisas incríveis!!

A Sarita, como já devem saber, é uma amicíssima issíma issíma do coração, tendo sido minha madrinha de casamento em 2008, altura em que estive com ela pela última vez (até Dezembro passado, quando carinhosamente apareceu no aeroporto para me dar um beijinho. Obrigada Sarita. Gostei taaaanto!).

Desde então, mudou-se de Londres para a Gambia, em África, e os nossos caminhos tornaram-se ainda mais divergentes, comigo do outro lado do Atlântico. Pese embora a distância, o contacto obviamente que se mantém sempre, mesmo que por vezes de forma espaçada. Mas, quando falamos, é como se tivesse sido ontem.

Quando decidimos engravidar, decidimos também que esta nova fase seria só nossa. Não partilhámos com familiares nem com amigos, para não criar ansiedades. Quando fosse, seria... e aí, sim, surpreenderíamos toda a gente já com uma boa notícia e não só com um plano.

Ora, após tomada a decisão de engravidarmos, no dia em que fui ‘a ginecologista para iniciar os exames, já se teriam passado sensivelmente umas 4 ou 5 semanas que não “falava” com a Sara, seja por telefone, Skype ou email.
Chegada ao laboratório, abro o meu computador, liga-se o Skype e eis que, do nada, a Sara me interpela nesse programa:

- Inês, estás grávida?

Nem “olá, há quanto tempo!”, “como estás?”, “bom-dia!”... nada. Sem mais nem para quê, aquela pergunta a piscar assertivamente no meu monitor.

- Não, porquê?
- Inês, tive um sonho tão, mas tão real!!! Eu estava contigo e estávamos 'a beira d'água e tu estava grávida e ias ter uma menina. E foi tão real que tive que te perguntar!

Perante tamanha premonição, obviamente que os meus planos de surpresa e sigilo foram por água abaixo logo ali. Afinal, mesmo a km de distância, a Sarita já sabia... e até parecia saber mais que eu. Como poderia não lhe dizer nada? Óbvio que partilhei logo com ela os nossos planos e o inédito daquele contacto, com aquela pergunta, justo naquela altura.

Como referi no post anterior, pese embora seja cientista e bastante racional, acredito em energias e bem querenças que nos ultrapassam, a nós, terrenos. Por isso, acredito também, sinceramente, que vá ser, de facto, uma menina. Se estas coisas acontecem, têm que ter uma razão de ser. Ou, pelo menos, conforta-me pensar assim, que este projeto de vida está, desde o início, já envolvido numa teia de bons sentimentos e de pressentimentos bonitos.

Só saberemos no fim da gravidez quando, se correr tudo como planeado, a criancinha escorregar cá para fora e se revelar. Até lá, fica o mistério. Aceitam-se apostas, hehehe.

Sabem, nós gostamos de surpresas! :)

Se tal for o caso, a madrinha não poderá ser outra se não a Sarita, como de imediato sugeriu o David, quando, incrédulo, soube do sucedido.

1.15.2012

O Dilema



OK. Estamos "grávidos". Tornamos este facto público ou não (leia-se, escrevo sobre isso no Blog ou não)?

De uma maneira geral, noto que as pessoas não gostam de tornar pública uma gravidez, a menos que esta já esteja num estado bastante avançado e concreto. Até podem ir contando aos mais próximos, mas raramente a expõem num email generalizado ou num blog, como o fiz ontem. Esta é, pelo menos, a minha experiência.

Se não, veja-se: perante o email que enviei aos meus a anunciar/oficializar a nossa gravidez, de imediato recebi logo 4 resposta, de 4 amigas, todas elas revelando que também estavam grávidas (bem mais que eu) mas que, até então, acharam por bem ainda não dizer.

Percebo os receios que envolvem uma gravidez, então agora melhor que ninguém: será que está tudo bem? será que vai correr bem até ao fim? será que o bebé é perfeito? será que está isento de qualquer má formação genética? será? será? Existem, de facto, muitos receios e preocupações.
E sei que "embora não acredite em bruxas, que as há... há" ou seja, percebo também que queiramos proteger algo tão especial e único de más energias ou virações negativas, que possam advir de invejas, maus olhados, más querenças, mal entendidos... o que lhes quisermos chamar. O que é certo é que estas coisas existem e que é sempre um risco quando nos expomos, seja de que maneira fôr.

Contudo, esta gravidez já é, embora tão pequenina e tão no início, a maior e mais emocionante aventura das nossas vidas. Se nestes mais de 8 anos de Casaco Amarelo, usei o blog para falar, desabafar, estrapolar ou dissertar sobre o que me vai na alma, o que sinto, o que penso, por que peripécias passo, não vejo como poderia ser honesta comigo mesma e com a minha maneira de ser (já para não falar para com aqueles que me leêm, mesmo que sejam só uma mão cheia), se omitisse algo tão, mas tão importante.

O exercício da escrita e o prazer que este me dá seriam, desde logo, amputados. Para além disso, tenho para mim que, se é bom ter os nossos e aqueles que nos querem bem 'a nossa volta e envolvidos com o que nos faz feliz e nos faz sorrir, também é um facto que, quando as coisas correm mal (o que espero piamente que não aconteça neste caso, mas sei ser uma probabilidade como outra qualquer), é também fundamental estar rodeado de todo esse bem querer e poder contar com esse apoio.

Se as coisas são boas, são-no muito mais quando partilhadas.
Se as coisas são más, são-no muito menos quando patilhadas.

Daí a decisão de partilhar, desde cedo, a nossa Favita (já não mais uma ervilha, dado que está agora com 2.35cm). Nunca poderá ser mau escrever para aqueles que, até hoje, me receberam sempre com tanto carinho por aqui.

Assim, prossigamos. Cheira-me até que este tema fará mais sucesso do que os posts sobre sexo. A audiência feminina já se começou a manifestar :)

1.14.2012

Não há 2 sem 3



Eis a 3a prova!
Confirma-se, mais uma vez, que:

- "What happens in Vegas DOES NOT stay in Vegas".

Em 2012 vou, literalmente, ser grande :)

Bom 2012!

Decidimos há 2 anos que, embora o Natal fosse passado com a família, o fim de ano seria passado num local quente, para fugirmos 'a neve e ao frio que se fazem sentir aqui por terras Americanas.

É certo que este ano o Inverno está a ser atípico e o frio que se sente nem é digno de ser chamado disso, comparado com o que seria normalmente. Neve, nem vê-la. Mas, nem por isso mudámos de ideia.

Se o ano passado fomos para o México, este ano lá fomos nós para a Jamaica (o frio é mais uma desculpa para viajarmos, heheh).







O fim de ano, como tudo o que é Jamaicano, foi muito lento, calmo, relaxado, no genuíno espírito da paz e amor, "respect yaman!"... tásse bem.

A praia, toda ela iluminada amiúde por fogueiras, encheu-se de pessoas. Por todo o lado se ouvia reggae. A lua iluminava toda a praia e o céu estrelado, céu este que ficou ainda mais iluminado por todos os balõezinhos de ar quente que as pessoas lançavam ao ar, levando com eles todos os bons desejos para 2012.

E assim passámos a nossa meia noite (nossa, no nosso relógio, porque, claro está que na Jamaica não há contagem decrescente. Este pessoal não tem pressa para nada. Se não fôr 'a meia-noite, é 'a meia-noite e cinco. Não faz mal. Chegámos lá todos e sim. Relaaaaaaaaax!!). Com os pézinhos na água quentinha do mar, de mãos dadas, a olhar para o céu e a acarinhar todos os nossos desejos e anseios, para nós e para os nossos, lembrando os ausentes, os presentes e os que hão-de vir (como dizia o meu saudoso Avô).

Feliz 2012 para todos!













Aos leitores queridos

Bem sei que este estaminé tem andado muito parado e quase se ouvem as moscas, de tão silencioso que isto está. Contudo, também é verdade que, pese embora escrever seja muito giro, falar de tricas e licas seja muito engraçado, quando o mesmo tipo de silêncio se faz sentir na caixa dos comentários, essa sim até já com bolôr e teias de aranha, 'as vezes a motivação para continuar a escrever fica um pouco dormente.

É claro que escrevo para mim e por mim, mas os comentários são uma recompensa que sabe bem. A razão de todo este silêncio também se prende com a época festiva e até com a minha própria falta de disposição, ultimamente, para aqui vir... geralmente porque sei que já acumulei tanta coisa que quero dizer, que começo a procrastinar.

Ora, volta e meia, maioritariamente quando vou a Portugal, há situações que me fazem espevitar e ficar outra vez cheia de vontade de escrever e de contar coisas pois, afinal, há quem me leia, há quem goste e quem esteja 'a espera das novidades. Claro que eu sei disso, e alguns até mo dizem em privado, por email.
Mas 'as vezes sabe bem este feedback, esta confirmação... sou uma mimalha! :)

Em Agosto, no campismo em Sto. André, encontrei-me com os nossos companheiros e amigos, Luísa e Ze António, que já não via há séculos mas, que assim que me viram, exclamaram logo: olh'ó Casaco Amarelo!!! A gente está sempre a seguir-te e fartamos-nos de rir com as tuas peripécias. E quando aconteceu isto? E quando aconteceu aquilo? ... e mais parece que sabem mais sobre mim do que eu mesma, que esqueço coisas que digo.

A última situação foi agora em Dezembro, na casa de um casal amigo em que, a mãe dele, que eu nunca tinha conhecido pessoalmente (mas que já sabia ser fã do Blog), me viu, veio disparada ter comigo com um sorriso escancarado, me abraçou, espetou-me 2 beijos na cara e, com genuíno entusiasmo, me confessou: oh Inês, que bom conhecer-te finalmente. É como se já conhecesse, porque vou ao "Casaco" todos os dias! Gosto tanto da maneira como escreves. Escreves tão bem!! Nunca pares de escrever, ah?! 'As vezes até sei mais coisas sobre ti do que o meu filho e andamos sempre a ver quem sabe das coisas primeiro!! E olha, até vim com a echarpe amarela, porque sabia que ias estar cá!

Foi tamanha a demonstração de carinho que não resisti a responder de imediato: Adelaide, vamos já tirar uma fotografia as duas e terá um post dedicado a si e a quem me aquece assim o coração para continuar a escrever.

Como o prometido é devido, aqui seguem as fotos com a Adelaide (notem que a echarpe está lá!!) e com os meus queridos Luísa e Zé António, que na altura, efusivamente, também insistiram em tirar uma fotografia para registar o momento.





Obrigada a vocês... e 'aqueles mais silenciosos também. Eu sei que estão aí :)

PS - Vamos ver quem comenta primeiro, se a Adelaide se o filho. Aposto que vão competir, hehehe.

1.13.2012

Carnegie Hall



Cantar no Carnegie Hall foi, sem dúvida, uma experiência única.

Se é já de si emocionante estar naquela sala, tão carismática, vazia, a ensaiar com a orquestra, ainda mais emocionante foi quando, perante uma plateia quase cheia, a tão famosa acústica se revelou. Fiquei com a voz embargada ao som dos primeiros acordes e quase não consegui proferir as primeiras palavras.

Foi uma emoção!

O estar num grupo tão grande não me deixou ficar nervosa e correu tudo muito bem.

Foi giro estar de frente para toda aquela gente e conseguir ver os amigos e familiares que até lá se deslocaram para "me" ouvir. Aprendi que não se pode acenar do palco, mesmo que seja intervalo. Assim, sempre que me faziam sinais, eu coçava o nariz ou mexia na orelha e aquilo virou, literalmente, uma conversa de surdos-mudos... o que é irónico, tendo em conta que se está no Carnegie Hall, onde o que impera é o som.

Pelos vistos aconteceu algo inédito que foi, entre uma peça e outra, o nosso maestro ter saído e nunca mais voltar. No início sentiu-se uma certa agitação na plateia, depois a agitação já era no côro, com toda a gente sem saber o que se passava. Disto passou-se a risos, aplausos espontâneos, mais um pouco de silêncio... e nada do maestro voltar.

Quando finalmente apareceu, veio seguido da solista, toda ela espartilhada num vestido muito justo. Claro que de imediato pensámos que tinha ficado este tempo todo a tentar apertar o vestido mas, viemos a saber mais tarde que, foi tudo culpa da burocracia: o nosso maestro pediu ao guarda da porta que chamassesm a solista, ao que este respondeu que ele não tinha essa função. Pediu-se depois a um outro guarda, desta feita nas escadas, que também respondeu não ter autoridade para isso. E, até se encontrar a alminha que podia ir bater 'a porta da senhorita, esteve-se naquele impasse. Como vêem, burocracia não é só em Portugal :)

Bom, bom mesmo, foi, no final, quando saí, ter todos aqueles abraços e sorrisos amigos 'a minha espera, felicitando-me e a dar-me os parabéns. Foi giro ver o orgulho do David a dizer "é a minha mulher!" :)

Seguida de um jantar com todos eles, aquela noite foi perfeita.

12.05.2011

Depois da tempestade....

Mas nem tudo são más notícias.

Neste momento, eis a contagem decrescente que nos move :)







Zona



Lamento informar que não vou falar de prostitutas, o que, sei, atrairia muitos mais leitores. Vou falar da minha desgraça. Toda a gente sabe que a desgraça alheia também é muito procurada. Assim, devo conseguir na mesma um número de leitores razoável :)

Ontem passei o dia no hospital, mais concretamente nas urgências.

Tudo começou no Sábado quando, 'a noite, comecei a sentir uma dor no lado direito do rosto. Embora não fosse um dor de dentes, parecia uma dor de dentes. Embora não fosse uma dor de ouvidos, parecia uma dor de ouvidos. Era um mal-estar generalizado e interno, uma dor difusa, difícil de descrever ou de apontar.

Porque estava toda ranhosa e congestionada por causa da gripe, assumi que fosse consequência do congestionamento dos sinus. Uma nevralgia qualquer. Como passado um bocado a coisa amainou, não pensei mais no assunto e até ne esqueci do sucedido... até Domingo de manhã, quando, após acordar, tomar o pequeno almoço e tal, de repente a dor recomeçou. Mas desta vez muito mais forte e numa área maior, sempre unilateral, no lado direito.

Parecia que me apertavam os molares com uma qualquer ferramenta pneumática, tal a pressão que sentia. Uma dor de ouvidos terrível e, progressivamente, dor no olho, seguida por uma incapacidade de manter o mesmo aberto por se tornar tão sensível 'a luz.

Aquilo não nos agradou nada e, quando comecei a sentir dormência do lábio, da gengiva e da zona ocular, decidimos ir ao hospital... mesmo sabendo que isso significaria passar um dia inteiro em esperas intermináveis.

Confirmou-se a espera interminável, mas também se confirmou que ter ido lá foi o melhor que fizemos. O que eu tenho é herpes zoster, mais conhecido por zona.

Como quase todas as pessoas, quando eu era miúda tive varicela. Fiquei toda pintalgada, consegui coçar-me e arrancar crostas mesmo contra os muitos cuidados dos meus pais e hoje tenho marcas aqui e ali que comprovam a façanha.

O que acontece é que, uma vez que se tenha contraído varicela, o vírus fica latente. Pode ficar latente para toda a vida e nunca se manifestar ou, só para chatear (como é no meu caso), pode lembrar-se de se reactivar. Geralmente, quando o faz é em pessoas com mais de 60 anos... mas está visto que eu não podia esperar. Eu tinha que ser especial de corrida, ora pois!

Como o vírus fica alojado em nervos e gânglios nervosos, quando é reactivado é como se estimulasse o nervo constantemente, fazendo com que este dispare como se não houvesse amanhã. Já estão mesmo a ver que isto causa dores imensas.

O stress tem as costas largas. Como tal, é apontado como uma das razões pelas quais o vírus volta ao ataque. Isso e o sistema imune em baixo... ou seja, não se sabe patavina por que raio é que isto acontece!

No meu caso, o meu querido vírus decidiu instalar-se no nervo trigeminal, que é responsável pela enervação do rosto, como podem ver na foto. É este querido que nos faz ter dores de dentes, dores de ouvidos, dores de cabeça... tudo do bom e do melhor.

Agora imaginem como é que eu fico quando o vírus decide bailar e sapatear no meu trigeminal. São essas dores todas ao mesmo tempo, de forma intensa e intermitente.
É maravilhoso!!

Para além das dores excruciantes (sempre quis usar esta palavra, hehehe), o bicharoco também leva ao aparecimento das famosas veículas cheias de líquido, responsáveis pelo aspecto contagioso da varicela e pela comichão/ardor. Porque estas se formam só na região onde os nervos são afectados, aparecem sob a forma de uma banda, daí o nome "zona".

Por ora ainda não desenvolvi qualquer sintoma cutâneo e estou com esperanças de que, por ter atacado a coisa em menos de 24h após os primeiros sintomas, tal não venha a acontecer.

Assim, ando só a curtir a bela da dor (que não há como evitar) e esperar que os anti-virais que estou a tomar limitem os sintomas a uma semana em vez de 3 ou 4.

A ver vamos!!

Tenho ou não tenho razão para andar sempre a dizer: só comigo!?

12.04.2011

Cantoria

Uma amostra do concerto no Lincoln center, em Outubro, na Tucker Foundation Gala... a minha estreia num palco Nova Iorquino :)

A artista:


O côro:


(se clicarem na foto, vêem-me, por baixo do F de Foundation, com uma fita no cabelo)



Exagero



Dia 4 de Dezembro.

Entro na farmácia - musiquetas de Natal
Entro no supermercado - musiquetas de Natal
Entro nas lojas - musiqueta de Natal
Entro no hospital (sim, estive lá, mas nada de grave) - musiquetas de Natal

E ainda faltam 24 dias disto. Não sei se aguento.

* já para não falar do duende a vender árvores de natal verdadeiras nos passeios.

12.01.2011

Inesperado



Hoje o meu chefe chamou-me. "Inês, precisamos conversar".

Seguimos para o gabinete dele e as portas fecharam-se atrás de nós.

Sentados 'a mesa, só eu e ele.

"Temos que falar de algo que talvez não seja esperado." - (pronto, já houve merda!) - "Face ao teu desempenho nestes últimos meses" - (vou ser despedida!) - "e o que tenho observado da tua capacidade de organização e gestão do laboratório" - (ai o caracinhas que tenho que começar 'a procura de alternativas!) - gostaria de te conferir mais responsabilidades e autoridade. Um cargo superior."

Eis um belo exemplo de como em 5 segundos, num punhado de palavras, se deixa a vida de uma pessoa na corda bamba. Acabou bestialmente... mas bem que podia ter descambado em besta facilmente.

Mais uma prova



Mais uma prova de que "What happens in Vegas DOES NOT stay in Vegas".
Para além de uns quilinhos a mais, também voltei com uma bela de uma gripe.
Estou que nem posso!

Tempo



Que susto!
Hoje é dia 1 de Dezembro, dentro de 15 dias já vôo para Portugal, dentro de 24 dias já é Natal... e eu nada pronta para nada disto!

Las Vegas



Antes de ter ido a Las Vegas, julgava detestar tal lugar.

Pela artificialidade, pelos casinos, pelo jogo, pela aberração que é ter tal meca do consumismo no meio do deserto. Contudo, foram exactamente essas as razões que me fizeram gostar daquilo.

E' de tal forma surreal, que o que me afastava, atraiu-me.

O mais engraçado é que, de tudo o que por lá há, por entre toda a oferta, do que eu mais gosto lá nada tem a ver com aquilo que normalmente é o postal de visita da cidade: casinos, jogo, sexo, espectáculos, luzes, hotéis, buffets, alcoól?

Não.

Do que eu gosto mesmo, mesmo, mesmo... é de ver a águas a dançar em frente ao Bellagio. Fico completamente embevecida com o espectáculo, com o combinar da música com a água, as luzes, a coreografia. Acho lindo!

E de todas as coreografias que já vi (acreditem que já devo ter visto todas), a que mais me impressiona é aquela acompanhada pelas vozes da Sarah Brightman e Andrea Bocelli.

A música é bonita. Concordo. Mas nunca foi daquelas músicas que me fizessem carregar no "repeat" e ouvir até 'a exaustão. Mas, quando a ouço com a força das águas... qual Caetano, alguma coisa acontece no meu coração.

E de tão emocionado que o meu coração anda nestes últimos meses, acabei a chorar que nem uma Madalena face 'aquela beleza (vídeo):

11.28.2011

Miscelânea



Ando sem vontadinha nenhuma de escrever... e tantas coisas giras que havia para dizer.
Mas pronto, era só para sossegar aqueles que por acaso cá vêm e só encontram teias de aranha. Ainda estou aqui!

O concerto no Lincoln Center foi o máximo! Casa cheia, aplausos de pé, gritos de "bravo" por todo o lado, o máximo!! Claro que todo este aparato se devia 'as divas da ópera que pisaram o palco, mas foi giro participar da coisa e ver como é o este lado de um concerto de música clássica.

Primeira impressão: afinal os músicos da orquestra não estão sempre super compenetrados como aparentam estar quando os vemos sentados na plateia. Nos ensaios, a senhora da harpa, que só tocava de vez em quando, estava a fazer tricot. Aqueles que tocavam instrumentos menos usuais e ficavam muito tempo 'a espera da sua entrada, entretinham-se com iPhones e a ler Kindles, estrategicamente colocados juntos 'as pautas.

Segunda impressão: No concerto senti-me como a Amélie Poulin, que a determianda altura dizia gostar de se sentar no escurinho do cinema e olhar para trás para ver a cara das pessoas, especadas a olhar para o grande ecran. As caras das pessoas a ouvir um concerto são muito giras.

Entretanto, o David fez anos e, para o surpreender e celebrarmos (e aproveitando o feriado longo do Thanksgiving), fomos até Las Vegas para passarmos 5 dias a curtir as luzes, os espectáculos, os buffets, os casinos, o hotél de 5 estrelas, o tempo ameno... foi uma alegria.

Bem que se diz que "what happens in Vegas, stays in Vegas" mas acho que isso só se aplica ao dinheiro (que, por brincadeira, apostámos no casino e vimos a voar rapidamente), pois os quilitos a mais que por lá ganhei bem que marcaram presença aqui em Nova Iorque, quando me pesei.

O insólito da viagem foi quando, ao assistirmos ao espectáculo do David Copperfield (sim, ainda é vivo e ainda está a dar-a-dar), fui chamada ao palco para participar num dos truques. A coisa foi totalmente surreal, metendo corridas pelo meio, passagem pela rua e pela cozinha do hotel e acabando no topo da bancada em grande estilo, como se nada se tivesse passado. Ri-me que nem uma perdida e ainda tive oportunidade de estar com o Copperfield, esse bacano, enquanto ele nos fazia uma lavagem cerebral para não revelarmos o segredo da mágica. Foi giro!

Fiquei agradavelmente surpreendida com o espectáculo Zumanity, do Cirque do Soleil, mais conhecido pelo lado sensual do mesmo. E' excelente, extremamente erótico, sem cair no ordinário nem esquecendo a vertente circense do grupo. Gostámos muito e a foto que tirámos no fim do espectáculo, numa maquineta que lá estava, é a que ilustra este post.

E hoje, 2a feira, estou sem vontadinha nenhuma de trabalhar!
Foi bom, mas acabou-se :)

11.05.2011

Probablidade Nuiorc
















Em Nova Iorque, está mais que provado, a probabilidade do improvável acontecer é maior que em qualquer outro lado.

Quinta feira 'a noite estava eu sentadinha numa das fileiras do Avery Fisher Hall, no Lincoln Center, a ver e ouvir Koyaanisqatsi, obra conjunta de Philip Glass e Francis F. Coppola, que apareceram sobre o palco, para nos maravilhar.

Em menos de 24 horas, era eu quem estava em cima desse mesmo palco, desta vez com a NY Metropolitan Opera Orchestra e o coro, a ensaiar para a Tucker Foundation Gala, evento (esgotado, diga-se) a ocorrer amanhã.

Ah, o meu debut nos palcos da maçanita!!

Digam-me lá, meus amigos, qual é a probabilidade de isso acontecer a um mero mortal como eu que, por hobbie, decide cantar e, tufas, calha neste coro e vai cantar no mesmo palco onde o Philip, himself, esteve também a actuar?

Probablidade Nuiorc!! :)

10.31.2011

A criatura



Eu jurei para mim mesma que não ia desenvolver sobre a criatura referida neste post.
Contudo, a burrice é tanta e tão inimaginável, que não resisto a partilhar algumas pérolas. O desespero já virou riso, então, eis 2 momentos que me deixaram a gargalhar:

1) passei por um bancada onde um alarme avisava que o tempo marcado já se tinha esgotado.

Pi-pi! Pi-pi! Pi-Pi! - estridente.

O que qualquer pessoa normal fazia era desligar o aparelhómetro, por forma a parar com aquele barulho infernal imediatamente. Caso contrário, a coisa toca por um minuto inteiro, que mais parece uma eternidade.
Pois a criatura estava junto ao aparelho, a olhar para ele, de braços cruzados.

Pi-pi! Pi-pi! Pi-Pi! - estridente.

Pelo sim pelo não, arrisquei dizer o óbvio:
- O teu alarme está a tocar.
- Eu sei, estou só 'a espera que pare.
- Eeerrr... mas podes pará-lo quando quiseres. Basta carregares em qualquer botão!
- Ah, sim?! Pensei que tinha que tocar até ao fim.

Juro que eu acho que a criatura não sabe que aquilo só serve para a avisar que já passou determinado tempo e que não acontece nenhuma catástrofe se aquilo fôr parado antes de estar aos berros por 1 minuto.

2) Aqui nos EUA quase não há número de telefone nenhum para onde se telefone em que não apareça uma maquineta a falar connosco, a dizer "pressione 1" ou "pressione 2" consoante o que pretendemos. Ou então, a pedir que digamos "Sim", "Não" ou qualquer outra coisa, para nos direccionar para o departamento indicado (que, qual Murphy's law, é sempre o errado).

Por natureza, as maquinetas não percebem bem o que a malta diz, pelo que temos que falar devagar e espaçadamente. 'As vezes é desesperante mas, como é com uma máquina que estamos a falar, há que repetir o processo até que a coisa se decida a avançar.

Hoje de manhã a criatura começou a falar com uma dessas máquinas. A determinada altura, já respondia enfastiada "Já disse que sim!!". Óbvio que a máquina a mandava repetir, uma vez que só aceita "sim" ou "não"... e pronto, ficou nisto parte da manhã. A discutir com uma máquina.

Se eu quisesse inventar estas histórias, não conseguia.
Só comigo....