5.31.2012

Ainda há Cavalheiros


Embora já avançada no 6º mês de gravidez, continuo a sentir-me cheia de energia e genica.

Ele foi fim de semana prolongado em Boston, com duas viagens de mais de 4 horas de autocarro para trás e para a frente, praia, festa, churrasco, brunch, carregar com coisas doadas para a criança, qual jeriquita, ele foi nadar, andar de bicicleta. Um fartote!

Ontem, para não variar, deu-me para ir ao IKEA comprar coisas para o ninho da cria, mesmo o David não estando cá para me ajudar. Podia esperar? Claro que podia. Mas, ando tão eléctrica, que meti na cabeça que alugava um carro, ia lá, comprava, trazia, e tudo bem.

Como já devem antecipar, a coisa não foi bem assim. Escolhe o berço, escolhe o colchão, escolhe o armário, as gavetas, mais uns lençois, mais um edredon, uns bonecos, pratinhos e copos coloridos, mais isto, mais aquilo... no fim, tinha um carro bem cheio e com umas caixas bastante grandes e pesadas.

O que vale é que ainda há homens 'a moda antiga, por muito sexista que isto possa soar. Ao olhar para a caixa do berço, sem saber bem como a tirar adivinhando o peso que para ali vinha, olhei para o lado, vi um senhor "oh faxavôri, pode-me ajudar?" (com a mãozinha estrategicamente colocada na barrigota). O senhor nem pestanejou e, não só pôs a caixa lá como ainda me arranjou o carrinho, por forma a ficar tudo mais fácil.

Depois, já na zona de carregar o carro, cheguei a empurrar o carrinho atulhado e perguntei a um senhor que lá estava sentado se podia guardar as coisas enquanto ia buscar o carro. Acedeu prontamente e lá fui eu. Cheguei, estacionei o carro com a mala a jeito, fui buscar o carrinho e comecei a pôr os bancos para a baixo e a ver como ia enfiar aquelas caixas todas lá dentro. Andava eu nestas andanças quando o senhor que me guardou o carro veio com a esposa e disse logo, mais como uma afirmação do que como uma pergunta: "você precisa de ajuda!". Concordei que sim e os dois (e mais um senhor que depois se juntou), em menos de nada tinham acondicionado tudo, afastando-me sempre com um "it's OK honey, just stay there" quando eu tentava ajudar. No fim, agradeci imenso e referi que o meu marido agradecia muito também, do que se riram.

Bem, só falta descarregar o carro quando chegar a casa e já está quase, pensava eu quando ia a caminho. Chegada lá, mais um par de braços para ajudar. Assim que me viu, o porteiro agarrou num trólei, tirou tudo do carro, levou tudo para o elevador e ainda me trouxe uma das caixa ao 4º andar, assim que arranjou um tempinho para sair da entrada. Não me deixou levá-la, dado o peso. Fantástico!!

A cereja no topo do bolo foi puder ligar o ar condicionado (sim, porque mesmo com toda a ajuda, ainda dei ao litrinho com as coisas mais pequenas), que um amigo do laboratório simpaticamente se prontificou a instalar, uma vez que o Verão começou forte e feio em Nova Iorque, com 32 graus e muita humidade. Abdicou da hora de almoço para vir comigo a casa instalar as 2 unidades de janela. Tudo isto porque me queixei que o David só chegava para a semana e que tinha que suportar o calor até lá. Podia esperar? Podia. Mas é bom saber que ainda há quem veja uma donzela (cof, cof) em apuros e se prontifique desde logo a ajudar (Ok, eu sei que não é uma donzela qualquer... a barriga interfere. Mas pronto!)

5.08.2012

Bike New York IV


No Domingo passado lá fui eu participar de novo no Bike New York, como reza a tradição para cada ano que moro na Big Apple.

Este foi, obviamente, um ano especial, uma vez que fiz os mais de 60Km grávida de 6 meses. Provavelmente, foi uma das últimas voltas do género, pelo menos durante os próximos tempos. Claro que há sempre esperança e era bem giro fazer este passeio no próximo ano, numa bina como a da fotografia, com a cria toda alegre e contente na frente, a conhecer os 5 bairros de Nova Iorque!
Quem sabe? (se bem que para isso me tinha que sair o totoloto).

Curiosamente, das 4 vezes que fiz o BNY, esta foi a que me custou menos. A barriga não incomodou nem um pouco pois, diga-se, poucos são os que acreditam que já transporta um feto de 6 meses de tão jeitosinha e discreta que é. Senti-me cheia de energia, o/a petiz não se queixou, foi sossegadinho/a e transquilo/a. Só desatou a sambar quando, ao fim do dia, já fartinho de coisas açucaradas, lhe dei uma bela picanha com arroz e feijão, para colmatar a ausência do Papi, que devia ter vindo comigo mas cujos ossos de ofício o impediram. Fui com o nosso amigo J., com quem me vêem toda feliz na foto, que foi um super companheiro também.

As únicas marcas da bicicletada foram as do sol. De resto, nem dores de rabo, nem de pernas, nem de joelhos. Eu já disse que adoro estar grávida!!? É mesmo o máximo... e, contrariamente ao que se pensa (e seguindo o meu mote), é tudo menos doença. Por isso, toca a aproveitar :)










5.07.2012

Ironias da Gravidez: Cãibras


Como se já não bastasse eu dormir pouco desde que estou grávida e ainda sentir que dormir deixou de ser um prazer, agora, volta e meia, acordo a meio da noite com cãibras no pé direito. Mas não é assim uma coisinha qualquer!! Fico mesmo com o pé todo teso, os dedinhos todos abertos e umas dores do catano. E viro, reviro, levanto-me, estico, caminho... e pronto. É isto!

Pelo vistos é um sintoma descrito como típico da gravidez mas do qual se desconhece a causa em concreto. Pelo sim pelo não, agora virei uma macaquita e todos os dias como bananas. Não há-de ser por falta de potássio, caneco!

4.30.2012

Jackpot

Ainda na linha do post abaixo e do que já disse por aqui ao longo destas semanas, de entre as muitas coisas relacionadas com a chegada de uma nova vida 'as nossas vidas, a preparação material dessa mesma chegada sempre me assoberbou.

Como saber que carrinho comprar? Que banheira, biberão, será que este creme é bom? E que fraldas são mais apropriadas? Como deve ser o berço? Berço ou co-sleeper? Vamos carregar o bebé a olhar para nós ou para a frente? Que chupeta... se de todo? Qual? Como? E de que vamos precisar? Será que também precisamos de X, Y, Z? E quais os melhores brinquedos? E? E? E?

Tantas, tantas perguntas que eu nem sabia para onde me virar (digo eu porque, nestas coisas, e sapientemente, o David é muito mais relaxado, não sendo por isso menos preocupado). O problema é que hoje em dia, e especialmente nos EUA, há tanta, tanta opção, escolha e variedade, que tudo vira uma decisão complexa. Nada é uma só coisa, simples, única. Porque é que não é tudo como no tempo dos nosso pais e avós? Não havia metade das mariquices e tudo corria bem. A prova é que aqui estamos todos, ao fim de tantos milhares de anos de evolução humana.

Só que, como qualquer pai, quero o melhor, o mais, o supra, o uber e tudo e tudo! Que nada falte a este/a pequenote/a! Que o mais confortável e carinhoso mundo esteja 'a espera e preparado para receber este nosso pedaço de nós. Bem que sei que o melhor que lhe podemos dar já é todo este amor, que nos inunda e transborda... mas vocês sabem o quero dizer!

E foi enquanto viva este "drama" parvo que, quis o destino, a solução para esta minha ansiedade me caísse 'a frente, entre amigos, um ratatouille delicioso e um jantar até 'as tantas. Num desses serões na casa de uns amigos, conheci a Tatiana. Como se já não bastasse ser Brasileira, o que tornou logo tudo muito mais próximo, familiar e fácil, a Tati é, sem tirar nem pôr, uma perita em bebés e tudo o que lhes diz respeito, desde a gravidez, passando pelo parto e estendendo-se pela amamentação e todos os cuidados inerentes a estes mini-homens. Com muuuuuitos anos de experiência como ama, muuuuuitos anos na indústria da puericultura, a Tati está agora a começar a sua própria empresa de "baby planner". Como se fosse daquelas pessoas a quem incubimos a tarefa de decorar a nossa casa ou organizar o nosso casamento, só que prepara a vinda de um bebé ao mundo.

E que alívio!! Poucos minutos a falar com ela transmitiram-me logo uma calma e tranquildade que, até então, não sentira, pois ela sabe MESMO do que fala. Não é só teoria mas sim conhecimento de quem pôs a mão na massa e de quem já o faz há muito tempo. Como me parece que ganhei o Jackpot, para além do privilégio de lhe poder fazer perguntas, virei também "cobaia" da Tati.

Por forma a que, quando a empresa arrancar, já haja uma reputação associada, a Tati disse desde logo que me providenciaria os serviços dela de graça, em troca de publicidade para o futuro, o que faço mais do que voluntariamente. Não podia ter pedido uma ajuda tão preciosa quanto esta!

Há coisa de 2 semanas fui com ela ver carrinhos de bebé e foi com muita satisfação que esta tarefa (outrora monstruosa) se revelou divertida e dei por mim toda entusiasmada a ver, a experimentar e a escolher. Aliás, fiquei cheia de vontade de comprar não só o carrinho, mas tudo, o que até então era o meu mais recente pesadelo. E tudo por causa da Tati, que faz tudo parecer tão simples e fácil, sempre aconpanhado de muita experiência e lógica. ADORO!!

Não imagino como seria se não tivesse conhecido a Tati, esta Baby's Fairy, como gosto de lhe chamar :)


Fruto tropical Amarelo

Ao saber que estavamos grávidos, confesso que não me/nos deu para começar a comprar coisas imediatamente. Até mesmo agora, 'as 25 semanas, são poucas as coisas que temos para a Papaia e, mesmo as que temos, foram quase todas dadas. Haverá tempo e não há necessidade de começar já a encher a casa. Tudo com calma.

Contudo, ainda no início desta aventura, sem sequer procurar ou buscar, tropecei neste fatinho, amarelo claro está, na Internet. E não resisti, acabando por ser a primeira roupinha do nosso fruto tropical.

Vai ser o/a mini "Casaco Amarelo" :)

4.22.2012

Glow ou Taradinhos?



Se até aqui julgava que havia um certo "je ne sais quois" que, aparentemente, faz os homens repararem mais em mim, agora que a curva da minha gravidez se insinua e não existem quaisquer dúvidas de que carrego este pedaço de nós, estava convencida que as coisas iam amainar. Afinal, a barriga é sinal de que há macho no pedaço.
Pois, mesmo assim, os homens continuam doidos.

Há por aí muito taradinho!!

4.21.2012

Lado Esquerdo



Sinto sempre o/a nosso/a bebé do lado esquerdo da minha barriga, sem excepção.

Acho que, tal com cantam os Clã, este pedaço de nós sabe que esse "é o lado da intuição;
é o lado onde mora o coração"... onde está o maior, mais profundo e incondicional Amor que alguma vez sentirá.

4.20.2012

Ironias da Gravidez - A Memória



Já tinha lido antes que, quando se está grávida, a memória fica destrambelhada. Pensei logo, "oh, isso é só para quem já é naturalmente cabeça no ar. Comigo não!". Ah não, não!?!

Se eu não visse, não acreditava. Parece que me deram uma droga qualquer (bem, as hormonas são mais ou menos isso) e ando que nem barata tonta.

Eu, que desde criancinha, com 2, 3 anos, NUNCA me esqueci de um tupperware, um chapéu ou um brinquedo no infantário (sendo até motivo de espanto para as educadoras); Eu, que tenho uma memória tal que surpreendo os meus pais com lembranças que remontam a 1979, quando eu nasci em 78; Eu, que penso em tudo e mais alguma coisa e coordeno a minha vida, a do David, a do meu chefe, a do laboratório e do que me aparecer 'a frente, com tudo em dia e na hora... agora esqueço-me de tudo.

A prova provadinha foi no fim de semana passado quando, ao regressar de Toronto, e já calejada por tantas e tantas viagens nestes 34 anos, perdi o passaporte.... entre a segurança e passagem pelo raio-x e o portão de embarque, 200 metros 'a frente. Estava incrédula! Mas como!?!

É mesmo verdade: a gravidez lixa-nos a cabeça toda. Justamente quando há tanta coisa para preparar, organizar e fazer, antes do nascimento da Papaia, nosso fruto tropical predileto. Ou então, agora que aos poucos me torno um pequeno elefante, memória de elefante nem vê-la... ironia atrás de ironia.

*o que vale é que os Canadianos são mesmo super simpáticos e ontem, passados 4 dias, já tinha o meu querido passaporte em casa de novo.

A ironia contiua



É o que eu digo!! Isto não é normal!

7:20 e eu para aqui com tinta no cabelo, para passar o tempo.

Hoje deu-me para acordar 'as 6:20 da matina, pese embora tenha ido para a cama já depois da meia noite. Mas eu não devia estar a dormir enquanto o posso fazer senhores?

Só comigo....

4.12.2012

Papaia - Cidadã(o) do Mundo



Se há duas semanas voltou do Brasil, por onde passeou por São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e pela não menos importante Vargem Grande do Sul, amanhã a nossa Papaia (estadio no qual se encontra o nosso fruto tropical 'as quase 23 semanas) segue para um fim de semana em Toronto... chique!

Das duas uma, ou sai um um cidadão do mundo ou sai um bichito do mato. Vamos torcer pela primeira opção :)

Ironias da Gravidez - O Sono



O título deste post não devia ser sono mas sim a ausência dele.

Sempre ouvi dizer que, quando se está grávida, uma pessoa sente sono até mais não. Por vezes tão insuportável, que é impossível resistir aos apelos de Morfeu e não ficar a dormir em pé.

Ora, desde que estou grávida que eu estou é ao contrário: estou com uma estaleca atómica acelerada. Nos primeiros meses, dormir era até desconfortável. Porque me doiam os peitos e não conseguia dormir de barriga por baixo e porque a náusea latente que me acompanhou se acentuava. E estar deitada não era agradável.

Agora, que estou fina e sem maleitas decorrentes do meu estado, dormir deixou de me dar prazer. Já não sinto aquela vontade de ficar na preguiça, de me virar para o lado e pedir mais 5 minutos. Já nem uso despertador, pois é certinho direitinho que, mesmo indo para a cama depois da 1 da manhã, 'as 7h já estou a abrir a pestana.

E pronto, é isto. Ando assim, na certeza de que, quando o nosso fruto tropical sair cá para fora, me vou ver e desejar para dormir mais uns segundinhos.

Ironias da gravidez!

4.11.2012

Gravidez - Actualização

Bem sei que ando afastada e que se devem questionar se está tudo bem. Está sim!

Acho que nunca pensei gostar tanto de estar grávida, pese embora tenha sido algo que sempre me suscitou muita curiosidade e entusiasmo. É, sem dúvida, das coisas mais maravilhosas que já vivi! Tão maravilhosa, que já tenho saudades dela e ainda só vou na 22ª semana.

Sentir esta coisinha mexer cá dentro é agora aquilo por que mais anseio durante o dia. E é sempre uma felicidade tão grande sentir o sambarzinho do/a nosso/a rebento!

O dia 29 de Março foi o dia em que me tornei, oficialmente grávida. Numa loja, a empregada perguntou-me se "estava esperando neném" (foi na Cidade Maravilhosa. Claro que o estar no Rio de Janeiro deve ter ajudado em muito 'a nossa criança a dançar e empinar a minha barriga :)).

Embora ainda pequenina, fica aqui a amostra... da barriga. A felicidade, essa, é imensa!

4.08.2012

Vedetas em Nova Iorque



Depois da Liv Tayler e do Kevin Bacon, hoje cruzei-me com a Helena Christensen no Lincoln Center. A mulher ainda hoje é linda!

3.17.2012

O Brilho



Toda a gente diz que, quando se está grávida, uma mulher fica resplandescente, que brilha, que a pele fica luminosa... o tal "glow".

O David já me tinha dito que eu estava ainda mais bonita, agora que carrego este pedaço de nós cá dentro. Mas, marido é marido e, aos olhos delo (espero eu), até mesmo com uma alforreca na cabeça sou bonita.

Ora, acontece que, de há umas semanas para cá, mesmo eu estando a entrar naquela fase em que passo mais por gorda do que outra coisa, pois barriga de grávida ainda não há, mas parte da cintura já se foi e mais parece que me alambazei a um cozido 'a Portuguesa ao almoço, os homens deram em doidos.

Ele é piropos na rua, ele é olhares indiscretos... acabei de vir de uma loja e o rapaz da caixa, claramente, fez-se ao bife com todas as letras.

Várias vezes, mesmo eu não lhe dando cavaco.
Várias vezes, mesmo eu estando de fato de treino, cabelo mal ajambrado e aliança no dedo para quem a quiser ver.

Acho que o tal do "glow" existe mesmo!

*e não, não era das mamas lindas que agora tenho, pois essas estavam escondidas :P

3.16.2012

Revelação



Decidi dizer ao meu chefe que estava grávida.

Embora tivesse decidido fazê-lo somente quando a barriga se notasse, o que é certo é que me andava a incomodar "esconder" o meu estado, ao ponto de até sonhar com isso.
Definitivamente "omitir" não é o meu forte.

Com esta coisa de não querer mostrar, ou que o meu chefe notasse antes que eu lho dissesse, andava constantemente preocupada em tapar a barriga, alargar as blusas, esconder... mesmo não se notando nada para quem não soubesse da gravidez.

E foi um peso que me saiu de cima quando, 2a feira passada, lhe contei sobre a boa nova.
Acho que a nossa Manguita (agora já excede os 15cm) também sentia essa pressão, pois desde então, começou a ser muito mais convincente em dar um ar da sua graça.

E, de repente, parece que a barriga começou a aparecer. E, de repente, o meu peso só sobe, em vez de oscilar, como tinha sido até aqui.

Como boa cientista que sou, tenho registado diariamente numa tabela /gráfico o meu peso (que ilustra este post).

Digam lá se não é verdade que o nosso projecto de vida percebeu que, finalmente, se podia mostrar ao mundo. Cheira-me que em breve já posso pôr fotos minhas, barriguda :)

Estar grávida é...

Estar grávida é estar sempre com o nariz entupido e com vontade de fazer chichi.*
Espirrar com a bexiga cheia é uma combinação longe de perfeita.

* A explicação científica para estes sintomas é a seguinte:

- porque o volume de sangue aumenta durante a gravidez, todas as mucosas estão hiper estimuladas, dada a sob-irrigação dos calipares. Assim, o nariz está sempre cheio de ranhoca.
- porque o bebé vai crescendo e ocupando mais espaço na cavidade abdominal, os orgãos começam a ter menos espaço. Como tal, a bexiga enche mais rápido.

3.09.2012

Semanas e Meses



Aquando da gravidez de outras pessoas, sempre me fez confusão perceber quantos meses correspondiam a determinado número de semanas.

Até mesmo agora, a confusão a modos que persiste, se bem que sei sempre de quantas semanas estou, pois é nessa linguagem que a médica nos informa sobre a próxima ecografia (dos momentos mais ansiados por nós).

Uma vez que estimo ter engravidado lá para fins de Novembro de 2011, naturalmente, converto o número de semanas no número de meses que conto pelos dedos. Se agora estou de 17 semanas, respondo: 17 semanas, 3 meses e meio.

Qual não foi o meu susto quando, por curiosidade, investiguei qual seria a conversão para meses correspondente 'as ditas 17 semanas: fim do 4º mês, quase início do 5º mês!?!

O quê?!?! É um facto que queremos conhecer o rebento e que esta contagem se baseia em 10 meses de gestação, mas também é verdade que não é preciso tanta pressa... ainda falta organizar tanta coisa.

Pelo sim, pelo não, continuo a contar os meses pelos dedos!

3.05.2012

Borboletas?



Corriam as 14 semanas da gravidez quando, depois de jantarmos e de uma gulosa sobremesa de gelado com (muuuuito) chocolate derretido por cima, enquanto enrolados no sofá a ver um filme, tive a nítida sensação de sentir algo a mexer cá dentro. Muito ao de leve e de forma súbtil, mas senti algo do lado esquerdo.

- Será que é o bebé? Mas ainda é muito cedo!
- Pois é... mas senti. Se calhar é só impressão.

A verdade é que, no dia seguinte, voltei a sentir, desta vez no trabalho.

Sem querer parecer uma daquelas mães paranóicas e super sugestionáveis, não deixei de perguntar 'a médica se tal seria possível. Face ao meu triste historial com colite ulcerosa, o que é certo é que se há coisa que eu conheço bem em mim são os intestinos. Daí achar que o que senti era de facto diferente. Sorridente, a médica confirmou que sim, que podia ter sentido o bebé a mexer. Afinal, já há muito que ele o faz, mas nem sempre se sente assim tão cedo.

Face 'a explicação, fiquei contente e esperançosa de que, realmente, a nossa Goiabinha tivesse dado um ar da sua graça. Contudo, porque depois se passaram várias semanas durante as quais não senti mais nada digno de registo, comecei de novo a duvidar se teria de facto sentido o bebé ou se, afinal tinha ficado toda derretida e apaixonada por um peido. Que coisa mais linda!

Bem, se tinha dúvidas, desvaneceram-se todas por estes dias. A Manguita (agora, com 17 semanas, já foi promovida ao estadio tropical seguinte :), voltou a sambar cá dentro.

Na 6a feira, enquanto assistíamos a um musical, no momento em que os artistas cantavam e dançavam como se não houvesse amanhã, eis que me fez coceguinhas cá dentro. No Sábado, perante a batucada dos Stomp, perante tamanha vibração e animação abrasileirada, lá estava aquele sapateado cá dentro outra vez. E é o máximo sussurrar ao David o que se está a passar e sentir a nossa felicidade com as mãos sobre a (suposta) barriga, enquanto mais ninguém 'a nossa volta percebe que há um espectáculo muito mais magnífico a acontecer naquele momento do que aquele em cima do palco.

Ontem não senti nada mas hoje, novamente depois de uma sobremesa gulosa, lá recebi um novo sinal. Com tanta animação perante música e chocolate, só pode ser a nossa frutinha tropical a-dar-a-dar... não fosse filha de quem é :)

2.23.2012

Zeca Afonso



Ultimamente, é pelo Facebook que sei da morte dos famosos.

Amy Whinehouse, Witney Houston... toda a gente desatou a postar coisas sobre eles antes que pudesse receber a notícia pelos jornais.

Quando abri o Facebook hoje de manhã, era posts dos Zeca Afonso por todo o lado.

Por um momento julguei que tivesse ressuscitado.

2.22.2012

As Tangerinas



Não posso dizer que tenha desejos durante a gravidez. Pelo menos, não até agora.
Sinceramente, espero não passar por aquelas loucuras de acordar a meio da noite com uma vontade esganada de comer uma qualquer iguaria que não lembra nem ao menino Jesus e correr seca e meca (ou fazer o David correr) até a encontrar.

Contudo, é um facto que, no início da gravidez, tinha uma vontade enorme de comer citrus: laranjas, tangerinas, até limão... tudo me parecia extremamente apetecível. Como disse, não acordava a meio da noite desesperada por um gomo suculento mas, quando vislumbrava um destes frutos, via um sumo de laranja, uma limonada ou algo semelhante, sentia de imediato vontade de o ter para mim.

Ora, estávamos nós muito felizes e contentes na Jamaica, quando um senhor apareceu perto de nós, na praia, com um saco cheio de tangerinas. Pelos vistos, tinha acabado de as comprar algures, ali por perto. Até então, a única fruta que tinha vislumbrado por aquelas bandas tinha sido bananas, papaias e abacaxis, mas assim que vi aquelas tangerinas, o mundo reduziu-se a um canudo e toda a minha atenção e o meu desejo se focou naqueles frutos laranja.

E parecia um robot, empancado numa ordem e que não pode avançar sem que esta seja cumprida:

- QUERO TANGERINAS!!!

De um salto, levantei-me. Parecia que tinha uma mola no rabo. E fui ter com o senhor, que agora se preparava para descascar uma:

- Desculpe, onde comprou essas tangerinas? - balbuciei, disfarçando com dificuldade a saliva que me humedecia a boca e quase deslizava pela língua, olhando fixamente para as tangerinas e quase sem dirigir o olhar para o senhor.

- Ali, mais abaixo, há uma velhota perto do resort blá blá blá... - e neste momento já nem conseguia ouvir nada, uma vez que as minhas narinas eram inundadas pela essência que emanava da casca rasgada, expondo agora os gomos laranja suculentos. Tive que me segurar para não lhos pedir.

Engoli a saliva que quase me afogava.

- Obrigada!

Virei costas, agarrei na mão do David que, sem hipótese, teve que me seguir:

- Vamos comprar tangerinas!!!!

E lá seguimos pela praia, prescrutando tudo e todos na tentativa de encontrar rapidamente a dita velhota, guardiã do tesouro. O sol estava a pique. Quente, queimava-nos as costas, toldava-nos o olhar, agora franzido, para combater tanta luminosidade. Mas nada me parava.

- Temos que encontrar AS tangerinas!!

E dizia aquilo com tamanha convicção e desejo que, em menos de nada, em vez de 1 erámos já 2 com uma vontade tremenda de comer tangerinas. E andámos e andámos e andámos. E nada de encontrar a velhota. E continuámos a andar. Perguntámos a uma senhora se sabia onde poderíamos encontrar tangerinas: mais 'a frente, respondeu. E continuámos a andar.

Já perto do resort que me parecia soar vagamente ao nome que o senhor tinha dito (mas que, para dizer a verdade, nunca ouvi bem de tão inebriada que estava), perguntámos a um nativo se sabia de uma velhota que vendia fruta. Ah, a avozinha, exclamou ele com o que nos pareceu ser uma certeza inabalável de que tínhamos chegado ao destino. Sim, está ali. Vão falar com ela.

Vimos uma velhota pachorrenta, sentada no alpendre, sem qualquer sinal de tangerinas ou qualquer fruta. Mesmo assim, dirigimo-nos a ela. Quando questionada sobre laranjas/tangerinas, disse que sim, que tinha. Perguntámos quanto custavam, tentou extorquir-nos uma fortuna, discutimos o preço e deixou-nos com um "esperem aqui".

Esperámos. E vimos a velhota, lentamente, dirigir-se para as traseiras da casa. Lentamente, vimo-la também passar para um dos lados com um balde vazio. Passados uns 10 minutos, voltámos a vê-la, lenta, passar para o outro lado, ainda com o balde vazio. E ali continuámos 'a espera. Mais 10 minutos, mais 20, mais 30... quase 45 minutos volvidos eis que a velhota sai, lentamente, das traseiras da casa, desta vez carregando não só o balde (ainda vazio), como uma sombrinha. Lenta, passou um pouco 'a nossa frente, sem nos dar qualquer cavaco. Lenta, continuou até uma banquinha de madeira branca, vazia, mais 'a frente, junto ao mar.

Agora, já com cara de parvos e de "só pode estar a gozar connosco!!", vimo-la, lentamente, caminhar até ao mar. Encheu o balde com água. Lentamente, regressou até 'a banquinha e, lentamente, começou a lavar a mesma com a água salgada.

Só connosco!!! O raio da velha ainda está a montar o estaminé para vender fruta (que continuávamos sem ver)!!!! Já desesperada, sequiosa de citrus, citrus, citrus, tão sequiosa quanto determinada, exclamei: continuemos então. Se aquele senhor encontrou tangerinas, nós também vamos encontrar. Eu TENHO que comer tangerinas. TENHO!!!!!

E lá seguimos pelo extenso areal. Só para terem uma ideia, a praia chama-se "Seven Mile Beach" (praia das 7 milhas... ou seja, de 11.2654 km). Não exagero se vos disser que percorremos mais de metade da praia em busca das tangerinas perdidas (mais parecíamos o Indiana Jones).

Eis então que encontrámos uma banca de fruta. É ALI!!!! Exclamei, qual Moisés perdido no deserto quando encontrou um oásis. E corri para a banca. Lá, uma monte de fruta mal encarada. As tangerinas não eram sequer laranja. Deformadas, olharam-me mal encaradas e verdes. Mesmo assim, quis comprá-las. Como nestas coisas tudo tem que ser difícil (não fosse isto passar-se comigo), demos com uma velhota hiper-mega-super-uber mal encarada, mal educada e que julgava que os turistas são estúpidos. Conseguiu que me crescesse uma raiva maior que o meu desejo, o que me fez mandá-la 'a fava e partir para a terceira empreitada da busca das tangerinas.

Como 'a terceira é de vez, finalmente, lá ao fundo, mais de 2 horas passadas sobre o início da nossa peregrinação, apareceu uma outra velhota, numa banquinha simples, pequena... mas com umas tangerinas lindas!! Sorridente, presenteou-nos com a simpatia a que nos habituámos na Jamaica (a velha ranhosa de antes deve ser a ovelha negra lá do sítio). Mesmo o preço sendo justo, o David tentou baixar mais um pouco. Resisti e disse, com uma vontade incomensurável de enfiar aquelas tangerinas na boca, não, está bem, está justo. A senhora sorriu mais uma vez: a menina é boa pessoa... em vez de 4 dou-lhe 5 tangerinas pelo mesmo preço!
Quem merece, merece!!

E, após tamanho sofrimento, não consigo descrever o quão bem me souberam os primeiros gomos quando, sentada sobre a kanga, numa sombra, devorei a primeira tangerina. Passadas 3 peças de fruta e saciado um pouco do meu desejo, percebi que as tangerinas nem eram tão espectáculares assim. Mas eu TINHA que comer tangerinas!!

Felizes e contentes, curtimos aquele lado da praia que ainda não conhecíamos, banhámo-nos, secámos ao sol, para depois regressarmos aonde tínhamos partido. Inacreditavelmente, passado aquele tempo todo, só agora a primeira velhota se sentava para começar a vender a fruta. Se tivéssemos ido na conversa dela, 'aquela hora ainda estávamos 'a espera das ditas laranjas. Lentidão é o espírito da Jamaica!

Esta história já vai longa e quase soa a loucura sentir tamanha vontade de comer citrus. No entanto, há uma explicação científica, que passo a partilhar convosco, não vão vocês pensar que sou doidinha.

No início da gravidez, o corpo de uma mulher passa a produzir mais sangue, por forma a transportar o oxigénio e nutrientes necessários ao bebé. No fim da gravidez, o volume de sangue terá aumentado entre 30% a 50%, sendo que o período de produção saguínea mais acentuado ocorre durante as primeiras 12 semanas. Assim, a quantidade de ferro disponível na corrente sanguínea diminui, sendo bastante difícil atingir os 30mg de ferro necessários diariamente durante a gravidez (o dobro, comparado com a dose necessária normalmente).
Ora, a nossa amiga vitamina C (sobejamente presente em citrus), ajuda a fixar e a aumentar a absorção de ferro.

Eu nem sabia disto na altura... só sabia que TINHA quer comer tangerinas!!
Mas, a Natureza tem sempre razão.

Daí o meu ar de felicidade na foto :)