8.09.2009

1 ou 3?



Eu e o David casámos pelo civil no dia 28 de Julho de 2006. Pela Igreja, casámos no dia 26 Julho de 2008.
Em que data devemos celebrar o nosso aniversário de casamento?
Estamos casados há 1 ou há 3 anos?

Constatações - Alicerces podres



Quando questionado se gostaria que a sua prole encontrasse um companheiro como aquele que tem, o progenitor não consegue responder "sim".
Hesita, balbucia, contorna o assunto... tenta até justificar o parceiro pelos erros que sabe existirem e insite em ignorar.
Algo está muiro errado. Muito mesmo!
A relação é um desastre!

8.08.2009

1 Ano (cont.)

Como puderam ler aqui, fizemos 1 ano de casados. E' de nossa vontade que, todos os anos, possamos honrar a vontade e o compromisso de celebrar esta data.
Sempre!

Assim, para celebrarmos, passámos 2 noites em New Hampshire, na região dos lagos, mais especificamente perto do lago Winnisquam.

Ficámos aqui:









O quarto era sobre o lago. Tinhamos uma vista maravilhosa. A chuva que decidiu em cair no dia seguinte 'a nossa chegada, sem parar, fez as nossas delícias. Aproveitámos a hot-tub, passámos pelo salão de jogos... mesmo a chover, aproveitámos também o lago, onde, no fantático deck com uma prainha privada, ainda nadámos no lago.

Aproveitámos, claro está, e mais que tudo, o quarto... e nunca antes ficámos tão felizes por termos descoberto o "citrato de cálcio", hehehe (para perceber, favor ler post seguinte).

Foi óptimo!

Serviço público - Vulvodinia


Hoje escrevo na esperança de que a minha experiência possa vir a ajudar quem por aqui passa. Eu agradeci que outras mulheres tivessem tomado a mesma atitude, tivessem escrito e acabassem por me ajudar!

Já há aguns meses que vinha a sentir ardor e dor aquando das relações sexuais. Logo eu, que visito o ginecologista 4 vezes por ano e que sou super preocupada e zelosa neste quesito. Tenho pavor de todo e qualquer problema que me possa afectar o sistema reproductor e sexual, pelo que tenho mil cuidados.

Se um carro que é usado com regularidade precisa de mudar o óleo de 3 em 3 meses, então é óbvio que o mesmo se aplica 'a minha Vagina.
E' usada, sim senhor, e com muita regulariade, sim senhor!!

Gosto de sexo! Aliás, adoro sexo!

Tenho a certeza que o mundo seria um local bem mais feliz e pacífico se muita mais gente gostasse de sexo e o fizesse com mais frequência (para o que aqui vou relatar não interessa aprofundar a questão "fazer sexo" ou "fazer amor", pelo que me vou abster de dissertar sobre esse tema).

Ora, já estão a imaginar a frustração que foi quando, de repente, aquilo de que tanto gosto e que me dá sempre tanto prazer, passou a estar associado a dor e desconforto. Dei por mim a retrair-me e a evitar fazer amor tão frequentemente.... e isto estava-me a parecer contra-natura, muito errado, muito chato e bastante insuportável.

No médico de medicina interna queixei-me várias vezes. Observou-me e fez análises várias vezes também, chegando sempre 'a conclusão de que nada havia que indicasse infecção, inflamação ou qualquer outra irregularidade. Fui também observada pelo meu ginecologista... e o resultado foi o mesmo. Não havia nada que justificasse os sintomas de que me queixava. Pelo sim, pelo não, este receitou-me um creme 'a base de esteróides, para ver se os tecidos reagiam... e nada!

Passei a pensar no que poderia ser que estava a escapar aos médicos: será que é de alguma coisa que comi? será que é da natação? e se experimentarmos usar lubrificante (muito embora nunca tenha sido necessário)? e se ficarmos umas semanas sem fazer para ver se passa? e se, e se??

Tentámos de tudo, e nem mesmo todo o carinho e paciência do David evitaram que, sempre que fazíamos amor, aquela dor aparecesse. Dor, ardor... era na parte externa, era no interior... eu já nem sabia onde era. Sei que, mesmo tentando e ultrapassando o início (que era a fase mais dolorosa), chegando ao fim, nem com água me podia lavar que a dor me tirava o ar e me punha com lágrimas nos olhos, de tão aguda que era.

Foram vários meses assim, a recorrer aos médicos e a não obter respostas. Assim, fiz aquilo que nunca se deve fazer (se o Dr. House me apanhasse no consultório dele, de certeza que era corrida com um revirar de olhos): decidi procurar na internet se encontrava alguma coisa sobre estes sintomas. Sei que os médicos existem para alguma coisa... e quem sou eu para pensar que vou saber mais que eles. Mas, a situação estava a ser tão desesperadora, que lá me pus a fazer buscas no Google.

E eis que facilmente encontrei imensos relatos de mulheres que se queixavam do mesmo e que, junto dos seus médicos, passavam também pela ausência de um diagnóstico. Continuando a procurar, acabei por perceber que se trata de uma "doença" algo recente, da qual se desconhece a origem ou o tratamento, mas que engloba exactamente todos os sintomas de que me queixava: vulvodinia.... ou de uma forma mais fácil, dores na zona da vulva sem causa identificável.

Percebi que há mulheres que sofrem muito mais que eu, chegando ao ponto de nem poderem usar calças ou se poderem sentar sem que sintam dor. Percebi também, como referi acima, que pouco se sabe sobre esta matéria. Perguntei ao meu médico se este poderia ser o meu caso, ao que ele também se mostrou pouco sábio no assunto, respondendo que é um caso a ser acompanhado durante bastante tempo e que, cada caso é um caso. Sendo assim, só por tentativa e erro, com colaboração tanto do médico como do paciente, é que se pode chegar a um tratamento que ajude aquela pessoa em questão.

Li também na internet que, embora não hajam estudos que suportem essa ideia a 100%, se pensa que a acumulação de oxalato na urina poderá estar na base dos sintomas. O oxalato encontra-se na nossa dieta, em vários alimentos e, quando em excesso, pode ter a sua concentração diminuída recorrendo ao uso de citrato. Desta feita, uma série de estudos, também estes não totalmente conclusivos, mostrou que a administração de citrato de cálcio sequestrava o oxalato e que algumas mulheres ficavam livres dos sintomas (note-se que o importante aqui é o citrato, não o cálcio... o cálcio é só um veículo de administração do citrato).

Uma vez que a ingestão de suplementos de citrato de cálcio em dozes normais não trazem malefícios para a saúde do indivíduo, pensei: porque não?

Assim, comprei citrato de cálcio e comecei a tomar os comprimidos diariamente. Em menos de 2 dias os efeitos já se faziam sentir e, pela primeira vez em alguns meses, não senti qualquer dor quando fizemos amor.

Fez-se luz!!!!

E voltei a ter prazer, e voltei a gostar e a querer e até a ter a iniciativa de ser eu a procurar o David... e desde então que tudo voltou ao normal e que tudo corre sobre rodas.

Tudo graças ao citrato de cálcio!! Revolucionou a nossa vida e passou a ser o nosso melhor amigo :)

Espero, sinceramente, que nenhuma das leitoras que por aqui passam tenham, sequer, um vislumbre dos sintomas que referi mas, caso seja esse o caso, espero também que este post possa vir a ser útil e a evitar sofrimento desnecessário!

Para a maioria saudável e sem problemas (homens e mulheres) façam sempre muito sexo e sejam felizes! :)

8.06.2009

Away we go



Acabei de ver este filme. E' lindo! Simples e muito lindo!
Só me deu vontade de voltar para casa, encontrar o David, dizer-lhe que o Amo tanto que nem sei quanto tanto é e de fazermos um bebé!

7.29.2009

Parques de Estacionamento



Tendo em conta a maneira desregrada, sem rei nem roque, com que as pessoas começam a conduzir quando entram num parque de estacionamento, tenho a certeza que a probabilidade de acidente é maior nestes espaços do que na autoestrada ou dentro da cidade.
Fica tudo louco, atravessam-se faixas, não se respeitam prioridades... devia haver lombas em todo o lado para, pelo menos, fazerem as asneiras devagarinho!

7.26.2009

1 Ano

A música que toca agora aqui no estaminé "Interessa?", ilustra bem este post, pois celebra ter o Maridão na minha vida :)

"Se você quiser saber (Interessa?)
Por que é que eu gosto dele (Interessa?)
É que ele é meu benzinho
E me trata com carinho
Faz vontade pra mamãe.

Se você quiser saber
Por que é que eu gosto dele (Interessa?)
É que ele é meu benzinho
E me trata com carinho
Faz vontade pra mamãe.

De manhã me dá um beijo
Quando sai pra trabalhar
Adivinha o meu desejo
Traz docinhos pro jantar.

Quem é que não desejava
Ter um maridinho assim?
A sorte não é pra todas
Talvez seja só pra mim."


Faz hoje 1 ano que eu e o David nos casámos , em Setúbal, numa festa rodeada de família, amigos, sorrisos e carinho. Foi um dia lindo, que recordamos sempre com um brilho nos olhos e que celebramos diariamente. Vejo agora que o tempo voou e passou a correr e que, passado um ano, ainda não falei sobre a mini lua-de-mel que tivémos, como tinha prometido na altura. Assim, para celebrar o nosso aniversário, segue aqui o relato que, espero, ilustre os muitos aniversários que vamos celebrar.

Saímos do hotel bem cedinho. Naquele dia tinhamos não so que ir até Setúbal, para buscar as nossas malas, como ainda tinhamos que passar pela Igreja, uma vez que no dia do casamento o Padre disse que faltava um papel para nós assinarmos. O objectivo era estar no Algarve, em Olhão, 'as 14:15, pelo que não nos podemos dar a preguiças.

Tudo correu como planeado e chegávamos a Setúbal 'a hora prevista. A primeira coisa que fizemos foi ir logo 'a Igreja, para despachar o assunto. Ora, o Padre, talvez por fruto da idade avançada, tinha trocado os pés pelas mãos e, afinal, não precisávamos de assinar nada. Desta feita, fomos até lá só para lhe dizer bom dia, para o David levar uma lambada carinhosa na cara (é assim que o Padre cumprimenta os rapazes... eu tive mais sorte e levei 2 beijinhos) e daí seguimos para casa. Chegados lá, a minha mami já nos tinha preparado os saquinhos com tudo o que era necessário para passamos 5 dias sem que nada nos faltasse: fruta, café, chocolate, chouriço, entremeada, fiambre, queijo, manteiga, leite... havia de tudo um pouco. Vê-se que a minha mãe é uma campista experiente, hehehe. Feita a troca de malas e as respectivas despedidas, eis que nos fizémos 'a estrada para uma lua-de-mel improvisada.
Lá nos metemos nós na carrinha do Alfredo (do qual se devem lembrar daqui) e zweee... Algarve cá vamos nós.

E' nossa intenção fazermos uma lua de mel "como deve ser", no Hawaii, no Brasil, nas Caraíbas, em Moçambique... sei lá, num qualquer sítio paradisíaco. Contudo, como os 15 dias de férias em Portugal não davam para tudo, decidimos fazer algo mais modesto nos 5 diazinhos que nos restavam.

Note-se que este plano só pode sair tão perfeito e inigualável graças 'a generosidade dos nossos amigos Janicos. Passo a explicar: a Janica cresceu no Algarve e é uma das afortunadas que tem uma casa na ilha da Colatra. Ao perceberem que eu e o David andávamos a investigar onde poderíamos passar estes 5 dias (andávamos nós 'a procura de cabines em parques de campismo) a Janica e o Janico (mais que tudo da Janica) presentearam-nos com o que foi mais umas extraordinária prenda de casamento: 5 dias na casa da ilha da Colatra.. Não podíamos ter ficado mais felizes. Digam lá que não temos Amigos 'a maneira!

Assim, 'as 14:15 chegávamos a Olhão, mesmo a tempo de apanhar o barco para a ilha. Chegados lá, fomos recebidos com toda a simpatia pela mãe da Janica e pelo caozito (já não me lembro do nome dele, mas era um castiço), que nos pôs logo 'a vontade na casa (linda, linda, diga-se) e nos mostrou as manhas deliciosas da mesma: para se tomar banho de água quente, têm que se deixar os garrafões de água ao sol, para beber água, tira-e deste poço, para ter electricidade em casa tem que se ligar o rádio que ajuda a puxar a electricidade produzida pelo painel solar... era como estar a acampar, que nós adoramos.

Os 5 dias que se seguiram foram pura lua-de-mel, literalmente. Houve muito sol, muita praia, água azul, passeios pela areia branca, por-do-sol lindos, uma subida ao farol, muito peixinho fresco grelhado para o jantar (o David cometeu a blasfémias de comer sempre um bitoque... ainda não aprendeu o que é bom, hehehe), churrasco para o almoço, pequenos-almoços no alpendre com pãozinho frequinho, encomendado de véspera no mercadito da ilha, beijos com sabor a sal, peles morenas, muito amor e sorrisos.
Foi pura e simplesmente delicisoso e inesquecível!

Muito embora a estadia no hotel de 5 estrelas em Sesimbra também tenha sido fenomenal e estejamos muito, muito gratos por esse presente, devo dizer que, se tivessemos que optar, a nossa escolha iria sempre por passar uns dias neste ambiente descontraído, simples e de praia da Ilha da Colatra. Foram mesmo férias. Relaxamos muito, namorámos muito, andámos sempre felizes e apaixonados. Mais uma vez, OBRIGADA Janicos :)



O tempo, como disse, passou rápido. Passaram esses 5 dias e passou este primeiro ano. Temos a felicidade de dizer que passou rápido, pois continuamos em perfeita lua-de-mel. Tenho uma Maridão super meigo e querido (e acho que ele também não se pode queixar da marida, hehee) e estamos muito felizes por o destino nos ter feito atravessar oceanos e continentes para nos encontrarmos.

No próximo fim de semana vamos celebrar o primeiro aniversário num fim de semana fora, numa qualquer cabanita romântica. Espero poder continuar a relatar estes momentos e espero também que sigam o exemplo e aproveitem sempre todas as ocasiões especiais para celebrar, renovar e relembrar o Amor. Relembrar, sim, pois a vida nem sempre é um mar de rosas e 'as vezes esquecemos o que de tão bom temos no outro mas... o Amor é isso mesmo, passar por tempos bons e menos bons e ser sempre capaz de ver e sentir o quão especial NOS, juntos, somos.

Sejam felizes e Amem-se muito, sempre :)

7.14.2009

Greencard - A saga



Tal como há tempos referi aqui, o ano passado fui seleccionada para a lotaria do Greencard e iniciei o processo para conseguir o tão almejado documento. São bafejados pela sorte não só o candidato, como também conjuje e filhos, pelo que o David também entrou no processo.

Para além de termos que fornecer montes de documentação, tal como certidões, registo criminais, diplomas e que tais, consta também dos requerimentos que façamos vários exames médicos. Assim, desde logo nos apressámos a iniciá-los. No médico dele, bastou o David referir "Greencard" que o médico soube logo do que se tratava e fez-lhe uma bateria de exames. O meu médico não estava assim tão familiarizado e então pedi-lhe eu especificamente este e este e aquele exame, tal como constava na página da internet.

Percebi que o David fez muitos mais exames que eu mas, como entretanto me contactaram de Portugal a dizer que tinhamos entrevista marcada para Abril e que só seriam aceites exames médicos realizados em Portugal, não me preocupei mais em completar os meus exames. Marquei, com 3 meses de antecedência, consulta para mim e para o David, em Lisboa, e ficámos descansadinhos da vida 'a espera do dia do exame médico e da entrevista (que se realizaria uma semana após a visita ao médico).

Esta coisa da lotaria está claramente feita para que as embaixadas ganhem dinheiro. Vejam só: fazendo os exames aqui, nos EUA, não os tivemos que pagar. Estavam cobertos pelo seguro de saúde. Contudo, se a nossa entrevista tivesse sido os EUA, teríamos que apresentar esses mesmos exames a um médico especificado pela embaixada que, só por olhar para os exames e assinar uma folhinha que diz "sim, esta pessoa está saudável", cobraria perto de $200... por pessoa.

Obvio que a embaixada de Portugal não quis perder o seu dinheiro e por isso disse não aceitar exames que não fosem feitos por médicos por eles designados... cada um cobrando a módica quantia de 135 Euros, por pessoa. Tanto é assim que, quando sugeri que levassemos os resultados dos exames feitos nos EUA para o médico Português validar, a enfermeira me disse logo: pode trazer, mas tem que pagar 'a mesma.
Bonito, não é?

Adiante, que a história vai ficar gira.

Chegámos a Portugal com a antecedência devida, na 2a feira, penso. Os exames médicos seriam realizados na 5a feira. Na 4a, telefonam-me do consultório:

- Ah, é para avisar que o Sr. Dr. não vai poder dar consulta esta 5a feira. Foi de férias e só volta no dia 20!

(Note-se que a minha entrevista era no dia 16 de Abril).

- Mas oh minha Sra.?! Tenho esta consulta marcada há 3 meses, a minha entrevista é no dia 16... não posso não fazer os exames!!!! Então o Sr. Dr. decide ir de férias e não há ninguém para o substituir???

- Pois, não sei - respondia a mulherzinha sem perceber minimamente a urgêcia da situação (é que sem o greencard não poderíamos regressar aos EUA, 'a nossa casa, aos nossos empregos, 'a nossa vida) - telefone para a Embaixada que pode ser que lhe digam alguma coisa.

Já habituada ao sistema, percebi que não valia a pena insistir com a mulherzinha e telefonei então para a embaixada. Saí de uma situação má para entrar numa pior.

Expliquei que tenho entrevista no dia 16, que o médico cancelou a consulta e que só volta depois dessa data. Com uma arrogância e uma superioridade que só demostram que é uma frustrada da vida e que tem falta de sexo, a funcionária guinhou:

- Ai, sem exames não consegue o visto!!!
- (dah!!!) Sim, eu sei, mas o médico cancelou a consulta, foi de férias. E' inadmissível que a Embaixada obrigue as pessoas a irem a médicos por ela designados, que só exista 1 em Lisboa e que, quando este decide ir de férias, não o substituam nem ofereçam nenhuma alternativa 'as pessoas!
- Ai, mas tem uma alternativa - baliu a cabra - Pode ir fazer os exames a Braga!! (como se fosse já ali, como quem vai tomar um café). Pode não conseguir consulta, mas tem alternativa!!!

(Estes sistema de exames médicos está tão bem feito que, para o país TODO, só existem 2 médicos: um em Lisboa e o outro em Braga).

Eu já estava a ferver, mas não podia perder as estribeiras, pois ainda dependia da embaixada e daquela malta toda para que a minha vidinha não descambasse. Calmamente continuei:

- Eu moro nos EUA, já lá fiz os exames médicos necessários e tenho-os comigo. Não os posso apresentar na embaixada como alternativa?

Quase sem me deixar terminar a frase, relinchou esganiçada:

- Mora nos Estados Unidos?!?!?!??!
- Sim, tenho visto, já lá estou há 5 anos...
- Aaahhhh - exclamou a estaferma como nunca antes deve ter exclamado por um orgasmo - então não mora nos Estados Unidos!!! E' residente tem-po-rá-ria (como se estivesse a ensinar a missa ao papa) nos Estados Unidos!!! (e note-se que isto nao interessava nada de nada de nada para o caso).
- Pronto, está bem - repeti, como quem dispensa uma criancinha - sou residente tem-po-rá-ria nos EUA. Posso ou não posso usar os exames que fiz nos EUA?
- Se quiser pode trazê-los!! Traz, não passa na entrevista e não vai para lado nenhum!

Já a deitar fumo por tudo quanto era lado, disse só "Muito obrigada minha senhora!", secamente, e bati-lhe com o telefone na cara. Não sei se ainda ficou para lá a ganir, mas também não me interessava.

Tentanto não entrar em desespero, telefonei imediatamente para o médico de Braga. Atende-me a enfermeira e entrei logo com o drama:

- Minha Sra...a Sra. tem que me ajudar. Passa-se isto assim e assim e a única alternativa que tenho é mesmo fazer os exames aí em Braga. Será que é possível o Sr. Dr. atender-nos até do dia 16 e com tempo suficiente para os exames??
- Oh menina - e percebi logo que estava a falar com gente de bom coração, essa gente do norte, carago!! - o Sr. Dr. está ocupado durante a semana toda. Que chatice!! (e percebia na voz dela que compreendia o meu desespero). Olhe menina, consegue estar cá na 3a feira?? Eu posso tentar metê-la 'as 13h.
- Sim, claro (nem que tivesse que ir de joelhinhos eu ia lá estar, tal era a urgência!). E acha que dá tempo para fazer os exames todos?
- Pois, não deve dar, porque há o teste do HIV e da Sífilis... só se for 'a entrevista, mostrar uma declaracao do medico a dizer que esteve cá e depois apresentar os exames mais tarde. Pode ser que eles aceitem!!
- Eu tenho os exames que fiz nos EUA. Será que não os posso levar para o Sr. Dr. os validar?
- Pronto menina, faça isso! - respondeu-me prontamente e com boa vontade. Olhe, faça também já um raio-x torácico e traga na 3a feira, que assim é uma coisa a menos.
- Certíssimo!!

Felicíssima ao ver que ainda havia esperança e que tudo poderia dar certo, liguei de imediato para as clinicas de radiologia em Setúbal, em Almada, em Lisboa... eu todo o lado. Todas me faziam o raio-x mas nenhuma me fazia o relatório, pois como era fim de semana de páscoa os médicos só voltavam na 2a feira. O que significava que o relatório só ficaria pronto na 3a... altura em que já tinha que estar em Braga.

Caramba, quando as coisas podem correr mal, correm mesmo. Mas, não desisti!
Dei voltas 'a cabeça. Aliás, demos, pois os meus pais e o David também já estavam envolvidíssimos na história. E agora, como é que fazemos?? E liga para aqui e liga para ali... nada. De repente, um raio de luz, uma inspiração divina, as nuvens afastaram-se no céu, o sol inrrompeu e ouviram-se as vozes dos anjinhos, claramente a anunciar uma santa... a Teresa!!!!!
E todos exclamámos e ficámos com um ar esperançoso: a Teresa!!!

A Teresa é uma grande amiga nossa, família já. Está sempre pronta para ajudar no que estiver ao seu alcance. Faz trinta por uma linha, desdobra-se e não deixa pedra sobre pedra e nesta situação não foi diferente. Possui uma clínica de análises em Gondomar. Quando lhe liguei com o meu pedido e também das análises de HIV e Sífilis, disse-me logo: espera 1 minutinho!
Em menos disso já voltava ao telefone e dizia-me: pronto, já tenho um médico cá na 2a feira, estejam cá 'as 9h. Santa Teresa!!!! Obrigada!!
E' uma pena que 'as vezes uma pessoa só se consiga safar se tiver conhecimentos, mas o sistema não está feito para que as pessoas não incorram nestas situações.

Agora, vejam a roda vida. Saímos na 2a feira, de Setúbal, 'as 5h da manhã . 'As 9h estávamos em Gondomar. Fizemos logo todos os exames. 'As 20h, quando a clínica já nem aberta estava, a Teresa ainda tinha pessoas a trabalhar nos resultados e, antes mesmo das 21h, estávamos com todos eles nas nossas mãos. Santa Teresa!
Fomos dormir a Gaia, onde os meus queridos Tios Tai-Tai e Duarte nos receberam prontamente, pese embora ter sido tudo em cima da hora. Na 3a feira de manhã seguimos para Braga, e antes das 13h lá estávamos nós.

(Eu bem queria mostrar o norte ao David, mas nunca pensei que a primeira vez dele lá fosse assim, tipo speed-dating :)).

O médico era um paxola. Simpatiquíssimo, ouviu a nossa saga, abanou a cabeça e desabafou: estes Americanos!!
Aceitou os nosso exames médicos, os dos EUA e os da Clínica de Gondomar. Preencheu toda a papelada e atestou estarmos de plena e completa saúde, mas não sem nos referir que, por os exames não terem sido todos feitos naquela clínica, a embaixada podia levantar problemas.

Que frustração!!! Se nós estivéssemos a tentar ocultar uma condição médica, ainda vá que não vá. Mas agora, saudáveis, a tentar fazer tudo por tudo para ter a documentação toda pronta para a entrevista e haver a possibilidade de não conseguirmos os greencard porque não conseguimos mostrar que somos saudáveis, devido a condicionantes que nos ultrapassam, era inglório.

Lá seguimos nós para Setúbal, com os exames feitos mas ainda receosos de que algo pudesses correr mal. Na 5a feira lá nos apresentámos na embaixada, para a entrevista. Está visto que a prova de fogo foi mesmo a saga toda até conseguir os exames médicos, uma vez que, na embaixada, a entrevista correu sem precalços, não houve problema nenhum com nada, todos foram muito simpáticos e, após uma agradável conversa com a Cônsul, foram-nos atribuídos os famigerados greencards.

UUUFFFFFF!!!!! Que estava difícil!!!
A tensão e a preocupação eram tantas que a minha Madrecita até chorou de alegria quando soube da boa notícia. Mas pronto, assim ainda damos mais valor 'a coisa e, após um lauto almoço de celebração, fizemos todos as malitas e pudemos ir usufruir de umas férias em Barcelona... bem merecidas e que andaram tanto tempo na corda bamba!

Os cartões chegaram há dias. Olhem só que bonitinhos!
Curiosidade: O Greencard antes era cor-de-roa... agora é amarelado.

Greencard - momento cómico

Talvez por todo o tormento que passámos, alguma alminha caridosa se lembrou de desanuviar o ambiente e presentear-nos com a seguinte cena, na embaixada.

Enquanto esperávamos para falar com a consul, estavam 2 senhoras a ser atendidas num dos balcões. uma pequenita, baixita, loira e com um cabelo que mais parecia um capacete. A outra, mais alta, magra, envolta num xaile amarelo canário. Esta última falou... alto o suficiente para que toda a gente naquele bunker a ouvi-se.
Eu não liguei mas o David virou-se para mim e exclamou:

- Quê, aquilo é um homem?

Olhei para a pessoa em questão, arregalei os olhos, contive o riso e disse baixinho ao David:

- Sabes quem é aquele?
- O quê? O conde?? - respondeu ele também já a conter o riso.

Isso mesmo, era "the one and only" José Castelo Branco, ou Conde White Castel, como preferirem. E se se perguntam como é que o David sabia da existência de tal personagem, a coisa deve-se nada mais nada menos ao facto de passarmos tanto tempo a fazer exames médicos e análises. Toda a gente sabe que nos consultórios só há revistas cor-de-rosa e que são o local ideal para nos actualizarmos das fofoquices do país.

Claro que expliquei ao David quem era a "fêmme fatale" que aparecia em destaque numa dessas revistas e claro que o Conde não me deixou ficar mal e, mesmo estando na embaixada dos EUA (que, para quem conhece, é quase que um local de culto onde não se pode fazer barulho nem fazer nada), não deixou de se exibir.

Era vê-lo a andar que nem barata tonta para ir tirar fotografias e depois "pedir a fineza" ao guarda de lhe trocar uma nota de 10$. Era vê-lo a tratar a funcionária por Sô Dôna Teresa e exclamar aqui e ali "ai que maçada!!!". Era ver toda a gente a rir quando ele virava as costas: riamo-nos nós, riam-se os guardas, as funcionárias... até a Consul se ria sempre que podia.

Para quem não conhece a personagem, fica aqui uma amostra:



Impossível uma pessoa não desatar a rir e descontrair um bocado!

7.10.2009

Michael Jackson



Morreu o Rei da Pop. Justo quando eu passeava por LA. A cidade virou o caos, mas sobre isso logo falo mais tarde.
Como em tudo, já existem piadas acerca do acontecimento (a morte do artista, digo):

- Qual foi a última operação plástica que o Michael Jackson fez?
- Esticou o pernil!

(Confesso que me escangalhei a rir quando me contaram esta).

E agora, tal como com a morte da Princesa Diana e com o 11 de Setembro, toda a gente se vai lembrar onde estava quando soube que o Michael Jackson morreu (para além de, como diria o Batista Bastos, muitos saberem também onde é que estavam no 25 de Abril, obviamente).

6.23.2009

West Coast

Amanhã parto para 10 dias, passados com a minha amiga Diana, em:

Los Angeles



Las Vegas



Grand Canyon



Bryce Canyon



Era para ter ido hoje mas, chegada ao aeroporto e após uma espera de 2 horas (que já passavam a hora do meu vôo mas este estava atrasado 1:48h) disseram-me que, por razões metereológicas, estava tudo atrasado e, como tal, hoje só me punham em Baltimore (onde tinha que pagar pelo meu hotel) e só amanhã de manhã me aterravam em LA.

Optei por ir amanhã e fazer tudo de uma só vez.
A ver se não há mais imprevistos!

Constatações - Dentro do Armário



Aquele que não consegue aceitar a sua homossexualidade e prefere vivê-la de forma recalcada, é um miserável... e torna miserável a vida de todos 'a sua volta.

6.22.2009

A Mila



Ora, apresento-vos a minha nova bicicleta (mais coisa, menos coisa... não consegui encontrar foto exacta): a Mila. Por respeito 'a Bina (de quem ainda sinto saudades agudas), abstive-me de lhe dar o mesmo nome.

Os nossos caminhos cruzaram-se no Sábado passado, quando respondi um anúncio na Craigslist, meca de quem anda 'a procura seja do que fôr. Fui ao site, procurei bicicletas e, por entre as ofertas que havia, encontrei o anúncio: "vende-se bicicleta praticamente nova, só usada 3 vezes, $200".

Como, no próprio dia em que a Bina foi roubada, andei a ver bicicletas novas e os preços mais baratos rondavam os $400, pensei: porque não?

Contactei o dono, marcámos encontro para Sábado e 'as 11h lá estava eu na casa dele para ver a bichinha. Gostei logo dela: azulinha, com ar de quem tem muito para dar mas que, de facto, nunca foi usada. Estava na cave, com algum pó e teias de aranha, encostada 'a parede e com os dois pneus completamente murchos. Os restos de borracha, tanto nos lados como no veio principal dos pneus, provavam que a bicicleta estava mesmo imaculada. Não tem um pingo de ferrugem e as mudanças, após ter andado com a bicicleta por alguns quarteirões, entravam e saiam a deslizar, sem barulhos ou estalos.

Diga-se que também deu para ver que a bicicleta não era usada pela inexperiência (talvez "nabice") do dono. Quando lhe perguntei de tinha bomba para encher os pneus, desencantou uma para bolas de basket: pequenina, pequenina. Depois, deu de enfiar aquilo no pneu sem a extensão que lhe permitiria puxar a bomba para o lado de fora. Assim, tentava encher a bomba por entre os raios da roda e, claro está, aquilo não dava em nada. Lá lhe expliquei que dentro da própria bomba devia haver um tubinho e tal... que se ajustava e permitia flexibilidade. De facto, o tal tubinho existia mas, mesmo quando colocado, aquela bombita não ia dar conta do recado.

Sugeri então que fossemos a uma bomba de gasolina encher. Chegádos lá, o gajo, ao querer pôr a bicicleta no descanso, deu um chuto na corrente e tirou aquilo tudo do sítio (óbvio que o descanso era do outro lado). Eu já estava com pena da bicicleta. Só pensava "coitadinha, estás mesmo a precisar que te salvem!". Quando chegou a altura de encher os pneus (também tive que explicar ao rapaz que era necessário posicionar o pipo por forma a se conseguir o encaixe) não lhe dei tempo de segurar na bomba. Fiz eu o enchimento, não fosse ele rebentar com os pneus.

Adiante.
Saí de lá com a Mila, toda feliz da vida. Não pude logo andar nela, pois tinha ido de carro mas, assim que tive oportunidade, experimentei logo: nomeadamente nos 5 minutinhos que o David levou a ir buscar qualquer coisa a casa, entre o vir do barbeiro e ir 'a gelataria. Claro está que esses 5 minutinhos souberam a pouco mas, já deu para ajustar o selim, o volante... pôr tudo como deve ser.

No regresso da gelataria, ainda comprei óleo, para pôr na corrente (muito embora não precisasse... mariquices de quem tem um brinquedo novo). Em casa, apliquei-o e ainda limpei o pó e a teias 'a Mila. Estava um brinquinho, mesmo pronta a ir passear.
Porque era o dai de folga do David, óbio que passei o dia com ele mas, 'a noite, quando o maridão já dormia o sono dos justos, eu ainda não tinha vontade de dormir. E então, o que é que eu fiz?
Pois claro! 'A meia-noite e meia fui andar de Mila. Foi uma delícia! Estava uma noite impecável, com uma brisa perfeita. As ruas quase vazias, a cidade tranquila... e eu a curtir um belo passeio na minha nova bicicleta.

Está mais que aprovada: confortável, silenciosa, levezinha... espero que possamos ser amigas por muitos e muitos anos :)

6.18.2009

A Bina foi-se


Ontem, roubaram-me a minha querida bicicleta.

Já estava velha, ferrugenta, com o banco rasgado. Chiava por aqui e por ali, as mudanças tinham humores e só de vez em quando, sempre com jeitinho, é que as levava a bom porto mas... gostava muito da minha Bina.

Era a minha companheira e ia com ela para todo o lado. Com sol, com vento, com chuva, com neve, já para não falar que a trouxe de NY ... passámos por isso tudo juntas.

Cuidei-lhe dos 3 furos que teve com muito carinho, há dias pus-lhe uma roda nova...
E agora, puufff... foi-se.
Volta e meia eu bem dizia que estava a precisar de uma nova e que, se me levassem esta, até me faziam um favor... mas era da boca para fora, era eu armada em carapau de corrida.

Agora estou triste e sinto saudadinhas dela quando olho para o lugar na sala, outrora reservado para a Bina e agora, vazio.

Espero que, quem quer que a tenha levado, a trate como deve ser... se não, que a Bina se revolte em plena estrada, fure os dois pneus, encrave todas as mudanças e se estatele logo ali.

Esta é uma das últimas fotos que tirei com ela.
Vejam só como estávams felizes!! Snif, snif!

6.05.2009



Leio o "Publico Online" todos os dias e, quase sempre, se me debruçar na secção de "comentários" que acompanham cada notícias, deparo-me com um chorrilho de disparates.

O pessoal aproveita este espaço para dizer as coisas mais absurdas, para se insultarem, para começarem verdadeiras guerras abertas e parvejarem sobre assuntos que nada têm a ver com a notícia em causa. Veja-se por exemplo alguns dos comentários que acompanham a notícia sober o vôo AF447:

"05.06.2009 - 16h42 - Salazar, Portugal - infelizmente
05.06.2009 - 16h07 - Luís, Almada : Você deve andar a tomar algumas coisas que lhe fazem mal ao raciocínio, é a única explicação que encontro para você além de gozar com a situação associar o assunto à política portuguesa...vê-se mesmo que não tinha familiares ou amigos no voo. Pode ser que lhe toque este azar algum dia...

05.06.2009 - 16h16 - Osga, Parede
Sr.Cisco, 15h28- por acaso acha que os terroristas que lançaram aviões contra as torres em Nova York, tinham alguma razão para o terem feito?acha que não mataram gente inocente?e no comboio em Madrid, e no metro em Londres, também tiveram razão?Essa gente para mim não tem razão sequer de existir, porque ninguém tem legitimidade para matar,seja por que razão fôr.

05.06.2009 - 16h32 - privado, lapa
Sr./Sra Osga, o seu comentário é deveras interessante. "Ninguém tem legitimidade para matar, seja por que razão fôr" mas "Essa gente para mim não tem razão sequer de existir". Onde é que ficamos afinal?

05.06.2009 - 16h32 - privado, lapa
Sr./Sra Osga, o seu comentário é deveras interessante. "Ninguém tem legitimidade para matar, seja por que razão fôr" mas "Essa gente para mim não tem razão sequer de existir". Onde é que ficamos afinal?

05.06.2009 - 16h08 - Luis, Odivelas, PT
isto só prova q o mar está cheio de lixo. Deviamos ter todos vergonha! "
E isto é só uma amostra.

Eu já estou como o outro e só me apetece dizer "vão mas é trabalhar e fazer qualquer coisa de útil pela sociedade"!

Se gastassem essa energia a correr ou a fazer desporto, faziam muito melhor... a vocês e aos outros.

6.03.2009

Gripe suína



O início do surto da gripe suína coincidiu com um período em que tive que viajar bastante. No período de 1 mês estive nos aeroportos de Boston, Nova Iorque, Texas, Madrid , Lisboa e Costa Rica e, em todos os eles, repetiu-se o cenário.

Aqui e ali lá se viam pessoas a usar máscaras. E, aqui e ali, lá se via o mesmo contra-senso. Pessoas a usar a máscara, mas só para tapar a boca... "ai isto não dá jeito nenhum para respirar, deixa-me lá deixar o nariz de fora!!".

Mas será que o pessoal julga que o vírus da gripe é amestrado e tem instruções específicas para só se dissiminar pela via oral?

Santa paciência!
Mais valia andarem sem máscara do que a fazer figuras ridículas!

5.28.2009

A Tese



Se uma tese de Doutoramento dá muito trabalho a escrever, não se pense que submetê-la é o de menos. Eu pensava assim. Aliás, estava convencida que a coisa ia ser sem grandes precalços, uma vez que ia imprimir e enviar nos escritórios da FedEx... supostamente, uma companhia que presta bons serviços.

Enganei-me redondamente!!
Pela amostra que tiveram aqui, imprimir foi o cabo dos trabalhos. Mas também não se ficaram a rir!
Diga-se que, após mais de um mês de reclamações, e idas sistemáticas ao escritório da Fedex, e confrontos com o palerma do funcionário que tentou evitar, a todo o custo, que eu conseguisse falar com o gerente, finalmente falei com o dito e, em menos de 10 minutos, já ele me dizia:

- 500$ de reembolso, parece-lhe razoável?

Claro que disse que sim e que fiquei toda contente... e só me deu vontade de ir esfregar na cara do empregado:

- Com que então não ia conseguir reembolso nenhum??? Toma lá!

Mas, abstive-me que farta da tromba dele já estava eu.
Adiante!

Resolvido o problema da impressão, eis que passámos 'a fase do envio.... que também me deu algumas taquicardias. Como disse no texto anterior, embora com a promessa de ter a tese em Portugal no dia certo, só acreditaria quando visse. A avaliar por tudo o que estava a correr mal, não me admirava nada que esta etapa também tivesse os seus quês... assim foi dito e assim foi feito.

Passou 6a, passou o fim de semana e, na 2a feira, nada de a tese chegar a Portugal (quando esta devia ter chegado na 6a). Nesse mesmo dia recebo uma chamada da FedEx a dizer que a tese estava retida em alfândega por falta de documentação:

- Falta de documentação, minha senhora?? Então eu vou DE PROPOSITO aos escritórios da FedEx expedir a minha tese, para ter a certeza que faziam a coisa como deve ser, e agora diz-me que falta documentação??!?!?! Se falta é porque a incompetente da funcionária que me atendeu não os providenciou!!

Bem, mais uma bela discussão ao telefone e ali se iniciou uma bela história de amor, que meteu as coisas mais mirabulantes, desde funcionários da FedEx a pedir documentos inexistentes a outro a sugerir que falsificasse um documento da Harvard, passando por uns belos "identifique-se por forma a apresentar queixa de si"... coisas que nem lembram ao menino Jesus e que nem dá para explicar aqui. Foi lindo!

Resumindo, a minha tese demorou 3 semanas (sim, leram bem, 3 semanas!!!) a chegar a Portugal e, qual cereja no topo do bolo, quando finalmente a entregam na faculdade, 'a minha orientadora, ainda teve que se pagar 329 Euros... em taxas de alfândega (o belo hotel de 5 estrelas onde a minha tese ficou retida porque os parvalhnões de FedEx não me deram a papelada certa e que depois demoraram mais de 3 semanas até conseguirem perceber o que faltava!!).

Claro está que esta situação se foi juntar 'as muitas que me caracterizam: apresentar queixa e não me calar enquanto não me ouvirem e continuar a espernear até receber alguma coisa de compensação. Desta feita, eu e a secretária do lab puxámos dos galões, usámos o nome do meu chefe e da Universidade de Harvard e, de forma ameaçadora e com cara de poucos amigos, mandámos uma carta para a FedEx. Mas, atenção, não mandámos para a treta das moradas que nos dão no link para "contact us" e muito menos perdemos tempo com reclamações por telefone, pois essas caem sempre em saco roto.

A cartinha foi, nada mais nada menos do que, directinha para o Sr. Frederick W. Smith, fundador e CEO da FedEx. Há que fazer estas coisas como deve ser, hehehe!
Ora, se pensam que foi perder tempo, enganam-se. Há umas semanas atrás recebi uma carta da secretária do Sr. Smith, não só com uma desculpa sobre toda a situação, como também me enviaram um cheque no valor do envio da tese. Infelizmente não me puderam recompensar pelos gastos de alfândega, pois esses são inerentes ao país mas... melhor que nada, não concordam?

Claro está que este atraso teve repercursões e teve que se andar a exercer pressão na faculdade e na reitoria para que a defesa da tese fosse ainda antes do fim de Maio (única altura em que o meu chefe se poderia deslocar a Portugal).

Deu muito trabalho mas, consegui-se!
Defendi a tese no dia 22 de Maio, o meu chefe esteve lá e tudo correu bem mas, pode dizer-se que a coisa foi tirada a ferros. Caramba... é sempre assim. Talvez seja para que se dê mesmo valor 'as coisas... eu então, estou sempre a ser relembrada disso. Esperem só até ouvirem a história do greencard... que vem no próximo post :)

PS - Se tiverem paciência para ler, fica aqui a carta que mandámos 'a FedEx... nunca se sabe, podem vir a precisar. Já sabem, refilar quando se tem razão é o mote!

" March 19, 2009


Mr. Frederick W. Smith, Founder, Chairman, CEO,
And President, FedEx Corporation
FedEx Corporation


Re: FedEx’s ability to follow-through, with integrity and honesty, in delivering
An International Package, which almost cost a graduate-student her
PhD Thesis acceptance


Dear Mr. Smith:

It is not often that I am compelled to write a letter to the CEO of a Corporation questioning the integrity and honesty of a company. However, the treatment given by FedEx Kinko’s and FedEx International to a foreign graduate student, here at Harvard University in the laboratory of Professor Schier, calls for such a drastic measure.

Before writing this letter, I scanned the web and read a brief description of your bio. The fact that you are a former Marine gives me some hope that you will actually sit down and read this letter and that it will not go into the trash can.

On Wednesday, the 25th of February 2009, Ms. Inês Baptista went to the FedEx Kinko’s office (on Mt. Auburn Street, Cambridge, MA) to expedite her thesis to the University of Lisbon, in Portugal. The deadline for it to be in Lisbon was the 27th of February, Friday.

When Ms. Baptista entered Kinko’s, she requested a box and the necessary paper work for shipment. Ms. Baptista filled out the forms given to her so that her thesis would be transported to Lisbon, by FedEx International Priority. Ms. Baptista was given an International airbill form to fill out. No commercial invoice or any other customs forms were given to her, despite the fact she declared a $1500 USD value. She paid $114 USD, was given a copy of the airbill and was told that her thesis would arrive on the deadline date of Friday, February 27, 2009.

On Friday, and accordingly to the online tracking information, the package had not yet been delivered, although it arrived to Lisbon at 8:27 AM that day. The track number was 867282540370.

On Monday, the 2nd of March, Ms. Baptista received a call from Ms. Beverly Williams, from FedEx International, stating that a commercial invoice was missing (the forms the student was not provided with at Kinko’s office), and therefore the package would be retained in customs until a commercial invoice was filled out by Ms. Baptista and faxed to Ms. Williams. Ms. Williams also stated that the telephone number Ms. Baptista had written down for the University was not correct and asked for a fax number for the University.

Ms. Baptista had already called the number of the University on that day and someone answered the telephone. Ms. Williams had not been honest in stating that the telephone number for the University was inaccurate.

After Ms. Williams faxed the commercial invoice to Ms. Baptista, she immediately filled out the form and faxed back the completed form to Ms. Williams.

On Tuesday, the 3rd of March, the thesis still had not been delivered to the University, and Ms. Baptista was in danger of not receiving her PhD on time because of the delay. Quite upset, Ms. Baptista called the FedEx International office and was answered by Mr. Javier Maza. She was told that the thesis was still retained in customs, that it might take up to 15 days to be released and that she would just have to wait.

Totally exasperated, Ms. Baptista filed a complaint with Mr. Maza, who stated she would be contacted within a couple of days. Ms. Baptista still has not been contacted by anyone from FedEx about her complaint up until this day.

On Thursday, the 5th of March, Ms. Baptista contacted FedEx International, because the package still had not been delivered to the University. Again, she spoke with Miss Beverly Williams, who mentioned a commercial invoice was missing as well as a fax number. Ms. Baptista told Ms. Williams she requested that same information on Monday and that it had been sent on that exact same day to Ms. Williams - it had been several days since faxing of the commercial invoice and no one from FedEx had followed-up.

Surprisingly, the paperwork that had been faxed appears. However, Ms. Baptista is told it is the wrong documentation. Ms. Williams stated an invoice with the header of Harvard University is required.

As an aside, I have to admit that in my twenty-five years of working in the university system, I have never been asked for a International commercial invoice with a university logo - only the name and address have ever been requested - because all FedEx forms are standardized.

Ms. Williams further stated Ms. Baptista did not fill out the form properly because she did not describe the contents of the box. This statement by Ms. Williams was false. I saw the form and Ms. Baptista had stated that the box contained 12 books and 12 CDs.

At that point, Ms. Williams put Ms. Baptista on hold and within a few moments a Mr. Gonçalo Sousa, from Portugal was on the telephone line. Mr. Sousa, a man who appeared to be quite compassionate in his manner, explained that he had not received the commercial invoice from FedEx International, and that he needed a form with the Harvard University logo on it before the package would be released.

Out of desperation, Ms. Baptista called FedEx International, was answered by Mr. Jamal Abbas, and asked about the form. She was told that it was “pretty easy” to make: “ you just have to cut the header of the University letter and glue it to our commercial invoice, make a copy and fax it to us”.

After following Mr. Abbas’ instructions and faxing the form to Mr. Sousa, in Portugal, Ms. Baptista received an email stating that the document is not accepted by customs. Ms. Baptista immediately called Mr. Sousa. Mr. Sousa asked where did Ms. Baptista receive such information and is amazed to find such information came from FedEx international, in the USA.

He asked if Ms. Baptista had documents justifying the $1500 USD value declared. Ms. Baptista put together the receipts showing the cost of reproducing the thesis and faxed them to Mr. Sousa on Monday, the 9th of March.

On Friday, the 13th of March, when the package still had not been delivered to the university, she called Mr. Sousa and was told that she would have to wait to see if customs would approve the receipts. On that same day, she received an email from Mr. Sousa saying customs did not understand one of the parcels, and asked her to justify it. She sent an email whit the justification, and on Tuesday, the 17th of March, the package was delivered to the university of Lisbon. However, customs made the professor to whom the package was delivered pay 329.88 Euros in custom’s fees.

In closing, I realize that this has been a rather lengthy letter and would normally keep a business letter short, clear, and concise. But, this is no ordinary business letter. An injustice has been done to this graduate student that might have kept her from graduating from the university of Lisbon on time, possible job prospects, along with several hundred dollars in unnecessary fees because employees in your company were not willing to admit to mistakes and take responsibility for their actions.

I will be including documentation of all of the receipts and forms supporting all my claims. I can site several respected university professors and other individuals who will attest to my veracity.

Why am I writing this letter and what am I asking for are two things I want to now address.

I want a public apology, in the form of a letter, to Ms. Baptista for the treatment she has been given by Kinko’s - as your representative, and all of the people with whom she has had contact these past few weeks. And, I believe that Ms. Baptista should at least be reimbursed the custom’s fees (in Euros) paid out by the university professor at the university of Lisbon.

Sincerely,

Laboratory Administrator "

5.22.2009

Doutora

Já há quase 2 meses que aqui não escrevo, e muita, muita coisa se passou entretanto.

Contudo, uma das mais importantes ocorreu hoje: defendi a minha tese de doutoramento e fui aprovada, com distinção e louvor, por unânimidade.



Já sou Doutora!!!!!!! Yupiii!!!!! :)

PS - Prometo actualizar o estaminé nos próximos dias... agora já posso respirar.

4.01.2009

Super... nem sei


Este país tem coisas que não lembram a ninguém.

No que toca a concursos há-os para todos os gostos, desde ver quem perde mais peso, mudar a aparência de uma pessoa através de operações plásticas e sei lá que mais outras intervenções, trocar de esposas e ver como cada casal se mata durante uma semana, arranjar um(a) namorado(a) para um(a) milionário(a) que, coitadinho(a), tem tanto dinehiro e é tão giro(a) mas não consegue arranjar isso sozinho(a), pôr 25 gajas a disputar um gajo que, de repente, é o homem mais apetecido deste mundo e do outro e que no fim tem que pedir uma em casamento... como disse, há de tudo.

Aposto que há muitos mais mas este, sem dúvida, que foi o que me deixou mais espantadinha nos últimos tempos: America's Psychic Challenge!!

Tchanam!!! Ou sejam, pegam em 16 gatos pingados, cada um com uma panca maior que o outro e todos tendo em comum a capacidade (so they claim) sobrenatural de percepcionar coisas que o comum mortal não consegue. Autodenominam-se de espíritas, mediuns, receptores... já estão a ver a coisa. Depois, sujeitam-nos a provas e vêem qual deles conseguiu melhores resultados.

As provas passam por adivinhar em que carro está um pessoa metida na mala de entre 30 carros, associar 5 noivas com os seus respectivos noivos ou descrever o crime que se passou num determinado local para onde os levam. E depois e' um fartote de riso!

Cada um manda os seus bitates. No que eu me rio mais é quando eles tentam descrever o crime... há pessoal realmente com muita imaginação mas, daí até terem poderes de adivinhação, vai um grande caminho. Claro que há aqueles que de facto dizem bastantes coisas acertadas mas, a maioria... meu deus!!! Aquilo de certeza que é um programa de comédia. Mais de metade do desempenho dos concorrentes é baseado na fantática teroira de "deixa-me lá atirar o barro 'a parede a ver se pega". E o mais giro é que quando erram e ouvem a resposta certa dizem sempre: ah pois, eu estava a receber essa informação mas pensei que fosse interferência de outros espíritos, ou uma coisa qualquer do género.

Tanto é que o melhor ainda está para vir. Nos intervalos, sujeitam o próprio espectador a um teste, para ver se nós também temos poderes psíquicos. E então, por exemplo, mostram uma senhora e três carros e perguntam-nos qual é o carro dela... pelos vistos, quando acertamos, significa que temos poderes. Não é o máximo!?

Já estou mesmo a ver quando este programa chegar a Portugal. E' a Maya e a Simara a mandarem bitates a ver quem acerta mais! Vai ser lindo!

A culpa não foi minha


Quando ha uns fins de semana atrás fomos esquiar e entrámos na loja para alugar skis, a J. saiu disparada atrás dele.

- Olha só, tão giro!!!

O casaco era de facto muito giro. Ela gostou do laranja, eu gostei do azul, mas ambas concordámos que era "muita" giro. Olhámos para a etiqueta, vimos que estava em promoção. Mais um ponto a favor do dito. A coisa estava a tornar-se tentadora mas, assim que o meu diabinho tentou aparecer para dizer "compra! compra!", logo o anjinho apareceu para dizer "não, agora não precisas de uma casaco!".

E fomos embora, e voltámos a namorar o casaco quando devolvemos os skis, mas a coisa ficou por ali.

A semana passada, quando voltei 'aquela montanha, entrámos na mesma loja para alugar o equipamento. Mal entro, lá está o casaco escarrapachado a chamar por mim.
Não resisti a mostrá-lo ao David, que achou também que a peça era muito gira, mas mais uma vez ganhou o anjinho e voltei a pendurar o casaco no cabide.

No dia seguinte, na altura da devolução dos skis, a mesma história: lá estava o casaquinho a olhar para mim, de bracinhos abertos como quem diz: "abraça-me!! leva-me!!"

Exclamei para o ar: oh pah, é mesmo giro!
Ao que o David respondeu: porque é que não experimentas??
Pronto, aí o diabinho ficou muito mais forte que o anjinho e em menos de nada já me estava admirar dentro do casaco azul. Ainda por cima, estava ainda mais barato do que da outra vez.
Fica-te mesmo bem, continuava o David, porque não o levas?
O anjinho ainda esperneou mais um pouco e eu respondi: não, não preciso neste momento.
Mas, perante mais uma insistência do David, lá vim eu com o casaco... finalmente!

Mas, que fique bem claro, a culpa não foi minha: foi do casaco e do David :)