8.21.2006

Coisas....

Como devem ter reparado (ou não, porque poucos devem ser aqueles que ligam puto a este blog :P) estive ausente por quase 3 semanas. Foram tempos ambíguos!
Por um lado foi excelente, porque fui para a Califórnia, nomeadamente para uma conferência (que adorei) em Santa Cruz, viagem ‘a qual se juntaram duas mini-estadias em São Francisco com a minha mui querida Mana Si e os amigos dela (alguns que já conhecia e que outros vim a conhecer), uma ida para Long Beach onde eu e mais 5 mafarricos (amigos) ficámos num apartamento de sonho, com uma casa de banho maior que o meu quarto, piscina, jacuzzi, e a praia logo ali, muitos passeios por Santa Mónica, passagem por Malibu, Venice Beach, Sunset Boulevard, as montanhas de Hollywood ao fundo, LA logo ali enquanto acelerávamos com os cabelos ao vento no descapotável de K. e T., e a cereja no topo do bolo e razão desta ida para aquelas bandas, o casamento de dois amigos queridos que, segundo a tradição Judia, me transportaram para cenas de filmes do Emir Kusturica, tipo Gato Preto Gato Branco, e me permitiram participar do casório mais animado e divertido da história. Saltar, pinchar e rodopiar ao som de melodias chapadinhas 'as composições de Goran Bregociv foi efusivamente hilariante e contagiante! Mazel Tov (ou Molotof, como alguns de nós já gritavam!).

Regressar custou! Custou deixar o sol, a praia, trabalhar para o bronze como principal actividade do dia e, especialmente, cair directinha em Boston, com um jet-lag pesado e uma constipação valente, logo numa 2a feira (é no que dá laurear tanto a pevide). A juntar ‘a festa, tive que dar lab-meeting na 6a feira e tive reunião com o chefe no sábado. Nada mais nada menos do que 4 dias para recuperar de tudo, cair na real, fazer alguma coisa de jeito no lab e tratar de me sair bem ‘a frente da malta toda com quem trabalho e do chefe. A bem ou a mal (mais bem que mal, felizmente) lá me safei e, no fim do dia de Sábado, já pude respirar um pouco. O fim de semana passou num ápice e hoje já era 2a feira de novo.
“Vamos lá a ver se não é uma daquelas 2a feiras!”, pensei ao acordar. E não foi mesmo. O dia foi Maravilhoso!
Esteve enevoado, uma brisa algo fresca e, em algumas árvores, as folhas amareladas já anunciam o Outono para breve. E que há de tão maravilhoso acerca disso? Nada! Mas o que aconteceu, ultrapassou isso tudo e fez deste dia um dos mais felizes dos últimos quase 2 meses.
Quando já perdia as esperanças de ver a minha Primavera regressar antes do fim de Outubro, eis que tudo se alterou, houve reviravoltas, ventos de direcções desconhecidas, mudaram-se marés, rios correram ao contrário, planetas alteraram as sua rota e, e, e….. o David vai regressar 1 mês e 5 dias mais cedo (notem a precisão)!!!!
Zzzzzwwwweeeeeeeeee!!!! Rejubilei! Rejubilámos!
A ideia de voltar a ser Primavera em menos de um mês afastou as nuvens e fez o Sol brilhar de novo.

E estou assim! Parvinha!

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Folhas de Outono, preparem-se!!

Geoloc de Novo

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Pronto, já pus a traquitana do Geoloc a bombar de novo.
Mas agora, o mundo está tão vaziozinho, tão sem pontinhos nenhuns... humpf!!!

8.19.2006

Música: Muitos Pedaços

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Enquanto escutava a banda sonora desse filme lindíssimo e sensual que é "In the Mood for Love", apercebi-me que uma das faixas era a ideal para ilustra o que disse há uns tempos atrás acerca de decompôr qualquer música enquanto a escuto.
Este é um excelente exemplo de como a banda sonora num filme, quando magnífica, se torna tão significante... pois por entre o diálogo dos intrumentos de corda, adivinham-se o desejo, a sexualidade e contenção das personagens.

Vejam o que eu ouço:


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O pizzicato lânguido do violoncelo rompe o silêncio, delicadamente. Cria um espaço, o ideal para a entrada das outras duas vozes. Só aquelas duas, Ele e Ela. Enquanto a primeira voz marca o baixo, mantém o espaço, a cadência, o sincopado dos passos, as luzes ténues, as outras duas vozes, contralto e soprano, Ele e Ela, entrelaçam-se, mantendo-se ao mesmo tempo elas próprias. E' possível seguir cada uma das linhas melódicas, Ele e Ela, naquele espaço, acompanhadas pelo baixo. Dançam, ameaçando fundir-se a qualquer momento, adivinha-se o subir de escadas sensual Dela, o olhar fixo Dele ... mas sempre Ele e Ela, nunca Eles. Do início ao fim, as 3 vozes estão lá.
Sempre que escuto esta faixa, entretenho-me a entoar cada uma das vozes... e vejo o filme passar-me 'a frente, do ponto de vista de cada uma das personagens.

Vêem o que eu ouço?

8.18.2006

As Meninas da Horta

Lembram-se?

Já há feijões:

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Girassóis:

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Até "cinoiritas":
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Sarita, está visto que nos saímos bem ;)

Geoloc

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Mas será que alguém me pode explicar que raio aconteceu 'a traquitana do Geoloc?
Uma pessoa não se pode ausentar por uns dias e pimba... é isto? Desaparece!!
Tem algum jeito?
Eu, que andei a coleccionar pontinhos vermelhos no mapa-mundi, que até pedi 'a Sarita para ver o meu Blog na Austrália e ao Edgar para abrir a página do Casaco no Japão e agora... puff, foi-se tudo ao ar!!
Assim não brinco!

7.31.2006

4 Estações

Como já referi antes, o tempo aqui em Boston é do mais inconstante que há.
Não fosse isso já algo suficiente para atormentar quaisquer planos que se queiram fazer com mais de um dia de antecedência, as maiores amplitudes metereológicas têm ocorrido ultimamente 'a 6a feira, para começar o fim-de-semana em beleza.
Se não veja-se: há 2 semanas, fazia-se sentir um calor abafado e tropical. Assim, "de repentemente", sem mais nem para quê, sem sequer dar tempo para uma pessoa se abrigar, eis que cai uma chuvada digna de episódios bíblicos.
Como se pode constatar, o pessoal resigna-se. Quem estava a jogar volley no court do instituto, por lá ficou, aproveitando a piscina natural que se formou para patinhar:



E a coisa foi tão rápida que, no meu computador, a previsão metereológica era ainda nada mais nada menos do que:

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Na 6a feira passada, para não fugir 'a regra, lá vai o céu de desabar de novo, mas desta vez em proporções ainda mais megalómanas. Aposto que nem o Noé se safava!
Eu, por sorte, combinei com um amigo de o esperar na Crate and Barrel, loja que possui um alpendre suficientemente grande para me proteger da chuva, pois não havia guarda-chuva que resistisse 'a intempérie que se fez sentir.
E enquanto esperava, eis que me deparo com o fenómeno da Critical Mass. Ao que parece, todas as 6as feiras há uma concentração de bicicletas na Mass Av. (daí o nome) e não há mesmo nada que os impeça. Vejam só como estavam entusiasmados com a trovoada, os relâmpagos e a água:



Confesso que até eu estava entusiasmada. Aquela tempestade foi mesmo um espectáculo e a coisa é sempre meio que surreal, pois em 20 minutos tudo amainou, deixou de chover, continuou bastante calor e tivemos um pôr-do-sol belíssimo. Se não acreditam, olhem só como esteve o Sábado, que passei na praia: sol, mar, sol, mar!!!!

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7.30.2006

Netflix

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Este é dos métodos para alugar DVDs mais extraordinário e eficiente de que tenho conhecimento.

Uma pessoa só tem que se cadastrar online para começar a receber pelo correio os DVDs escolhidos e que compõem a lista de filmes por nós considerados "a ver" (lista essa também efectuada online).

Os DVDs vêm num envelope que já possui um selo para que o disco possa ser devolvido, sem quaisquer gastos de envio, e o número de filmes que uma pessoa poderá ver depende apenas da rapidez com que os visiona e devolve.

Para além de o sistema ser já bastante conveniente por não incluir quaisquer deslocações e tudo poder ser feito confortavelmente em casa, sentadinhos ao computador, há ainda a adicionar 'a lista de vantagens o facto de se pagar um preço irrisório quando comparado com idas a cinema (eu pago 18.89$ por mês para ter sempre 3 filmes em casa), a selecção de filmes ser impressionantemente vasta, completa e actualizada e, caso mesmo assim não encontremos o filme desejado, doermos pô-lo numa lista de espera e eles comprarem o filme.

O site da Netflix permite-nos ainda classificar os filmes e definir as nossas preferências para que recebamos sugestões que se baseiam nas classificações de toda a comunidade que usa o sistema e que se enquadram com o nosso perfil.

Pese embora toda esta ajuda na escolha dos filmes, escrevo este post essencialmente para pedir que me aconselhem um filme e me digam, sucintamente, porque o seleccionaram.
Achei que seria uma forma curiosa de sondar o perfil cinematográfico do pessoal que de vez enquando gosta de ver como está o Casaco Amarelo!

Que dizem, ajudam-me? :)

PS - Ao ver-me colocar um dos envelopes vermelhos no correio e uma vez elucidado quanto ao método, o David riu-se logo: "No Brasil isso não funcionaria! No momento em que o DVD entrasse na caixa do correio, estaria a ser roubado no segundo seguinte".

Algo que me ocorreu de facto. Penso que em Portugal a coisa também não seria tão linear mas neste país, muito embora os muitos aspectos de que não gosto, tenho que concordar que reina uma noção de civismo e bom senso entre as pessoas que permite que se adoptem sistemas baseados na honestidade e boa fé dos usuários, como este.

Jogos Gay

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"Meia centena de atletas portugueses nos 1º. jogos mundiais “gay” no Canadá

Meia centena de atletas portugueses participam na primeira edição dos jogos mundiais "gay", Outgames Montreal 2006, que decorrem a partir de hoje até 5 de Agosto naquela cidade canadiana, revelou à Lusa o porta-voz da organização."

Não vos parece que, em vez de tentar diluir as diferenças e os preconceitos, fazendo de todos nós iguais, actividades como esta promovem mais essas mesmas diferenças e favorecem a discriminação?

Uma Dentada na Rotina

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Todos os dias lá pedalo eu ao fim do dia pela Cambridge Street, em direcção a casa e, todos os dias, lá vejo as mesmas coisas:

- alguma animação em Inman Square, com o Punjabidaba (restaurante Indiano) sempre cheio e os bares circundantes com gente sempre fora e dentro para irem fumar;
- o serial killer cá do sítio, uma figura estranha e sinistra, alta, esguia e elegante, sempre vestida de preto, com luvas de couro pretas (não obstante o calor) e com um guarda-chuva preto enorme aberto sobre a sua cabeça, que se encontra sempre no passeio, com um qualquer placard nas mãos, a interpelar os transeuntes. O nariz aquilino, os lábios finos e o olhos pretos inexpressivos não convencem quem o vê. Nunca ninguém lhe liga mas ele continua alegre e pontualmente a ser uma referência do local;
- os 3 velhotes bêbados que se juntam perto dos correios, sempre a cair que nem um cacho, tartamudeando o "can you spare some change" de forma tão destrambelhada que 'as vezes até aos cães perguntam. Mas riem e riem entre eles!
- as paragens de autocarro sempre com gente 'a espera, 'a espera do autocarro com o qual nunca me cruzo, nunca vejo e, deduzo, raramente ou nunca apareça;
- as vaquinhas de Madeira em frente 'a Churrascaria Brasileira "Midwest Grill", nas quais quase sempre existe uma criança a querer empoleirar-se e uma mãe a dizer que não;
- o largo onde as velhotas se reunem, todas sentadinhas 'a sombra, por baixo das árvores frondosas. Mexem-se devagarinho, falam devagarinho e riem-se devagarinho, porque já são muito velhinhas, mas, devagarinho, lá se vão entretendo umas com as outras;
- a Geladaria Christina's, de gelados caseiros, sempre a abarrotar e com os casalinhos de namorados cá fora a saborearem a especialidade do dia;
- as bolinhas de sabão que flutuam pelo ar junto 'a Prospect Street, e que chamam a atenção para o novo bar na esquina que vai abrir "dentro em breve"... já há alguns meses;
- a música e barulho que sai dos vários Pub's, que agora têm todas as paredes amovíveis retiradas e formam um género de esplanada interna;
- o desfile de bandeiras Portuguesas e Brasileiras ao longo das áreas on os orginais destes países vivem, sempre intercaladas com algumas bandeiras Americanas;
- os vários carros que passam de janelas escancaradas, com a música em altos berros devido ao rádio de goelas abertas, que faz estremecer tudo por onde passam com os baixos do Hip-Hop ou R&B. E, lá dentro, o condutor de ar feroz e convencidíssimo de que é muito cool, conduz, impavidamente, como se nada se passasse, recostado no banco exageradamente reclinado para trás e que o faz parece um aleijadinho, com o pescoço em grande esforço para que consiga ver a estrada... mas, há que manter o estilo!

E assim se passam os fins do dia em Cambridge Street... 'a excepção daquele dia, em que grande burburinho e azáfama se desenrolava 'a volta de algo que atravessava a rua, abrandando o tráfego e parando as pessoas na calçada, que se viravam para trás para dar uma olhada.

Nada mais nada menos do que um tubarão, era transportado pelos que penso terem sido os autores da pescaria, sobre uma plataforma com rodas, que o exibiam orgulhosamente.
E eram "Ah!" e "Oh!" que se ouviam pelo ar, quebrando-se a rotina desta pacata rua.

7.28.2006

Hoje é...

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... um dia Muito Especial!

7.26.2006

Me and You and Everyone We Know

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Acabei de ver um filme LINDO! Excelente!

"- I just wish I had met her 50 years sooner.
- Yeah.
- But then maybe I needed 70 years of life to be ready for a woman like Ellen. "


Tudo a seu tempo, naturalmente a seu tempo!

7.24.2006

Esquecimento Perfeito

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David, a minha Primavera, foi para o Brasil há coisa de duas semanas e alguns dias, onde ficará até Setembro.

Uma estada longa, distância que se torna ainda mais acentuada pela Saudade que ficou. Sinto-lhe falta do riso, do olhar, da mão que resvala distraidamente pela minha cintura, dos pequenos gestos que ninguém vê e tanto me dizem, da maturidade inesperada.

A cama ficou estranhamente maior e vazia. Muito mais do alguma vez foi.
O pequeno-almoço voltou a ser apressado e sem piada.
Não consigo evitar olhar para trás cada vez que me cruzo com um carro igual ao dele, na esperança tola de o vislumbrar.

Sendo o olfacto algo tão precioso para mim, poderia dizer que sinto falta do seu cheiro. E sinto, mas um pouquinho menos do que deveria sentir. Na confusão que foi a partida, malas para aqui, roupas para ali, onde vão os sapatos?, acho que não há espaço que chegue!, tens o passaporte?, algo ficou para trás. Vim a descobrir no fim desse dia, a tampa do perfume dele sobre a minha cómoda.

E rejubilei!

Não é o mesmo que sentir o cheiro dele quando o beijo...
Não é o mesmo que sentir o cheiro dele quando mergulho no seu pescoço e sinto os cabelos macios no rosto...
Não é o mesmo que sentir o cheiro dele quando me abraça...
Não é o mesmo que sentir o cheiro dele quando adormeço sobre o peito dele...

Mas... é um pouquinho disso tudo.
Assim, por estes dias, o que é apenas metal, tornou-se o meu pedacinho de céu.

Aproximo-o do nariz, inspiro e tudo é bom por um segundo. Boas recordações, sorrisos, calor.

Cheira a Primavera!

7.23.2006

Dia dos Estrangeirados

E é o 10 de Julho a dar frutos de novo.... coisas da Blogosfera.

Neste meio, é com facilidade que "conhecemos" muita gente de quem nem a côr dos olhos sabemos mas que, pela força do hábito e da presença constante com comentários aqui e ali nos posts dos respectivos blogs, se tornam habitués do nosso dia-a-dia.

Por isso, escrevi neste fim de semana so Tripeiro de Roterdão o seguinte:

" Olá C.,

A propósito do post que fiz acerca do 10 de Julho, ocorreu-me também que foi por essa altura, no ano passado, que te "conheci" e acho sempre curioso e interessante como as pessoas, mesmo sem se conhecerem, 'as vezes se conseguem manter mais em contacto do que com outras com quem tivemos vivências mais próximas.
Também por essa razão, passarei a celebrar esse dia.
Beijinhos e tudo de bom,

Nês"

ao qual recebi uma resposta interessante.
Sugeriu que o 10 de Julho se tornasse o dia dos estrangeirados, coisa que até já deu azo a post no blog dele.

Concordei e, a partir de agora, será sem dúvida uma celebração a manter :)

PS - Tripeiro, não é toda a gente que se pdoe gabar de criar um dia, ah! Ganda pintarola!

7.21.2006

Good Old America

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Ontem ‘a noite, ouvia eu descansadinha a minha música, escrevia eu tranquila no meu blog quando vai de começar um chinfrim enorme na rua.

No início não liguei mas, uma vez que o alarido se vinha a avolumar e a prolongar, a determinada altura fui ver o que se passava.

Bem perto da minha casa, no meio da rua, encontravam-se 4 mafarricos: 2 rapazes e 2 raparigas. Um dos casais assistia de braços cruzados e conformadamente ao que parecia ser uma discussão interminável entre o outro casal.

Ela, esperneava, gritava, chorava, berrava, balia, mugia, gania e sei lá que mais. Ele, ouvia calado todos os desaforos que ela lhe dizia e volta e meia lá mandava um ou outro berro que, juntamente ‘a histeria dela, fazia um par digno de um qualquer nome tipo “Duo Ele e Ela”.

Não me pareceu que tivessem muita pressa em resolver o assunto (especialmente ela que não se calava) uma vez que a discussão já durava há bem mais de meia hora antes que me tivesse decidido a ir espreitar ‘a janela e mais meia hora durou até terminar.

Note-se que já passava da 1 da manhã e, no meio do silêncio que reina na parvalheira de Somerville, os gritos dela soavam quase que lancinantes.

No início fiquei preocupada se seria alguma cena de “violência doméstica” fora de casa (se é que isso é possível) mas depois, já estava tão farta de ouvir a gaja guinchar "I hate you! I love you! Fuck you! Leave me alone! Come back!", que cheguei a desejar que o gajo lhe mandasse um par de tabefes.

- Decide-te minha!!!

Espreitando pela janela admirava-me como é que com um escarcéu daqueles a polícia ainda não tinha aparecido. Para festas os vizinhos, mesmo que não se ouça barulho nenhum cá fora, estão sempre mais que dispostos a chamar a bófia mas, neste caso...:

- Ah pois é, devem estar a gostar do espectáculo e ninguém se queixa!
Caramelos!! Humpf!

Enquanto mal dizia a minha vida (pois se aquilo continuasse não conseguiria por certo dormir) eis que aparece um carro da polícia.

- Finalmente! Pronto, é agora que se acaba a peixeirada!

Qual quê? O carro parou, perguntou se havia algum problema (dahhh!), eles disseram que não (daaaaaaaahhhhh!) o carro foi embora e vai de começar o forrobodó outra vez:

- I hate you! I love you! Fuck you! Leave me alone! Come back!
(e os outros panhonhas de braços cruzados ‘a espera que eles se decidissem)

- Oh bai-m'á benda!!!
Bonito! Vou ter que aturar com estes gajos a noite inteira. Está visto que chamar a bófia não adianta... Olh’a minha vida!!! Só me faltava esta.

Já a deitar contas ‘a vida e a pensar seriamente em atirar-lhes com um balde de água para cima (isto sou eu armada em má), vejo de repente o que parecia ser um OVNI a aterrar lá fora, deixando entrar pelas frestas das persianas raios de luz azul, branco e vermelha.

Pois é, bem que poderia ser uma bela introdução para um encontro do terceiro grau (só faltava o orgão de teclas luminosas a fazer a successão de 5 notas, vide filme de Spielberg), até porque a miúda se calou de imediato, como as actrizes, que ficam mudinhas e de boca a abrir e a fechar sem proferir som, qual peixe for a de água... mas não.

Era, nada mais nada menos, do que o batalhão de intervenção, o esquadrão de choque, a força bruta... o Fungagá Americano. Eis que, em menos de nada, estão neste cú de Judas:

Não UM!!!!
Não DOIS!!!

mas sim

TRES automóveis!!!!!! (juro que agora tive uma visão do Carlos Cruz e da Bota Botilde).

Desculpem, três veículos da polícia, de onde saem os bufos gordalhudos, sacudindo as migalhas de donuts do colo, engolindo o último trago de café e apontando ameaçadoramente o foco da lanterna para a cara dos suspeitos (os que berravam e os que assistiam).

Zás trás pás!!!
Pim-pim-pim!!!
Em menos de nada seguiam as gajas para um lado (enquanto que a dama das camélias chorava baba e ranho), os gajos para o outro, os carros desaparecem e voltava o silêncio.

Afinal, a polícia sempre faz algo... tem é que ser, como tudo o que é Americanado, em grande!

Podemos sempre contar com eles: grandes, feios e maus!

7.20.2006

Volta depressa!

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Tenho Saudade de acordar de manhã e ficar a olhar-te...

7.19.2006

Aos poucos vai....

Este fim de semana fui pela segunda vez ‘aquela que foi a descoberta mais Fantástica, Maravilhosa, Inesperada e Transcendente que tive desde que me mudei para Boston.

Nada mais nada menos do que a praia de Singing Beach, em Manchester by the Sea, um pequeno vilarejo piscatório a cerca de 45 minutos de comboio de distância, para norte.

Em NY as praias eram execráveis, para além de terem acesso complicado e dispendioso. No entanto, por ser o que se arranjava, eu até me resignei e tinha assumido que por estas bandas nunca encontraria nada melhorzito, uma vez que vim ainda para mais perto do Canadá. Engano!!!

E isto serve já de introdução para o meu ar de felicidade:

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Se no Inverno estar perto do Canadá significa de facto muito, mas muito, muito mais frio, o mesmo não se verificou nas águas desta praia. A temperatura é excelente, bastante semelhante ‘aquela que me habituei em Setúbal e em Santo André (essa sim, a MELHOR praia do mundo.... aaaaaaaiiiii, que SAUDADE gigantesca). Para além disso, não existem rochas, o areal é extenso e branco (sim, leram bem, areia branquinha!!) e a água é transparente, permitindo-nos ver sempre o areal sobre o qual nadamos ou pousamos os pés. No primeiro fim de semana tivemos até ondas, perante as quais tínhamos que mergulhar e me deliciei a observar a espuma a passar-me por cima, enquanto os raios de sol escoavam pelo azul.

A praia forma uma espécie de enseada, limitada pelo mar de um lado e por vegetação do outro, quase parecendo, como disse a Sarita quando lhe relatei entusiasmada sobre Singing Beach, a praia da Comporta.

Juro que quando vi a praia, nem queria acreditar. Ainda por cima, da primeira vez que lá fomos, estava quase vazia, devido ‘a final do Mundial de Futebol, para a qual eu e as minhas amigas já nos estávamos a borrifar (gajas!).
E foi tão bom, mas tão bom, que eu só dizia:

- Estou tããããããããããoooo feliz!!!
Até parece que estou de férias em Portugal!!!

E emocionava-me!!

E então, surgiu a frase mais impensável e mafarriquenta ‘a face desta Terra, quase que blasfémica na minha boca, mas que proferi genuína e honestamente:

- Fogo!!! Ainda bem que me mudei para cá!!! Isto é tão melhor que NY!!!

E digam lá que não é mais que merecida esta frase??
E’ só ver o meu ar de satisfação!!

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Se tiver Mar, Areia, Sol e Sal nos labios, pouco mais me falta para estar Feliz!

7.13.2006

Fado Moderno

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Esta manhã:

Album: Mariza - Fado Cruvo
Música: 1 - Silêncio da Guitarra
Acção: Play
Reação: Silêncio
Passados 30 segundos: Silêncio
Pensamento na cabeça da Inês: Deve ser uma guitarra sem cordas

7.12.2006

Estás 'a vontade...

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... mas não estás 'a vontadinha, meu!

Estou eu no Domingo a preparar-me para ir para a praia, já de bikini e com a kanga, protector solar e sei la que mais a postos para serem levados, e cadê da minha mochila-verde-tao-prática-tão-fixe?

Nada de a encontrar.

Procurei em gavetas, armários, debaixo da cama, atrás da porta, em cima, em baixo, ao lado, fora, dentro e... nada. Então, de repente, ocorreu-me:

- Caramelo!!!!!
Rouba-me o computador, a maquineta fotográfica e mais tudo o que era aparelho electrónico, faz-me passar as férias no Brasil sem tirar qualquer "pelingrafia" e eu, mesmo assim, abstive-me de apresentar uma declaração ao Juíz sobre o quanto toda a situação me prejudicou, pois problemas já o homem devia ter de sobra. E agora e' que vejo que também me levou a mochila?!?!?!
Não há pachorra!!!!

Agora e' que foi a gota de água!
Nuuuuuuunca se rouba a mala a uma gaja! Nuuuuuuuuunca!
Foi a gota de água. Já lá p'ra dentro, vá!!

Pchiu!! Caladinho, ah!
Vá, andor!

7.10.2006

Já dizia o Poeta...

"Tudo vale a pena, se a Alma não é pequena!"
Fernando Pessoa

Há precisamente um ano, conheci M. nesta noite.

Interessámo-nos um pelo outro, demo-nos bem e o mês que se seguiu foi preenchido por bons momentos, sorrisos, fins-de-semana passados entre NY e Boston, aventuras e encontros que pintalgaram o Casaco Amarelo ao longo dos meses de Julho e Agosto de posts românticos, eufóricos, sensuais, eróticos, divertidos, coloridos… como se espera de uma relação do género: colorida!

Surpreendentemente, o que deveria ter durado um só mês prolongou-se por mais uns quantos, culminando na minha ida ao Rio de Janeiro em Dezembro passado, para um visita relâmpago de 5 dias.

Tudo foi bom. Muito bom!
E tudo acabou. Em exacta e precisamente Nada.
E hoje, para mim, M. é somente um Triste. E é pena!

Mas, valeu a pena?
Valeu!

Valeu porque, directa ou indirectamente, M. acabou por estabelecer a ligação entre mim e as muitas pessoas extraordinárias que conheci. E o Rio é agora ainda mais bonito e Amo-o ainda mais. Pois para além da mágica intrínseca ‘a Cidade Maravilhosa, Ela possui agora daquele calor que só o estar entre pessoas que nos querem bem tráz.

Não haverão palavras suficientes para agradecer o carinho e simpatia com que fui recebida por toda a família de M. Da mesma forma, outras pessoas se converteram em lentes e prismas que trago no olhar e me fazem ver a vida de forma mais bonita: Guerreira, Betinha, Maria Paula, Fêfê, Brinco e as suas filhotas adoráveis, Isaac, Mariazinha, Dalton, Vidal.

E se nesta mão cheia de bem querer não há ordem nem preferência, pois todos foram bastiões de um sorriso de acolhimento indescritível, duas pessoas têm direito a lugar de destaque.

São eles a Dani e o Edu, sobre quem já várias vezes ouviram falar e de quem ouvirão, sem qualquer sombra de dúvida, outras tantas, pois mais que Amigos, são Família.

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Se nesta foto, em que as menos de 24h que nos separavam das tradicionais apresentações pareciam ser já anos e anos durante os quais sempre nos tivessemos conhecido e vivido em proximidade, que dizer agora, que fui recebida no Rio assim? (e este foi só o primeiro dia, imaginem!!).

Inenarrável será então falar sobre o que se seguiu, com a ida destes meus dois Amigos até Portugal, onde foram adoptados pelos meus Pais, Irmã, Cunhado e Amigos, tornando-se ainda mais família (adopção essa que podem percepcionar um pouco no Buteco do Edu, na “Saga em Portugal”, saga essa que se iniciou em Junho e promete não ter fim - isto quer dizer que têm que ler o Buteco de cima para baixo, ok?).

Por tudo isto, valeu a pena!
E muito, muito mesmo!!!

Assim, a todos vós, e em especial ao Edu e ‘a Dani, ergo o meu copo de sumo de laranja (ainda não me converti ao álcool :)) e celebro o dia 10 de Julho.

Hoje, agora e sempre, pois sem ele não vos teria na minha vida.

Viv'ó 10 de Julho!!!

‘A vossa! (Dani, esta expressão segue especialmente para ti)

7.07.2006

Confesso

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Ainda não digeri lá muito bem o facto de os Portugueses já não estarem a competir na final.

Agora mesmo, organizando mentalmente o dia de amanhã, dei por mim a pensar: "quando vai ser o próximo jogo?", para logo depois me bater que este será para disputar o 3º lugar (mas quem é que quer saber disso?).

E foi tão bom acompanhar a progressão da Selecção!!
Embora seja Portista até 'a Alma (O meu coração só tem uma côr: Azul e Branco, como dizia o Fantástico João Pinto, carago), pouco ou nada ligo ao futebol, excepto saber se a minha equipa ganhou ou perdeu e em que lugar da tabela se encontra (gajas!).

No entanto, no que toca a competições Europeias/Mundiais, dá-me uma coisinha e quase morro de ataquinho no meio dos jogos. Veja-se nesta foto, em que a JE (de setinha vermelha sobre a cabeça), na altura em que se celebra o penalty que derrotou a Inglaterra, chora desalmadamente!

Ai, que Saudade....

7.06.2006

4 de Julho dos Nerds

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Reunidos junto 'as margens do Charles River, observávamos o fogo de artifício de celebração do dia da Independência dos USA.

A determinada altura, excitadíssima, viro-me para X. e exclamo:
- Não parece um fuso mitótico?
E nesta altura, mais um explosão, mais um efeito especial e eu continuo:
- Olha, agora até já parece a célula em citocinese!!
X. ri-se para mim e consente:
- E' mesmo! E eu que julguei que era a úncia a pensar estas coisas que nada têm a ver com fogo de artifício!
- Deixa lá - disse K., a nossa física - eu quando vejo estas coisas também fico sempre a pensar nos processos físicos que estarão por trás de cada efeito.
- Ena! Agora foi um peixe!!! - exclamei eu novamente (definitivamente, ando a lidar demais com o zebrafish no lab).

Rindo-se e metendo a sua colherada, J. intervem:
- Nada como ser médica! Não vejo nada!

E o fogo prosseguiu.

7.05.2006

Portugal 0 - França 1

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E lá tombamos nós outra vez... de cabeça erguida, contudo!

Achei que teria sido justo o jogo ter terminado empatado e resolver-se a coisa mesmo pela sorte das grandes penalidades. Aquele penalty aos 33' não me pareceu correctamente marcado e, embora os Franceses tenham jogado bem, os Tugas lutaram e deram o litro, daí o merecido empate. Houve equilíbrio... menos na sorte!


De qualquer das formas, os meus parabéns 'a Selecção!

E' sempre com emoção, com as lágrimas a dançar nos olhos e a escorreram por fim que, com a mão no peito, escuto e canto o Hino Nacional Português... e sinto orgulho do meu país e de ser Portuguesa, especialmente nas circunstâncias de ter a minha pátria tão longe.

Notícia de última hora

Inpirado pela alma Portuguesa, o meu fatinito acaba de lançar o Hino oficial do match PORTUGAL X FRANCA!

Onde? Aqui :)

Ai...

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Está quase!

"Pela pátria, lutar!
Contra os canhões
Marchar! Marchar!"

Vamos lá pessoal que eu quero comer spaghetti, tortellini, pizza e sei lá que mais no fim de semana :)

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAAAAAAAL!!!!!!

7.03.2006

Eu nem gosto nada da gaja...

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... mas como so' tenho 48 horas para gozar de palanque, nao resisti 'a piadinha :P

7.02.2006

My Hero

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E digam lá que este homem não é um senhor "carago"!

6.29.2006

Discos Pedidos

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Foi com satisfação que regressei esta semana 'a passadeira do ginásio e, mesmo já não o fazendo há quase um mês, consegui sem dificuldade alguma correr os 45 minutos da praxe. Por estar tão contente com a concretização, nem me chateou muito não ter banda sonora mas, porque já sei que em menos de nada aqueles 45 minutos me vão parecer enooooooooormes, gostaria de saber se têm alguma sugestão musical para acompanhar a corrida.
Já tentei Prodigy, mas é lento demais, mas gostaria assim de algo do género... que dê pica!

Então, que dizem? Avanço desde já o pedido para o Piano na Floresta, dado que música é com ele (vantagens da blogosfera). Podem confirmar aqui :)

6.28.2006

Portugal X Inglaterra

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E Portugal está quase a jogar.
Bem sei que o Amarelo é cool mas, vamos lá a ver se para a próxima não é preciso tanta cor!

6.26.2006

Primavera Privada

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Está a chover?
Faz sol lá fora?
Nem sei!
De há uns tempos para cá, para mim é sempre Primavera.

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Apresento-vos a minha Primavera :)

6.25.2006

Portugal X Holanda

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Raio das laranjas deixaram-me azul de tantos nervos!

6.22.2006

Fujam!

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Se por natureza já é preciso ter-se cuidado na estrada, agora há razões acrescidas.
Aqui a JE obteve a carta de condução do estado de Massachusetts (vulgo Maria Cachucha) hoje. Por isso, acautelem-se se vierem cá para estas bandas! :)

O processo não levou mais que uma semana, o que, para quem vem de Portugal, onde tirar a carta leva alguns meses, é de facto muito rápido. Se a rapidez surpreende, outros aspectos há a juntar 'a lista.

Passei por acaso pela direcção geral de viação e pensei "deixa-me cá entrar e ver o que é preciso fazer para se tirar a carta neste país!". Assim que questionei a funcionária, recebi logo um manual, um formulário e indicações da documentação necessária, sem quaisquer gastos envolvidos:
- "Preencha isso, leve os documentos e pode fazer o teste teórico logo na altura".

No dia seguinte lá me apresentei com o material requisitado, paguei $30 e de imediato o funcionário me disse:
- "entre naquela sala, faça o teste e volte aqui."
A coisa até me deu vontade de rir. Em Portugal havia pessoas na sala a inspeccionar os examinandos, por forma a que ninguém copiasse. Aqui, mandaram-me para um sala com cerca de 7 consolas, cada uma com seu monitor e 'a frente da qual se encontrava uma cadeira. Basicamente, teria que me sentar numa cadeira e responder 'as questões que apareciam no monitor pressionando o número da resposta correcta.
Pessoas? Nem uma lá dentro. E' o que se quer. Se me tivesse dado na veneta, teria aberto o manual e verificado qual a resposta certa mas, como sou muito certinha, abstive-me de tais comportamentos e passei rés-vés-campo-d'Ourique. Acertei em 14 de 20 perguntas, que é o mínimo. Quando me perguntavam sobre regras de trânsito eu não hesitava e acertava na resposta.... mas estes caramelos fazem montes de perguntas relacionadas com tempo de penas, custo de coimas, seguros e sei lá que mais, aspectos com os quais não estava familiarizada (afinal, como podem constatar, não me dei propriamente ao trabalho de estudar para o teste). Mas isso não interessa nem ao Menino Jesus! O que interessa é que passei e me qualifiquei para a fase seguinte (vê-se mesmo qeu andamos em período de campeonato mundial de futebol).
Então e no que é que isto consiste?

Após a realização do teste deram-me uma autorização para aprender a conduzir.
Para ter aulas, pensarão vocês. Aulas?! Quais aulas?!
Em suma, essa autorização serve para que, juntamente com alguém encartado, eu ande pelo meio da estrada a aprender. Não hajam dúvidas que estes gajos são de uma inconsistência violenta. Cai o carmo e a trindade se alguém menor de 21 anos é apanhado a beber álcool. Há literalmente perseguição nesse aspecto. Mas alguém com 16 anos andar a acelerar pela via pública e a fazer tiro ao alvo 'as velhinhas que se arrastam nas passadeiras, não tem problema nenhum.

Bem, para além de o pessoal ter que ser autodidacta na aprendizagem da condução (que eu não tive que fazer porque já tenho carta há 9 anos), tem que desencantar alguém com carta e com carro para ir connosco ao exame de condução. O exame realizar-se-á no carro dessa pessoa. Os examinadores devem ser pessoas de grande coragem para se meterem dentro de um veículo com alguém que eles não sabem se conduz minimamente e sem a poassibilidade de travarem ou alterarem a direcção com os pedalitos e volante que normalmente têm do lado direito. Adiante!

Convenci o meu amigo P. a fazer-me esse favor, a quem desde já agradeço publicamente. -"Obrigada P!"
Hoje de manhã lá estava ele 'a porta da minha casa. Confesso que fiquei preocupada com o atraso de 20 minutos. Se bem se lembram daqui , P. está prestes a ser pai, e a filhota dele já passou a contagem descrescente e pode nascer a qualquer momento. Quando não o vi aparecer pensei: "queres ver que a minha "sobrinhita" já nasceu a pregar-me partidas?". Mas não, foi falso alarme!
Prestável como é, P. disse-me:
- "Vamos até aos locais onde fui no meu exame, para te ambientares. Ah, e tens que saber indicar com a mão quando queres virar 'a esquerda e 'a direita!"

Acatadas as sugestões, lá fui eu fazer um estacionamento, uma inversão de marcha e prestar atenção aos STOPS (que em algumas ruas crescem que nem ervas daninhas). Estes exercícios revelaram-se bem mais complicados que o exame em si pois, iniciado o teste, o examinador, algo simpático e conversador, mandou-me ir em frente, vire, vire, vire, demos a volta ao quarteirão e estávamos de volta ao local de partida.
- "E' óbvio que sabe conduzir pelo que nem lhe vou pedir que faça mais manobras. Pode estacionar"

E pronto, em 3 minutinhos apenas estava feito o exame e agora já tenho uma identificação comod eve ser. De certeza que os bouncers vão agradecer, uma vez que sempre que mostro o BI Português fazem esgares e caras estranhas, como se de uma doninha fedorenta se tratasse!

6.20.2006

Tudo Bem Outra Vez

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E se tudo parecia andar a correr mal, a tendência desta semana parece ser a oposta.

Digo que tudo parece correr bem porque ontem, finalmente, recuperei as coisas roubadas. Nem acreditei quando recebi o telefonema da Detective a pedir-me que passasse pela esquadra. A mulher deve ter julgado que eu sou doidinha pois, para além de ter ficado rejubilante logo ao telefone, quando lá cheguei e ele trouxe a caixa de cartão, não contive a emoção quando o "tesouro" se revelou aquando da remoção da tampa. Estava lá tudo. Que visão linda!! A máquina digital, o computador... tudo. Confesso que até áquele momento receava pelo bem estar das coisas e só acreditaria que tudo estava bem quando visse. E ali estava a prova.

Até o iPod voltou 'a vida!
Afinal, do que ele precisava era de umas pancadas valentes. Está visto que o tratava bem demais e, afinal, ele é do género "quanto mais me bates, mais eu gosto de ti!". Assim, num ataque de não conformismo, bati com ele várias vezes na mesa e "plim!!", acordou p'rá vida e, embora esteja meio coxinho (volta e meia precisa de mais um destes tratamentos VIP) lá vai tocando.

A minha bina, ainda não foi desta que morreu. A semana passada também lhe começou a dar uma coisinha má mas o "Esteves" do meu laboratório, amigo e super habilidoso para tudo o que seja consertos, trartou-lhe da saúde.

O tempo está maravilhoso, de um sol resplandescente e temperaturas quentes, quentes, acima dos 30 graus. Bem sei que dentro em breve me vou andar a queixar que está tanto alor que nem se consegue dormir mas, enquanto é novidade, ando toda contente.

Portugal está a portar-se benzito no mundial. A ver se continuam assim!

Está tudo bem!
Assim, sorrio! :)

6.15.2006

"Deu-lhe Uma Coisa"

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E' oficial!
O iPod da Inês morreu. O óbito ocorreu 'as 20h de ontem, mais coisa menos coisa, altura desde a qual a dona se encontra em convalescença. Ainda com uma réstia de esperança, levou o iPod acidentado 'a MAC store esta manhã onde, após exame "dificílimo" por parte do funcionário, recebeu a confirmação: não funciona! (dah!!!!).
Uma vez que nunca dantes a Inês tinha estado sem a sua música, crê-se que a desgraçada esteja a passar por momentos traumatizantes e de grande angústia!

6.12.2006

Nuvem Sobre a Cabeça

Ultimamente, tenho cá um pressentimento de que, no que toca 'a electrónica, ando com uma nuvem sobre a cabeça. Volta e meia dá-lhe para chover, e pimba, fica tudo a bater-mal.

Como se já não bastasse ainda não ter recuperado a minha máquina digital, computador e afins eis o que se passou:

Ontem, enquanto ia para casa, o meu iPod vai de ficar paradinho, a meio da música. Cliquei num botão, cliquei no outro e, uma vez que não respondia, decidi fazer um "restart" do aparelhómetro. Na esperança de ver o ecran reaparecer, iluminadinho e com o aspecto normal, como geralmente acontece, nada me preparou para o que aconteceu.

Assim, sem mais nem nadica, sem um avisozinho sequer... não havia qualquer música registada.
Quê?!?!?!
Acho que até exclamei em voz alta e deixei uns quantos transeuntes a olhar para mim.
Para onde raio foram as minhas 6000 músicas???, desesperava eu enquanto, parada no meio da calçada, pressionava freneticamente todos e quaisquer botões possíveis.

O iPod foi a única coisa que não me levaram no assalto e, por ora, é a única forma que tenho de ouvir alguma música decente. Ligo-o 'a TV com o cabo que comprei na Radioshack e, embora o som seja bastante foleiroso, sempre dá para escutar o que eu gosto.

"Não, é muito azar!", pensei... "só faltava realmente isto!"

Prossegui o meu caminho bastante desanimada e então ocorreu-me:

- Bem, ao menos não tenho um pace-maker!

PS - Por motivos que desconheço, razões esotéricas e transcendentais, hoje, sem mais nem para quê, as músicas voltaram miraculosamente ao iPod. Ufa!

6.09.2006

"Bamos lá Cambada" Games...

... Vulgo Campeonato Mundial de Futebol.

O pessoal por aqui anda a vibrar com o início dos jogos.

O meu chefe até pagou do bolso dele as trasmissões, para que os pudessemos ver aqui no instituto todas as disputas (e, digamos, esta é também uma maneira airosa de nos manter por aqui em vez de nos dispersarmos por bares e lá se ir a produção do lab ao ar).

E' hilariante e até surpreendente ver este pessoal de Harvard, que normalmente quase passa despercebido de tão caladinhos que são e por estarem escondidos atrás da bata e dos óculos, revelaram-se "gandas malucos" e desatarem aos berros a cada situação de perigo, madarem vir com o arbitro ou saltarem quais cangurus a celebrar os golos.

Já tinha passado pela mesma experiência quando assisti ao último mundial (ai, maldita Coreia do Sul!) na Alemanha, num outro laboratório e instituição europeia.

Em ambos os casos, assisti aos jogos num ambiente muito internacional, o que torna o ambiente mais fervoroso e divertido. Há sempre situações que põem toda a gente a rir. Hoje, ninguém conteve o riso quando o comentador, Americano, diz algo como:

- And here's Klinsmann, 41 years old and very fit! (who cares? - ouviu-se)

ou

- This is the team from Costa Rica, a country in central America. (just in case - outra boca)

Já vi que há concorrência ao Jorge Gabriel por estas bandas e que os jogos vão ser engraçados :)

Postal do Brasil

A falta de um relato fotográfico das férias faz com que, cronologicamente, os eventos fiquem algo misturados na minha memória. Assim, ‘a medida que me fôr lembrando de algumas situações curiosas que passei no Brasil, relatá-las-ei por aqui, sem que estas estejam necessariamente por ordem ou relacionadas. Daí o nome "Postal". As coisas quando enviadas pelos correios nunca chegam na ordem certa :)

Algo que constantemente acompanhou os meus dias por terras Verde-Amarelo foram as diferenças que, muito embora todos falemos Português, são inerentes ‘a língua que eu falo e eles falam. Dei por mim várias vezes a brincar e explicar que as diferenças se devem não ao meu sotaque, mas sim ‘a ausência dele.

Afinal, o Português já era meu e vocês (Brasileiros) é que lhe adicionaram esse açúcar delicioso (se bem que várias pessoas por lá me disseram que um estudo revelou que o Português de Portugal de há 500 anos atrás era semelhante ao do Brasil e que só então mudou para o que é actualmente. Mas então questiono-me, porque raio mudou o nosso Português? Se alguém souber algo sobre isto, agradeço a lição).

Uma situação que achei particularmente engraçada passou-se com uma menina de 12 anos. Embora conseguisse entender o que eu dizia, ela percebeu claramente que algo era diferente acerca dos sons que eu produzia. Desta feita, muito discretamente e julgando que eu não estava a prestar atenção, virou-se para a mãe e, baixinho, perguntou:

- Oh mãe, qual é o problema da língua dela?

6.08.2006

De Volta

E aqui estou eu, regressada de férias, de barriga cheia mas, confesso, já cheia de saudade do Rio de Janeiro que deixei para trás.
Muita coisa há para dizer.
Foi bom, foi mais que bom, mas parece-me que ainda vai demorar até conseguir fazer um relato como deve ser. Dado que este vai ser desprovido de fotos, uma vez que tive que ir de férias sem maquineta por causa do roubo que relatei há posts atrás, tenho que me empenhar na escrita e, não há condições.
O material que foi roubado ainda não me foi devolvido. Desde ontem que telefono para o pessoal do tribunal para saber quando posso recuperar o computador e tudo o mais que desapareceu e só me dizem que ainda estão ‘a espera disto e daquilo... uma treta. Parece-me que o verdadeiro desafio nesta situação toda não se prende com o desvendar do crime mas sim com a capacidade de devolver ‘a vítima os items roubados.
Assim, sem computador, não posso escrever em casa e as aventuras por terras Brasileiras terão que aguardar. Posso apenas dizer que voltei meio Carioca: com alguma cor e muita preguiça.
Ai.... je ne veux pás travailler!!!! :)

5.19.2006

Férias

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Se antes já achava que andava a precisar de férias, depois da montanha russa emocional que estas últimas semanas foram acho ainda mais.
Assim, até daqui a duas semanas!

Ah, para onde é que eu vou?
No Domingo, por volta das 11h, digamos que esta será a banda sonora mais indicada :)

Samba do avião


(António Carlos Jobim/Vinicius de Moraes)

"Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro

Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você

A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão

Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar

Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar..."

E sorRIO!!!!

Aviso de Bilheteira

A saga "Filme da Vida Real", já se encontra completa, agora com 3 partes.
Por forma a respeitar a ordem cronológica dos eventos, podem encontrar a solução do mistério depois das partes 1 e 2.

5.18.2006

Filme da Vida Real (Parte I)

Na 2a feira, após o trabalho, regressei a casa.
Porque chovia sem parar, desde há 10 dias atrás, a bicicleta ficou em casa e fazia agora esta distancia a pé. Debaixo do meu guarda-chuva azul, caminhei tranquilamente, enchendo a mente com os pensamentos mais variados. Se bem me lembro, acho que a maior preocupação se prendia com “o que vou fazer para o jantar?” e em desviar-me das poças de água para que os carros não me molhassem.

Chegada a casa, de imediato se desvaneceu este estado de placidez. Meti a chave ‘a porta e eis que esta, sem qualquer esforço, se abre.
Senti de imediato os calores que me são característicos quando fico alerta mas, por outro lado, não evitei exclamar “Hmm, that’s funny. I could swear I locked it this morning!”, numa de não me precipitar. Num qualquer lugar recôndito da minha cabeça, uma luz vermelha acompanhada de um alarme estridente soava já, ao mesmo tempo que a frase “something is wrong! something is wrong!” se avolumava em letras garrafais, preenchendo por total a minha mente.

Aberta a porta, a bicicleta estava caída no chão (e agora ouvia “SOMETHING IS WRONG!!! SOMETHING IS WRONG!!!”, ensurdecedoramente) mas, mais uma vez, o meu outro lado pensou: “algo a desequilibrou e caiu. talvez o descanso não esteja bom”. Mas logo deixei por completo que os alarmes me invadissem e tomei consciência de que a minha casa tinha sido assaltada.

Para além da bicicleta, também uma das colunas da aparelhagem estava no chão, enquanto que o resto do sistema de som se encontrava revolto sobre a mesa onde normalmente fica. A carpete estava enrodilhada.
“No, it can’t be! It can’t be!!!”, exclamava. E notem que o fazia em Inglês. Eu acho que era porque a situação era tão surreal e tão próxima de um filme que o Inglês me saía naturalmente, como sendo a linguagem mais apropriada.

Verifiquei que a televisão e o aparelho de DVD ainda estavam no sítio pelo que, ainda com uma réstia de esperança e tentando processar rapidamente a quantidade de informação com que era bombardeada, pensei “OK. Tentaram assaltar a casa, entraram mas, por alguma razão, não conseguiram levar as coisas todas, uma vez que tudo isto ainda está cá. Pode ser que no escritório também tudo esteja bem”.

E enquanto discorria nestes pensamentos, segui num misto de ansiedade e angústia para os outros compartimentos da casa, sem sequer me ocorrer que quem quer que fosse que tivesse feito isto talvez ainda estivesse lá. Felizmente isso não aconteceu mas o choque foi grande quando cheguei ao escritório e me deparei com a janela aberta, a cortina esvoaçante e a secretária vazia: computador, modem, colunas, rato, webcam, hard drive externa, máquina digital, carregadores, tudo... tudo roubado.

“No! No! No!” sussurrava quase sem voz. As mãos no rosto, as lágrimas a escorrerem-me e, facto interessante e até mesmo engraçado, os pensamentos mais inapropriados. Ao ver este cenário todo, sei que a primeira coisa que me veio ‘a cabeça foi “levaram a minha música toda”, o que não me parece lógico de todo mas que se veio a verificar ao longo de toda a história.

Não me lembro bem da sequência de eventos mas sei que, sem pensar, coloquei a bicicleta no sitio, levantei a coluna do chão, saí para a rua e gritei para o andar de cima, onde mora a minha senhoria. Ela assumou ‘a janela e, quase sem conseguir pronunciar as palavras que me pareciam tão surreais, falei, entrecortada por um choro estranho:
- The house has been robbed!

Desceu ela e o marido que, incrédulos, entraram para verem o mesmo cenário que eu. Acho que por uns minutos ninguém estava a pensar muito bem. Estávamos apenas estupfactos com o acontecimento: eu, porque, para além de tudo, reparei que a janela estava aberta sem ter sido forçada, quando podia jurar a pés juntos que a tinha sempre trancada; a minha senhoria porque, justamente naquele dia, passou o dia todo em casa, a entrar e a sair a toda a hora, juntamente com o carpinteiro, para arranjar coisas na cave, e lhe parecia impossível que alguém pudesse ter feito isto sem ter sido notado.

Num rasgo de lucidez, eu disse:
- We have to do something! Let’s call the police!
Em menos de nada, lá estava o detective que, da forma mais profissional que alguma vez vi (juro que parecia mesmo um filme), escutou e apontou tudo o que cada um de nós tinha para dizer, analisou a cena do crime e, para meu espanto (porque julguei que fossem lá apenas registar a ocorrência), tentou recolher impressões digitais da janela, da secretária, da cadeira, do móvel, da aparelhagem. Levou ainda consigo a rede que protegia a janela e que se encontrava no chão, do lado de fora da casa, para tentar analisar possíveis rastros na esquadra.

“E viva a América”, pensei.

Forneci todos os números de série do material roubado e perguntei se com isso seria mais fácil recuperar alguma coisa, ao que ele me respondeu:

- “To be honest Miss, we hardly ever recover anything. I wouldn’t have too many hopes!”. Frustrante!

E aí a senhoria lembrou-se que, a determinada altura, o carpinteiro referiu que havia gente em minha casa. Ela não ligou, julgando que era eu. Ainda mais frustrante!

E lá permaneci eu, sem quaisquer esperanças, num misto de choque, desamparo, tristeza e incredulidade. Ora ficava completamente séria e quase que ausente do local, fixada num qualquer ponto, como se não acreditasse no que se estava a passar, ou a realidade batia-me e desatava a chorar, num choro estranho e desconhecido para mim.

Abraçava-me a mim mesma, como que a confortar-me e a proteger-me ao mesmo tempo. Por incrível que pareça, ninguém (e falo da minha senhoria e do marido, que já me conhecem há meses) foi capaz de me tocar. Bastava uma mão no ombro e algo como “don’t worry” para eu me sentir menos perdida. Só isso, um pouquinho de calor humano. Mas não obtive absolutamente nada para além da distancia.

Passaram-se quase duas horas até que todos se foram embora e eu fiquei sozinha, naquela casa que agora me parecia desconfortável e conspurcada. Sentada no sofá, na sala, em mais um estado de apatia, fixei o olhar na carpete branca e mais um pensamento absurdo me ocorreu (é incrível a quantidade de parvoíce que nos ocorre numa situação destas): “Aposto que nem tiraram os sapatos e andaram por cima das minhas carpetes brancas a sujarem-nas!”

E senti um nojo imenso de tudo. Sentia que tudo estava sujo, invadido. “Será que mexeram nas minhas roupas? Nas minhas coisas? Alguém estranho violou o meu espaço, o meu cantinho”. Foi isso que senti, a minha privacidade invadida. Senti-me violada. E tive ganas e ímpetos de limpeza. Qual desvairada, aspirei tudo, esfreguei tudo com detergente, tentando retirar a sujidade invisível. E quando o frenesi cessou , já exausta, parei e quis partilhar a minha dor.

Telefonei a amigos/queridos: Joana mana, David e por fim o Zé. De todos recebi carinho e compreensão, apoio, amparo que me ajudou. Porque tinha consciência de que os ladrões sabiam agora o que a minha casa tinha, receei que voltassem para roubar o que não levaram e então sugeri ao Zé que viesse até minha casa buscar a aparelhagem de som (que permaneceu lá desde a minha festa de anos e que é dele). Nem teria sido preciso um pretexto. Assim que soube do sucedido, imediatamente o Zé se prontificou a ir ter comigo. E quando chegou... abraçou-me. E aí sim, finalmente senti-me acompanhada.

Foi dos abraços mais reconfortantes que alguma vez recebi e, não fosse o Zé espectacularmente impecável, tratou logo de me dizer: “vá, jantas em minha casa!”.
Fui com ele, transportámos a aparelhagem e depois foi-me servido um lauto jantar de moqueca com arroz, acompanhado de boa disposição e positivismo:

- Pah, se virmos bem as coisas, até foi bom isto tudo. Primeiro foi só dinheiro, tu estás bem, nada te aconteceu. Depois, é uma excelente oportunidade de fazeres um upgrade ao teu computador e máquina fotográfica. Tinham o quê? Dois anos!? Lá está, estavam mesmo a precisar de reforma. O ladrão até te fez um favor – brincava ele.

Descontraí e até entrei na onda:

- Yeah, tens razão. O caramelo podia era ter sido simpático e ter deixado a external hard drive para eu recuperar tudo o que tinha no computador.

Num espírito mais leve, regressei a casa, onde insisti em passar a noite sozinha, recusando ofertas de ir dormir a casa de amigos ou que eles ficassem comigo. Não quis de forma nenhuma que isto alterasse a minha vida mais do que já o tinha feito.

Confesso que estar sozinha em casa não soube lá muito bem mas, que remédio. Passou-se a noite, acordei muito em baixo mas não morri.

Filme da Vida Real (Parte 2)

Na 3a feira de manhã, ao acordar, ainda não acreditava bem no que tinha acontecido. Era tudo surreal e rápido demais, mas a sensação constante de desconforto e o sono atribulado confirmaram-me que tudo era a sério. Admito que foi com receios exagerados que saí do quarto e espreitei para cada canto da casa, só para ter a certeza que não estava lá ninguém. Segui desanimada para o laboratório e assim teria continuado, não fosse o telefonema da minha senhoria por volta das 10h. Depois dos “Hi, how are you?” habituais, pergunta-me se há novidades. Respondo-lhe que não, pensando para mim mesma (dah!!! só passaram 12 horas sobre o acontecido como queres que eu saiba alguma coisa? – assumindo obviamente que as coisas se processariam como em PT, por exemplo. Devagar, devagarinho. Lento, lentinho.). Aí, em tom efusivo, ela diz-me “I think they found your stuff!”. Nem queria acreditar no que ela me dizia mas, mais tarde, quando recebi o telefonema do detective, estava de facto confirmado. Tinham descoberto o ladrão e estavam agora em posse de tudo o que me tinha sido roubado. Eu não cabia em mim de contente e, mais que isso, de surpresa, pois esperança era algo que já se tinha extinguido há muito tempo. Ironicamente, no momento que recebi a excelente notícia, procurava na Internet o computador que iria substituir o roubado, para o encomendar quanto antes.
No entanto, o terem encontrado o suspeito tão rapidamente, acentuou perguntas que me assaltavam a mente com frequência: “Como raio se explica a janela não ter sido forçada? Só pode ter sido por alguém a abriu por dentro. Se este foi o caso, tem então que ser alguém que eu conheça, que esteve lá em casa! Será que confio em alguém que, na minha inocência, trago para minha casa e, afinal, essa(s) pessoa(s) têm más intenções?” E fiquei com receio de saber a verdade e o que realmente se passara. O sentimento era bastante ambíguo. Perguntei ao detective sobre os pormenores da detenção mas, naquele tom de voz típico dos detectives dos filmes, que usam gabardina e chapéu, respondeu-me que por ora não me podia adiantar mais do que aquilo que me tinha dito e que amanhã, 4a feira, me voltaria a contactar.

Filme da Vida Real (Parte 3)

Na 4ª feira recebi nova chamada do detective. Ansiosa e curiosa, perguntei-lhe sobre como tudo se passou, quem é a pessoa, eu conheço?, como a descobriram, ao que o detective, do alto do seu profissionalismo, mais uma vez me respondeu que não me poderia adiantar pormenores. “Mas que porra!!! Eu sou a vítima, a minha casa é que foi assaltada, as minhas coisas é que foram roubadas!! E não posso saber nada?!?!”. Obvio que só pensei isto e não o disse mas já estava farta de todo o mistério, que só servia para me deixar cada vez mais apreensiva e a confiar cada vez menos em tudo e todos. Percebendo talvez a minha ansiedade, o detective adiantou que me daria o número do processo e que eu deveria ligar para o “Victim Witness Advocat” e pedir detalhes. Fi-lo de imediato e de lá, após ser transferida para aqui e para ali, consegui falar com alguém que me adiantou o nome do suspeito: Michaele Valentin. O nome não me era estranho de todo, e rebuscava a minha mente incessantemente para me lembrar de como e quando veio até a mim aquele nome mas... nada. “Valentin!? Valentin?!? Caraças, eu conheço o nome. Mas de onde? Pelo menos não é ninguém com quem lido directamente e confio”, pensei, mas continuei bastante apreensiva. Pedi se me poderiam enviar por fax o relatório da polícia mas disseram-me que, para o ver, teria que ir até ao Tribunal de Somerville e aí pedir uma cópia. OK, seja. Falo com a Joana mana. “Queres vir ao tribunal comigo? Vou finalmente saber quem é o responsável!”. Parecia um filme. “’Bora lá!”.
Passados uns minutos já estávamos num táxi a caminho do tribunal. Percebendo o nosso destino, o taxista tentou logo averiguar o que nos levava até lá. Assim, em menos de nada, já estava todo interessado no caso e despediu-se desejando boa sorte e que tudo corresse bem. Foi engraçado sentir a solidariedade daquele estranho, coisa que me foi bem mais difícil de percepcionar por parte da minha senhoria e marido.
Chegadas lá, dissemos ao que vínhamos e passaram-nos o relatório para as mãos. Como se da revelação do terceiro segredo de Fátima se tratasse, eu e a Joana começamos a ler avidamente o relatório. Mais uma vez, e não me canso de o repetir, parecia uma cena saída de filme.
“Baptista (que sou eu) called at such and such hours. I went to her appartment and saw this and that”, reportava o detective. E eu só dizia “Fogo, o gajo prestou mesmo atenção a tudo o que se disse”. Mais uma leitura e eis que entra a frase que nos pôs admiradas, de mão na boca, tal o espanto: “The landloard and the carpenter, Michaele Valentin...”
“Porra!! Foi o carpinteiro!!!!!”
E com esta todas as perguntas começaram a obter resposta. “Por isso a janela não foi forçada! Ele abriu-a por dentro!!”.
Que alivio!! Não tinha sido esquecimento meu nem intenção de alguém que eu tivesse tido lá em casa. Então a história foi a seguinte:
Naquele dia, a minha senhoria chamou o carpinteiro, com quem já trabalha há vários anos e que, por ser ilegal, ela ajuda dando-lhe uns biscates para ele se desenrascar. Estiveram a trabalhar na cave durante o dia todo, entrando e saindo da zona circundante ‘a casa com bastante frequência.
Por volta das 15h, ela disse-lhe que teria que ir ao supermercado e que já voltava, coisa que durou 30 minutos. Durante esse tempo, o caramelo vai de buscar a chave da minha casa (que possivelmente já teria visto noutras vezes e, até quem sabe, de alguma vez que tivesse ido a minha casa com a senhoria reparar alguma coisa), entra pela porta da cozinha, vai até ao escritório, rouba tudo o que viu, vai até ‘a sala e rouba também a câmera digital e depois, para fingir que tinha sido um assalto, abre a janela do escritório, remove a rede que a protege e deixa-a no lado de fora da casa, deita a bicicleta para o chão, a aparelhagem, a cadeira e dá de frosques, por alturas em que a minha senhoria estaria para regressar. Quando ela reapareceu, já com tudo roubado e escondido, diz-lhe que ouviu vozes dentro do meu apartamento. Assim, ela poderia ir ver o que se passava, depreenderia que houve um rouba mas não duvidaria dele. Em vez disso, e porque não é nada bisbilhoteira, assumiu que era eu e não ligou.
‘A noite, ao dizer ao detective que tinha passado o dia com o carpinteiro, ele pediu-lhe o número dele para lhe ligar e perguntar se teria visto algo. Quando o fez, o início da versão do carpinteiro batia certo com a da minha senhoria mas, a determinada altura, meteu os pés pelas mãos: “quando a senhoria foi ao supermercado, eu ouvi um homem bater na porta de trás da casa da Inês, a dizer “Let me in! Let me in!” e depois ouvi vozes lá dentro, como se houvesse uma discussão. Também reparei que a porta da frente estava entreaberta”.
Ora, o detective achou isto muito estranho e ligou novamente para a minha senhoria, que lhe disse que o carpinteiro não tinha referido nenhum destes factos e que ela até achou o comportamento dele meio estranho. “Estava nervoso, com pressa e, muito embora estivesse a chover muito, declinou a oferta de boleia e disse que caminharia para casa” (e nós a lermos isto tudo no relatório, com a verdade a desenrolar-se ‘a nossa frente, interrompida por exclamações de espanto).
Assim, o detective pediu ao carpinteiro que se apresentasse na esquadra no dia seguinte, ao que ele acedeu prontamente. Já com a pulga atrás da orelha, o detective, tentando um “bluff”, diz ao carpinteiro:
- “ontem questionei vários vizinhos da Baptista para verificar se teriam visto algo e uma das mulheres falou que viu um homem na janela correspondente ao escritório da Baptista. Quando lhe mostrei a foto de possíveis pessoas, onde se encontrava a sua, ela identificou-o”.
- “Mas como é que ela me pode ter visto?”.
- “ Michaele, não minta. Você roubou o apartamento da Baptista!” (e aqui é quando a música se intensifica e se faz um grande zoom ‘as têmporas do suspeito, de onde começa a escorrer uma gota de suor, quase imperceptível).
Nisto, “deitando a mão ‘a testa e quase começando a chorar” (era assim que estava descrito no relatório), o carpinteiro confessa o crime e diz que não é mais o mesmo homem de há 15 anos. Ao que parece, no passado ele teria já uma história de crimes (que deduzi serem da mesma índole) mas mantinha-se “limpo” há 15 anos. No entanto, “porque perdeu o emprego e estava em dificuldades financeiras”, segundo as suas palavras, não sabe o que lhe ocorreu e deu de roubar. No relatório referiam ainda que “o suspeito se mostrou extremamente arrependido e disposto a colaborar totalmente nas investigações”. Assinou o Miranda (um documento qualquer mas que no início só nos fez perguntar: mas quem é a Miranda?) e revelou onde estavam os items roubados, assinando também uma autorização de busca ‘a casa dele.
Saímos de lá completamente esmagadas, numa profusão de sentimentos. A Joana mana sentia pena do carpinteiro, eu sentia um alivio imenso por não ter sido ninguém que eu conhecia e por o terem apanhado, e ao mesmo tempo pena da minha senhoria e uma revolta enorme por o caramelo se ter aproveitado da boa vontade dela. No entanto, com o passar do tempo, comecei também a ter alguma compaixão dele. Uma confusão!
No regresso, mais uma viagem de táxi e, a primeira pergunta ao entrarmos na viatura “Guilty or not guilty?” Lá deu o caso mais pano para mangas e conversa. Os motoristas que para aqui vêm devem ouvir as histórias mais rocambulescas.

Hoje, 6a feira, estou ainda ‘a espera das minhas coisas, pois o caso teve que entrar no sistema legal, tiveram que destacar um DA (District Attorney) e só depois disso é que determinarão se, para provas, precisam das coisas ou se fotos das mesmas bastam. Tive a sensação que vivi um filme e que não pode ter sido real. Tenho também consciência da sorte que tive e, como em “casa roubada, trancas ‘a porta”, agora tenho um cuidado extremo com tudo, bem como a minha senhoria, que vai tratar de pôr barras nas janelas e ter mais cuidado com quem contracta.
Ficam no entanto, mais duas lições:

Na falta de um mordomo, o culpado é o Carpinteiro!

Afinal filmes destes não se passam só em NY. Tem uma pessoa que vir para a parvónia para isto acontecer!

The End!

5.15.2006

O mal de uns...

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... e' o bem de outros.
E digam lá que não é bom morar nos USA e receber o ordenadeco em Euros (no eixo das abcissas) :)

PUUUUUUOOORTO!!!!!!!!!

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Carago! :)

5.12.2006

Já 'tá!!

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Eu e os meus peixitos bem podemos brindar e celebrar (eles deviam ser 'as risquinhas mas isso agora não interessa nada). Modéstia 'a parte, a apresentação correu muito bem. Como esperado e como vário me vieram dizer no fim, tive uma "tough crowd" e "very hard questions", mas com algum jogo de cintura, escapei a todos os tiros ilesa e consegui responder a tudo como deve ser. Assim, no fim também ouvi comentários como "very good talk" e "good job!", que me deixaram satisfeita.

Assim, e já passada a grande prova, comecem então os relatos. Hoje 'a noite de certeza que haverá algo a dizer acerca do dia de hoje. Preparo-me para, dentro de alguns minutos, me meter dentro de um carro com mudanças automáticas (coisa nova para mim) e ir, juntamente com a minha Joana Mana, amigona que mudou de casa há pouco tempo e precisa de a equipar, até ao IKEA.

Gajas, num carro desconhecido, com um mapa até um local onde nunca pusemos os pés... só pode dar molho.

Aguardem que não perdem pela demora ;)

5.11.2006

Está quase!!!

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Mais um pouquinho e já posso respirar.
Já vejo o fim a a proximar-se. So far so good!

Vi, Raquel e Mindgames, obrigada pelo apoio público.

5.09.2006

Message in a Bottle

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Aviso 'a navegação!!

Não estão esquecidos!

Eu é que ando com bastante trabalho 'a perna. Se sobrevivo a esta semana, nem acredito. Terei que fazer uma apresentação para 2 laboratório hoje (3a feira) e, na 5a feira, apresentação para o departamento, vulgo sala-cheia-de-cromos-e-nerds-de-harvard-todos-muito-inteligentes-e-
espertinhos-e-que-duma-penadinha-só-conseguem-deixar-um-gajo-
sem-saber-o-que-responder.
Assim que me livrar destes encargos, logo volto 'as lides do Blog.
Aliás, há até muita coisa para contar: concertos, reflexões, situações e uma Primavera especial... a minha :)

5.04.2006

Não há pachorra!

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Se cá por estas bandas uma pessoa tem que comprar algo relacionado com electricidadde, não tem grande escolha se não ir até ‘a Radioshack, loja da especialidade mas que de especialistas só os tens na arte de ludibriar, a que eu “carinhosamente” gosto de apelidar de Radiochatos. Nunca nos fornecem a melhor opção ou, por outra, a melhor opção, para eles, é sempre o mais caro dos mais caros e fazem sempre soar como se não houvesse alternativa.

Pois eu tive que visitar estes senhores há cerca de 2 dias, uma vez que queria comprar um cabo que me permitisse ligar o iPod a uma aparelhagem de stereo. E’ coisa que dá muito jeito para festas e que já vários amigos meus têm, pelo que sabia de antemão que a coisa rondaria, no máximo, uns 9 dólares. Chegada ‘a loja, explico o que quero e, do topo do seu fato e gravata, com um sorriso irritantemente branco e artificial, o empregado segue disparado até ‘a outra ponta da loja, onde me mostra um cabo de $30.

- Aqui está!

Fiquei um segundinho a olhar para ele com cara de "este gajo deve estar a gozar comigo. Só pode!".
Já preparada para isto, não estive com meias palavras:

- Escute, EU SEI que vocês vendem este mesmo cabo por algo como 9 dólares. Eu disse-lhe que queria o mais barato. Porque é que me mostra o material mais caro que tem?

De sorriso impassível mas agora ainda mais forçado, responde-me:

- Ah, este tem garantia de….

Nem o deixei falar. Já ia começar o relambório de características do material que eram tudo menos o que eu pedi:

- O mais barato, sim?
- Ah, sim! Tem razão! Venha comigo.

E lá seguimos nós para outro lado da loja onde, desta vez, me apresenta um cabo de 15 dólares.

- Hmm! Parece-me que estamos com um problema de comunicação – disse-lhe – eu quero o cabo mais barato. Está a perceber o que eu falo ou o meu Inglês é assim tão deficiente que não me faço entender?

Mantendo o sorriso mas, claramente contrafeito, diz-me:

- Sim, estou a perceber. Mas esse cabo não é tão bom!
- Pois, mas parece-me que cabe a mim decidir a qualidade que eu quero (e tu já me estás é a dar cabo do juízo, resmungava eu por dentro).

A esta hora já não sorria protocolarmente. Penso que, se legendas houvessem, o que lhe estava a passar pela cabeça seria um corropio de $%&^*@#!@ de tão inapropriado que era.

Eis-nos então chegados ao local onde estava o dito cabo, ironicamente ainda mais barato: 8 dólares.
Deu-mo de trombas.
Só lhe disse:

- Parece-me que conheço a loja melhor que você!

Obtive um “Humpf!!” de resposta e deliciei-me, de sorrizinho malicioso no rosto, na caixa, enquanto o carrancudo me fazia a conta.

Espero que da mesma forma que já lhes conheço a pinta, da próxima vez que eu lá fôr o caramelo se lembre de mim e me poupe uns quantos minutinhos de estupidez. Mas que raio? Porque são os vendedores assim? Devem julgar que toda a gente é totó!

Grrrr... fico-lhes com uma raivinha! Cá c'um pó!!!