3.09.2010

A Muleta Assassina



Já muitas vezes o disse por aqui e continuo a dizer: ele há coisas que só comigo!!

Como se já não bastasse ter-me arriscado a ficar no meio de um assalto ao banco sem possibilidade de fugir, esta minha condição de perneta continua a pregar-me partidas.

Na 6a feira 'a noite, pela primeira vez desde o acidente, saí para passar o serão numa festa em casa de uma amiga. Uma vez que já tinha testado conduzir no dia anterior e o fiz sem dificuldade, porque não?

Embora também já consiga andar só com o suporte na perna e sem canadianas, quando saio, mesmo assim, levo uma muleta de apoio, não vá alguém dar-me um encontrão ou eu tropeçar em alguma coisa e pôr demasiada força na perna lesionada. Assim, lá entrei eu no carro com jeitinho, fechei a porta e coloquei a dita muleta entre o assento e a porta.

Note-se que quando conduzo o faço ainda com o suporte 'a volta do joelho e, porque este tem uns ferros de lado para evitar que o meu joelho oscile para a esquerda ou para a direita, não consigo dobrar a perna quando o tenho posto. Consigo apenas girar o pé para os lados, podendo facilmente alternar entre o travão e o acelerador, mais do que suficiente para conduzir.

Acontece que, já a meio do caminho, sem mais nem menos, sinto que, de repente, o carro desata a acelerar... e, quase que imediatamente, sinto também que é o meu pé que está a carregar no acelerador, cada vez com mais força.

"Ai, caraças!!", pensei eu naquele fracção de segundo em que tentava perceber o que se estava a passar. Felizmente não tinha nada nem ninguém 'a minha frente e a coisa resolveu-se, mas podia ter sido feio.... e eu nem sequer tenho um Toyota!

O que se passou foi que a caramela da muleta, vá-se lá saber porquê, a meio do caminho aterrou em cima do botão que faz com que o banco do condutor vá para a frente ou para trás, electronicamente. Como eu sou uma pessoa cheia de sorte, a traquitana deu-lhe para carregar no botão por forma a que o banco fosse para a frente. Já estão a ver o que se seguiu! Parecia uma cena de filme! Como eu não conseguia dobrar a perna, 'a medida que o banco me empurrava para a frente, a minha perna, toda esticadinha, empurrava também o acelerador.

"Ai caraças!! Ai caraças!!", dizia eu enquanto buscava freneticamente a porra da muleta para a tirar do sítio. Encontrei-a logo e tudo isto aconteceu muito rápido, apenas uns segundos... mas foi o suficiente para me deixar atarantada!!

Claro está que, tal como as crianças, a trenga da muleta agora também vai sempre no banco de trás... só comigo!!!!

2 comments:

claudia said...

Minha linda, estas em Boston não em Hollywood.
Desculpa mas fizeste-me rir...
Bjo

∫nês said...

Hehehhe!