1.22.2008

Dance for Fitness

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Aí por volta dos 13, 14 anos, comecei a adorar fazer desporto.

Era completamente viciada nas aulas do Rui (que será feito do melhor professor do mundo?) e não minto quando digo que, durante a semana, pelo menos num dos dias fazia 5 horas de desporto seguidas: aeróbica, step, condicionamento, musculação e, a cereja no topo do bolo, capoeira e/ou natação.

Mesmo sendo em Setúbal, consegui arranjar sempre maneira de chegar da faculdade (em Lisboa) e continuar a ir ao ginásio.
Quando este esquema ficou totalmente insustentável, então virei-me para o Holmes em Oeiras, onde as aulas de spinning faziam as minhas delícias.

Era um espectáculo pedalar a alta velocidade (ou não, mas com bastante resistência a substituir) ao som daquelas músicas que davam mesmo garra ao pessoal, sabem? Quando as batidas soam mesmo cá dentro e parece que ganhamos força/energia extra! Era já certo e sabido que, depois de cada uma destas aulas, uma poça de suor (literalmente) encharcava o chão em torno das bicicletas e a nossa roupita pesava seguramente o dobro, de tão molhada que estava.

Em todos estes casos, os instrutore(a)s estavam sempre 'a altura: davam ao litrinho, faziam todos os exercício e tinham aquele corpo por que todos nós suspirávamos um dia.

Recordo-me até que houve um vez em que, vendo-me a sair do banho, o meu pai referiu espantado: oh Inês!!! Mas... mas tu estás com abdominais?! (six pack mesmo).

Ai, ai... bons velhos tempos, não só no que diz respeito aos abdominais, mas também no que diz respeito a encontrar uma aula de qualquer exercício (já nem sou esquisita de referir uma modalidade) que realmente valha a pena.

Desde que vim para os USA que está mais que provado que as aulas são coisas para Inglês ver (Americano, neste caso), ou seja, o pessoal vai lá para tudo menos para suar ou se cansar.

A coisa chegou ao cúmulo de um dia, numa aula em que a professora decidiu puxar mais um bocadinho, haver pessoal a fazer queixa na recepção!

Aqui no gym da Harvard já corri todas as aulas que têm para oferecer e é uma frustração tremenda verificar que os instrutores estão sempre com pior condicionamento físico que eu (e acreditem que os meus tempos aúreos já há muito que se foram)... já para não falar que o excesso de peso nos professores impera em 80% dos casos.

E' que eu preciso de ter alguém que me inspire fisicamente e a dizer-me o que fazer e a insistir, sabem? A dizer: e mais 3, mais 2... e insiste, mais 8, 7.... vá, já é a última! Estão a ver? Assim, aulas com uma série de exercícios que sigam a música, música essa que puxa pela malta. Ora, até na música a coisa vai de mal a pior, pois só serve mesmo para não estarmos em silêncio. Agora seguir o ritmo que é bom e que até pode fazer a malta mexer-se mais um pouco... está quieto. E prefiro nem tocar no que diz respeito 'a qualidade da música, pois se for por aí nunca mais saio daqui.

Bem, em desespero de causa, pensei: se não encontro algo que me dê pica no ginásio vou tentar fora dele. E então virei-me para o Cambridge Center for Adult Education (CCAE) que é um local onde, todos os semestres, se podem fazer pequenos cursos que vão desde aprender Chinês a fazer teatro, passando por aulas de Olaria ou de como fazer sushi.

Tem de tudo para todos os gostos. Então, peguei no livrito e pus-me a ler as categorias de dança que pudessem aliar a música a algum exercício físico. E isto trás-nos ao título deste post.

Ora a descrição da aula "DANCE FOR FITNESS" é a seguinte:

"Take an hour for yourself and burn calories while improving your overall fitness - from increasing strength and endurance to enhancing posture, balance and flexibility. Focus is on stretching and strengthening exercises; easy dance combinations from Jazz, Broadway and modern dance; low-impact aerobics, and fun!. Class includes a warm up, floor exercises, dance/activity segment and a cool down."

Eu quando li isto pensei: isto vai ser a bombar. Workout no coração!
Agora segue a tradução:

" Tire uma hora para si e queime calorias enquanto melhora o seu condicionamento físico geral - desde aumento da força e resistência até melhoria da postura, equilíbrio e flexibilidade. Especial atenção em alongamentos (realmente devia ter percebido que a atenção era toooooda em alongamentos) e exercícios de fortalecimento; combinações de dança fácil (mas havia dança??) desde Jazz, Broadway e dança moderna (nota mental: rever significado de MODERNO. Temo estar completamente fora), aeróbica de baixo impacto (eu diria nenhum... e já agora, a aeróbica veio quando? E' só porque respiramos?) e divertimento (bota DIVERTIMENTO nisso!!). A aula inclui aquecimento, exercícios de solo, segmentos de dança/actividade (se calhar também convém rever estes conceitos) e arrefecimento (eu até percebia a parte do arrefecimento se a coisa tivesse de facto aquecido. Ah, devem-se referir ao aquecimento estar ligado... devem desligá-lo no fim)"

A avaliar pelos comentários na tradução já estão mesmo a ver que a coisa deu para o torto, não é? Pois é!

Preparem-se para rir: a coisa começou logo quando eu entrei na sala e me deparei com o que julguei ser a sala para geriatria e fisioterapia.

- "Devo-me ter enganado", pensei, "até a professora já passou da validade!!!".

Aquilo eram só cabelos brancos e corcundas por tudo quanto era lado e a prof. era uma velhita daquelas que parece um aranhiço e que tem um sorriso tipo paralesia facial e que nunca sai. Para além disso, os dentes dela eram horrível e artificialmente direitos, o que tornava o sorriso ainda pior. Durante a aula toda só me lembrava daquele casal de velhotes do filme do David Lynch, "Mulholland Drive", que atazanavam a cabeça da Bety... acho que vou ter pesadelos!
Se não sabem quem são os velhotes, fica aqui mais ou menos o que quero dizer:

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A medo perguntei se aquela era a aula de Dance for Fitness. Afinal não me tinha enganado... era mesmo aquilo.

- "Bonito!! Deixa lá ver o que sai daqui"

Olhem... aquilo nem tem ponta por onde se pegue. Nem sei por onde começar.

O que eles chamam de jazz, música moderna e sei lá que mais, parou no Percy Sledge (aquele que canta "Oooohhh.... myyy...yyy... loooove!!) e, e... isso já era muito bom.

Eram só músicas tiradas do baú, cheias de teias de aranha e com aquele piquinho típico da grafonola. Embora antiga, a música podia ter ritmo, certo?

Errado!

Se aquilo chegasse a 60 pulsações por minuto estávamos com sorte. Já dá para ver que aquilo era um ritmo louco e que os exercícios (após muuuuito tempo a alongar, não fossem as velhotas deslocar as próteses) se baseavam em apenas caminhar e, quando se tornavam aventureiras, lá levantavam um joelhito.

Houve lá uma parte em que a música que tocou era aquela do filme "Do cabaret para o convento/Sister Act", com a Whoopi Goldberg, mas era a versão original... que é muuuuuito mais lenta. Se vocês se lembram desse filme e das irmãs a cantar "Ain't no mountain too high" ficam já a saber que isso seria considerada a minha aula vezes 1000 rotações. Naquele filme as freirinhas de certeza que tinham bebido 5 Red-Bulls e se tinham esquecido de desligar o vibrador, tal era o speed delas comparado com a loucura que se passava nesta Dance for Fitness.

Ah, e a Broadway entrava da seguinte maneira: a malta colocava-se em 2 filas paralelas, de frente uma para a outra e depois, numa coreografia elaboradíssima, a gente avançava em direcção ao meio (atenção, a andar, não fossem os pace-makers disparar) e depois (preparem-se que isto é lindo) as linhas cruzavam-se nos espaços entre as pessoas... foi a loucura.

Eu juro que a determinada altura não conseguia conter o riso. Cada vez que me via reflectida no espelho e reconhecia a minha expressão era como se encontrasse uma cúmplice no meio daquela Brigada do Formol e era o descalabro. E ria! E ria!

Até me lembrei da minha mana e do quanto nós sofríamos nas Novenas a que a nossa avó insistia em levar-nos, durante as quais nos contínhamos ao máximo. A gente bem que ficava quietinhas a ouvir as velhotas a cantar "Avéeeeee!!! Avéeeeee!!!" esganiçadamente mas, quando olhávamos uma para outra, já não dava mais!
Basta dizer que a nossa avó nunca mais nos levou!

Mas voltando 'a aula, eu ria que nem uma desalmada, tentanto disfarçar enquanto andávamos aos círculos sobre nós mesmas, com os pézinhos a dar-a-dar, como se estivéssemos a fazer sapateado (desculpem, afinal levantar o joelhinho não era a parte mais audaz. Esta do sapateado é que era).

Acho que essa foi a única altura em que de facto fiz algum exercício nos abdominais.

Quando a aula terminou estava determinada a ir fazer queixa 'a recepção. Afinal aquilo foi publicidade enganosa e uma mui má maneira de gastar 130$ (por 10 aulas) mas, percebi que não ia conseguir fazê-lo, uma vez que quando preparava o início do meu discurso na cabeça, me desatava a rir e não conseguia mais parar.

E pronto, aqui continuo eu sem encontrar um exercício 'a altura!

Pelo sim pelo não, lá vou continuar a ir ao gym correr e levantar pesos (que é uma seca) e uma vez por semana vou ao Power Yoga. Ao menos aí suo que nem uma porca e fico com o corpinho a doer... mas ainda falta a música a bombar!

Humpf!

3 comments:

bruno said...

ja' experimentaste o ymca ? acho q eles tem la' umas coisas a bombar...

Anonymous said...

Ora viva !!!!!
Lá se foram os abdominais, Fatinita.
Perante uma tão geriátrica sessão só faltava tomarem banho na piscina do Cancoon, onde estavam os ovinhos "et's" e rejuvenescer uns 30 anitos. Ah !!!! juntamente com o geratric team, mandavas os discos e a grafonola. Ficavam Ipod's à maneira, por certo.
Fatino :))

Violante said...

Detesto spinning... detesto! E adoro andar de bici! :) Depois de tanto ano a usá-la no dia a dia pela rua fora, com a paisagem a mudar, quem é que me convence a deixar-me prender a um banco estático??

boa sorte na procura d'O GINÁSIO ;)