Para que não pensem que o meu gosto musical se foi, aqui fica a justificação - A musiquita que acompanha este post é um dos hits que se ouvia em El Salvador, a torto e a direito. Só assim se justifica que eu para aqui pusesse o Enrique Iglesias, ahaha. Curiosamente, embora o abomine e ao paizinho dele também, há algo nesta música que me faz gostar dela... talvez seja o cheirinho a férias :)
No Domingo passado cheguei de 10 dias em El Salvador.

Foram férias, mas mesmo férias a sério! Daquelas em que não se faz mais nada que não seja estar estendido ou estar deitado (como o menino Jesus, segundo o Pai Natal), comer algo, e voltar a estender ou a deitar. Aliás, foram de tal maneira férias a sério, que li como já há muito não o fazia: 2 livros e meio em 9 dias, numa média de 100 páginas por dia. Tal estava desabituada a tanta leitura, que fiquei com um torcicolo estupendo no último dia, que me deixou a andar tipo robot e hoje ainda não desapareceu completamente. Continuo toda empenada.
A viagem começou bem, logo 'a chegada ao país. No aeroporto, supostamente teria que pagar $10 dólares para passar a emigração mas, após uns toques de espanhol e responder 'as perguntas do funcionário, que estava claramente a "flirtar" comigo, quando eu ia a pagar ele disse-me que eu não precisava de o fazer. E lá entrei eu de graça, hehehe!
Muy bueno, muy bueno!
Esperei que chegasse o vôo do Bernardo, amigo com quem fui, e depois o Tino, um motorista do hostel onde íamos ficar, apanhou-nos de imediato. Porque uma certa ponte caiu há já 2 anos (e ainda não foi reparada) o caminho entre o aeroporto e El Tunco (mapa = La Libertad), praia onde ficámos os primeiros dias, é agora mais longo. E eu até gostei que assim fosse porque assim pude ver logo um pouco do país durante a viagem.
E' claramente um país simples e pobre, mas fiquei deslumbrada como todo o verde e com a paisagem. Mais tarde, conquistou-me a simpatia das pessoas. Na estrada, vários carros com côcos, como já vem sendo hábito na América Central e do Sul, e também pessoas empoleiradas de forma muito pouco segura em carrinhas de caixa aberta... andava sempre a pedir a todos os santinhos que um deles não fosse projectado numa travagem ou num arranque mais forte, não fossemos nós atropelar alguém. Felizmente, tal nunca aconteceu (nem sei como!!).








Embora eu não soubesse, El Salvador tem as melhores ondas para o surf da América Central. Porque o Bernardo é surfista, este foi o destino que escolheu para as férias. Eu acabei por me juntar, para praia, sol e descanso (nem imaginam como os El Salvadoranhos ficaram confusos com esta parelha. Eu mulher, o Bernardo homem, a dormirmos em quartos separados. "Mas não são um casal?", perguntavam. "Não, eu/ela sou/é casada. Somos amigos", respondíamos. "E o teu marido deixa-te vir com o amigo?!?! Aqui em El Salvador, isso não funciona assim!". Aí sim, a cara deles era imperdível. Ainda nos rimos muito com esta situação).
Fomos para a praia d'El Tunco e acabámos por ficar no hostel La Guitarra, que nos pareceu melhor do aquele que tínhamos escolhido inicialmente, e foi a decisão acertada. Aconselho vivamente. Fica na praia, literalmente. Só há uma amurada que nos separa do mar. Os quartos, embora simples, são limpos e funcionais, com casa de banho e com uma bela rede e uma cadeira no alpendre, para se executar o "dolce far niente". Tem piscina, mesa de ping-pong e snooker, para além de uma cozinha toda equipada, onde toda a gente pode cozinhar.


Como disse, rede ideal para o "dolce far niente" :)
Tinhamos por lá o Capitão Iglô que, deste ângulo, parecia estar sempre pronto a mandar uma mijinha para cima da coitada da tartaruga.



Todos os quartos tinham este suporte, para as pranchas de surf. Eu não tinha uma mas, mesmo que tivesse, bem que ia para cima da cama e a minha malita ficava na mesma aqui pousada. E porquê?...
Para evitar que bicharocos como este fossem lá para dentro. Este encontrei-o eu na primeira noite, 'a porta da minha "casa", quando eu para ali andava descalça Após ter sido arremesado com várias coisas (que obviamente não lhe acertaram porque tinhamos muito má pontaria e não queríamos chegar muito perto), finalmente descobrimos que o lacrau estava vivo (não por muito tempo). Ficámos meio atarantados, sem saber bem o que fazer, mas depois pedimos a um dos rapazes do hostel para nos ajudar e, prontamente, este tentou pisá-lo contra o canto. Só que o caramelo fugiu para dentro do meu quarto. Lindo!
Só que não foi muito longe. Assim que abrimos a porta, lá estava ele no chão.... e foi para o céu dos artrópodes.
Por trás do bar do hostel, a praia d'El Tunco e Sunzal. Pelo que vim a perceber, a praia numa certa altura do ano tem todas as pedras cobertas de areia e não se vê um único calhau. Nesta altura do ano, em que fômos, toda a areia foi para o mar e ficaram só os seixos. Por isso, os meus banhos de sol reduziram-se somente 'a piscina, uma vez que não dava jeito nenhum estar deitada por aqui.
Porque há vários vulcões, algum dos quais ainda activos no país, a areia é escura. Contudo, a água é muito limpinha, embora nas fotografias não pareça muito. Pelos vistos, é comum os surfistas depararem-se com tartarugas e golfinhos, quando vão mais para dentro do mar. Também há tubarões, mas desses não vimos... ainda bem! A temperatura da água, para mim, era quente demais, pois estar na água ou não estar, dava no mesmo. Não refrescava nada nem reduzia a sensação de calor e humidade, que eram uma constante.
El Tunco quer dizer "O Porco". Ao que parece, esta rocha parecia-se com um, mas devido 'a erosão, já perdeu essa forma.


Algo de que gostei muito, por causa da existência de tantas pedras, foi do som particular que a água fazia ao descer, de volta ao mar. Ao arrastar os seixos, o som mais parecia aquele de fogo de artifício 'a distância:
4 comments:
Simon!!! Convenceste-me, tenho que voltar a El Salvador :) quem sabe, antes de ir à Islândia...
Já agora, porque será que todos os motoristas, em todo o lado, se chamam Ernesto??? Nunca percebi.
Beijinho e bom regresso a casa, ao quarto com o marido :) e ao trabalho novo!
GL*
deve ter sido bom passar uns dias longe de tudo, do consumismo, de coisas, de stress e pressão, e passar os dias a olhar para galos, e mar e ceu e verde.. ainda bem que ainda consegues apreciar tudo isso, há quem já não se consiga libertar do hi-tech em que vivemos.. beijinhos!
Agora que li o post percebi que o que eu achava serem pores do sol sao amanheceres, lindo!
Gustavix: será que tivemos o mesmo guia? :)
Mas por acaso, eu tive a mesma experiência com o nome Enrique: quase todas as crianças que conheci tinham esse nome.
Ainda bem que te fiz mudar de ideias!
Ana: adoro fugir da civilização. Adoro não ter email ou telefone. Adoro não saber o que se passa no mundo. E nestas férias, isso foi mais que fácil :)
Sara: sim, o nascer do sol era maravilhoso. Porque está orientado Este-Oeste, o sol nunca está no mar, mas as cores no céu eram igualmente belas.
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