4.30.2010

Espaço aéreo

A propósito da erupção do vulcão Islandês, de nome impronunciável, deparei-me com estes 2 vídeos: o primeiro relativo ao fecho do espaço aéreo (visto sobre a Holanda) e o segundo relativo 'a reabetura do mesmo (desta vez sobre a Europa).





Não é o máximo??

4.29.2010

Serviço Público - Colite Ulcerosa


Toda a gente me pergunta: então e as fotos, e o relato do Brasil, e as férias?

Têm todos muita razão (e não perdem pela demora para ficarem roidinhos de inveja) mas desde que chegámos que tudo tem sido uma correria. Para além do trabalho e correspondência (e respectivas contas, etc...) acumulados por quase um mês, acabei por ter uns problemas de saúde que em nada ajudaram a voltar 'a rotina.

Para aqueles que já me seguem desde o início deste blog (1 leitor talvez... 2 vá!), lá bem longe, em 2004, deve-se lembrar que uma vez contei sobre uma aventura, quando então ainda morava em Nova Iorque, onde falava sobre um episódio no hospital.

Na altura ninguém me soube explicar os sintomas que vinha a sentir há uns dias, de muito sangue nas fezes, cólicas e sensação constante de ter que ir 'a casa de banho. Impôs-se portanto que eu fizesse uma colonoscopia, situação essa descrita no post acima referido. A médica suspeitou que fosse uma proctite, receitou-me um tratamento tópico com mesalamina, que a bem ou mal acabou por controlar a coisa e, da mesma forma que apareceram os sintomas também se foram embora.

Desde então que nunca mais tive qualquer evento do género, até agora, passados 6 anos, pouco antes de ir de férias. A indisposição e algum sangramento recomeçaram, mas mantiveram-se estáveis durante todo o tempo que estive fora. Regressada aos EUA, fui de imediato a um Gastroenterologista que, mediante os sintomas e o meu historial, deduziu que eu estivesse a ter novamente um episódio de proctite.

Assim, há cerca de 2 semanas que reiniciei o tratamento com mesalamina e, no início, o medicamento pareceu surtir efeito. Contudo, passada uma semana desde o início da medicação, comecei a ter cólicas muito fortes. Tão fortes que, a cada uma, me tinha que dobrar e contorcer toda para tentar diminuir a dor. Para além de fortes eram também muito frequentes.

Imaginem que estão com uma intoxicação alimentar e que, a cada 10 minutos, sentem daqueles pontadas dolorosas e agudas na barriga, que vos fazem correr para a casa de banho. Quando as cólicas começaram ainda tinha algo para deitar fora, se bem que fosse já só água castanha, mas passadas umas horas, só sentia a dor, a urgência, os arrepios, o frio, as contracções, mas já nada para evacuar... e muita muita dor!

O fim de semana foi passado assim, com a esperança que o uso tópico da mesalamina surtisse efeito, mas já nem isso funcionava. Aliás, porque o tratamento é sobre a forma de clister, vi que a coisa estava a dar mesmo para o torto quando já nem conseguia segurar a solução injectada mais do que 2 horas (quando é suposto actuar durante toda a noite).

Positiva e não querendo ceder aos sintomas, na 2a feira ainda fui para o laboratório mas, a cada contracção, quase que deitava a pipeta pelo ar e escorregava pela cadeira abaixo contorcida em dor.

Tive que ir 'as urgências e lá, após contacto telefónico com o meu médico, fui logo tratada com mesalamina oral, para que o medicamento actuasse agora em todo o intestino e não só no recto (porção inicialmente tida como a origem do problema). No dia seguinte fui para o hospital, para realizar uma sigmoidoscopia de urgência, por forma a o médico perceber porque estava com tantas dores e tamanho desarranjo intestinal.

O exame revelou notícias indesejáveis, pois a inflamação que inicialmente se julgava confinada ao recto e, portanto, tratável com clisteres de mesalamina, alastrou agora por todo o colon/intestino. A zona do recto estava saudável, sinal de que a medicação surtiu o efeito desejado. Inesperadamente, a inflamação manifestou-se e alastrou para zonas que não recebiam o tratamento. Tenho, portanto, o que é conhecido por colite ulcerosa.

Num intestino saudável um exame como a sigmoidoscopia não necessita de qualquer anestesia. No entanto, num intestino com colite, como o meu e cuja condição o médico desconhecia, as paredes estão muito irritadas e sensíveis e o mínimo estímulo provoca a mais profunda das dores. Já estão a imaginar o que eu passei durante o exame, quando o ar era insuflado por forma a afastar as paredes do intestino para a sonda passar.

Posso dizer que sou uma pessoa muito resistente 'a dor e que é raro chorar por este motivo. Não chorei quando parti o braço ou fiz ruptura dos ligamentos do joelho (há 2 meses atrás). Quando bebé, eu era o espanto das enfermeiras, pois nunca chorei com nenhuma vacina... nem mesmo com injecções de penincelina. Não me lembro de alguma vez ter chorado num consultório médico. Pois digo-vos, chorei mesmo muito durante este exame! Soltei gritos de dor, tal eu estava.

Bem, chega de desctições desagradáveis. Imagino que por agora aqueles que me estejam a ler estejam com esgares de desconforto no rosto.

A razão pela qual aqui escrevi sobre isto, sob o título de "serviço público" é porque, se bem se lembram, aqui há uns tempos falei sobre um outro sintoma que me levou a descobrir a vulvodinia. Até hoje nunca recebi tantos comentários num post nem nunca antes um post me pareceu ter sido de tanta utilidade para os leitores.

Penso que é também de utilidade estar ciente desta situação de colite ulcerosa. Se tiverem alguns dos sintomas descritos, não hesitem ou demorem a visitar um médico. Convencida de que "isto passa", fiquei quase 4 dias com dores, que pioraram gradualmente. Se tivesse ido logo ao médico de novo, possivelmente não tinha sofrido tanto quanto sofri.

A boa notícia é que a mesalamina faz milagres e desde que comecei a tomar os comprimidos que os sintomas estão a diminuir e já consegui retomar a minha vida normal... bem, quase toda. Só ainda não retomei o ginásio.

Por isso, assim que estiver de volta 'a forma antiga e com mais cabeça e disposição, dedico-me 'as férias, ok?

4.28.2010

Ines(perado)... ou antes, Ines(desesperada)



Quando chegámos de férias, há já 2 semanas, Cambridge recebeu-nos cheio de flores e sol. As árvores são um festival de rosas e brancos, pétalas por todo o lado, tudo muito verdinho e viçoso... uma Primavera digna do nome.

Obvio que, imediatamente, alguns apetrechos foram logo postos de lado, nomeadamente luvas, gorro e cachecol para andar de bicicleta. Tem sido uma maravilha, sentir a brisa amena no rosto e no pescoço.

Mas, qual não é o meu espanto, quando hoje de manhã dou por mim a tiritar de frio e com as mãos congeladas, a desejar por um par de luvas. Mínima de 4 graus!!! Quê, mas está tudo louco??

Devo ter entrado na rua errada.... humpf!!

4.16.2010

Pronta para a maratona!



Eis-me de volta! Há muitas coisas para contar mas, uma vez que só chegámos na 3a feira, ainda não me consegui organizar por forma a mostrar seja o que fôr.

Contudo, o que posso dizer é que, sem demora, fui logo visitar o cirurgião na 4a feira, que me deu a excelente notícia de que, afinal, não preciso de ser operada ao joelho.

Testou a perna, puxou, dobrou, torceu, fez 30 por uma linha para chegar 'a conclusão que há pessoas com o joelho muito mais solto do que o meu e que recuperei rapida e excelentemente (nada como os ares do Brasil, digo eu). Disse-me que podia voltar 'a minha vida normal, frequentar o ginásio, andar de bicicleta e tal. Fiquei felicíssima!

Quis ir de bina logo no dia seguinte para o laboratório, mas a marreca da Mila (a minha bina), de tanto tempo parada (ou de tanto chorar com saudades minhas), ficou com a corrente enferrujada e vai de não andar um milímetro.

Hoje já a pus a arranjar e acabei de a ir buscar. Pormenor importante, já voltei a casa a pedalar, sem dores ou dificuldades, sempre a andar... zinga zinga (e olhem que é a subir!).

Ainda não fui ao ginásio mas, desde que o médico me deu a boa nova, que arrisco descer as escadas aos saltinhos ou uma corridinha pelos corredores do instituto... e sabe tão bem!

Lembrou-me daquela cena do filme Forrest Gump, em que o miúdo supostamente é todo coxo, anda com um aparelho nas pernas que mal o deixam mexer e, de repente, desata a correr e esfrangalha aquela traquitana toda, descobrindo que tem umas pernas prontas para tudo.

Se eu estivesse também com um daqueles aparelho na perna, aposto que também o tinha mandado para o galheiro assim que recebi a notícia, hehehe.

3.14.2010

Férias





Mesmo com a perna meio 'a banda, amanhã sigo para o Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fernando de Noronha e muito mais... férias, here I go!!!! :)

3.09.2010

No Bom caminho



Ontem na fisioterapia já andei de bicicleta estacionária, por 10 minutos, e hoje no ginásio lá dei eu ao pedal de novo, por mais 15 minutos. Já subo e desço escadas, ando sem o suporte ou as muletas. A cada dia, consigo dobrar o joelho mais e mais. Não há mais dor ou inchaço. Já voltei ao laboratório e já fiz experiências.

Yuuuupppi!!!! Estou feliz!!!! :)

Que atrofio

Há tempos, enquanto via o que tinha sido publicado aqui e ali, deparei-me com estas imagens num artigo que saiu na Plos One e achei-as fantásticas:



Basicamente o que os cientistas fizeram foi inibir o gene da miostatina, responsável por controlar o crescimento dos músculos esqueléticos, e o que obtiveram foi ratinhos com músculos que cresceram como se não houvesse amanhã. Um verdadeiro super-ratinho, todo bombado e musculado. Na imagem, vêm o ratinho normaleco em cima e o super-ratinho na foto de baixo.

E porque me lembrei eu de vos mostrar ratos depelados e bombados? Exactamente porque isto me lembrou da minha situação actual. Não que me esteja a cair o pêlo ou tenha músculos por aí além mas porque, desde o acidente de ski, a coisa que mais me impressionou foi a velocidade com que perdi massa muscular na perna e nádega direita. Bastou estar 2 dias de "patinha" esticada e ao ar para, imediatamente, a minha perna (e respectivo rabiosque) virarem um pedaço de esparguete hiper cozido. Por outro lado, porque a perna esquerda levou com o trabalho todo em cima, está maior e mais forte.

Só agora me apercebi que, de facto, afinal, até tinha algum músculo na perna. Agora, quando comparo as duas pernas, nem parecem irmãs... parecem-se mais com os ratinhos da fotografia acima: tipo bucha e estica.

Eu acho que bem me podiam inibir a produção de miostatina na perna direita por uns tempos a ver se volto a uma forma mais simétrica.

A Muleta Assassina



Já muitas vezes o disse por aqui e continuo a dizer: ele há coisas que só comigo!!

Como se já não bastasse ter-me arriscado a ficar no meio de um assalto ao banco sem possibilidade de fugir, esta minha condição de perneta continua a pregar-me partidas.

Na 6a feira 'a noite, pela primeira vez desde o acidente, saí para passar o serão numa festa em casa de uma amiga. Uma vez que já tinha testado conduzir no dia anterior e o fiz sem dificuldade, porque não?

Embora também já consiga andar só com o suporte na perna e sem canadianas, quando saio, mesmo assim, levo uma muleta de apoio, não vá alguém dar-me um encontrão ou eu tropeçar em alguma coisa e pôr demasiada força na perna lesionada. Assim, lá entrei eu no carro com jeitinho, fechei a porta e coloquei a dita muleta entre o assento e a porta.

Note-se que quando conduzo o faço ainda com o suporte 'a volta do joelho e, porque este tem uns ferros de lado para evitar que o meu joelho oscile para a esquerda ou para a direita, não consigo dobrar a perna quando o tenho posto. Consigo apenas girar o pé para os lados, podendo facilmente alternar entre o travão e o acelerador, mais do que suficiente para conduzir.

Acontece que, já a meio do caminho, sem mais nem menos, sinto que, de repente, o carro desata a acelerar... e, quase que imediatamente, sinto também que é o meu pé que está a carregar no acelerador, cada vez com mais força.

"Ai, caraças!!", pensei eu naquele fracção de segundo em que tentava perceber o que se estava a passar. Felizmente não tinha nada nem ninguém 'a minha frente e a coisa resolveu-se, mas podia ter sido feio.... e eu nem sequer tenho um Toyota!

O que se passou foi que a caramela da muleta, vá-se lá saber porquê, a meio do caminho aterrou em cima do botão que faz com que o banco do condutor vá para a frente ou para trás, electronicamente. Como eu sou uma pessoa cheia de sorte, a traquitana deu-lhe para carregar no botão por forma a que o banco fosse para a frente. Já estão a ver o que se seguiu! Parecia uma cena de filme! Como eu não conseguia dobrar a perna, 'a medida que o banco me empurrava para a frente, a minha perna, toda esticadinha, empurrava também o acelerador.

"Ai caraças!! Ai caraças!!", dizia eu enquanto buscava freneticamente a porra da muleta para a tirar do sítio. Encontrei-a logo e tudo isto aconteceu muito rápido, apenas uns segundos... mas foi o suficiente para me deixar atarantada!!

Claro está que, tal como as crianças, a trenga da muleta agora também vai sempre no banco de trás... só comigo!!!!

3.04.2010

Banco


Hoje o David foi para o Brasil. Porque já me consigo movimentar bastante bem sem muletas, eis que experimentei conduzir pela primeira vez após o acidente, e ir com ele até ao aeroporto, para depois trazer o carro. Tudo correu bem e conduzi sem dificuldade.

Porque estava tão feliz por já poder fazer várias coisas autonomamente e por, finalmente, estar fora de casa (muito embora o tempo estivesse horrível, cinzento, com neve e chuva) decidi aproveitar e, já que estava de carro, ir ao banco.

Como sempre, estacionar perto do banco foi uma dificuldade, pois aquela rua nunca tem lugar. Mas, porque mesmo sem muletas continuo a andar com o suporte 'a volta do joelho, pensei em estacionar logo ali, 'a porta. Muito embora a traseira do carro ficasse um pouco já sobre uma rampa de acesso, arrisquei e confiei que o serviço ao balcão seria rápido.

Entrei, cheguei ao balcão, fiz o meu pedido e, enquanto a funcionária o estava a processar, eis que entra um polícia no banco, a olhar para todo o lado, como se 'a procura de alguém.

"Já está! Já me lixei! De certeza que vai perguntar de quem é aquele carro mal estacionado", pensei eu, enquanto esperava que ele proferisse aquelas palavras. Estou eu naqueles segundos de ansiedade quando entra um segundo polícia, igualmente espavorido e a olhar para todo o lado, desta vez com a mão no coldre. "Dois!? Não há mesmo como dar a volta ' coisa. Nem os santinhos me podem ajudar!".

Mas eis que, contrariamente aos meus temores, os polícias nada disseram e só desataram a andar pelo banco fora. Nisto, noto que os funcinários se foram levantando e, meio atarantados, começam a olhar uns para os outros, como se tivessem um pergunta no olhar. Essa pergunta logo se materializou: a funcionária ao lado da minha sussurra-lhe "Quem é que activou o alarme?"

"O banco está a ser assaltado!!!", percebi logo eu, pela conversa, suportada pela linguagem corporal das pessoas. E sabem o que é curioso? E' que em vez de ficar sobressaltada só me vinha 'a cabeça: "Só podem estar a gozar comigo!! De todas as vezes que vim ao banco, hoje, logo hoje, é que se lembram de assaltar o banco?? Só comigo!! Hoje, que estou perneta, coxinha?!?! Se quiser fugir não consigo!! Se os gajos se lembram de mandar toda a gente deitar-se no chão nem isso consigo fazer. Fica toda a gente no chão e aqui a coxa em pé, a mexer-se que nem uma tartaruga com reumatismo".

Estou eu nestas conjecturas e vem o polícia falar com a gerente, ali ao meu lado. Afinal, falso alarme!!! Está visto que o sistema volta e meia se lembra de disparar sem razão aparente. Mesmo assim, os polícias seguiram com o protocolo e por lá ficaram até ter a certeza que tudo estava bem.

"Está tudo bem?", perguntei 'a funcionária que me atendia, antes de sair, para garantir que não fazia nada fora das regras. "Sim, tudo bem!", respondeu-me aliviada.

Cá para mim, eu acho que o alarme disparou justamente porque eu lá estava, naquelas condições de micas-côxa-da-madragoa. Como disse, só comigo!!! Havia de ser giro, havia!

Aceitam-se apostas (II)



Vai ter mesmo que ser. Por forma a que o meu joelhito volte a ser o que era e que eu possa fazer todos os desportos que me der na veneta, há que reconstruir o ACL, logo, tenho que ser operada.

Eu passo a explicar.

Quando caí a fazer ski, há quase 2 semanas atrás, torci o joelho porque o ski não saltou da bota (caramelo!). Ao torcer o joelho, fiz ruptura parcial de dois tipos de ligamentos: o lateral (MCL, que fica do lado de dentro do joelho) e o anterior (ACL, que, simplificadamente, fica na parte de trás do joelho).

Ora, estes ligamentos têm o seu quê de agri-doce. Se, por um lado, o MCL é aquele que dói, é também aquele que tem capacidade regenerativa e bastam o tempo e a paciência para que volte 'a sua forma antiga. Por sua vez, o ACL não dói nada, mas não se consegue recuperar sozinho.

Isto quer dizer que, muito embora já não sinta dor e até já tenha começado a andar sem muletas e sem o suporte 'a volta do joelho, quando tudo já estiver a funcionar como deve ser e eu já nem sequer me lembrar do acidente, a qualquer altura o meu joelho pode "falhar" (especialmente em casos de impacto e stress, como correr, saltar, esquiar, etc...). Isto porque o ACL, por não se recuperar, continua instável e pode não se aguentar 'a bronca em certas ocasiões.

O perigo é que quando o joelho "falha" posso também fazer uma lesão ainda pior do que aquela que já tenho e aí a coisa pia mais fino. Por isso, embora não seja obrigatório ser operada, porque sou uma pessoa activa e não quero andar sempre com receio que algo de mal aconteça de novo ao meu joelho, é preferível "ir 'a faca".

Nem sequer é "ir 'a faca" no sentido de que me vão cortar, abrir e vai haver montes de sangue e uma cicatriz enorme, pois a coisa é feita por apenas 3 furinhos no joelho (artroscopia), por onde entram sonda e instrumentos... e o tendão dador (que ou muito me engano ou vem de um cadáver... tenho que perguntar, hehehe).

Por ora, o objectivo é recuperar toda a mobilidade no joelho, como se nunca se tivesse passado nada. Assim, após a operação, embora haja tecido cicatrizado e a inevitável perda (se bem que muito pequena) de mobilidade, esta não se faça sentir muito. Na fisioterapia estou a avançar bastante rápido e bem, na opinião do técnico, e eu própria já me sinto outra.
Desde que me consigo movimentar sem muletas que sou uma pessoa muito mais feliz :)

E pronto, é isto... lá para Maio/Junho (penso eu), segue-se uma nova saga, a da operação.

Por acaso, até estou a pensar pedir ao médico se, em vez de anestesia geral, posso levar uma epidural. Assim, podia ver a coisa ao vivo e até relatar-vos como é que o meu joelhito está por dentro (esta é a minha veia de wanna-be-médica a funcionar).

3.03.2010

Aceitam-se apostas


Amanhã tenho consulta com um cirurgião, para ver em que pé é que estamos (passo a ironia) relativamente ao meu joelho.
Opera ou não opera?

2.23.2010

Adeus Ski!!!


Este fim de semana fui esquiar de novo só que, pela primeira vez, e infelizmente, não acabou da maneira desejada. Voltei para casa com uma perna imobilizada, um par de muletas, medicamentos para a dor e um prognóstico nada agradável de ruptura dos ligamentos do joelho.

Tudo aconteceu na parte da tarde. Durante a manhã esquiámos várias montanhas, imensas pistas, incluindo pistas pretas, que o meu amigo Maurício me convenceu a descer. Desci-as sem nunca cair, 3 vezes. A coisa correu bem e fomos todos contentes almoçar.

Depois do almoço, o pessoal do meu grupo decidiu voltar 'as pistas. Porque ainda estava cansada e me queria aquecer mais um pouco, disse-lhe que fossem descer umas quantas vezes que, depois, me juntaria a eles. Passada uma meia hora (e uma barra de chocolate), lá fui eu para a neve de novo.

Subimos até ao topo da montanha e descemos a pista azul que já várias vezes tinhamos descido de manhã. Chegados cá abaixo, decidimos subir novamente só que, desta vez, iriamos virar para umas outras pistas, para apanhar um outro elevador. Combinado!

Porque eu sou mais lenta que o resto do pessoal, exactamente por receio de ir rápido demais e de me espalhar, disse-lhes: eu vou indo e vocês apanham-me pelo caminho. Combinado!

Comecei a descer enquanto eles apertavam as botas 'a prancha. Zig, zag, zig, zag, lá ia eu toda contente... tudo a correr bem até que, ao fazer uma curva para a esquerda, vejo um monte de neve que não vislumbrei antes. Para o ultrapassar sem dificuldade, teria que ir mais devagar... que não ia. Assustei-me e tentei fazer exactamente aquilo que não se deve, que foi travar em cima do obstáculo. Pronto, embrulhei-me e ao cair a porcaria do ski não saltou dos meus pés. Assim, o meu pé ficou preso enquanto eu ainda rodava e foi então que ouvi um espectacular estalo no meu joelho, seguido de dor lancinante.

"Não! Não! Não!!!" gemia eu, de cara na neve, sem conseguir mexer-me e consciente de que acabava de mudar a minha vida, se não para sempre, por uma bela temporada, provavelmente com cirurgia pelo meio.

A única coisa que consegui fazer foi levantar o braço e acenar para que alguém me ajudasse. De imediato um casal parou perto de mim e auxiliou-me. Com a maior calma, tranquilizaram-me, tentaram tirar-me os skis sem me magoar e viraram-me por forma a ficar de barriga para cima. Chamaram logo o "ski patrol" e não sairam de ao pé de mim até que a ajuda chegasse. Foram impecáveis!!

Entretanto, eu estava com atenção para ver se os meus amigos passavam... e passaram! Só que, porque iam depressa e eu estava numa depressão, não me viram. Eu ainda chamei por eles mas não adiantou muito. Pensei: " bem quando virem que eu não apareço, procuram por mim" (isto porque nesta montanha não há cobertura de telemóvel e eu não lhes podia ligar).

A patrulha de salvamento chegou em menos de nada e, também eles, foram impecáveis. Explicando-me sempre tudo o que estavam a fazer, testaram a perna um pouco, puseram uma tala em cada lado do joelho, passaram-me para cima da maca, cobriram-me com uns cobertores e impermeáveis e depois... toca a deslizar-me até ao fundo da montanha. Esta parte até foi gira, porque foi novidade. De certeza que não é toda a gente que pode dizer que andou num toboggan de salvamento, hehehe.

Porque a lesão era na perna, e para evitar que a pressão sanguínea fosse para lá, eu fui de cabeça virada para baixo... disso não gostei muito. Porque sou uma enjoadinha, a meio do caminho estava a ver que ia vomitar ali mesmo e isso não ia ajudar muito. Vá lá, aguentei-me e cheguei ao posto de socorro sem verificar em que ponto estava a minha digestão.

No posto de socorro toda a gente foi super atenciosa. Transferiram-me para uma maca, tiraram-me as botas de ski, cobriram-me com um cobertor quentinho e daí segui para o raio-x. A gaja do raio-x devia estar num mau dia pois foi a única excepção no que toca a amabilidade. Até então, eu não tinha soltado uma única lágrima, não obstante a dor e toda a situação, em que me sentia meio fragilizada e preocupada. Mas esta gaja, sem dó nem piedade, mandou-me pôr a perna em posições em que, mesmo sem eu querer, as lágrimas me escorriam pela cara abaixo. Eu bem lhe dizia que me estava a doer muito mas a gaja só respondia "aguenta e não mexe". Estúpida!

Os raio-x mostraram que nada estava partido e depois o médico, por palpação e pelos guinchos de dor que eu mandei com certos movimentos que ele fez, deduziu que, provavelmente, fiz uma ruptura dos ligamentos cruzados anteriores. Mandou-me para casa com a perna imobilizada, com um par de muletas, com uma receita para medicamentos para a dor a recomendação de ver um médico quando chegasse a casa.

E depois, só tive que ficar ali 'a espera que os meus amigos dessem pela minha falta. Pensei que tal fose acontecer instantâneamente mas, quando não me viram aparecer no elevador combinado após esperarem mais de 15 minutos, pensaram que eu não tinha virado na pista combinada e que nos tinhamos desencontrado. Na cabeça deles, o mais óbvio era depois encontrarmo-nos ou no lodge ou no sítio onde aluguei os skis e, portanto, continuaram a esquiar alegremente.

Nem mesmo o facto de os nomes deles estarem em cartazes em todos os elevadores e de terem sido chamados em todos os lodges os conseguiu trazer até ao posto de socorro antes que passassem 2 horas. Só ao fim do dia é que um deles ouviu o chamamento e eles foram lá ter.

Durante as 2 horas que esperei ainda ponderei a hipótese de agarrar nas minhas canadianas e ir esperá-los no sítio do aluguer mas... sem sapatos, não havia condições. Afinal, os meus sapatos eram as botas de ski e essas ja tinham ido 'a vida.

Enquanto esperei tive direito a chocolate-quente... menos mal.

Ao fim do dia, lá apareceram eles. No fim das contas, até foi bom assim: aproveitaram o dia enquanto eu esperei bem quentinha, a beber chocolate quente, de perna esticada. Se tivessem vindo mais cedo, não me podiam ajudar com nada e a única diferença é que iríamos mais cedo para casa sem que eles se divertissem tanto.

E pronto, foi este o resumo do meu último dia de ski deste ano e, certamente, dos próximos tempos :(

No momento em que vos escrevo, já fui ao médico, já fiz uma ressonância magnética e aqui continuo de perna esticada, com um saco de gelo em cima. Amanhã saberei ao certo o que aconteceu com o meu joelho. Pelo exame físico que o médico fez hoje, o prognóstico parece ser melhor... talvez eu só tenha ferido o tendão lateral, sem o romper totalmente. Descobri (pelo médico) que consigo andar, desde que com um suporte apropriado, com uns ferros de lado. Mesmo assim, continuo a andar com pelo menos uma muleta, pelo sim, pelo não.

Sei também que não tenho quase dores nenhumas, agora que já passaram mais de 24h desde que tomei comprimidos para a dor. Era suposto tomá-los de 4 em 4h e foi isso que fiz no primeiro diz só que (como sou uma enjoadinha) sofri de alguns efeitos secundários e passei a noite toda a vomitar, de tanta naúsea (e vomitar sentada numa cama, de perna esticada, não é nada confortável... fiquei com uma dor de costas incrível). Assim, deixei de os tomar e... não sinto dor. Portanto, pode ser que tenha sido só um susto e que as coisas se componham. Pelo menos, assim espero!

Torçam por mim! :)

2.20.2010

A nova casinha

Há coisa de um mês mudámos para uma nova casa.

Porque mudámos? Muitas razões a favor.

A nova casa, embora mais pequena em termos de número de quartos, tem áreas muito maiores do que a casa antiga e, por isso, é muito mais espaçosa. A renda é mais barata e, ainda por cima, inclui aquecimento... que numa cidade onde os termómetros andam sempre abaixo de zero no Inverno, por vezes chegando aos -30ºC, é importantíssimo. Na casa antiga o aquecimento não estava incluído, logo, ou gastávamos mais de 200 dólares por mês e mantinhamo-nos quentinhos ou tentávamos poupar um pouco e passávamos desconforto.

No prédio onde estamos agora há também lugar para estacionar o carro de cada apartamento, o que nos tira muitas dores de cabeça. Por aqui tem que se obter um autocolante todos os anos que indica que moramos onde moramos e podemos estacionar na cidade. Obter este autocolante revela-se muitas vezes um desafio, não fosse o serviço providenciado por pessoas do tipo segurança social ou outro qualquer funcionário do estado. Para além disso, semana sim semana não há a limpeza de rua. Por causa disso, semana sim semana não, temos que estacionar o carro noutro sítio qualquer, caso contrário levamos uma multa de $50... uma chatice. Agora que temos estacionamento reservado, já nada disso nos afecta... uufff!!

Uma outra super vantagem é que temos lavandaria no próprio prédio e assim não temos que sair de casa para lavar a roupa. Nem imaginam as dores de cabeça que isso nos tira. Lavar a roupa fora de casa ocupa, no mínimo, umas 3 horas do dia de uma pessoa e exige muita organização e coordenação.

O único senão é a localização que, embora seja boa, não é tão boa como na casa antiga, mas... com um carro e uma bicicleta, conseguimos ultrapassar isso da melhor forma.

Porque na casa antiga quase todas a mobília pertencia 'a senhoria, agora temos muito pouca e a casa está ainda bastante vazia mas, mesmo assim, adoramos o nosso novo cantinho.

Eis a reportagem, desde a casa antiga até 'a nova :)

2.15.2010

Uma Montanha Pariu um Rato


A semana passada houve aviso de que uma tempestade de neve se aproximava.

Nas estradas, as luzes psicadélicas em cada semáforo avisavam os mais incautos do que por aí vinha. As escolas não abriram nesse dia. Aqueles que foram trabalhar, sairam logo depois de almoço para assegurar uma chegada a casa a salvo.
Em todo o lado só se ouvia: a tempestade! a tempestade!

No final das contas, neve... nem vê-la! Nem sequer um mísero centímetro para, pelo menos, não tirar todo o crédito aos metereologistas. Lá pelo fim da tarde houve um pózinho de neve a voar e a cobrir algumas superfícies de branco mas, nada mais do que isso.

Hoje há nova previsão de neve e tempestade... vamos lá a ver no que dá desta vez!

2.04.2010

Kilimanjaro here I go!!


Qual dieta, qual ginásio, qual sofrimento e abstenção de chocolaaaaaaaaatttteee?!?!?!
Nada disso. O que está dar é mesmo ir para a alturas e enfardar que nem um texugo e... perder peso. Vejam aqui!
Lindo!!
'bora todos para a Serra da Estrela :P

1.30.2010

Incompetência: do pilim não se esqueceram eles


Toda a gente que por aqui passou, ficou a saber que a minha tese de doutoramento foi uma dor de cabeça, como qualquer tese que se preze. Mas, felizmente a prova foi superada e, virei Doutora.

Ora, estava eu muito descansadinha da vida quando, 4a feira passada, recebo um email da Faculdade de Ciências: "por favor, contacte-nos com a maior urgência acerca do seu Doutoramento". O que é que será que estes gajos querem?

Pedi aos meus pais que me fizessem o favor de ligar para lá e averiguar o que se passava. Ligaram ,falaram e só puderam rir da burocracia típica nas faculdades, que só serve mesmo para atrapalhar, pois eficiência não tem nenhuma.

Os desgraçados estavam aflitíssimos porque, ao que parece... eu tinha que marcar quanto antes a defesa da minha tese. O quê? exclamou o meu pai. Só pode haver um engano! A nossa filha defendeu o ano passado, em Maio e, nem de propósito, ontem mesmo fomos levantar o Diploma 'a Reitoria. Lá balbuciartam alguma coisa, verificaram que são uns incompetentes e o assunto ficou por aqui.

Incompetência, neste e noutros casos, não me surpreende nada. O que me surpreende sempre e muito, é que esta incompetência é maioritariamente parcial, pois para cobrarem serviços e receberem os pagamentos, o sistema funciona sempre.

E é isto que temos!

1.29.2010

Caim


Terminei hoje a leitura de "Caim", de José Saramago. Recomendo!
Não pude deixar de rir com as tiradas desconcertantes, inesperadas e contudo inteligentíssimas. Fez-me pensar... e concordar.

1.28.2010

Avatar



Então, finalmente fui ver o Avatar.

Nunca me teria passado pela cabeça ver um filme deste tipo, não fosse a histeria que se desenvolveu 'a volta do mesmo. Assim, tinha que ver para poder saber o porquê de tanto alarido.

Concordo que Pandora é lindíssimo. Aqueles cenários são espectaculares, as cores, as luzes, as 'arvores, os Na'vi. Tudo muito bonito. Achei também inteligente a forma como o realizador foi buscar ideias já conhecidas actualmente, tal como a analogia da rede neuronal 'a rede formada pelas raízes e tudo mais, e como incorporou isto na cultura dos alienígenas. Mas... pára por aqui. Só foi isso que consegui achar interessante.

Não achei que fosse uma história arrebatadora, com um guião riquíssimo. Foi uma tristeza ter-se caído mais uma vez nas piadolas fáceis e "americanizadas" do tipo "despacha lá isso que eu quero ir jantar a casa", enquanto se preparam para destruir uma civilização, por exemplo. O que ainda podia ter safado a coisa eram os efeitos 3D mas, mesmo esses, passaram-me ao lado. Por várias vezes que me questionei se o meu cérebro estaria a processar bem o efeito 3D pois, para mim, tê-lo ou não ia dar no mesmo. Não achei que enriquecesse o filme.

Portanto, não me entusiasmou muito, para além de concordar que, visualmente, Pandora é fantástica.

Estava até com receio que o 3D me deixasse enjoada uma vez que, tal como referi aqui, sou uma enjoadinha e todo aquele movimento me podia ter deixado 'a banda. Afinal não, não foi o movimento que me deixou 'a banda mas, em vez disso, uma infecção viral que me começou a atacar durante o filme.

Um amigo bem me dizia que eu não devia ir ver o filme, porque ir ficar mal disposta. Ele tinha razão, só não pensei que fosse mal disposta desta maneira :P

1.25.2010

Botas de Ski para fazer xi-xi*



As botas de ski, tirando a serventia para que foram desenhadas, são extremamente desconfortáveis. Apertam imenso nas canelas e na barriga das pernas e quando caminhamos com elas mais parece que somos astronautas na lua. Ainda me lembro da primeira vez que calcei umas e de como me ri que nem uma parola com aquela sensação. Descer escadas com as botas nos pés é uma outra modalidade que nos põe a fazer figuras de debilóides... toc, toc, toc, lá se vai quase aos trambulhões, afastando as pernas como se fossemos os homem-de-lata do feiticeiro do Oz. Eu opto por descer as escadas de costas mas nem assim a coisa fica muito melhor.

No entanto, no meio deste desconforto todo, descobri algo para o qual estas botas são ideais (para além de esquiar, obviamente). Estas botas são óptimas, nem mais nem menos do que, para fazer xi-xi em casas-de-banho públicas. Isso mesmo, leram bem. Fazer xi-xi sem sentar o rabiosque na sanita. Geralmente tem que se aguentar ali, de pernas dobradas, fazendo um belo exercício de quadrícipes mas, com as botas de ski, a gente apoia-se nas botas e já está. Como elas naturalmente inclinam uma pessoa para a frente, basta a gente pôr o peso para trás e a coisa funciona.

Quem é amiga, quem é? Agora já sabem, se souberem que vão ter que usar casas-de-banho desconhecidas, nada como andar com um "parzinho" de botas de ski na malinha (sim, porque as botas são muito pequeninas, cof, cof) e têm o problema resolvido. Qual spray de lixívia e desinfectante qual carapuça! Botas de ski é que é :)

* Não, não é um poema! :)

MIGAGAAAAAA!!!!!!!!



Se ficaram curiosos para saber o que é "migagá" então leiam até ao fim! :)

Este fim de semana estreei o passe de ski desta temporada e fui esquiar. Fui com pessoas que desconhecia mas com quem fiquei em contacto por via de um amigo comum. O desconhecimento foi só evidente quando nos encontramos, pois não sabiamos quem esperar, mas logo isso passou e foi como se tivesse passado o dia com amigos que já conhecia há muito tempo.

Eramos 4, eu, uma Alemã e 2 Alemães e 'as 6 da manhã lá fomos nós para New Hampshire.
O dia estava excelente, nem frio nem quente, o ideal para não se congelar nos elevadores e também para não se transpirar imenso aquando das descidas. O sol brilhou, o céu esteve azul a maioria do tempo e a neve estava boa.
Estava felicíssima: já tinha saudades do branco, do esfregar dos skis na neve, daquela paz e daquele silêncio que se sente quando paramos numa das pistas e não se avista ninguém por uns momentos.
Foi óptimo e, até o que poderia ter dado para o torto, acabou por ser um dos pontos altos do dia.

A primeira coisa foi que, eu, moi meme, a je...esquiou numa pista preta pela primeira vez!!! Para quem não está familiarizado, aqui nos EUA as pistas sobem de dificuldade consoante a côr: a mais fácil é a verde, seguindo-se a azul, a preta e a preta com 2 diamantes (double black, como eles dizem). Até agora eu ficava-me pelas azuis, algumas azuis escuras, mas não me arriscava nas pretas. Ontem lá me convenceram e a coisa nem foi tão difícil quanto eu esperava.

Ao descrever a pista 'a L., em Alemão, J. exclamava qualquer coisa como "migagá! migagá!". O que é que é Migagá, perguntei eu. Riram-se. Não é migagá mas sim "mega gail", que quer dizer super cool e, de facto, a pista era excelente e com neve fantástica. Assim, a partir daí, enquanto descíamos a pista e passávamos uns pelos outros, gritávamos "migagá!!!!!". Ficou a palavra do dia :)

Penso que a pista não era uma super preta mas era sem dúvida mais inclinada do que as azuis e consegui descê-la sem grande dificuldade. Liguei toda entusiasmada ao David para lhe dar a boa nova, ao que ele respondeu também com entusiasmo mas ao mesmo tempo com preocupação: "ai, lá vou eu passar o dia ainda mais preocupado!!"

Mas tudo correu bem. Caí uma só vez, mas até foi em terreno fácil, numa pista azul... tudo por causa de uma cambada de putos que decidiu "estacionar" no cruzamento de 2 pistas. Ao tentar desviar-me. acabei por me espalhar e mandar um ski pelo ar, mas nada de grave.

A segunda coisa aconteceu no elevador. Eu e F. iamos na cadeira da frente e J. e L. iam na cadeira atrás da nossa. F. tirou uma foto a J. e L., depois tirou uma a mim e por fim pediu que eu lhe tirasse uma. Tirei a minha luva, pousei-a na cadeira, agarrei na máquina, tirei a fotografia (plim), devolvi a máquina e, quando ia a calçar novamente a luva quem disse que ela ainda estava onde a deixei? Sem reparar devo tê-la mandado borda fora e lá foi ela para toda aquela neve por baixo do elevador. Como se não fosse mau o suficiente esquiar sem luva (lá ia eu tentar esquiar de mão no bolso... havia de ser giro. Estiloso, no mínimo), aquela era uma luva importantérrima, pois foi o David que mas ofereceu no Natal passado. Porque eu me queixava de ter sempre muito frio nas mãos quando ia esquiar, ele foi 'a loja e pediu a luva mais cara, mais pró, mais XPTO, mais quente, mais cocó possível... e eis que me deu estas super luvas, que adoro.

Chegados ao topo da montanha, lamentei-me aos meus amigos, mas eles não me deixaram desanimar. F. deu-me logo uma das luvas suplentes dele para que eu não congelasse da mão e os 3, juntos, começaram logo a engendrar um plano para conseguirem resgatar a luva. O maior problema é que o terreno por aquelas bandas era perigoso, com montes de pistas pretas e double-black e só umas quantas azuis (escuras), que eram as quais eu fazia... estava feliz por ter feito a pista preta mas não me queria armar em campeã e acabar toda partidinha numa double-black :P

Eles disseram-me: Inês, não te preocupes. Desce a montanha e curte. Vai lá para a pista azul que nós tratamos disto. Vamos por esta pista preta e lá pelo meio vamos tentar entrar pelas 'arvores e encontrar a luva. Acedi, mas não sem antes pedir encarecidamente que não se estatelassem contra nada só por causa da luva.

O combinado foi que nos encontrassemos ao fundo da pista, junto ao elevador. Quando lá cheguei, encontrei-me com J. e L. mas... cadê o F.? Nenhum deles sabia, afinal, ele vinha logo atrás. Esperámos um pouco, perguntámos 'as pessoas que desciam se tinham visto alguém parado na pista e um Sr disse que sim, que tinha visto alguém pelo meio das 'arvores... só podia ser o F.
Esperámos mais um pouco e, precrustando pelo caminho em baixo do elevador que subia, eis que o conseguimos avistar. A caminhar, com botas de ski (que não dão jeito nenhum), lá vinha o F. pelo meio da neve, com uma luva na mão. Ficámos felizes, essencialmente por o ver são e salvo mas também pelo vislumbrar da luva mas... 'a medida que ele se aproximava, algo estava errado. A luva que ele trazia era preta e branca... mas a minha era branca e preta. Um pequeno detalhe mas que, quando ele chegou ao pé de nós e nos mostrou a luva, confirmou que os esforços tinham sido em vão. F. tinha trazido a luva que outro alguém tinha deixado cair.

Vamos de novo, disse J. imediatamente. Desta vez, vamos com atenção no elevador, para vermos mesmo onde é que a luva está. Lá subimos nós de novo, mas desta vez, em vez de apreciarmos a paisagam, fomos com os olhos colados no chão por baixo de nós. Está ali!! disse um de nós. Apreciando o terreno em volta J. disse: temos que ir pela double-black!! Pah, vocês não se partam todos, vejam lá. Se não der não dá!! disse eu, mas eles disseram: relax... migagá!!!!!
E lá foram eles!

Eu desci novamente sozinha, eles foram para a double-black e, quando cheguei ao fundo, fiquei 'a espera... e nada de ninguém aparecer. Passados uns minutos, vejo um pontinho a mexer por baixo do elevador. Era o J. que via a "snowboardar" por entre as 'arvores cortadas e os postes do elevador. "Ai que o gajo se me parte todo!!" pensava eu. Mas não!! Não só ele não se partiu, como encontrou a minha luva e apareceu com um sorriso rasgado de orelha a orelha, claramente com um rush de adrenalina enorme a percorrer-lhe o corpo de tão excitado que estava:
- Inês, teres perdido a luva foi a melhor coisa que podia ter acontecido!! A neve por baixo do elevador é puro pó!! Foi o melhor snowboard que fiz nos últimos anos!!!

E estava felicíssimo e eu também!! :)

Migagá!!!!!!!!!!