2.18.2006

'A Crespita

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Segundo familiares e amigos, tenho um aroma pessoal agradavelmente inconfundível. Ao que parece, essa era já uma das minhas característica enquanto bebé.

”Hhmmm, que cheirinho bom tem esta bebé!”, conta-me a minha mãe sobre a reacção das muitas pessoas que me pegavam ao colo. E é ela mesma prova disso. Sempre que se dá o nosso reencontro e nos abraçamos, a frase que de imediato me envolve, entrecortada pelo sorriso e pela emoção, é “Ah, cheira ‘a minha Nês!”.

Das situações enquanto bebé não lembro mas, o que é certo é que, de facto, devido ao meu cheiro, já passei por situações caricatas ou interessantes que deram e continuam a dar lugar, neste blog, ‘a rubrica “Essência”.

Esperta e astuta como é, a minha irmã, que carinhosamente apelido de Crespita, percebeu de imediato que esta seria uma porta de entrada para um lugar de destaque no blog. Assim, volta e meia escreve uns comentários em que refere a minha essência, pisca o olho indicando a deixa ou, ainda mais directamente, abraça-me, como o fez este Natal e diz, de corridinho:

- Ai que cheiras tão bem! Ai que cheirinho a Nês! Que perfume é? Como cheiras tão bem? Ai que bom! Ai que bom! Pronto, agora vê lá se me pões no blog!! – e riu-se de “macaca”.

Tonta. Como se precisasse disso!

O que é certo é que a minha irmã é parte fundamental da minha vida e sem a qual nunca teria sido possível, mesmo com toda a perícia e sapiência com que os meus pais me (nos) souberam criar, ter tido uma infância, adolescência, passado, presente (e um futuro que se adivinha) tão felizes e repletos. Mesmo sem lhe fazer uma referência directa, está presente em muito do que escrevo, sendo mesmo, por vezes, uma das únicas pessoas que irá perceber o que relatei na sua plenitude.

“Porque somos irmãs, damo-nos como irmãs.”
Andámos ‘a “batatada” como todos os irmãos (e cuidado com ela se se mune com a flauta! :P), fomos traquinas, fizemos asneiras e corremos para puxar a saia da mãe e dizer “olha a mana! foi ela que fez!”. Tivemos as nossas discusssões e desaguizados, revoltas, revoluções. Todas as turbulências por que passam os irmãos.

Mas, acima de tudo e, “porque somos irmãs, damo-nos como irmãs”, une-nos uma cumplicidade única. Encontrei, encontro e sei que encontrarei sempre na minha Crespita uma aliada, uma ajuda, um ombro amigo, alguém que escuta sem censura, uma companheira, mais que tudo uma Amiga.

A minha irmã é a pessoa que guarda daqueles segredos que só os irmãos partilham: “não digas nada aos pais!”, companheira de peripécias de que só os irmãos comungam (ataques de riso abafados a meio de um casamento; “quiche de la raine?? ai que bom!”, “fetelosa?!”, não te esqueças de tocar ‘a campainha, “cortei-me, ajuda-me!”, “vamos brincar ‘as casas”).

Embora irmã mais nova, sempre foi a mais “terrorista”, destemida e aventureira. Acabou muitas vezes por ser a minha salvadora no recreio da primária, enfrentando de punhos cerrados os putos reguilas. Aliás, uma característica que perdurou para a adolescência quando, já no liceu, ficou muitas vezes conhecida pela “Eduarda da Estalada”, pois era assim que despachava as miúdas que ousavam interpor-se entre ela e a sua paixoneta da altura.
Muito dramática sem dúvida (“Eu não sou a escrava Isaura!”, respondia sentidíssima do alto dos seus 7 anos, quando lhe disseram que era a sua vez de lavar a loiça) mas porque vive tudo genuína e intensamente.
E de uma intensidade e genuidade lindas.

Não obstante ser dura e firme nos momentos que o exigem, muitas vezes surpreendendo tudo e todos, é, no entanto, de uma bondade tocante. ‘A sua volta nunca ninguém está triste, põe toda a gente bem disposta com o seu humor inimitável, as saídas inesperadas e que desarmam qualquer um (“Calma meu!”). Tem um coração de manteiga, é doce, sente-se o mel no olhar e o açucar nos constantes beijos e abraços com que presenteia todos que a rodeiam. E’ uma casa cheia , a alegria que transborda. E quando canta: Ah, Fadista!! A voz de rouxinol enche a casa novamente de cores e brilhos.

E' uma pessoa Bonita. Das poucas pessoas genuína, ingénua e verdadeiramente boa que conheço. Por vezes, inconsequentemente boa (ainda recordo o susto que a minha mãe apanhou quando a Crespita, no dia de anos dela, decidiu trazer uma multidão de criançada, toda a que havia no parque de campismo, para comer o bolo de anos... pequenino proporcionalmente). Dá, partilha e divide o que tem e o que não tem. E só pelo bem querer e entrega, a migalhita que couber a cada um sabe qual fatia.

Por tudo isto e muito, muito mais, que alguma vez as palavras poderão transpôr para o papel, a minha irmã é uma parte tão importante da minha vida. E por ser tão importante, escolhi esta foto para ilustrar o post. Foi tirada no dia da prova final do vestido de noiva, que ostentou orgulhosamente no dia do seu casamento. Dia esse em que, seguramente, a sua felicidade ultrapassou todos os limites que até então julgávamos terem sido atingidos.

Eu estava acabada de regressar de Nova Iorque. Ainda com as malas no carro corri para estar com ela naquele momento, que sabia querer partilhar comigo. Só eu e ela poderíamos perceber, por entre os nosso filtros de cumplicidade e união, o significado daquele momento, o sorriso e o abraço na fotografia… que nada mais consegue captar para além disso.

E é por causa de pessoas tão preciosas como a Crespita e momentos como este que sou o que sou, que tenho a Essência que tenho, que sou a Inês que hoje existe e que tem o cheiro que tem. Por isso, Crespita, estás sempre presente, no que digo, no que faço, no que escrevo… sem serem precisos “mensagens” ou pedidos!

Da tua Bambinita :)

3 comments:

Fadalê said...

que estes momentos perdurem para lá da eternidade!!!.....
que mais dizer????????

eduarda baptista said...

ate chori!!
que blog lindo, um autentico hino a tudo o que nos une! Adorei.
sem duvida que valeu a pena as piadinhas sem fim ao teu cheiro, porque esperei mas tive um blog ennorrrmmmeeee so para mim....hihihihihih
Bambinita, acredita que apesar das nossas noias (g'anda noia)tu serás sempre a minha mana com quem continuarei a ter ataquinhos de riso, a relembrar peripécias do passado e a "escrever" o futuro...
Para que todos saibam, a generosidade reina na familia, pois o vestido lindo que eu trazia no meu casamento foi sem duvida uma das prendas que mais gostei...quem deu, quem foi???(não se incomodem com o que vou fazer à mão da Santinha...oh...oh...) a BAMBINITA.
Por tudo isso e muito mais, o meu obrigada. Amo-te muito, como so duas mafarricas o sabem fazer!!!
adorei, amei,gostei, delirei, e tudo mais terminado em ....ei.
jokas gds
meb :)

Ana Nascimento said...

que lindo! :) só para partilhar, eu nao tenho um cheiro, mas a minha mãe diz que reconheceria as minhas mãos de olhos fechados, ao toque, onde quer que fosse (mesmo tendo sido mãos de criança que se transformaram em mãos de uma quase trintona!!). e é tão bom qdo nos dizem que somos assim únicas, especiais!