1.30.2006

E' no que dá azucrinar o Destino

Tinha 14 anos e andava no 9ºano.

Num dos intervalos, junto ‘as escadas do portão principal da escola, comentava com o meu amigo Rui o sonho que tivera naquela noite.

- Vê lá o que eu fui sonhar?! E o mais giro é que era mesmo real Rui. Sonhei que tinha ido para os EUA e que andava em Harvard.

O Rui sorriu e, sempre muito cauteloso e correcto como só ele sabe ser para nunca por nunca ferir susceptibilidades, disse-me, batendo-me afectuosamente nas costas:

- Inês, mesmo sendo nós os melhores alunos da turma, acho que isso nunca será para o nosso bico.

Assenti com a cabeça, como que a concordar, mas não tinha assim tantas certezas disso.

“Porque é que não há-de ser, ora? Temos cabecinha como os outros....”

E penso ter sido este o momento que marcou o que seria por muitos anos uma das minhas maiores convicções. “Um dia vou para Harvard!”

A Universidade de Harvard, sobejamente conhecida como uma das melhores do mundo e pertencente ‘a Ivy League, andou sempre no meu horizonte.

“Um dia vou para Harvard!” ouviram os meus colegas de secundário frequentemente, bem como os colegas na Universidade (acho que alguns, ‘a força de o ouvir tantas vezes, já não ligavam e encolhiam os ombros a dizer – lá está ela!). Terminado o curso, fui aceite no programa de Doutoramento da Gulbenkian, juntamente com outros amigos de turma da Faculdade que, na consciência de que esse programa nos abriria quase todas as portas que desejássemos, de imediato assumiram: “Olha, é agora que ela vai mesmo para Harvard”. Era já um dado adquirido.

Chegada a altura das entrevistas, foi certinho direitinho. Tinha 8 entrevistas marcadas, 5 das quais onde? Nem mais, em Boston, todas na Universidade de Harvard. Mesmo tendo alguns laboratórios pedido que fizesse uma apresentação sobre o meu trabalho anterior (coisa não muito frequente quando se concorre para o Ph.D) não me inibi. “Armados em difíceis? ‘Bora lá!”
Fiz as entrevistas, fiz as apresentações e todos os laboratórios me ofereceram uma posição. Chegada a Portugal, a pergunta que se impunha:
-“Então Inês, quando vais para Boston?”
- “Não vou!” – e era ver a cara de espanto na maioria das pessoas. Toda a gente caía de cu.
- “Como não vais?!?!” – como quem diz: andámos estes anos todos a ser martelados com “Um dia vou para Harvard!”, “Um dia vou para Harvard!” e agora não vais?
- Não. Nem pensar!

Detestei de imediato a cidade, os laboratórios desiludiram-me e, de uma maneira geral, as pessoas tinham uma atitude superior e presunçosa que me mexeu com o sistema.

Assim, abro aqui espaço para, juntamente ao caso do 69, quebrar mais um mito urbano. Harvard não é a nata da nata que se pensa. E’ okzito mas nada do outro mundo.

Tive a sorte imensa de, em Nova Iorque (onde se realizaram as outras entrevistas), ter, não só encontrado uma cidade E X T R A O R D I N A R I A e com a qual me identifiquei de imediato, como também encontrei um (soon to be) chefe que adoro e por cujo intelecto ando constantemente apaixonada.

Nem pestanejei: NY here I go!! Esqueci a minha convicção (felizmente flexível) e andei felicíssima da vida até que...

... pois é. Ao fim de 1 ano e 8 meses, o meu chefe recebeu e aceitou uma posição em Harvard e, lá foi a Inês de requitó para a parvalheira que tanto detestou e que já tinha colocado para trás das costas.

Desta feita, hoje em dia é frequente ouvir dos meus amigos, quando me lamurio desta terrinha e suspiro com saudades da Big Apple:

- Era o destino Inês!! Acho que também ele (o destino) se fartou de te ouvir!

Pelo sim, pelo não, agora não me pronuncio quanto 'a minha próxima convicção :)

6 comments:

Menina Azul said...

Por um acaso a minha panca sempre foi mais com o MIT, n sei porque... Espero hoje tb q nao se concretize...

madalê said...

O destino está marcado????????
Ou
Não cuspas para o ar que ele cai na cara!!!!!!!!!!!!!
Verdade, verdadinha é que tinha que fazer parte do teu currículo a passagem por Harvard.
Depois..depois.........se verá o que se seguirá. Contigo tudo é possível

eduardabaptista said...

quando se é uma pessoa como tu, não há limites!!!!
harvard, n.y., alemanha, suiça, europa e mundo inteiro, é so escolher!!!
com a tua dedicação,ambição e vontade o universo é o limite!!!
uma verdadeira Baptista!!!
(eu devo ser adoptada-hihihihihih)
méééééé-mééééé - ovelhita negra!!!
jokas meb
lolololol

Jerusa e Marco said...

Isto é PNL com resultados reais!!! Programacao neurolinguistica, podes tbem escrever um livro sobre o tema "PNL" com resultados reais e ganhar muito dinheiro. Os livros de auto-ajuda sempre estao entre os mais vendidos, além do que já tens a experiencia em escrever (blog) e podes colocar na contra-capa: Biologa com PhD em Harvard, bem chik... e vende... Hmmm, quem sabe tua proxima conviccao será fazer um post-doc no Brasil?
Beijinhos e ótimos desejos!

∫nês said...

Shhhhh, Jerusa. Keep it quiet ;)
Não fales de futuro em voz alte que pode dar azar... ou acabar mesmo por suceder :)

∫nês said...

Shhhhh, Jerusa. Keep it quiet ;)
Não fales de futuro em voz alte que pode dar azar... ou acabar mesmo por suceder :)